quarta-feira, 22 de maio de 2019

Pedra do Faraó via Cachoeiras de Macacu

Por Leandro do Carmo


Participantes: Leandro do Carmo, Ivison Rubim e Rafael Faria do Carmo
Data: 05/03/2019
Local: Cachoeiras de Macacu


Curiosidades sobre a Pedra do Faraó


A Pedra do Faraó, também conhecida como Pedra da Visão ou Pedra do Corcovado, é uma incrível formação rochosa com uma altitude em torno de 1.719 metros. Serve de referência como divisor dos municípios de Nova Friburgo, Silva Jardim e Cachoeiras de Macacu.

Está situada entre três importantes unidades de conservação da natureza, a APA Macacu, APA Macaé de Cima e o Parque Estadual dos Três Picos.

Existem três caminhos de acesso: Através de Cachoeiras de Macacu, passando pelas ruínas da antiga Fazenda Santa Fé, subindo acompanhando o Rio Boa Vista, no qual podem ser encontradas diversas quedas d’água de rara beleza. Por Macaé de Cima seguindo a estrada que acompanha o Rio Macaé, até se chegar a trilha que segue ao topo da Pedra do Faraó. E o outro acesso é por Silva Jardim, subindo uma das microbacias afluente do Rio São João.

Esta formação rochosa, recebe este nome devido a alusão da imagem da cabeça de um Faraó com seus adornos, vista de perfil ao ser observada a distância no sentido a partir da Pedra da Caledônia que divide os municípios de Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu no Rio de Janeiro.
Nas proximidades da Pedra do Faraó encontram-se várias nascentes de água que contribuem para formar os rios São João, Macaé e Boa Vista, este, afluente do Rio Macacu.

Dicas para subir a Pedra do Faraó

A trilha é de difícil orientação, mesmo com GPS.  Aconselhável o pernoite na base do Faraó ou em seu cume. Existe bastante água pelo caminho. Levar facão.

Como chegar ao início da Trilha da Pedra do Faraó

O início da trilha fica no Refúgio da Vida Silvestre de Santa Fé. Vindo do Rio de Janeiro, dobrar a direita, logo após o viaduto no centro de Cachoeiras de Macacu, entrar à direita, em direção ao bairro de Boa Vista, seguir a estrada até seu final.




Tracklog da Trilha da Pedra do Faraó: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pedra-do-farao-36461965

Tracklog do Caminho até o Refúgio da Vida Silvestre de Santa Fé: https://pt.wikiloc.com/trilhas-off-road/estrada-ate-o-refugio-da-vida-silvestre-de-santa-fe-36462088

Vídeo da Trilha da Pedra do Faraó




Relato da Trilha da Pedra do Faraó

Em 2018, o Ary Carlos e o Rafael Faria haviam feito o pernoite no cume da Pedra do Faraó, saindo de Cachoeiras de Macacu e isso me inspirou em tentar repetí-la. A ideia inicial era também fazer o pernoite, mas não consegui conciliar as datas e acabou que resolvemos fazer um bate e volta. A caminhada era pesada. Aproximadamente 17 km no total e 1.300 m de desnível, além de ser de difícil orientação. Não fiquei pensando muito... Apenas decidi ir.

Nesse dia, estávamos eu, Ivison e o Rafael, o único que já havia ido. É fato que a caminhada por Cachoeiras de Macacu é mais pesada, mas também é mais desafiadora. Por isso marcamos de sair as 5:30 h de Niterói, assim teríamos mais tempo. A viagem foi tranquila e paramos para um café da manhã numa padaria já em Boa Vista, por sinal, tem sido nosso ponto de apoio nas investidas na região.

Abastecidos, seguimos de carro pela estrada até o Refúgio da Vida Silvestre de Santa Fé, onde estacionamos o carro e nos preparamos para a caminhada. Encontramos um casal de moradores local que ficaram até assustados quando falamos que iríamos à Pedra do Faraó... Mas estávamos ali para isso. Queríamos aventura!

