domingo, 16 de fevereiro de 2020

Patagônia Argentina: El Chaltén e El Calafate

Por: Leonardo Carmo

16 a 27/11/2019 

Participantes: Leonardo Carmo / Carina Melazzi



1º dia (16/11/2019): Rio x El Calafate

Pegamos um avião para Ezeiza (Buenos Aires) onde fizemos a conexão para El Calafate. Essa conexão foi tensa, pois o aeroporto de Ezeiza estava abarrotado e uma desorganização tremenda. Depois de conseguir fazer todos os tramites, embarcamos rumo a El Calafate. Chegamos no final do dia e como só anoitecia por volta das 21h40, conseguimos aproveitar bem. Fomos conhecer a cidade “nutela”. A cidade é feita pra turista que ganha em dólar. Tudo lá é muito caro hahahahahahaha e bastante coisa tem preço em dólar. A chegada em El Calafate foi bacana. Quando o avião vai se aproximando sobrevoando parte do Lago Argentino, da uma sensação muito doida. É uma paisagem indescritível. 


2º dia (17/11/2019): El Calafate 


No dia anterior a gente tinha decidido conhecer o Glaciar Perito Moreno. Nos programamos para fazer isso na parte da tarde, pois o período da manhã fica muito cheio. Ficamos com a parte da manhã livre e então resolvemos conhecer o Glaciarium. Um museu muito bacana que conta a história das geleiras entre outras coisas. De onde estávamos até lá, são 5 km. Como o ônibus do Perito Moreno saía às 14h, resolvemos ir andando, mas no meio do caminho, começou a bater um vento contra muito forte fazendo com que a sensação térmica despencasse. Resolvemos abortar e voltar pra cidade e ficar esperando a hora de irmos pro Glaciar. 

O Glaciar é uma parada muito impressionante. Super recomendo. A gente ainda andou pelas passarelas. Pra quem é montanhista, as passarelas são como caminhar no corredor de casa. Não existe dificuldade técnica e nem esforço físico. 

A gente teve que contratar um transfer até o parque onde fica o Glaciar Perito Moreno. Indo por conta própria é bem melhor, pois da mais independência. Como a gente estava sem carro, essa foi a opção que nos restou. 

De volta a El Calafate, procuramos um lugar pra comer e beber uma. As coisas lá são bem caras. A cerveja mais barata que é a Quilmes, convertendo, da uns R$ 15,00. 




3º dia (18/11/2019): El Calafate x El Chaltén 


No dia anterior a gente já tinha ido à rodoviária e comprados as passagens para El Chaltén. Recomendo comprar tudo com antecedência pra evitar de chegar na hora e não ter mais passagem. 

A estrada que liga El Calafate – El Chaltén é muito maneira. Visual incrível. Pena que a gente não foi pra Argentina de carro. 

Depois de percorrer 213 km em quase 3h30 de viagem, chegamos a El Chaltén. Logo na entrada da pequena e aconchegante cidade, o ônibus passa na sede do Parque e onde são passadas as instruções pelos guarda-parques. 

Chegamos lá no início da noite e não perdemos tempo. Estava chovendo e ventando muito, mas a vontade de andar pelas montanhas era muito grande e então resolvemos fazer algo mais tranquilo, só pra efeito de reconhecimento. Fizemos o Mirador de las Aguilas e Mirador de lós Condores. Ali já deu pra perceber que a vida não seria fácil, pois a chuva, vento e o frio deram as boas vindas. Esse circuito tem aproximadamente 7,5 km. 


4º dia (19/11/2019): El Chaltén 

Acordamos cedo e continuava chovendo. Resolvemos então conhecer a cachoeira Chorrillo Del Salto. 

Foram 7 km ida e volta debaixo de muita chuva. A maior parte do caminho estava alagada. Da pra ir pela estrada, mas ela também estava alagada. Não tinha pra onde correr. Era enfiar o pé na água gelada e caminhar. A cachoeira estava com um grande volume de água devido à chuva e ao inicio do degelo. 

Na parte da tarde, a chuva deu uma parada e resolvemos explorar um pouco mais a região. Do outro lado do Rio de Las Vueltas, encontramos uma parede de vimos que tinham algumas vias e fomos conferir de perto. Não tinha encontrado informações sobre aquelas vias. 


