quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Conquista da Via CNM 15

Por Leandro do Carmo e Marcelo Correa

Conquista da via CNM 15 - 3° IV Sup E1/E2 D1 200m

Em homenagem aos 15 anos do Clube Niteroiense de Montanhismo.

Setor Vale da Serrinha, PESET, Itaipu, Niterói.

Conquistadores: Marcelo Corrêa, Leandro do Carmo, Luis Augusto Avellar, Eny Hertz e Ivison Rubim.

Datas: 15/02, 07 e 08/03/2020

Material: 7 costuras, sendo 2 longas (120 cm), e corda de 60 m.

Acesso: a trilha inicia na Estrada da Serrinha 100mts depois da placa com a proibição jogar lixo, para quem sobe. Passa pelas bases das vias Didática, Golpe do Cartão/ Dois Dias de Sol, Variante Levadas da Breca e De Olho nas Vizinhas, segue uma trilha por 300mts até a pedra voltar a "deitar".
Saída: por rapel a partir da 4a parada ou saída a partir da 5a parada, caminhando por 70mts de costão e 30 mts de trilha até a trilha do Alto Mourão.

Proteções: Chapeletas pingo e dupla da Bonier, com parabolts Âncora e Walsywa.


Imaginamos a linha da via em torno desta mancha preta de descida de água, pois vendo a parede de longe percebemos que ela se estende até o mais próximo da vegetação que recobre a parte alta do morro. Quando chegamos na base, chamou-me a atenção uma pequena canaleta em V no meio da parede. O lance da esquerda para a direita, entre a 3a e a 4a chapeleta, antes de subir a canaleta em V, ficou bem interessante. Quando subi essa primeira canaleta, vi uma extenso grupo de cactos que impedia seguir reto e desviei para a direita até um grande platô, antes da segunda canaleta







Primeira investida no dia 15/02, Marcelo Correia conquistou o primeiro esticão, aproximadamente 30 metros. O Leandro Do Carmo aparece no alto conquistando o segundo esticão e indo em direção ao lance que é o crux da via. Eny Hertz Bittencourt subindo o primeiro esticão, com Ivison aguardando na base, eu e Luis Avellar na primeira parada. Na segunda investida, a Eny intermediou este lance que ela está fazendo colocando uma chapeleta à direita de onde ela está na foto. Essa chapeleta pode ser vista na foto anterior.







O crux é a saída da canaleta, com agarras de mão em pequenos frisos e um pé em em aderência ou alto e longe. O Leandro Do Carmo apontou que o lance seguinte também é delicado, tem um bom apoio para o pé à direita, porém escaladores mais baixos têm que fazer um movimento dinâmico para segurar em um friso no alto, ou com apoios para os pés um pouquinho mais altos em pequenos frisos. A subida para alcançar a canaleta, se for feito mais à direita, também ficou um lance interessante de aderência, ou com um leve movimento dinâmico,. Imaginávamos subir reto em aderência, em vez de seguir pela canaleta, mas seria em uma linha de descida de água muito suja.




Na segunda investida, o Luis fez um ajuste na proteção do crux, que foi conquistado pelo Leandro Do Carmo e instalou uma chapeleta acima, na parede após o friso, para proteger uma possível queda de participante, evitando um pêndulo que seria gigantesco.













Trecho bem fácil entre a 2a e a 3a parada. Conquistei os primeiros 30 metros, colocando uma chapeleta a uns 20 metros da parada no alto deste dique em curva e outra 8 metros acima. O Leandro Do Carmo tocou os outros 30 metros direto. onde paramos, fazendo a 3a parada dupla. Na segunda investida, intermediamos este trecho que o Leandro Do Carmo conquistou e o Ivison Rubim duplicou a segunda chapeleta que eu havia batido, fazendo uma parada dupla para rapel. Por fim, com duas cordas de 60mts, pode-se fazer o rapel da 4a parada até esta parada intermediária e depois desta até a primeira parada dupla, restando somente um rapel de 30 metros para finalizar a descida.




