terça-feira, 26 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 4

Por Leandro do Carmo

Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

Conheça também: Abrigo nº 1 / Abrigo nº 2 / Abrigo nº 3 / Abrigo n° 4

Abrigo Nº 4 - "Abrigo do Sino"

Situado no Campo das Antas, a região frequentada por caçadores recebeu sua primeira construção com o advento da Fazenda de Arnaldo Guinle, o chamado "Abrigo dos Guinles", que foi substituído por diversas versões a partir da criação do Parque em 1939. Desde barracas de campanha a pequenas cabanas de madeira. Na década de 1970 nada mais existia das primeiras versões, as pessoas acampavam no platô remanescente com barracas nem sempre muito práticas.

Só em 2000 foi erguida a grande cabana que hoje utilizamos, e que anos depois serviu de modelo para erguer o Abrigo do Açú. A construção foi projetada pelo Laboratório de Produtos Florestais do IBAMA, e conta com energia solar e tratamento biológico de afluentes. O atual Abrigo 4 foi erguido sobre as ruínas das fundações do antigo abrigo, que fazia parte da rede de abrigos da trilha da Pedra do Sino. Com capacidade para 30 visitantes (12 beliches e 18 bivaques), dispõe ainda de cozinha e banho quente.


O "Abrigo dos Guinles", primeira grande construção que foi o precursor do Abrigo N. 4, que teve várias versões após a fundação do Parque em 1939




























Uma das primeiras fotos que mostra as cabanas do primitivo Abrigo N. 4. Ao fundo aparece a Pedra do Pipoca

























Mais uma imagem tambem nos anos 40, mostra as barracas de campanha no Abrigo N. 4. Ao fundo a Pedra da Baleia.

Ano de 1957 - Por José Renato Sobral Pinto
Ano de 1958 - Em frente ao Abrigo 4. Foto de José Renato Sobral Pinto

Ano de 1958 - Chegando ao Abrigo 4. Foto de José Renato Sobral Pinto
Vendo o Abrigo 4 de longe...  Ano de 1958. Foto de José Renato Sobral Pinto

Ano de 1960. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Destruição parcial do Abrigo, ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto

 Ano de 1964. Foto de José Renato Sobral Pinto







terça-feira, 19 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 3

Por Leandro do Carmo


Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

Conheça também: Abrigo nº 1 / Abrigo nº 2 / Abrigo nº 3 / Abrigo n° 4

Abrigo Nº 3

O Abrigo nº 3 funcionou até meados de 1978, quando também foi demolido, como os outros abrigos. Teve várias versões, desde pau a pique a construção de alvenaria. Estava bem localizado, há aproximadamente 4 km do Abrigo nº 4.

Hoje, passando pelo local, é impossível imaginar que ali existiu um abrigo tão bem estruturado. É possível encontrar uma pequena laje de cimento em meio a uma área aberta, numa acentuada curva para a esquerda. Há um belo mirante próximo a ele, onde é possível ver parte da cidade de Teresópolis.

Fonte: Acervo do Sobral Pinto, Grupo do Facebook Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Fotos & Fatos de Terê


A primeira versão do antigo Abrigo nº 3 por volta de 1940. Essa configuração em "pau-a-pique", paredes de varas de madeira com barro, foi logo depois substituida por uma construção mais aprimorada com uso de tijolos de concreto, que durou até meados dos anos 1980, quando foi destruído e o Parque Nacional optou por não mais refazer o local, hoje apenas uma pequena e vazia clareira.




Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto

Foto de 1961 - Sobral Pinto


Foto de 1964 - Sobral Pinto











segunda-feira, 11 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 2

Por Leandro do Carmo

Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

Conheça também: Abrigo nº 1 / Abrigo nº 2 / Abrigo nº 3 / Abrigo n° 4

Abrigo Nº 2

O Abrigo N° 2 foi o abrigo mais completo e equipado dos abrigos de montanha do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Recebeu hóspedes importantes, embaixadores, políticos que visitavam a Pedra do Sino nos primeiros anos do Parque. Segundo Sobral Pinto, era o queridinho dos Abrigos! Era bem aconchegante. Possuía até garçom!