Iniciamos nossa caminhada, efetivamente, as 08:15 h. O dia estava firme e já fazia bastante calor. Atravessamos a ponte e começamos a subida. Nesse começo, o caminho é aberto e tranquilo. Passamos pela entrada de diversos poços excelentes para um banho, mas nosso objetivo era outro. Pelo caminho, cortamos diversos pequenos cursos de água que brotavam montanha acima. Abundância total. Passamos também por alguns casebres, uns mais bem construídos, outros nem tanto. Perto de um bambuzal, cruzamos com uma jararaca. Nem havia visto. Quando o Rafael disse para eu parar, já estava há uns dois metros dela...

Às 09:21 h descemos um trecho para atravessar o rio. Foi onde escorreguei e desloquei meu dedinho da mão esquerda. Coloquei no lugar e vi que estava mexendo e não havia sinal de fratura. Com tudo em ordem, tiramos a bota e atravessamos o rio. Seguimos subindo até o último casebre, a partir dali, a aventura iria começar.

Seguimos o caminho e entramos na mata novamente. A medida que andávamos a trilha ia ficando menos definida. Após alguns minutos, chegamos a um largo, onde nos deparamos com a primeira dúvida de muitas ao logo do dia: Para onde ir? O GPS até indica o caminho, mas nem sempre é tão obvio assim. Não achamos a picada e resolvemos abrir caminho no facão. Continuamos num trecho curto até que voltamos novamente para a trilha. O caminho continuava fechado e agora com muitos cipós, arranha gato e uma espécie de bambu que parece que tem uma lixa, deixando os braços todos lanhados. O Rafael foi subir um trecho onde precisava de auxílio das mãos e quase segurou em outra jararaca. Nesse ponto nem adiantaria perneira...

Passado o susto, seguimos subindo até fazermos nossa primeira parada. Nesse ponto coloquei uma camisa para cobrir os braços, já não dava mais para aguentar os arranhões. Dali continuamos a subida. A mata mais fechada que os trechos anteriores. Bastavam poucos metros para perder um de vista. Assim, resolvemos andar bem perto um do outro. Só eu estava com facão. E optei por não usar muito, pois cansa bastante.

O calor estava bem forte. A mata continuava exuberante. Algumas moscas de quase 3 cm perturbavam em alguns pontos. E o problema, é que elas picavam por cima da roupa. Começou a dar câimbras e na primeira oportunidade comi duas bananas e tratei de me hidratar mais. E deu certo. Aos poucos, as câimbras foram dando espaços maiores, até sumirem. Fazia muito calor e estava muito úmido, combinação perfeita para uma rápida desidratação. Passamos por diversas grandes árvores caídas, o que dificultava bastante a progressão. Num ritmo bom, chegamos ao ponto do acampamento base às 12:50. Era hora de descansar um pouco e preparar para o ataque ao cume.

Calculamos algo entorno de 1h 30min para alcançar o cume. Iniciamos a subida. O começo é bem íngreme e com muitos bambuzinhos que ficam trançados pelo caminho. Tudo agarra. Aos trancos e barrancos superamos esse trecho e começamos a caminhar num trecho mais aberto e sem tanta vegetação. Após um trecho com menos inclinação, veio mais uma subida forte. Começou a me dar câimbras. E Foi nessa hora que nos reunimos e estabelecemos um horário para voltar. Caminhar durante a noite naquela parte mais fechada do caminho não seria uma boa ideia.

Eram 14 horas, quando demos o prazo de 14:30 para começar a descer, independentemente de onde estávamos. E assim nos dividimos. O Ivison ficou e eu segui na frente, com o Rafael logo atrás. Para adiantar, deixamos as mochilas num canto e seguimos mais leves. Nesse momento, a formação de nuvens já era maior e o barulho de algumas trovoadas eram cada vez mais constantes. Cheguei a uma árvore seca caída e não conseguia mais ver a trilha. Consegui transpô-la e ainda subi mais um pouco. Conseguia ver que o cume estava logo ali à frente. Não estava fácil progredir. Olhei no GPS e o caminho era por ali. Mais trovoadas... Comecei a afundar em alguns pontos, não estava nada fácil.