5º dia (20/11/2019): El Chaltén 


A chuva finalmente deu uma trégua e partimos para a trilha da Laguna Torre. Uma trilha de dificuldade moderada, mas recompensadora. Existe uma base de acampamento bem próximo à Laguna, acampamento D’Agostini. Uma boa estrutura com área demarcada e banheiro seco pra quem quer fazer um pernoite. Durante a trilha a gente pegou sol, chuva, neve e muito vento, especialmente na Laguna Torre onde bateu um vendável e quase nos arrastou montanha abaixo. Foram 22 km de paisagens incríveis. 




6º dia (21/11/2019): El Chaltén 


A chuva tinha voltado a cair na noite anterior, mas resolveu novamente dar uma trégua na parte da manhã. Aproveitamos e partimos pra fazer a trilha da Laguna de Los Três passando pela Laguna Capri. Pegamos muito trecho com lama por conta da chuva da noite anterior, mas nada que desanimasse. Quando chegamos num entroncamento com saída para outras trilhas, o tempo começou a virar e o vento já soprava forte. Continuamos firmes na nossa missão e chegamos no trecho final pra fazer o ataque à Laguna. Era apenas 1 km com um desnível de 800 metros. O solo é completamente instável com pedras soltas e pra dar mais emoção, tinha neve e água correndo pelo caminho. Depois de andar cerca de 700 metros, começou a ventar muito forte e a sensação térmica tava ficando insuportável, pelo menos pra mim. Depois de vencer os 200 metros restantes e chegar na Laguna de Los Três, o vento ficou mais forte e eu tive que me abrigar. A Carina suportou bem, mas eu não consegui ficar lá por muito tempo. 

Depois de apreciar aquele lugar indescritível, começamos a descida e quando passamos novamente pelo entroncamento, vimos que a chuva estava se aproximando. A nossa ideia era voltar pela trilha passando pelas Laguna Madre e Hija, mas decidimos voltar pelo mesmo lugar por conta da chuva que estava chegando. Decisão certa. A chuva veio e deixou o caminho ainda mais enlameado. O tempo lá é muito louco. Abre e fecha do nada. 

De volta à cidade, paramos para beber uma e planejar o que faríamos no dia seguinte. 


7º dia (22/11/2019): El Chaltén 


A nossa ideia inicial era acampar na Laguna Toro, mas por conta das fortes chuvas e por orientação do parque, decidimos não ir. Na verdade o que foi decisivo pra que a gente não fosse foi que a Carina descobrir que a sola da bota do pé direito estava dando infiltração. Ela levou um tênis reserva, mas ele não iria aguentar passar por terrenos encharcados e não molhar os pés. A Laguna Toro é um lugar bem remoto. Não dava pra arriscar a ficar com os pés molhados por muito tempo. O risco era alto. 

Como já vinha sendo normal, choveu muita coisa na noite anterior e só parou na parte da manhã. A gente não podia ficar com o dia sem programação e então resolvemos acampar na Laguna Capri. Um lugar lindo com uma paz sem igual. A gente queria ter essa experiência de acampar em um ambiente selvagem diferente do que estamos acostumados. Sábia decisão. Fomos até um mercadinho comprar algumas coisas pra comer e partimos pra lá. O tempo foi abrindo e o dia ficando lindo. Antes da gente sair, veio uma informação de que viria uma frente fria no outro dia trazendo muito mais chuva. Essa era a nossa oportunidade de acampar com segurança. 

Chegando no ponto de acampamento, analisamos bem o lugar. Previmos uma possível chuva e por onde a água provavelmente desceria. Outra coisa que nos preocupava era o vento. Depois daquela análise minuciosa, escolhemos um lugar e montamos a nossa barraca. Fizemos uma proteção contra o vento com troncos e galhos. A gente tava seguro. Só um furacão levava a nossa barraca rsrs. Com tudo organizado, ficamos contemplando a paisagem e esperando a noite chegar. Eu sabia que o frio viria rasgando. 


Ficamos sentados à beira da Laguna esperando o pôr do sol e foi um momento foda. Uma paz indescritível. 