Ao passar pela trilha da Pedra doSino, é impossível imaginar que ali existia um abrigo desse porte. Foi abandonado e demolido nos aos 60, quando o parque enfrentou um período de decadência com escassez de recursos. Neste período foram perdidos os abrigos e várias residências funcionais.

O local de onde era localizado o Abrigo nº 2 fica à 10 minutos, aproximadamente, de caminhada após a Cachoeira do Véu da Noiva. Hoje já não resta mais nenhum vestígio, a não ser por uns canos de ferro no leito da trilha, que servia para a captação de água.

O local do Abrigo nº 2 marca a entrada de trilhas importantes no PARNASO, como a Travessia da Neblina e o Nariz do Frade.


Fonte: Acervo do Sobral Pinto, Grupo do Facebook Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Fotos & Fatos de Terê








Da esquerda para a direita: Casa do vigia - Cocheira - Abrigo Principal - Depósito de ferramentas. Reproduzida em em duas folhas de uma revista da época, daí a emenda do lado esquerdo da imagem.






terça-feira, 5 de maio de 2020

Série Abrigos do PARNASO - Abrigo nº 1 "Toca dos Caçadores"

Por Leandro do Carmo


Série de Postagens sobre os antigos Abrigos do PARNASO.

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ABRIGO Nº 1 - "TOCA DOS CAÇADORES"

O Abrigo nº 1, também conhecido como Toca dos Caçadores, foi construído utilizando uma grande rocha que está localizada à direita da trilha. É possível chegar ao local com aproximadamente 40 minutos de caminhada, a partir da Barragem. Foi o primeiro abrigo a ser desmontado, devido ao deslocamento do grande bloco e com vistorias feitas pelos responsáveis do PARNASO, decidiram desativá-lo.

Hoje, ainda é possível encontrar alguns vestígios como o pequeno pátio, a base de blocos de pedra ao lado da trilha e alguns degraus.

Fonte: Acervo do Sobral Pinto, Grupo do Facebook Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Fotos & Fatos de Terê
Abrigo 1 - PARNASO

Abrigo 1 - PARNASO

Abrigo 1 - PARNASO

Abrigo 1 - PARNASO
Abrigo 1 - PARNASO



quinta-feira, 23 de abril de 2020

Conquista da Via Dois Dias de Sol

Por Leandro do Carmo


Via Dois Dias de Sol

Graduação sugerida:  3° IV E1/E2 D1 170m (mais 55 mts do primeiro esticão da via Golpe do Cartão)

Conquistadores: Marcelo Correa, Leandro do Carmo, Luis Augusto Avelar e Marcos Lima

Colaboração: Blanco (doação de proteções)

Localização:  À direita da via Didática e à esquerda das vias Golpe do Cartão e De Olho nas Vizinhas

Materiais Necessários:  Corda de 60 metros e 9 costuras, sendo 4 longas (2 de 120cm e 2 de 60cm)

A saída da via após a última parada: por caminhada a partir do Mirante do Carmo, por um costão e conexão com o final da trilha do Alto Mourão

Uma alternativa de abandono da via é na segunda parada fazendo a horizontal da Variante O Medroso Mais Corajoso e rapelando pela via De Olho nas Vizinhas.

Outra alternativa é a partir do último grampo antes da primeira parada, rapelando em diagonal para a via Golpe do Cartão.

Variante O Medroso Mais Corajoso
Graduação sugerida:  II 27m

Conquistadores: Marcelo Correa e Leandro do Carmo

Localização: Horizontal entre o primeiro grampo do 4° esticão da via De Olho nas Vizinhas e a segunda parada da via Dois Dias de Sol.