A hora estabelecida havia chegado. Dava para continuar, mas estaria descumprindo o combinado. Estava logo ali... Nesse momento, dei meia volta e comecei a descer novamente. Mais abaixo um pouco, encontrei o Rafael e ele me explicou como deveria ter feito. Bateu com o caminho que estava fazendo, mas precisaria de mais tempo para chegar. E era o que não tínhamos no momento. Começamos a descer e reencontramos o Ivison, um pouco mais acima de onde havíamos nos separado. Dali, pegamos o caminho de volta. Começamos a descer a ainda paramos para foto de despedida do “Guardião”.

Chegando ao ponto do acampamento base, fizemos uma pausa maior para um merecido descanso e um lanche. Estava bem cansado. Ainda pegaríamos todo o caminho de volta, mas pelo menos era descida. Começamos então a descida. Alguns trechos eram fáceis de lembrar, outros, mesmo tendo passado há poucas horas, ficava difícil de identificar por onde seguir. Por vezes, fazíamos um caminho diferente e até mais fácil. Era até engraçado, pois ficávamos nos perguntando como é que não tínhamos visto isso na subida. A chuva começou a cair, mas não foi forte. O calor ainda era grande, apesar de estarmos molhados.

Por vezes nos distanciávamos alguns metros, mas o suficiente para perdermos contato visual. Em um momento, o Rafael precisou apitar para podermos nos encontrar novamente. Com o tempo fechado e o final da tarde se aproximando, já era nítida a piora na visão. Mas estávamos bem e chegaríamos a tempo. Há aproximadamente 30 minutos do casebre, tive a certeza de que fizemos o correto ao estabelecer o horário de volta e mais ainda, de ter cumprido, mesmo estando a poucos metros do cume. Não que seria impossível caminhar no escuro, mas já estávamos exaustos e a descida seria dura!

Depois de muito andar, saímos da mata e tudo ficou mais claro. Já conseguia ver o casebre e foi um alívio chegar ali. Era 18:15 h. Paramos para um merecido descanso. Arrumei as coisas para a volta. Preparei a lanterna e em 15 minutos, começamos a descida. Chegamos ao rio e era hora de atravessar o rio novamente. Foi duro tirar a bota e colocar o pé naquela água gelada. Mas depois que você entra, até fica bom. Já era noite e foi hora de pegar o caminho de volta, esse muito mais definido. Liguei o piloto automático e descemos até o carro. Lá ainda tomamos um banho e trocamos de roupa. Além de exaustos, estávamos muito sujos. Parecia que estávamos voltando de uma batalha.... Missão cumprida!

Pedra do Faraó

Pedra do Faraó

Pedra do Faraó


Pedra do Faraó

Pedra do Faraó

Pedra do Faraó

Pedra do Faraó

Pedra do Faraó


terça-feira, 14 de maio de 2019

Trilha da Pedra do Colégio - Cachoeiras de Macacu

Por Leandro do Carmo

Data: 10/02/2019


Curiosidades sobre a Pedra do Colégio

A Pedra do Colégio é o símbolo da cidade de Cachoeiras de Macacu, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Situada a seis quilômetros do centro da cidade, ela é um imenso e maciço bloco rochoso com 300 metros de altura. Suas paredes esquentam muito com o sol, favorecendo as condições térmicas para a elevação de asas-delta. Em razão disso, a Pedra do Colégio foi a sede do primeiro campeonato de voo livre em Cachoeiras de Macacu. Fazendeiros e agricultores contam que lá já funcionou um colégio jesuíta. Daí o nome de Pedra do Colégio, considerada o cartão postal da cidade. De lá de cima avista-se a Serra dos Órgãos, o vale serrano e parte da cidade.