Voltamos pra nossa área de acampamento. A Carina resolveu entrar e já se aquecer. Eu, resolvi ficar sentado num banquinho que improvisei e esperar a noite cair. Ali ficamos conversando por algumas horas e por volta das 21h30, percebo algo se movendo do meu lado e quando olhei, vi uma raposa. Esse momento foi algo que valeu pela viagem toda. Ela passou farejando e se mandou. Ali fiquei quietinho esperando escurecer até que ela resolveu passar de volta. Experiência foda. 

Por volta das 22h, a noite chegou e com ela, o frio. Entrei na barraca e ficamos ali tentando gerar algum calor, mas tava sinistro. Algo me dizia que eu iria me lascar rsrsrs. O frio da Patagônia é algo cortante. Eu nunca tinha sentido algo parecido. Eu não conseguia dormir. Fiquei preocupado em fechar os olhos e não acordar mais rsrs. De hora em hora o meu relógio apitava e assim eu fui contando as horas e certificando que eu estava vivo. A Carina nem piava rsrsrs. Do jeito que ela deitou, ela levantou. Quando deu 5h da manhã, bateu um alívio. Sabia que iria clarear e que a temperatura iria subir um pouco. 


8º dia (23/11/2019): El Chaltén 


Depois de levantar, fomos pra beira da Laguna e curtimos o amanhecer tendo como paisagem de fundo, o Fitz Roi. Sem descrição... 

Começamos a desmontar acampamento, pois havia previsão de mudança de tempo e nesse dia eu precisava encontrar um lugar pra assistir o jogo do Mengão, era a final da Libertadores. 

Paramos para comer e beber uma e soube que eles iriam passar o jogo. Estava eu lá com o manto sagrado rodeado de argentinos hahahahahahaha. Foi muito bom ser campeão em cima de argentino estando na argentina vendo o jogo rodeado por argentinos hahahahahaha. 

Aí foi só comemorar, comemorar e comemorar rsrsrs. 




9º dia (24/11/2019): El Chaltén 


Esse era o nosso último dia em Chaltén e resolvemos fazer o Loma Del Pliegue Tumbado. A trilha até um certo ponto é tranquila, depois o terreno vai mudando. É um tipo de cascalho e o ataque final fica bem instável por conta deles. Sem falar que pegamos neve nesse último trecho. O vento nessa parte final resolveu das as caras de novo pra dar aquela emoção. Chegamos no cume e por lá ficamos por um bom tempo. A gente não queria descer, pois a gente sabia que a nossa missão estava terminando. Não teve jeito, tivemos que descer e terminar a nossa última trilha. Pra curar a “depressão” de ter que voltar, parimos pra beber a nossa última Quilmes da temporada de El Chaltén. 




10º dia (25/11/2019): El Chaltén x El Calafate 


Acordamos cedo partimos pra rodoviária debaixo de chuva. A frente fria tinha vindo com força.
Chegamos e saímos de El Chaltén debaixo de chuva. Não ficamos frustrados, pois a natureza é quem manda. Nos resta é nos adaptarmos às condições que ela nos impõe. 

A viagem pra El Calafate foi tranquila. Chegamos lá no início da tarde e dava tempo da gente ir almoçar antes de ir conhecer o Glaciarium. Nosso almoço foi a tradicional parrillada. Gastamos os nossos último centavos para degustar tal iguaria rsrs. Depois do almoço, descobrimos que saia uma van de hora em hora pro Glaciarium e era de graça. Só tivemos que pagar os ingressos. Valeu muito ter conhecido o museu. De volta à cidade, encontrei mais alguns dólares guardados na carteira e fomos beber umas “Patagônia” e comer mais alguma coisa. 


11º dia (26/11/2019): El Calafate x Rio 


Acordamos cedo e a gente tinha algumas horas pra andar pela cidade. Nosso voo pra Buenos Aires era só às 13h. Assim, a gente chegaria em casa no mesmo dia. Essa era a previsão. Pegamos o voo pra Buenos Aires e aí começou a encrenca. No aeroporto de Ezeiza a gente foi informado que o voo pro Rio ia atrasar. Ninguém dava uma explicação até que descobrimos que os funcionários da mecânica tinham feito uma paralisação e que não tinha previsão pra voltar. Depois de umas boas horas de espera, o nosso voo foi anunciado e partimos pro Rio. Chegamos no Galeão já de madrugada e a nosso expedição foi terminar no dia 27/11. 