Materiais Necessários:  Corda de 60 metros e 3 costuras

- Setor: Vale da Serrinha, PESET, Serra da Tiririca, Itaipu, Niterói

- Acesso:  O mesmo das vias Didáticas, Golpe do Cartão, Variante Levadas da Breca e De Olho nas Vizinhas, na estrada da serrinha entre Itaipu e  Itaipuaçu, por uma trilha depois da cerca pouco acima de uma grande placa sobre a proibição de jogar lixo na estrada.


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Relato do Conquista por Marcelo Correa

Toda vez que eu  escalava a via Golpe do Cartão,  imaginava se não haveria uma forma de passar ou desviar da florestinha acima da última parada  e subir pelo paredão que fica abaixo do grande diedro. Esta visão se fortaleceu quando fiz a via de Olho nas Vizinhas que, em seu último esticão, passa abaixo do grande diedro, seguindo uma longa diagonal. De lá, vi uma bonita canaleta à esquerda da parada final da via De Olho nas Vizinhas e à direita da parte superior do talvegue que separa a via Didática da via Golpe do Cartão. O final da canaleta está mais alta que o Mirante do Carmo, mas a saída parecia tranquila.

A linha estava parcialmente idealizada. Faltava descobrir uma forma de desviar da florestinha, começando pela via Golpe do Cartão. Comentei com o Leandro do Carmo, um dos conquistadores das vias Golpe do Cartão e De Olho nas Vizinhas, e marcamos para fazer uma avaliação.

Primeira Investida: 19 de janeiro de 2020 (domingo)

Havia chovido na sexta-feira à noite e no sábado de manhã. Assim, deixamos para ir no domingo à tarde, na esperança da parede estar seca. Escalamos a Via Golpe do Cartão e confirmamos que não era possível passar pela florestinha, logo acima da segunda e última parada desta via.

Peguei uma diagonal para a direita e escalei entre 30  e 35 metros, em lances de primeiro e segundo grau, até o último grampo do 3o. esticão da via De Olho nas Vizinhas. Atravessamos a florestinha na passagem que dá acesso à base da parte final desta via. E vimos que não dava para contornar por cima a florestinha, por conta da vegetação "Arranha Gato", em tamanho de árvore.

Fomos até o primeiro grampo da diagonal final da via De olho nas Vizinhas. O Leandro desceu, de "baldinho", por 60 metros, pelo lado da florestinha até chegar próximo à base do paredão e viu que havia uma passagem sem vegetação, à direita do talvegue e à esquerda da florestinha (para quem vê de baixo). Entretanto, ele alertou que estava muito molhado, sendo que havia chovido só até a parte da manhã do dia anterior.

O Leandro subiu, em parte com o apoio da corda, de volta ao grampo onde tínhamos parado, e sugeriu, como já estávamos ali,  que seguíssemos uma linha de cristais em horizontal até o meio da parede, que seria um bom ponto de conexão com a futura via. E soltou um `Vai lá!' e eu fui!

A horizontal é razoavelmente positiva, com graduação baixa. Contornei um cactus e, depois de 27 metros,  bati o primeiro grampo. O Leandro escalou até aquele ponto e, quando ele chegou, exclamei: `Sou o medroso mais corajoso que conheço, pois mesmo com medo eu vou!'.

Como já estávamos ali  no meio da parede e para descer seriam muitos rapéis em corda simples, eu me prontifiquei a continuar a conquista, seguindo para a esquerda em leve diagonal, com o objetivo de ter acesso à canaleta acima do Mirante do Carmo.

Bati um grampo próximo a um pequeno veio de cristais aventando a possibilidade de subir por este veio e ir em direção à última parada da Via De Olho nas Vizinhas. Contudo, decidi manter o projeto original.

Desci levemente à esquerda em um platô em forma de meia lua, e instalei um outro grampo do outro lado, acima da parte final do talvegue e de uma pequena gruta. Dali subi reto em direção a um tetinho. Este é o lance mais delicado de toda a via, talvez um IV grau, a confirmar, em "agarrência". Ao chegar próximo ao teto, saí para a esquerda sem parar para colocar grampo, e entrei em um novo platô abaixo do teto. Continuei 2 metros para a esquerda, contornando uma bromélia, e subi uma paredinha para chegar a outro platô, bem confortável, à esquerda de uma parede formada pelo final do tetinho.