Como chegar à Pedra do Colégio

Vindo do Rio de Janeiro, logo após o viaduto que corta o centro da cidade, virar à direita e seguir ao bairro de Boa Vista. Abaixo o ponto após o viaduto até o começo da estrada secundária:


Dicas para fazer a Pedra do Colégio

A trilha é bem tranquila e rápida. Segue subindo a estradinha, passa a porteira e num determinado ponto entra num recuo e, dali, segue pela trilha propriamente dita. Não existe água pelo caminho.

Relato da Trilha da Pedra do Colégio


Sempre havia ouvido falar na Pedra do Colégio, mas foi depois que fui à região do Refúgio da Vida Silvestre de Santa Fé que prestei bem atenção nela e resolvi que iria subí-la. Só faltava a oportunidade...

Quando soube que meu irmão iria, aproveitei a oportunidade. Essa era a hora!

Nos encontramos em Santa Rosa e de lá seguimos no meu carro. A viagem até Cachoeiras de Macacu foi rápida e tranquila. Já no Bairro de Boa Vista, paramos numa padaria para o café da manhã. O dia estava firme, apesar dos últimos dias terem tidos chuvas fortes ao final do dia. Se chovesse, seria no final da tarde, como de costume nesse verão. Terminado o café, seguimos no carro, passando pelo bairro até chegar na estrada de chão.

Fomos subindo e estrada ia ficando ruim. Num determinado momento, entramos numa estradinha
bem ruim e estreita. Tinha muito mato em volta, mas aos poucos foi abrindo. Havia possibilidade de deixar o carro mais embaixo e subir andando, mas seguimos na estrada até uma porteira, próximo ao ponto onde tem uma placa informativa do Monumento Natural da Pedra do Colégio. A estrada até esse ponto tem alguns trechos bem íngremes, nem todos os carros sobem, mas deixar o carro mais embaixo também é uma ótima opção.

Estacionamos o carro num largo, antes da porteira e de lá começamos a caminhada. O sol já estava forte. Seguimos andando pela estradinho e logo veio uma casa. Na cerca um pé de jambo carregado! Foi hora de parar e pegar alguns. Dali seguimos subindo ainda por caminho bem aberto, o que significava sol na cabeça! Mas logo ficamos abrigados entre as árvores. A estradinha ia subindo. Passamos por uma cabana de madeira e mais acima um largo à direita. A entrada da trilha fica bem ali, não está muito perceptível, mas com um olhar mais atento, consegue-se ver.

Desse ponto, começamos a trilha propriamente dita. O caminho já ficou mais fechado. Seguimos subindo e logo estávamos numa espécie de crista. Subimos mais um pouco entramos numa mata bem preservada. Grandes árvores se destacavam. A trilha vai seguindo bem definida e logo chegávamos a um colo entre a Pedra do Colégio e um morro à sua esquerda. Continuamos contornando-a até estar na parte de trás dela. De lá, subimos mais um pouco até chegar ao cume.

Tinha bastante mato na chegada, mas existia um caminho mais definido que ia descendo para a esquerda. Achei um lugar mais aberto e foi lá que paramos para apreciar a bela vista. Conseguíamos ver bastante coisa a nossa frente. Era de um verde exuberante. Vários tons em uma enorme janela. Do cume, não víamos a rocha e não tínhamos noção do quanto alto estávamos. Aos poucos as nuvens foram cobrindo a paisagem e parecia que o tempo iria virar. Depois de descansar um pouco, pegamos o caminho de volta e como para baixo todo santo ajuda, rapidamente chegamos ao ponto onde tinha o pé de jambo. Comi vários!