O aeroporto de Ezeiza estava tomanda por Rubro-Negros. Me senti no Maracanã rsrs. O voo pro Rio veio lotado e a maioria esmagadora eram torcedores do Mengão. 


Parque Nacional Los Glaciares 


Laguna Torre = 22 km 

Cachoeira Chorrilo Del Salto = 7 km 

Circuito Mirador de las Aguilas e dos Condores = 6,23 km 

Laguna de los Três via laguna Capri = 26 km 

Laguna Capri = 9 km 

Loma Del Pliegue Tumbado = 21 km 
















quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Travessia Tupinambás - Parque da Cidade

Por Leandro do Carmo

Data: 12/12/2019
Participantes: Leandro do Carmo, Marcos Lima e Rafael Faria do Carmo











Vídeo da Travessia Tupinambás





Relato da Travessia Tupinambás

Ainda não havia feito a Travessia Tupinambás completa. Só havia feito partes... Já estava mais que na hora! A Travessia inicia na Praça Dom Orione em São Francisco e termina no Jardim Imbuí. São cerca de 8,5 km de caminhada. É uma travessia que foi concebida há pouco tempo, sendo a união de várias trilhas já existentes: Trilha dos Blocos, Bosque dos Eucaliptos, Circular do Parque da Cidade, Travessia Parque da Cidade x Cafubá, Trilha das Ruínas, e Mirante da Tapera. Uma excelente opção para quem quer conhecer a região.

Quando o Guia de Trilhas de Niterói foi lançado, em 2017, a Travessia Tupinambás ainda não tinha sido divulgada, apesar de que todo o caminho já existia. A ideia agora, era incluí-la na nova edição do guia. Como estava de férias aproveitei para fazê-la em algum dia de semana. Fomos eu, Marcos e o Rafael. Marcamos de nos encontrar cedo na Praça Dom Orione.

Iniciamos a caminhada, subindo a estrada que dá acesso ao Parque da Cidade. Na altura da quinta curva, entramos na trilha dos Blocos. Estava bem molhado e escorregadio. Fomos subindo e passamos pela discreta entrada do Campo Escola da Viração, uma boa opção para treino de chaminés em Niterói. A partir dali, seguimos subindo num ritmos mais forte até que chegamos ao final. Apesar de ser uma trilha curta, é uma excelente opção para um aquecimento...

Depois de estar novamente na rua, subimos mais alguns metros e entramos na Trilha dos Bosque dos Eucaliptos. Com seus grandes eucaliptos, essa trilha tem um visual fantástico. Uma caminhada fácil e rápido. Subimos sem muitos problemas e logo estávamos passando pelas ruínas . Ainda paramos na rampa para algumas fotos. A vista no Parque da Cidade é simplesmente fantástica!

Depois de um rápido descanso, continuamos a travessia. Entramos agora na Circular do Parque da Cidade. Uma trilha clássica da região. Seguimos por um caminho bem agradável até passar por um belo mirante à esquerda e depois seguir para o Mirante da Pedra Quebrada. Uma subidinha rápida para depois seguir caminho. Mais alguns minutos e estávamos no ponto onde viramos para a direita e continuar a travessia. Se tivéssemos pegado o caminho da esquerda, seguiríamos de volta ao Parque da Cidade.

Continuamos a caminhada e passamos por uma casa até chegar ao ponto de descida em direção ao Cafubá, mas antes, optamos por visitar um mirante onde ficava uma construção da antiga rádio Guanabara. Depois de algumas fotos, voltamos e seguimos caminho em direção ao Cafubá. Foi só descida. Como estava bem molhado, em alguns escorregava muito. Todo cuidado era pouco. Descemos e chegamos ao ponto onde entramos na Trilha da Ruínas. É uma curva bem acentuada. Há uma seta, mas não contem com ela. Pois já vandalizada algumas vezes.