O Marcelo conquistou este trecho entre a 3a e a 4a parada na segunda investida. "No dia anterior, tive um dia cheio com viagem, 4 apresentações e duas reuniões, sendo uma delas bem estressante. Assim, dormi muito pouco. Isto me afetou física e psicologicamente. Assim, coloquei três proteções entre as paradas, quando tínhamos previsto só duas, e elas ficaram exatamente em passadas de lances que me pareceram um pouco mais delicados, mas que na verdade são fáceis".









Com Luis Augusto Avellar, na última investida no dia 08/03, para avaliação, alteração de duas proteções e retirada de pedras. Por fim, avançamos por mais 55 metros, a partir da 4a parada, que seria a última, e conseguimos uma saída por costão e trilha, conectando com a trilha do Alto Mourão. Menor impacto e menores riscos.











Na segunda investida, dia 07/03, quando alcançamos a 4a parada, e fizemos intermediações nos três primeiros esticões, que foram conquistados no dia 15/02.















Croqui



Mais algumas fotos





terça-feira, 15 de setembro de 2020

Conquista da via Mistérios do Arranha Gato - 3º IVsup E1/E2

Por Leandro do Carmo

Mais uma conquista em Niterói!!!

Via Mistérios do Arranha Gato - 3º IVsup E1/E2 D1 140m

Conquistadores: Leandro do Carmo, Luis Avellar e Marcelo Correa
Colaborador: Ivison Rubim

A via fica ao lado direito da "De Olho nas Vizinhas". O crux está na primeira enfiada e é feita em lances com pequenas agarras, até passar um dique com cristais num lance bem bonito, sendo a mais forte da via. É interessante fazer uma parada curta, com cerca de 20m para evitar o arrasto na corda. A segunda enfiada com 30 metros tem alguns lances com agarras ainda por quebrar. Começa tocando reto e vai fazendo uma diagonal para a direita, até um platô mais confortável para a parada. Dali, continua seguindo para a direita e contorna para a esquerda novamente. 

A terceira enfiada foi conquistada para quem quer continuar e emendar no segundo trecho da via "De Olho nas Vizinhas" que segue numa diagonal para a direita, abaixo de um grande diedro ou emendando no final da "Dois Dias de Sol" pela variante horizontal "O Medroso mais Corajoso", ambas terminando no Mirante do Carmo, com saída pela trilha do Alto Mourão.

Toda conquistada com chapeletas e as paradas estão duplicadas.

Se fizer as paradas mais curtas, evita o atrito da corda.

Acesso

O acesso é o mesmo para todas as vias do setor. Seguindo pela serrinha, pode deixar o carro em um recuo ao lado de uma placa grande de proibido jogar lixo e subir um pouquinho, seguindo a cerca até onde ela termina em uma pedra. Passa exprimido entre a cerca e a pedra e começa a subir por entre pequenos blocos soltos, passa ao lado de um bambuzal e segue uma trilha razoavelmente demarcada, passa por um platô com redes velhas penduradas e sobe à esquerda entre blocos e vai seguindo os totens até encontrar a parede. A primeira via é a Didática (tem uma parada dupla na base), vai costeando a pedra e tem a base da Via Golpe do Cartão, mais abaixo a Via Levadas da Breca, de Olho Nas Vizinhas e Mistérios do Arranha-Gato.

Algumas fotos das conquistas











domingo, 13 de setembro de 2020

Manejo na Travessia Tupinambá


Por Leandro do Carmo

Manejo na Travessia Tupinambá

Local: PARNIT
Data: 05/05/2020
Participantes: Leandro do Carmo, Taffarel Ramos, Ary Carlos e Blanco P. Blanco


Já estava há dois meses sem sair de casa por conta da pandemia. A vontade de fazer alguma coisa era grande, porém não poderia ir para muitos lugares. Os parques estavam fechados, a gente não podia caminhar na praia,  até para caminhar na rua estava difícil. Não havia muitas opções.