Procurei uma sombrinha para refrescar e fazer algumas imagens com o drone. Esperei o resto do pessoal chegar e de lá fomos para o carro. Resolvemos subir e ir nas cachoeiras do Refúgio da Vida Silvestre de Santa Fé. De carro, foram mais uns 25 minutos de subida, até ao fim da linha. Dali fomos direto a um poço refrescante. A água estava fantástica. Um belo final de dia...




quinta-feira, 11 de abril de 2019

Vídeo: Cerro Vinicunca - Montanha Colorida - Peru

Montanha Colorida, meu primeiro cume acima dos 5.000 metros

Por Leandro do Carmo

Cerro Vinicunca - Peru (Montanha Colorida)

Dia: 08/08/2018
Local: Cusco – Peru
Participantes: Leandro do Carmo, Raquel Terto, Alberto Larj, Rafael Farias, Leonardo Chicayban, Alexandre Bibiani e Vanessa Berton

Dicas

A chamada Montanha Colorida, Montanha de Sete Cores ou simplesmente Vinicunca, em quéchua, é uma montanha localizada a aproximadamente 100km ao sudeste de Cusco, no distrito de Pitumarca, província de Canchis. Como grande atrativo, temos a sua incrível coloração, com diversas tonalidades. Isso se deve a sua composição química, aos diversos minerais que a compõe, juntamente com a erosão causada principalmente pela chuva e pelo vento. Ela faz parte do circuito do nevado Ausangate, a quinta montanha mais alta do Peru, com seus 6.372 metros de altitude.

O ponto mais alto alcançado nessa e trilha é de 5.100 metros. É de lá que temos uma visão fantástica das cores. Dependendo da época, pode-se encontrar muita neve pelo caminho. A roupa adequada vai fazer a diferença.

Vídeo


Relato

Fazer o cume estava dentro dos nossos planos de aclimatação. Chegar aos 5.100 metros e depois voltar para Cusco, seria um grande teste para a Sankantay. Pela distância, cerca de 3,7 km ou pela orientação, não há dificuldades. O problema estava na altitude. Nunca havia chegado tão alto. O desnível acumulado nem era tão grande assim, cerca de 350 metros, mas já começaríamos a subir a partir dos 4.600 metros.

Havia a possibilidade de fazermos a Montanha Colorida após a Salkantay, mas optamos fazer todos juntos, visto que a não chegamos ao Peru no mesmo dia, nem iríamos embora no mesmo dia também. Isso tudo, conversamos com Belli Chavez, guia que contratamos lá em Cusco e que agilizou os passeios que fizemos por lá. Já havíamos feito o Moray, Salinas de Mara e Vale Sagrado no dia anterior. Aos poucos íamos nos aclimatando.

A viagem até o ponto onde iniciaríamos a caminhada era longa, cerca de 80 km de estrada até Cusipata e de lá, fomos por uma estrada de terra até o restaurante onde tomamos o café da manhã. Havíamos saído as 3:30h da manhã do nosso hostel. Depois de tomarmos o café, seguimos ainda por um caminho com muitos precipícios. Aos poucos, íamos ganhando altitude e o verde da floresta foi dando lugar ao cinza das pedras e ao branco da neve. O dia estava firme, porém frio. Passamos por alguns vilarejos e continuamos subindo. Quanto mais alto, mais neve. Para quem nunca havia passado dos 3.000 metros e nunca havia visto neve, era uma sensação fantástica.

Cruzamos por uma família peruana com suas roupas coloridas e seguimos serpenteando a montanha de pequenas pedras. Paramos num ponto que parecia uma portaria. Saímos para curtir um pouco o local. Muitas Lhamas pelo local. Fizemos algumas fotos e quase que tomei uma cabeçada de uma! Acho que o grito da Vanessa fez ela mudar ideia, parou a alguns metros...