Hoje a entrada está bem aberta. Bem diferente da primeira que fui lá com o Marcos Lima em 2015. Aliás, não é só a entrada, mas toda a trilha. O excelente trabalho de manutenção feito pelo Gestor do Parque, o Alex Figueiredo, e toda a equipe do voluntariado vem dando outra cara as trilhas da região. Em 2015 foi diferente... O caminho estava bem fechado. Havia muita vegetação e árvores caídas. Quase não havia frequência no local. Nesse dia que fizemos a primeira de muitas investidas no local, levamos cerca de 5 horas para subir e descer. Ainda precisei voltar lá outras diversas vezes para melhorar o caminho.

Depois de lembrar um pouco da história, seguimos andando até chegar num largo, onde há uma nascente . Dali subimos e entramos no Vale das Jaqueiras. Difícil conseguir contar quantas jaqueiras tem no local... Tem tanta, que às vezes fica difícil achar o caminho! Mais acima chegamos ao ponto onde dá acesso a vários pontos. À esquerda, segue para o Jardim Imbuí e será por onde retornaremos, à direita, segue para o Morro da Viração e em frente para as Ruínas e Mirante da Tapera.

Fomos em frente e logo veio o acesso ao primeiro mirante. O Marcos e o Rafael seguiram subindo. Mais acima um outro mirante. E depois de mais alguns minutos, estava chegando nas ruínas. Talvez esse teria sido mais um posto de observação. É uma construção muito parecida com a que tem próximo à sede do Parque da Cidade. Faltavam alguns metros até o mirante. Segui andando e logo encontrei o Marcos e o Rafael.

Ali fizemos nossa última parada. Descansamos um pouco e voltamos para o último trecho. Agora seria só descida. Voltamos até o trecho onde dos acessos a outras trilhas, só que agora, viramos à direita e seguimos descendo até o Jardim Imbuí. É um trecho bem tranquilo, sem bifurcações. Até que descemos rápido esse trecho. Foram 4 horas de travessia, contando com as paradas. Ao final, ainda paramos em um dos restaurantes que tem na região para comer alguma coisa e descansar. Um excelente dia!







segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Chapada Diamantina

Por Leonardo Carmo / Carina Melazzi

Chapada Diamantina: Mucugê/Igatu/Andaraí/Ibicoara

20 a 29/12/2019

A Chapada Diamantina sempre fez parte dos meus planos até que a hora chegou. A Carina já tinha ido pra lá e feito algumas outras coisas, mas era a minha primeira vez. 

Nosso planejamento foi feito meio que sem pensar muito, pois não tínhamos muita escolha. Era partir pra dentro ou deixar a folga de apenas uma semana passar e o arrependimento bater. 

1º dia 20/12: Saímos de casa por volta das 17h e tudo parecia bem até que nos deparamos com um engarrafamento monstruoso logo na Linha Vermelha. Consultamos o GPS e teríamos mais de 3h de engarrafamento. Como a viagem seria muito longa, resolvemos voltar pra casa e esperar o trânsito fluir. A sorte foi que a gente ficou agarrado perto de um retorno. 

Depois de ter passado o engarrafamento, por volta das 23h50, metemos o pé na estrada novamente. A missão seria puxada, 1.533 km até o nosso destino sem ter muito tempo para descanso.

2º dia 21/12: Já na madruga, paramos para comer alguma coisa e dar aquela esticada no corpo. Depois, já em território mineiro, por volta das 4h30 da madrugada, paramos em um posto de gasolina pra tirar uma soneca rápida de 40 minutos. Depois de um breve descanso, metemos o pé na estrada de novo e só pararíamos para almoçar na hora do jogo do Mengão (final do Mundial). Até que meu planejamento deu certo: conseguimos um restaurante de beira de estrada e paramos por volta das 14h. Esse foi o momento que descansamos mais. Ficamos ali até acabar o jogo. A partir daí foi o trecho mais cansativo da viagem. Faltava a metade do caminho e a pior parte da estrada. 

Depois de umas boas horas, cruzamos a divisa MG/BA e a situação só piorou. Quanto mais a gente andava, mais a estrada piorava.