Ali bati outro grampo, o mais à direita possível, para tentar diminuir o pêndulo do participante, mas mesmo assim ficaram 10 metros em diagonal com o lance de possível IV grau na saída do grampo anterior. Ficou claro que este lance precisaria ser intermediado, meta para a segunda investida.

Naquele momento, já se passavam de 17h e o Leandro ficou preocupado se  conseguiríamos acessar o Mirante do Carmo. Levamos poucos grampos e  restavam apenas dois. Então,  imaginei colocar um grampo na base da canaleta e outro no que seria a parada final. Falei que iria tentar. Deu certo!

O lance da canaleta ficou bem bonito, com algumas agarras, em forma de "faca" para mãos e o pé direito dentro da canaleta e agarras em cristais na borda esquerda . Cheguei em um platô à esquerda do final da canaleta, mas foram quase 10 metros desde o último grampo, sendo 7 deles razoavelmente verticais. Mais um lance para ser intermediado. Grande dia!!!

Na descida pela trilha do Alto Mourão, falei com o Leandro para ele dar o nome para aquele trecho horizontal que conecta a via De Olho nas Vizinhas com a nova via, pois a ideia desta linha tinha sido dele. Prontamente ele decretou: "Variante O Medroso Mais Corajoso"!  Rimos bastante.

Vista do Mirante do Carmo



Segunda Investida: 20 de Janeiro de 2020 (segunda-feira)

Eu estava de férias e cheio de vontade de voltar à conquista, mas mesmo sendo feriado no Rio, o Leandro iria trabalhar . Pensei no Luis Augusto, que também trabalha no Rio, e coincidentemente, enquanto estávamos na parede, ele me mandou uma mensagem sobre o que poderíamos fazer na segunda.

Precisava de broca adequada para fazer furos para parabolt e usar as chapeletas que eu tinha, mas não levei na primeira investida. Como não daria tempo para comprar, liguei para o Blanco, que teria a broca, e ele disse que tinha alguns grampos e já pensava em  doar para o clube. Resolvi levar os grampos para manter o mesmo tipo de proteção que havíamos usado.

Eu e Luis começamos às 9h em uma dia nublado, perfeito para escalar no verão. Fui até a primeira parada da via Golpe do Cartão e vi que a linha idealizada ainda estava molhada, sendo que a última chuva havia sido dois dias antes.

Fui, então, para a próxima parada de rapel da via Golpe do Cartão para analisar melhor a situação. Resolvi tentar. Segui para a direita, em horizontal, na mesma altura da parada. Bati um grampo a cerca de 10 metros e decidi tentar subir um pouco.

Acima estava a florestinha, que se estende para a esquerda. Dava para ver a passagem, que o Leandro identificou no dia anterior, mas ainda minava bastante água.

Passei por uma parte cheia de limo e ainda úmida, com muito cuidado, e cheguei na base de uma pequena barriga. Bati um segundo grampo abaixo desta barriga, com o pé ainda no molhado. Para complicar não escareei adequadamente o furo e o grampo não entrou todo. Bati outro grampo ao lado, e tentei muito retirar e até quebrar o grampo mal batido, sem sucesso, mesmo entortando ele de um lado para o outro, por três vezes. Deixei como tarefa para a terceira investida.

Acima havia um pequeno platô em "linha" para a esquerda que daria boa estabilidade. Entretanto, a parede ali estava muito suja e com água retida. Algumas poucas partes de pedra estavam secas, só para colocar o pé mesmo.

Resolvi seguir em diagonal para a primeira bromélia para passar abaixo dela. O lance é positivo mas no meio estava  muito molhado e muito sujo.
Então, achei uma agarra em forma de "faca" e coloquei um talon em uma tentativa ingênua de segurar um possível escorregão do pé no molhado. Bati um grampo, só mesmo para evitar um queda com pêndulo.