Entramos na van e continuamos a subida. Quanto mais subíamos, mas neve havia em volta. Teve uma
hora que a van não subia mais. Descemos ali e continuamos andando até o local de estacionamento. Ali, nos preparamos para subida. Como é uma caminhada bem turística, havia gente de todo o tipo. Para quem estava sem fôlego para subir devido a altitude, há possibilidade de fazer quase todo o caminho à cavalo. Comecei a caminhada encantado pela neve. Como havia dito, era a primeira vez que via gelo... O leito da trilha estava bem aberto sem neve, devido ao pisoteio das pessoas e dos cavalos. Mas em alguns trechos, dava para ir até ela.

Fazíamos algumas paradas para retomar o fôlego e continuar a subir. E não é simples caminhar acima dos 4.000... Algumas crianças da região, passavam correndo e rindo pela gente, sinal de como o ser humano se adapta aos ambientes. Mais acima, uma bela peruana vendia chá de coca. Paramos ali para descansar um pouco. Tomei uma caneca de chá bem quente, o que deu um ânimo. Continuamos a subida e chegamos a um colo, onde havia uns abrigos de pedra. Ali estava abrigado do vento e dava para ver a última subida.

Nesse ponto, muita gente para descansar. Ali, deixei a mochila para subir mais leve. Nesse ponto, tinha muita gente passando mal. Acho que quanto mais tempo ali, mas elas pioravam. Tratei logo de subir. A subida segue por uns degraus bem irregulares cavados. Alguns trechos eram bem expostos e perder o equilíbrio ali, faria com que a pessoa descesse rolando. Um perigo. Já estava próximo do cume, nunca havia subido tão alto. Quando se está ao nível do mar, subimos e a respiração logo se acelera. Basta parar e descansar um pouco que tudo volta ao normal. Mas ali, essa lógica não funcionava. Tinha que esperar bem mais...

Já bem próximo ao cume, olhei para cima e vi que faltavam apenas alguns metros. Concentrei na subida. Foi como se algo me levasse lá para cima. Aquele empurrão final! Cume! Estava a 5.100 metros! Uma vitória para mim. Havia visto fotos do local, mas não imaginava que seria tão bonito. E a Montanha Colorida é colorida mesmo!!! Sempre achei que fosse um tratamento do photoshop, mas é verdade. Possui cores diversas! É impressionante. A neve em alguns pontos davam um toque especial. Todo o esforço foi recompensado!

Chegar ao cume não era o final da caminhada. Na verdade, chegar ao cume era a metade da caminhada. É claro que se valendo do ditado popular “pra baixo todo santo ajuda”, voltar não era tão simples assim. Depois de algum tempo tirando fotos e registrando esse momento mágico, era hora de descer. A descida nesse trecho foi delicada. Havia muita gente, todos querendo o melhor ângulo para foto, o que poderia até causar um acidente no caso de um esbarrão. Segui descendo e de volta no colo, onde haviam os abrigos de pedra, resolvi que não iria ao Vale Vermelho, já não estava me sentindo tão bem.

Comuniquei ao grupo e a Vanessa resolveu descer comigo. Seguimos descendo, já num ritmo bem melhor que na subida. Fizemos algumas fotos pelo caminho. Num determinado momento, senti o indicador da mão direita doendo. Quando tirei a luva, a ponta do dedo estava meio roxa e a dor estava aumentando. Fiquei esfregando a ponta do dedo e coloquei a mão por dentro do casaco e embaixo do braço. Aos poucos a temperatura foi aumentando e a dor passando. Passado o susto, seguimos descendo.

Quando cheguei à van, entrei e deitei um pouco. Estava meio tonto e enjoado. Com certeza estava sentindo os efeitos do “soroche”. Peguei no sono e só acordei depois do almoço, bem abaixo de onde estávamos. Quando tentei levantar, a cabeça rodou e vomitei. Como num passe de mágica, o mal estar foi passando. Tomei um remédio para dor de cabeça e em poucos minutos já estava bem. A viagem de volta foi muito agradável, apesar do mal estar que havia sentido. Ficaram lembranças inesquecíveis!
















quarta-feira, 3 de abril de 2019

Trilha do Pico do Glória - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Dia: 08/09/2018

Participantes: Leandro do Carmo, Ary Carlos, Alessandra Neves, Mauro Mello, Stephanie Maia, Marcelo Rocha, Verônika Kogel, João Bernardo, Diogo Paixão e Leandro Conrado.