3º dia 22/12: Foi muito cansativo dirigir de madrugada naquelas estradas esburacadas. Cada buraco cabia a metade do carro. Depois de várias pequenas paradas pra esticar o corpo, chegamos em Mucugê por volta das 5h da manhã. Ficamos na Hospedaria da Lia. Um lugar simples, porém muito acolhedor e com um café da manhã excelente. A gente já tinha avisado que não tinha hora pra chegar, e a Lia super gentil ficou nos aguardando. Depois de literalmente desmaiar na cama, levantamos por volta das 7h pra tomar o café e partir pra missão do dia. Afinal, não fomos pra lá pra dormir rsrs. 

Pegamos a estrada novamente e partimos pra Ibicoara, na Cachoeira do Buracão, que fica dentro do Parque Municipal do Espalhado. Lá só pode entrar com condutor cadastrado pelo parque. A gente teve que ir pra Associação de Guias de Ibicoara pra contratar um. Pra quem tem experiência, não há necessidade de guia, mas é uma imposição do parque. O condutor que foi com a gente foi o Tico. Cara super gente boa.

A Cachoeira do Buracão é bem bacana. A trilha é tranquila, super leve pra quem está preparado. Eles disponibilizam coletes para que você possa ir nadando até debaixo da queda. Mesmo você sabendo nadar, é preciso usar o colete. Até o Buracão, tem um rio com alguns poços e algumas outras cachoeirinhas. Da pra ver o Buracão por cima também. Uma curiosidade, pra quem conhece a escada da casa de Santos Dumont em Petrópolis: lá tem uma réplica. 

Depois de visitar o Buracão, voltamos pra Mucugê e descansamos um pouco. 

Sei que seria mais fácil logisticamente ficar em Ibicoara no primeiro dia, mas mudamos os planos em cima da hora rsrs.

4º dia 23/12: Depois de alterar os planos, resolvemos fazer a travessia das Sete Quedas, em Mucugê.
O calor estava forte e a possibilidade de tomar uma banho em um dos poços da circuito nos deixou animados. A trilha também é tranquila pra quem tá preparado. A navegação fica difícil na parte que segue pelo leito do rio, mas não é difícil encontrar grupos nas trilhas da Chapada. Diria que 99% das pessoas fazem as trilhas com guia local. Então a gente se valeu dessa estatística pra poder pegar uma carona e seguir pelo caminho mais tranquilo. Dependendo do volume de água do rio, esse trecho pode ficar complicado, por isso nem sempre somente o GPS é suficiente. O faro tem que estar aguçado. Depois de chegarmos na Cachoeira dos Funis, foi só desfrutar de um belo banho e continuar a trilha pra fechar o circuito. No trecho final o calor tava mais intenso. 

Depois da travessia feita, voltamos pra cidade para tomar um banho, almoçar e descansar um pouco. Afinal, a nossa última noite de sono tinha sido no dia 19.

5º dia 24/12: Véspera de Natal e a gente precisava decidir o próximo destino. A essa altura, o roteiro inicial já tinha ido pro espaço. Decidimos então partir pra Igatu. Sábia decisão. Antes, passamos no mercadinho e fizemos umas comprinhas. A gente precisava fazer a nossa ceia de Natal. 

Pegamos estrada e 25 km depois estávamos na encantadora Igatu, uma vila super pacata e acolhedora. Ficamos acampados no Xique Xique. Depois de montar acampamento, saímos pelo vilarejo atrás de uma cerveja gelada. Paramos num boteco chamado Bar Igatu “do Guina”. Fomos super bem recebidos. A cerveja estava no ponto. Ficamos ali sentados na calçada bebendo uma e apreciando o lugar. Conhecemos o Guina, dono do bar. Um coroinha muito simpático. Ele tinha sido garimpeiro e em muitas prosas que tivemos, nos contou muitos causos. Histórias essas que não se encontram em livros e nem na internet. Conhecemos também um de seus filhos, o Natal. Eles foram tão gente boa que nos convidaram para passar na casa deles na hora da ceia. Isso você só encontra no interior. 

A nossa ceia de Natal foi no camping mesmo. Fizemos uma gororoba das boas. Tava gostoso pra caceta. Tinha macarrão, linguiça, pimentão, tomate, cebola e muita satisfação de poder mais uma vez fazer a ceia na simplicidade e perceber a riqueza explícita nisso.