Subi um pouco mais em diagonal, sando da parte suja, e passei abaixo da bromélia, com um pé no molhado e tomando enorme cuidado. Isto porque vi uma agarra bem pertinho da base da bromélia. Nem parecia que seria necessário subir até ali, mas foi o jeito para fazer o lance.

Passada a bromélia a pedra estava completamente seca, que alívio. Desci um pouco em diagonal até um ponto quase na virada para a base do paredão. Bati um grampo para levar o Luis até aquele ponto. Ali seria a primeira parada da via, sem contar o trecho na via Golpe do Cartão.

Enquanto eu batia o grampo, o sol abriu e a linha começou a secar. O Luis já conseguiu algum ou outro pé melhor, mas teve também dificuldades, pois estava carregando as mochilas. O lance é igualmente tenso para o guia e o participante. Fiquei imaginando se seria necessário intermediar.

A parada está ao lado de uma pequena canaleta, quase um colo entre duas vertentes,  rocha escura à esquerda e clara à direita. Há uma grande gruta à esquerda, com uma linha de água acima, em longa canaleta, rasa e esbranquiçada, no final do talvegue  da parte superior da montanha, que está repleto de árvores. À direita termina a florestinha e abaixo da passagem há a continuação do talvegue,  também com muitas árvores. No centro, abre-se uma linda parede. O visual foi ainda mais bonito do que esperávamos!

O segundo esticão começa saindo para a esquerda em um costão. Segui por uns 10 metros e bati o próximo grampo a 5 metros depois da parede ficar mais vertical. O próximo grampo foi instalado 3 metros acima, seguindo depois levemente à esquerda para o terceiro grampo deste esticão, em seção de "agarrências".

A bateria da furadeira acabou e desci para buscar a outra, já levando minha mochila e deixando no primeiro grampo.

Depois do terceiro grampo, A linha passa à direita de uma vegetação que se espalha na parede como uma trepadeira e segue reto até o grampo que colocamos no final da horizontal da Variante " O Medroso mais Corajoso", na primeira investida.  Os dois trechos estavam conectados e a linha da via definida!!!

Duplicamos, o que se tornou a segunda parada e aproveitei para instalar um grampo no meio da horizontal da Variante "O Medroso Mais Corajoso", para intermediar os 27 metros.

Para continuarmos para o final da via, o Luis seguiu guiando o lance em diagonal para a esquerda, fez o lance de possível IV grau e subiu a canaleta, ambos ainda com grande exposição. Fui como participante, para fazer as intermediações deste esticão final. Acabei colocando um grampo entre a parada e o grampo na base do veio de cristais, antes do platô da meia lua, para melhor orientar o guia, pois da parada só se via uma parte deste grampo, tendo ficado um pouco escondido pelos cristais.

O delicado foi colocar o grampo no lance de IV, mesmo com segurança de cima, a corda puxava para a esquerda, então, subi um pouco mais e e coloquei dois cliffs em agarras grandes na base do teto. O grampo ficou um pouco mais alto do que a linha que fiz na conquista, o que demandará o uso de uma fita longa, mas pode ajudar o participante a passar o lance se subir um pouco mais até estas agarras antes de fazer a transição para o platô à esquerda, atenuando o risco de pêndulo de participante.

Por fim, intermediei o lance da canaleta e a segunda bateria acabou. Foi na conta.

Terceira Investida: 22 de janeiro de 2020 (Quarta-feira)

Como o Leandro e o Luis trabalhavam, convidei o Marcos Lima (que sempre tem disponibilidade) para voltar comigo na terça. As metas eram avaliar a via, duplicar a primeira e a terceira paradas e retirar um grampo antes da horizontal molhada, do primeiro esticão, que ficou mal batido.

Entretanto, na segunda à noite choveu muito e deixamos para ir na quarta de manhã. A ideia era o Marcos guiar para avaliar a via e limparmos um pouco o trecho antes da horizontal.