Curiosidades


O Pico do Glória possui 1.900 metros de altitude e está localizado bem no meio do Vale do Bonfim, cercados por uma majestosa cadeia de montanhas, dentre elas: Açu, Morro da Luva e o Cubaio. Seu acesso é pela mesma trilha que segue para a Cachoeira do Véu da Noiva e o Cubaio.
O  Pico do Glória foi a primeira conquista do Centro Excursionista Brasileiro (CEB). Esse feito foi realizado no dia 22 de junho de 1931, doze anos após a fundação do Clube. O Pico do Glória pode ter sido escalado anteriormente, mas essas excursões não foram oficializadas porque não era hábito fazer relatórios na época.

A trilha


A trilha do Pico do Glória pode ser dividida em três trechos. Inicialmente é a mesma que vai para a Cachoeira Véu da Noiva. A partir do topo da Cachoeira Véu da Noiva, segue pelo leito do rio, caminhando por uma laje e por diversas pedras pelo caminho. Por caminharmos no leito do rio, a melhor época e fora das chuvas. Na terceira parte fica a subida mais dura da caminhada. Possui três trechos de escalada, que recomenda-se a utilização de equipamento de segurança.
Material utilizado: Corda de 30 metros e EPI.

Como chegar ao Pico do Glória

https://goo.gl/maps/LGTbNNMGgT72


Vídeo da Trilha do Pico do Glória



Relato da Trilha do Pico do Glória


Numa ida ao Clube Niteroiense de Montanhismo, meu amigo João Bernardo me perguntou se eu não queria fazer um trilha no final de semana. Ele me deu duas opções: Pico do Glória ou Pipoca. Já estava com vontade de fazer o Pico do Glória há muito tempo e não pensei duas vezes. Como seria no meio do feriado, achei que não fosse dar muita gente interessada, mesmo assim abri a atividade no site do clube. Isso era numa quarta feita. A princípio, abri 6 vagas, mas como o Ary, outro guia do clube, resolveu ir, aumentei para 10. Para minha surpresa, as vagas foram preenchidas ainda na quinta! Grupo fechado, organizamos as caronas e detalhes da logística.

Saímos às 6 horas da manhã e seguimos direto para Petrópolis, com uma parada rápida na Casa do Alemão, em Petrópolis, e de lá seguimos para Corrêas, nosso segundo ponto de encontro. Como tomar café na padaria em Corrêas é mais em conta, todos optaram por comer alguma coisa por lá. Dali seguimos para a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Na portaria, pagamos a entrada, preenchemos o termo de risco e tiramos a foto oficial de início.

Começamos a caminhada. O dia estava firme e a temperatura bem agradável. Já no início, podíamos ver o Pico do Glória bem ao fundo. Essa primeira parte da caminhada é bem tranquila, vamos ganhando altura suavemente. Com relação a orientação, o caminho é bem definido e não há possibilidade de erro. Cada um foi no seu ritmo. Optamos de nos encontrar na bifurcação para o Véu da Noiva.

Na bifurcação, paramos para um rápido descanso enquanto o resto do pessoal chegava. Dali, pegamos o caminho para a Cachoeira do Véu da Noiva. Descemos um pouco e logo chegamos na Gruta do Presidente, que tem esse nome por ser um local frequentado por Getúlio Vargas, que chegava ali à cavalo. O local é bem bonito. Atravessamos o rio e continuamos a caminhada. Mais à frente, cruzamos outro rio e em pouco tempo chegamos a Cachoeira do Véu da Noiva. Ali encontramos um grupo do Centro Excursionista Rio de Janeiro – CERJ. Não perguntei, mas tinha certeza que estavam indo para o Pico do Glória também. O Pico do Glória é pouco frequentado, se comparado à outros cumes da região e justo nesse dia, teríamos dois grupos!