Havia alguns rumores de que as unidades de conservação começariam abrir, mas para abrir precisaríamos ter certeza de que algumas trilhas estariam próprias para utilização. Foi aí que surgiu a oportunidade de poder fazer a vistoria na Travessia Tupinambá. Nesse dia convidei o Ary, o Blanco e o Taffarel para me acompanhar. A ideia era dar uma batida na trilha do início ao fim, para deixá-la em condições quando da reabertura do parque.

Marcamos de nos encontrar no posto da Guarda Ambiental às 8:00 da manhã. Queríamos chegar cedo para aproveitar um pouco mais. Encontramos o Alex, gestor do PARNIT, que nos deu uma carona até a sede. De lá pegamos o caminho e fomos andando. Tínhamos algumas informações de que alguns trechos estavam bem ruins, por isso fomos preparados com facão. 

O início foi bem tranquilo, Seguimos descendo numa manhã bem agradável. O dia estava bem aberto iríamos ter uma visão privilegiada. Paramos em alguns trechos para cortar alguns galhos que estavam sobre a trilha e continuamos a caminhada. Chegamos na altura do mirante da Pedra Quebrada e fui lá dar uma conferida. Na volta, continuamos a caminhada e passamos por aquelas imensas jaqueiras na borda da trilha. Mais à frente, chegamos ao ponto da primeira bifurcação relevante da trilha e dali seguimos à direita, subindo levemente até passar por um trecho onde está sendo feito um reflorestamento, bem em frente a uma casa. O capim estava alto, mas não daria pra gente cortá-lo nesse momento. Então seguimos andando até o mirante de onde ficava a antiga construção da rádio Guanabara, demolida há alguns meses.

Dali, podíamos ver a Rampa Sul e boa parte da Região Oceânica da cidade. Estávamos na direção da entrada do túnel na parte do Cafubá. Após uma pequena pausa para apreciar a vista continuamos a caminhada. Voltamos ao ponto da trifurcação e de lá seguimos descendo em direção ao Cafubá. A trilha a partir desse ponto era só descida. Tivemos um pouco mais de trabalho do que o trecho anterior, mas nada que pudesse atrapalhar. Mas embaixo, pegamos a primeira saída à direita onde entramos na Trilha das Ruínas, de onde temos acesso ao Mirante da Tapera. Se tivesse algum trecho mais fechado, seria ali, pois a vegetação é mais densa e de um porte maior.

O início estava bem aberto bem diferente da primeira vez que fui em meados de 2015. Seguimos andando e cruzamos o córrego. Corria bastante água. Seguimos andando com tudo em ordem passamos pelo bambuzal e depois entramos no trecho alagado. Tinha um pouco de lama, mas nada que pudesse atrapalhar. Cruzamos o córrego novamente encaminhamos na margem oposta até chegar ao pouso do caçador. Em 2015, quando eu fiz essa trilha pela primeira vez, encontrei nesse ponto um giral usado para caça. A partir desse ponto seria só subida.

Passamos por uns grandes blocos e de lá seguimos subindo passando pelo Vale das Jaqueiras. No local existe uma concentração gigantesca de jaqueiras. Parece que cada jaca que cai nascem centenas de outras mudas, ficando difícil, em alguns pontos, até de ver o leito da trilha.

Em alguns trechos da subida fica mais íngreme, mas seguimos num bom ritmo até que cruzamos com uma imensa árvore que havia caído alguns meses atrás, fazendo com que o traçado original da trilha fosse alterado. Em poucos minutos estávamos no ponto onde encontramos com o acesso de que vem do Jardim Imbuí ou para quem faz a travessia completa. Encontramos algumas pessoas cortando bambu. Conversamos rápido e seguimos caminho. Desse ponto em diante, tínhamos a informação de que um grupo já havia feito manutenção. Se o caminho sem manutenção estava bom, imagina o caminho com manutenção...