Quando ele chegou na primeira parada da via Golpe do Cartão, soltou uma enorme risada. Fui até ele e vi que a linha da via estava muito mais molhada do que na segunda investida.

O Marcos ainda tentou. Saiu da primeira parada da via Golpe do Cartão, costurou no grampo desta via, pouco acima. Tocou para a esquerda na direção do que é, efetivamente, o  primeiro grampo da nova via e fica na mesma altura que a parada de rapel da Golpe do Cartão. Ele subiu um pouco e já encontrou o primeiro trecho com muito limo e muito molhado. Colocou um pé no molhado mas, com grande sabedoria, desistiu. Voltou para a direita, pegou uma diagonal e parou no primeiro grampo após a parada de rapel da via Golpe do Cartão.

Decidimos subir por um caminho alternativo. O Marcou pegou uma horizontal tranquila, para a direita, e entrou na linha da Via De Olho nas Vizinhas, para subir até a base da diagonal da parte final desta via, abaixo do grande diedro. De lá, seguimos pela Variante "O Medroso mais Corajoso", rapelando do meio da parede até a sua base, do outro lado da horizontal molhada. Um trajeto quase na forma de um retângulo sem  parte do lado da base, a inesquecível horizontal molhada.

O Marcos guiou os 27 metros em horizontal, da Variante O Medroso mais Corajoso, e julgou que é bem tranquila, pelo fato da parede ser positiva. Parece-me bem mais fácil do que a horizontal da via Entre Quatro Paredes, na face leste do Morro do Tucum, só o fator psicológico que é mais forte, pois conta da  parede abaixo.

Rapelamos da segunda parada, do meio da parede até sua base, e vimos que, apesar do sol, a horizontal ainda estava molhada, mas começava a melhorar. Dupliquei aquela que é agora a primeira parada da via, não considerando o trecho da via Golpe do Cartão.

Montei o rapel e fui desescalando de lado e um pouco para baixo, pegando uma parte molhada até chegar ao grampo do outro lado da bromélia. Foi quase pior que ter feito a conquista,  pois a corda puxava para a esquerda,

Fixei as duas partes da corda como mosquetões no grampo, fazendo um duplo cabo guia para o Marcos passar até este grampo e segui rapelando também em diagonal para baixo até chegar no grampo abaixo da pequena "barriga". Enquanto eu retirava o grampo mal instalado, o Marcos limpou a linha que estava muito suja antes e depois deste grampo anterior à horizontal.

A linha da via continuará seguindo uma horizontal, abaixo da bromélia,  ou uma leve diagonal para cima  se for feita mais por baixo. O lance ficou exposto, mas decidimos fazer uma nova avaliação quando estiver seco para decidir se será necessário intermediá-lo.

O Marcos voltou pelo cabo guia até a parada onde ficaram as mochilas  e decidimos que seria melhor rapelar do que continuar a fazer a via, pois o sol estava bem forte, já às 11h30.

Assim, eu subi para o grampo antes da bromélia, o último grampo antes da segunda parada, e o Marcos voltou também para este grampo.
Somente dali é possível rapelar, neste trecho, em função da horizontal entre este grampo e a parada.

Voltamos para a estrada da Serrinha e subimos a pé até o Mirante de Itaipuaçu e fomos pela trilha do Alto Mourão até o costão que dá acesso ao Mirante do Carmo e dali acessamos a parte final da via. Encerramos duplicando a última parada. Resta limpar a parte de limo do trecho molhado.

O interessante é que durante a limpeza dos musgos antes da horizontal molhada, o Marcos falou: `Serão necessários dois dias de sol para esta parte secar'. O que se confirmava pelas condições dos dias anteriores. Pensei, `pronto, temos um nome para a via -  "Dois Dias de Sol", pois também a linha da via foi conquistada em dois dias de sol, entre os dias chuvosos deste mês de janeiro!'.