Atravessamos o rio e caminhamos mais um pouco até chegar à Cachoeira do Véu da Noiva. Tinha pouca água e a cachoeira estava sem aquele encanto. Mas mesmo assim o local é muito bonito. Paramos rápido para algumas fotos. A partir daí, seguimos numa forte subida até o topo da cachoeira. Em dias de chuva, fica perigoso atravessar esse trecho. Mas com o sol forte que estava fazendo, estava tudo seco. Seguimos andando pelo lajeado, um caminho bem bonito e diferente. Seguimos com cuidado e por vezes saímos do leito e caminhávamos na margem. Éramos guiados por alguns totens colocados no alto de algumas pedras.

Fui acompanhando para ver se via a saída para pegar o trecho final da trilha. Não queria passar direto. Porém, a entrada é bem óbvia. Chegamos a um ponto onde não dava mais para continuar, o único caminho era dobrar à direita e subir. Era ali! Nesse ponto, encontramos o grupo de CERJ. Começaríamos o trecho final. Dali em diante, era subida. Na verdade não era subida, era SÓ SUBIDA! Começamos a subida e logo fui diminuindo o ritmo. Não dava para andar tão rápido. A vegetação estava bem seca e havia muita poeira.

Subi um pouco e veio o primeiro lance mais técnico. Um trecho de rocha pequeno, mas que deve-se ter muito cuidado. Vencido o lance, continuei a subida. A vista do Vale do Bonfim ia aparecendo lentamente. Um local muito preservado. Um espetáculo da natureza. Entre subidas forte e subidas muito fortes, cheguei ao segundo trecho de escalada. Uma rampa, agora maior. Subi e parei bem acima, já quase no final laje de pedra, bem ao lado de um grampo. Fixei a corda e deixei disponível para os que quisessem usar. Aos poucos todos foram chegando e vencendo o lance.

Passado esse trecho técnico, partimos para mais uma subida. Por vezes, estávamos abrigados entre as árvores, o que dava um grande alívio ao calor. Em pouco tempo, chegamos a trecho final. Um grande trecho íngreme. Subi um pouco e fui até a base, onde tem um grampo mal batido, com cerca de 2 metros de altura. Olhando para o lado direito, vi uma rampa menos íngreme, porém bem exposta. Fui até lá para ver se daria para subir. Andei um pouco e resolvi subir por ali. Foi bem tranquilo, mas tem que estar com o psicológico em dia! Já no alto, fixei a corda e esperei alguns subirem. Para não ficar muita gente naquele ponto, resolvi seguir direto ao cume.

Foi só caminhar mais alguns metros e estava no cume do Pico do Glória! Um cume fantástico, bem ao centro do Vale do Bomfim. Estávamos cercado por uma bela cadeia de montanhas. Dali podíamos ver o Ajax, a subida da Izabeloca, o Morro do Açu, Morro da Luva, Cubaio, etc... Mais embaixo, dava para ver o Alicate e todo o vale do Bomfim. O dia estava espetacular. Descansamos bem, fizemos um bom lanche e tiramos bastante foto. Aproveitamos para assinar o livro de cume e vi que a última ida lá, havia sido em julho desse ano. Depois de algum tempo no cume, começamos a nos preparar para descer.

Para baixo fica mais fácil...Desci rápido e aguardei e seguimos até o topo da Cachoeira do Véu da Noiva, onde aproveitei os últimos momentos de sol para tomar um banho. A água estava gelada, mas deu para entrar. Não deu para ficar muito tempo, mas já ajudou bastante. Dali, seguimos descendo e pegamos o caminho até a portaria do parque. Um belo dia. Mais um cume feito!

Pico do Glória

Pico do Glória