Subimos e foi bem tranquilo. Logo estávamos no bambuzal, onde tem o primeiro mirante. Só eu fui lá. Continuamos subindo e paramos no Mirante Cunhambebe, esse sim bem mais agradável e amplo. Ficamos ali durante algum tempo. Aproveitei para fazer algumas filmagens com o drone, o que me deu a ideia de preparar a série “Mirantes do PARNIT”.

O dia estava bem aberto e a vista impressionava. Olhando a lagoa de Piratininga do alto, nem parece tão poluída... Depois de descansar, continuamos a caminhada e em poucos minutos passamos pelas ruínas e logo chegamos ao Mirante da Tapera. Estávamos de frente para o Pão de Açúcar. Uma vista impressionando das montanhas da cidade do Rio de Janeiro.

Ficamos durante um bom tempo contemplando a paisagem. Tempo suficiente para dar aquela recuperada. A hora foi passando e logo pegamos o caminho de volta. Desse ponto até a bifurcação da Travessia Parque da Cidade x Cafubá foi bem tranquilo, pois é só descida. Mas aquela subidinha até a trifurcação foi dura. Depois de muito tempo parado, o corpo foi dando sinais de cansaço, mas logo chegamos à grande curva e demos uma parada para recuperar o fôlego. Dali, seguimos direto, passando agora pelo Sítio Aldeia e andamos pela estradinha de terra até ao Posto da Guarda Ambiental, onde deixamos estacionados os carros.

Nada mal para quem estava há uns dois meses sem praticamente sair de casa...



terça-feira, 25 de agosto de 2020

Guia de Trilhas de Niterói e Maricá disponível para DOWNLOAD!!!

Por Leandro do Carmo


Já está disponível para DOWNLOAD o GUIA DE TRILHAS DE NITERÓI E MARICÁ!!!!!

Download do GUIA DE TRILHAS DE NITERÓI E MARICÁ

Lançado em 2017, o Guia conta com aproximadamente 250 km de trilhas mapeadas e distribuídas em 13 setores nos municípios de Niterói e Maricá. São 57 roteiros com informações de como chegar, fotos do início da trilha e de pontos importantes, gráfico altimétrico, mapas topográficos e dados formatados de acordo com a nova classificação de trilhas da FEMERJ. Conta ainda com dados históricos e curiosidades sobre os locais das trilhas.


Foi um trabalho pioneiro, principalmente para algumas áreas onde se tinham poucas informações disponíveis sobre as trilhas, como o Parque da Cidade de Niterói, hoje PARNIT, bem como as trilhas do município de Maricá.

Todas as trilhas foram percorridas entre 2015 e 2016. Algumas foram reabertas, pois estavam abandonada e sem uso há anos. O trabalho foi liderado por Leandro do Carmo e contou com o apoio Clube Niteroiense de Montanhismo.

Foi lançada uma edição limitada devido a falta de recursos e agora, com a pandemia e a necessidade das pessoas buscarem locais longe de aglomeração, foi decido a disponibilização gratuita para download. Para quem preferir, ainda existem poucas unidades do livro físico para venda no site do clube: https://www.niteroiense.org.br/produto/guia-de-trilhas-de-niteroi-e-marica/





sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Via Tensão Harmônica, comemorando 40 anos!


Por Leandro do Carmo

Via Tensão Harmônica, comemorando 40 anos!
Dia: 13/04/2019
Local: Costão de Itacoatiara
Participantes: Leandro do Carmo e Marcelo Correa

É uma história engraçada... Pela primeira vez fui obrigado a escalar! Isso mesmo, obrigado a escalar! Já na terça feira mandei uma mensagem para o Blanco deixando o sábado em aberto para a escalada. Ainda não sabíamos qual via faríamos. Na quinta feira, ele me passou uma mensagem avisando que teria um compromisso e não poderia, mas insistiu para que eu falasse com o Marcelo. Pensei: “o cara não poderá escalar e quer muito que eu vá”. Até aí tudo bem, mandei mensagem para o Marcelo e acertamos de escalar no sábado. Sugeri as vias da Face Sul do Costão, lá decidiríamos qual fazer... O Ary e o Rafael se juntariam a nós nesse dia.