6º dia 25/12: Já era Natal e resolvemos encarar uma trilha. Fizemos a Rampa do Caim, uma trilha bem exposta ao sol e por isso fica mais exigente. Foram aproximadamente 16 km embrenhados no cerrado baiano. O caminho segue pela antiga trilha do garimpo. A navegação em alguns trechos pode ser uma armadilha. O visual do final é sinistro. Vistas para o Vale do Rio Paraguaçu e pro Vale do Pati. Passamos por leitos de rios secos e algumas antigas tocas de garimpeiros. Na época do garimpo devia ser foda. 
O trecho de volta foi sinistro. Um calor que nunca tinha sentido antes em trilhas. A gente só conseguia sombra quando passava nas antigas tocas. Tudo isso valeu a pena. Estar no meio do cerrado baiano no verão e no Natal não tem como explicar. 

Depois de concluir a trilha, paramos no bar do Guina e bebemos uma. Depois fomos pro camping fazer nosso almoço. Ainda deu tempo de aproveitar o fim da tarde com um banho de rio no poço da Madalena. Mais tarde, voltamos pro bar do Guina onde proseamos com ele e bebemos mais umas geladas.

7º dia 26/12: Acordamos cedo, e fiquei com a missão de comprar pão pro nosso café. Encontrei uma casa que vendia pão caseiro. R$ 0,80 cada pão. Uma delícia. Essa casa fica perto do bar do Guina. Depois de tomar café da manhã, levantamos acampamento e partimos pra Andaraí. A ideia era pernoitar por lá, mas como não nos identificamos muito com a cidade, metemos o pé pra Ibicoara novamente. Chegando na cidade, procuramos uma hospedagem e partimos pra cachoeira de Licuri. Pra acessar a cachoeira tem que pagar R$ 6,00. A trilha até a base é curta, porém bem íngreme. O dono da propriedade é um senhor chamado Nilson. Ele é uma pessoa super animada e comunicativa. Ele vende refrigerante, pastel de jaca etc. Da pra acampar por lá também. Se eu não me engano, o valor tava R$ 25,00. Depois de prosear bastante com o Sr Nilson, metemos o pé pra cidade. Já de noite, saímos pra beber uma e lanchar. Como de costume, fizemos amizade com um cachorro, ou melhor, uma cachorra vira-lata super simpática.

8º dia 27/12: Na noite anterior, descobrimos que havia uma cachoeira perto do centro, a uns 4 km
aproximadamente de onde a gente estava. A cachoeira do Rio Preto não é muito frequentada. A galera turistona quer fazer só o que todo mundo faz, mas a gente procura fazer tudo, mesmo o que não tem “apelo turístico”. Andar pela Chapada é meio complicado, mesmo com GPS. Tudo parece ser meio confuso, mas é só calibrar bem o faro antes de sair. A trilha pra essa cachoeira é gostosa. Um pouco puxada, mas gostosa. O calor tava forte também. Na parte final, é preciso cruzar o rio. Pra nossa surpresa, o rio estava praticamente seco. A água corria por baixo do leito e brotava lá na frente, quase no ponto onde é feita a captação que abastece a cidade. A cachoeira estava praticamente seca, só corria um filetinho de água. O poço estava com água, mas com o nível bem baixo. Deu pra gente tomar um banho e ficar ali curtindo o lugar. Só tinha a gente. Uma beleza. 

De volta à cidade, arrumamos nossas coisas, catamos um lugar pra almoçar e partimos para o alto da chapada, um povoado chamado Mundo Novo. A gente já tinha passado por lá quando foi fazer o Buracão. A nossa ideia era ter ficado no povoado chamado Baixão, mas não deu. 

Chegando no povoado, encontramos um cara muito bem vestido. Ele estava com a camisa do Mengão. Por sinal, naquela região, assim como no resto do país, a maioria é flamenguista. Estava me sentindo em casa rsrs. Perguntamos pra ele onde ficava o alambique do Toninho. Esse alambiquei foi indicado pelo Sr Nilson, da cachoeira do Licuri. Depois de deixar as coisas na hospedagem, partimos pro alambique. Aí foi só alegria. Depois de boas prosas, fomos conhecer o Lagão, que fica no final do povoado do Baixão. Lá tem um sujeito chamado Marão. O cara é de uma espontaneidade absurda. A propriedade dele da acesso à trilha da Cachoeira da Fumacinha/Véu da Noiva e Lagão. Ele vende cerveja, caldo de cana, água, cachaça etc. Também é possível deixar o carro lá. 