Na sexta feira a noite, estava tão cansado, que enviei uma mensagem para o Marcelo avisando para deixarmos nossa escalada para a parte da tarde. Posso contar nos dedos as vezes que escalei à tarde... Como ele não me respondeu, fui dormir. Já sabendo que não teria hora para acordar, dormi bem tranquilo. Por volta das 7 horas da manhã, minha esposa veio com o celular na mão, avisando que o Marcelo queria falar comigo. Meio sonolento, peguei o telefone.

Leandro: “Fala Marcelo! Beleza?”
Marcelo: “Beleza Leandro! Vamos escalar! O Ary vai também. Só vi sua mensagem agora.”
Leandro: “Te passei uma mensagem ontem, cheguei em casa cansadão e tô com uma maior preguiça.”
Marcelo: “Vamos lá... Falei com o Ary e ele vai também...”Como já tinha acordado e a mochila já estava pronta, resolvi escalar.
Leandro: “Então beleza, vou só pegar as coisas aqui e passo aí na sua casa...”

Decidido escalar, peguei as coisas e encontrei o Marcelo na casa dele e de lá, seguimos para Itacoatiara. Até agora, tudo normal...

Chegando em Itacoatiara, fomos direto para a subsede assinar o Termo de Risco. O Ary já estava lá. Faltava o Rafael, que chegou logo em seguida. Preenchemos o termos e seguimos para o início da trilha. Caminhamos pela costão, um pouco próximo ao mar, até entrar no caminho dos pescadores e após passar o acesso à Via do Tetinho, continuamos andando até contornar o Costão. A base da via é difícil de achar... Não dá para ver o primeiro grampo. Mas, olhando em volta, é o único lugar onde daria para começar a via. O Ary veio logo atrás e confirmou o que havia pensado.

Subimos um pouco e nos equipamos. O Marcelo iniciou a escalada e foi subindo meio que na intuição. Logo avistou a primeira chapeleta. Subiu mais um pouco e montou a parada na terceira chapeleta. Dali subi e vi que a via estava um pouco suja, talvez pela falta de frequência. Cheguei à parada e segui direto. É um trecho bem bonito. Vai seguindo uma leve diagonal para a esquerda, acompanhando uma sequência de buracos até chegar uma chapeleta. Dali, sobe um pouco, fazendo uma lance um pouco mais difícil e vai agora numa diagonal para a direita, até entrar em um grande buraco, onde tem uma dupla de chapeletas.

Nesse ponto já conseguia mais ver a cordada do Ary e Rafael. O Marcelo chegou logo em seguida e na conversa resolveu guiar o próximo lance, o crux. A saída é bem vertical e com uma passada para a esquerda, dá para chegar na chapeleta e de lá seguir subindo. O Rafael passou o lance e resolveu parar na próxima chapeleta, a anterior a parada dupla.

Subi logo em seguida e já dava para ver o Ary e o Rafael logo acima, já descansando. Passei do Marcelo que estava na parada e segui subindo direto. Essa saída, também é bacana. Mas o trecho acima até a parada dupla é o mais sujo da via. Mas não é muito complicado. É aquele toca pra cima direto. Chegando na dupla, montei a parada e o Marcelo chegou logo em seguida. Dali, subimos mais uns 50 metros de costão até estar próximo da descida para a Pata do Gato.

Já no cume, ficamos apreciando a bela vista para Itaipuaçu. O dia estava bem agradável. Fizemos algumas fotos e sem pressa, começamos a descer. Passamos pelo cume do Costão lotado e paramos para tomar um Açaí. Sem pressa, ainda ficamos conversando um pouco. Na hora de ir embora, tinha que ir para a AABB para encontrar minha esposa e as crianças. Dei uma carona para o Marcelo que em cima da hora resolveu almoçar lá também... Nem percebi nada... Quando cheguei ao clube, vi que o restaurante estava fechado e no celular, havia uma mensagem da minha esposa dizendo que era para ir no Chalezinho que estavam servindo um churrasquinho. Quando cheguei lá, vi todos reunidos e cantando parabéns! Festa surpresa!!!!

Muitos amigos reunidos para comemorar meu aniversário de 40 anos! Só agora que fui entender o motivo do Marcelo ter me ligado de manhã cedo para escalar, do Blanco ter forçado a barra para eu ir escalar com o Marcelo, do Marcelo ter feito uma parada a mais na escalada...


Circuito Morro do Couto x Prateleiras


Local: Parque Nacional do Itatiaia

Já era hora de voltar ao Parque Nacional de Itatiaia. Depois de algumas tentativas e adiamentos devido ao clima, conseguimos, enfim, um final de semana. Como conseguir vaga na parte alta do parque não é muito fácil, optamos por ficar no Hostel Picus. Já havia ficado lá em uma tentativa de fazer a Serra Fina. O local é muito agradável e relativamente perto do parque, longe uns 20 km.

Fazer num final de semana apenas fica puxado, ou saímos na madrugada de sábado, ou sexta à noite, isso para quem trabalha... Optei por ir na sexta. Saímos de Niterói às 21:00h e chegamos às 2:00. Fui dormir as 3h e às 4 estava de pé. Apenas 1 hora de sono. Chegar cedo ao parque pode fazer a diferença, principalmente se você quiser fazer alguma atividade nas Agulhas Negras ou Prateleiras, locais onde tem limite para visitação. Nosso objetivo era fazer o Circuito Morro do Couto x Prateleiras. Há pouco tempo, foi implantado o sistema de senhas, onde é entregue somente para as pessoas que estão no local. Antigamente, uma pessoa chegava cedo e pegava 30 senhas... Acontecia de alguém chegar cedo, ter poucas pessoas na fila e na hora de entrar, estar lotado. Isso acabou.

Chegamos cedo à fila e já havia uma van e alguns carros. Eram cerca de 5 da manhã. Estava frio, porém menos do que eu imaginava. Pegamos a senha entre 53 e 64. Bom, agora era esperar chegar a hora. O dia amanheceu e com ele, veio o frio. Estava mais frio agora do que quando chegamos. Mas o tempo bom nos dava a certeza de que o frio iria embora nos primeiros metros de caminhada. Assim que abriram o parque, fui lá para resolver os trâmites burocráticos de pagamento, preenchimento de fichas e etc.

Com tudo certo, entramos com o carro e fomos para a área de estacionamento. Lá, nos preparamos para foto de partida. O início da trilha, fica na estradinha que leva às antenas de Furnas. Começa na rua pavimentada, circundando o morro. Há uma placa indicando “Couto”, com alguns minutos de caminhada. A saída fica à direita e é bem aberta, não há como errar nesse ponto.

Entramos de verdade na trilha. A estradinha pavimentada deu lugar a um caminho bem definido. Já bem no início da caminhada podíamos ter uma prévia do que encontraríamos pela frente... O tempo estava agradável. Havia muitas nuvens na direção da Serra Fina, mas no geral o tempo estava bom. A vista para as Agulhas Negras estava boa, apesar de algumas nuvens bem ao fundo se aproximarem.

Paramos rápido para algumas fotos num mirante e seguimos caminhando. A trilha seguia bem definida. Passamos pelo Campo Escola Luiz Fernando, numa formação rochosa que antecede o Morro do Couto. Seguimos mais um pouco e subimos uma rampa até passarmos na base de uma grande antena. O grupo estava bem animado. Algumas nuvens se formavam, mas não havia sinal de chuva.