Depois de conhecer o Lagão voltamos até a propriedade do Marão e lá conhecemos a filha do Toninho, dono do Alambique. Ela é guia local e se chama Siara Prado. Nem preciso falar que a conversa rendeu, né?

9º dia 28/12: No nosso último dia na Chapada resolvemos fazer a trilha da Cachoeira da Fumacinha. Segundo relatos, essa é a trilha mais difícil em termos de navegação da Chapada. Dependendo do nível de água o caminho fica muito complicado. Em alguns trechos dá pra ir margeando por uma trilha, mas a maior parte é feita por dentro do rio. 

A gente levou um GPS. Ir navegando com Wikiloc é praticamente impossível. Da metade pro final, o GPS do celular não funciona. 

Seguimos então pela trilha farejando os rastros. Ora a gente tava na terra, ora a gente tava andando
pelo leito do rio. Cada vez que a gente avançava, complicava mais a navegação. Mesmo com GPS estava foda, pois toda hora a gente tinha que cruzar o rio e a gente só conseguia saber se tava na linha da trilha andando. Parado não dá pra se orientar usando GPS. 

Quando a gente chegou na metade da trilha, a gente resolveu pegar uma carona com um casal que estava com um guia local. Assim a gente conseguiu andar mais rápido sem ter que ficar fuçando o caminho. 

Depois de umas horas de caminhada, chegamos até a Cachoeira da Fumacinha. Não tem como descrever. Só indo lá pra saber como é maneiro. No caminho, encontramos duas cobras que estavam passeando pelo leito do seco do rio. 

Na cachoeira tem um poço bem grande com água gelada. A gente não resistiu e foi pra dentro dar um mergulho. Banho gostoso e merecido. Como eu sou intolerante à água fria rsrs, entrei e saí rápido. A Carina ficou nadando por mais tempo e foi debaixo da queda curtir o visual. 

Depois de curtir aquele fantástico lugar, voltamos até a propriedade do Marão e nos despedimos proseando e bebendo um caldo de cana bem gelado. 

Na volta, passamos na casa do Sr Joel, onde almoçamos. Já tínhamos encomendado a comida. Voltando pra onde a gente estava hospedado, curtimos uma cerveja que havíamos comprado lá na cidade e nos preparamos para a nossa viagem de volta.

10º dia 29/12: Acordamos cedo e fomos até a cidade tomar um café da manhã e abastecer o carro. Daí foi meter o pé na estrada. No caminho, passamos por uma cidade chamada Ituaçu. Tava tendo feira de rua e parecia que a cidade toda estava lá. A gente deu uma parada e foi comer pastel com suco da fruta. Bebi suco de maracujá do mato por R$ 1,00. Estava no paraíso rsrs. 

Depois de curtir a feira, continuamos viagem e aí foi dirigir, dirigir, dirigir...

11º dia 30/12: Já em MG, perto de Leopoldina, paramos num posto de gasolina pra tirar uma sonequinha. Isso por volta das 2h da madruga. Ficamos ali até umas 4h e continuamos viagem. Sei que chegamos em casa por volta das 11h30 da manhã. 

Fiquei zumbizando o resto do dia inteiro rsrs. Foi sofrido, mas foi bom. Faria tudo novamente rsrs. 

+ de 3.500 km percorridos. Em estrada de terra, acho que percorremos uns 200 km aproximadamente. 

Abrigo de Montanha Xique Xique (Igatu): (75) 98148-5070 

Hospedaria da Lia (Mucugê): (75) 98217-1639 

Guia que contratamos para o Buracão: Guia Turistico Gercilio Caires (Tico) https://www.facebook.com/gercilio.caires.1

Guia para a Cachoeira da Fumacinha que conhecemos lá no Marão: Instagram @siaraprado https://www.instagram.com/siaraprado/?hl=pt-br

Alambique: chegando no povoado Mundo Novo, é só procurar pelo Alambique do Toninho.