Seguimos andando, sempre paralelos à estrada que leva ao Rebouças. Ao fundo, o maciço das Agulhas Negras roubava a cena. A Asa de Hermes, à sua esquerda, se destacava. Com mais alguns minutos de caminhada e após alguns “sobe e desce”, chegamos ao Morro do Couto. Estávamos a 2.680 metros, sendo o 8º mais alto do país. Optamos por fazer uma pausa mais longa e aproveitamos para lanchar. Dali, podíamos ver as Prateleiras bem ao fundo. Ainda havia um grande caminho a percorrer. Após a parada para descanso, continuamos a caminhada. Esse trecho é bem menos frequentado do que o anterior. Dava para perceber pelo traçado. A trilha seguia pelos blocos de pedra assentados no chão, como se fosse pavimentado, facilitando muito a descida.

Continuamos a caminhada e agora descemos um pouco e parecia que as Prateleiras nunca se aproximavam. Passamos por uma placa indicado que faltavam 4,5 km até as Prateleiras. A partir desse ponto, somente com autorização para a travessia. Era um sobe desce pela crista dos morros. Algumas subidas mais fortes que as outras, mas seguimos andando. Passamos por uma placa indicando o Abrigo Rebouças, uma oportunidade para quem quisesse abandonar a caminhada... Nosso objetivo era as Prateleiras! A partir daí, descemos e seguimos por um lajeado, onde tinha uma indicação de água. Como estávamos abastecidos, nem precisamos parar.

Após a placa, a trilha inicia uma sequência de sobe morro desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipícios. Começamos a subir um pequeno morro e logo saímos em um trecho de gramíneas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação. Continuamos caminhando e passamos por uma bifurcação indicando um mirante. Fomos até lá e ficamos de frente para o maciço das Agulhas Negras. Um local fantástico.  Pequena pausa para fotos e seguimos andando.

Voltamos para a trilha e após mais alguns minutos andando, chegamos a uma enorme gruta. Ali era a Toca do Índio. Há uma placa no local indicando o caminho. Após cruzarmos a Toca do Índio, uma peculiar formação rochosa, levamos um tempo até encontrar o caminho certo. Acabamos descendo pela direita e tivemos que voltar. Na saída da Toca do Índio, deve-se sair pela direita, onde logo você vai encontrar uma formação de pedra bem grande. Suba nessa pedra e siga para a esquerda, outros totens de pedra sinalizarão o caminho.

Agora já estávamos bem próximos do nosso destino. Seguimos andando e logo estávamos na base das Prateleiras. O caminho batido deu lugar a um grande trepa pedras. Muitos chegam até ali. Mas nosso objetivo era fazer cume. Fomos subindo num caminho nada definido. Um trepa pedras onde passávamos por grutas, grandes blocos entalados e alguns pequenos lances de escalada. Já próximos da base, vimos que tinham muitas pessoas que esperavam para subir. Como nosso grupo estava grande e que demoraríamos muito para colocar todos no cume, resolvi voltar com outros amigos.

Na volta ainda paramos para um lanche reforçado e de lá seguimos andando pelo caminho até o Abrigo Rebouças, onde fizemos mais uma parada antes de continuar até o Posto Marcão.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Chaminé Helena Campello - Pedra do Cantagalo

Por Leandro do Carmo

Localizada na Pedra do Cantagalo, Região Oceânica de Niterói, a Chaminé Campello foi conquistada em 1957, por Giuseppe Pellegrini, Emil Mesquita e Rodolpho Kern, sendo a segunda via de escalada em Niterói. 


Fotos de José Renato Sobral Pinto








Lançamento do Livro "Vamos Escalar"

Por Leandro do Carmo





Acaba de ser lançado um dos primeiros livros brasileiros dedicado integralmente às técnicas de guiada. 

Visando atender o escalador que deseja se tornar guia de cordada ou pretenda aperfeiçoar seus conhecimentos.

São 92 páginas escritas por Eny Hertz, Patrícia Duffles e André Costa, com distribuição gratuita em formato digital.

Para baixá-lo gratuitamente acesse: https://www.minhamontanha.com.br/vamosescalar/

Vamos incentivar as publicações nessa temática projetando o aperfeiçoamento de técnicas para guiada!

terça-feira, 26 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 4

Por Leandro do Carmo

Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

Conheça também: Abrigo nº 1 / Abrigo nº 2 / Abrigo nº 3 / Abrigo n° 4

Abrigo Nº 4 - "Abrigo do Sino"

Situado no Campo das Antas, a região frequentada por caçadores recebeu sua primeira construção com o advento da Fazenda de Arnaldo Guinle, o chamado "Abrigo dos Guinles", que foi substituído por diversas versões desde barracas de campanha a pequenas cabanas de madeira a partir da criação do Parque em 1939. Na década de 1970 nada mais existia das primeiras versões, as pessoas acampavam no platô remanescente com barracas nem sempre muito práticas.

Só em 2000 foi erguida a grande cabana que hoje utilizamos, e que anos depois serviu de modelo para erguer o Abrigo do Açu. A construção foi projetada pelo Laboratório de Produtos Florestais do IBAMA, e conta com energia solar e tratamento biológico de afluentes. O atual Abrigo 4 foi erguido sobre as ruínas das fundações do antigo abrigo, que fazia parte da rede de abrigos da trilha da Pedra do Sino. Com capacidade para 30 visitantes (12 beliches e 18 bivaques), dispõe ainda de cozinha e banho quente.


O "Abrigo dos Guinles", primeira grande construção que foi o precursor do Abrigo N. 4, que teve várias versões após a fundação do Parque em 1939




























Uma das primeiras fotos que mostra as cabanas do primitivo Abrigo N. 4. Ao fundo aparece a Pedra do Pipoca

























Mais uma imagem tambem nos anos 40, mostra as barracas de campanha no Abrigo N. 4. Ao fundo a Pedra da Baleia.

Ano de 1957 - Por José Renato Sobral Pinto
Ano de 1958 - Em frente ao Abrigo 4. Foto de José Renato Sobral Pinto

Ano de 1958 - Chegando ao Abrigo 4. Foto de José Renato Sobral Pinto
Vendo o Abrigo 4 de longe...  Ano de 1958. Foto de José Renato Sobral Pinto

Ano de 1960. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Destruição parcial do Abrigo, ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto







terça-feira, 19 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 3

Por Leandro do Carmo


Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

Conheça também: Abrigo nº 1 / Abrigo nº 2 / Abrigo nº 3 / Abrigo n° 4

Abrigo Nº 3

O Abrigo nº 3 funcionou até meados de 1978 quando também foi demolido, assim como os outros abrigos. Teve várias versões, desde pau a pique a construção de alvenaria. Estava bem localizado, há aproximadamente 4 km do Abrigo nº 4.

Hoje, passando pelo local, é impossível imaginar que ali existiu um abrigo tão bem estruturado. É possível encontrar uma pequena laje de cimento em meio a uma área aberta, numa acentuada curva para a esquerda. Há um belo mirante próximo a ele, onde é possível ver parte da cidade de Teresópolis.

Fonte: Acervo do Sobral Pinto, Grupo do Facebook Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Fotos & Fatos de Terê


A primeira versão do antigo Abrigo nº 3 por volta de 1940. Essa configuração em "pau-a-pique", paredes de varas de madeira com barro, foi logo depois substituida por uma construção mais aprimorada com uso de tijolos de concreto, que durou até meados dos anos 1980, quando foi destruído e o Parque Nacional optou por não mais refazer o local, hoje apenas uma pequena e vazia clareira.




Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto


Foto de 1964 - Sobral Pinto