segunda-feira, 31 de julho de 2023

Via Estela Vulcanis

Por Leandro do Carmo

Via Estela Vulcanis – CBE CNM

Dia: 01/04/2023
Local: Niterói / Córrego dos Colibris
Participantes: Leandro do Carmo, Gabriel e Hebert Calor



Relato da Via Estela Vulcanis

Era aula do Curso Básico de Escalada do Clube Niteroiense de Montanhismo e a ideia era fazer uma via no Córrego do Colibris. Não é um local que goste muito, mas como fazia parte do cronograma, não tinha muito opção. Marcamos bem cedo, o sol tinha ficado forte nos últimos finais de semana. Era 6:30 quando chegamos à rua Engenho do Mato, já próximos à entrada da trilha do Córrego dos Colibris. Levei um café e aproveitei para comer algo. Aos poucos todos chegaram. Aproveitamos para dividir as cordadas.

Como iria numa cordada de 3, optei por ficar na via Estela Vulcanis, a mais curta dessa face. Fomos caminhando até a grande Figueira, dali uma cordada foi para a Mabele Reis e as outras 4 cordadas, seguiram juntas. Duas ficaram para fazer a Fogo do Inferno e a Chuva de Guias e a outra seguiu junto comigo para a Estela Vulcanis. Procuramos a base da via e logo acima vi um grampo. Na base, nos arrumamos passamos algumas instruções.

O Michel seguiu à frente, junto com o Daniel. Assim que eles chegaram à primeira parada, eu comecei a subir. O Michel acabou indo para a via errada, fazendo a Chuva de Guias. Eu de baixo avisei que ele estava indo errado, mas ele optou por continuar. Quem nunca fez a Estela Vulcanis, fica meio desacreditado que tem mesmo que passar por entre as grandes bromélias. Mas só chegando perto é que dá para ver o caminho entre elas. Assim que cheguei à primeira parada, trouxe o Gabriel e o Hebert. Fizemos uma cordada em “A”.

A partir daí, optei por escalar em ”I” para diminuir o arrasto da corda. Já na segunda parada, o sol começou a apertar. Até então, estava com uma leve névoa. Como já estávamos próximos do final, não me importei muito. Saí para a última enfiada. Já na base do crux, costurei o primeiro grampo e dominei um batente, apoiando os pés num pequeno degrau. Daí, foi fazer mais um lance, até subir em outro friso e costurar a próxima proteção. O pior já havia passado. Segui levemente para a esquerda, num trecho mais sujo e logo cheguei à parada dupla de cume. O Hebert veio logo em seguida. Teve um pouco de dificuldade, mas conseguiu chegar. O Gabriel também passou suando.

Já na parada, preparamos um rapel curto até a parada de baixo. O sol saiu com força total. Emendamos as duas cordas e seguimos até a dupla de baixo, onde montamos mais um rapel até a base.  Foi um alívio chegar à sombra. Já podíamos descansar tranquilos.










domingo, 23 de julho de 2023

Serra do Cipó: Cânion da Bandeirinhas, Cachoeira da Farofa e Encontro dos Rios

Por Leandro do Carmo

Cânion da Bandeirinhas, Cachoeira da Farofa e Encontro dos Rios

Dia: 27/03/2023
Local: Serra do Cipó
Participantes: Leandro do Carmo e Ricardo Bemvindo



Relato

Depois de chegarmos da travessia Lapinha x Tabuleiro, paramos na Serra do Cipó, distrito de Santana do Riacho que fica na borda da Serra do Cipó, região sul da Serra do Espinhaço. Aproveitamos para descansar um pouco e ver o que podíamos fazer no dia seguinte. Há muitas opções pela região. A Serra do Cipó é um dos grandes locais de escalada esportiva, mas como não havia levado equipamento, estava fora de cogitação. Optamos por visitar algumas cachoeiras dentro do Parque Nacional. No dia 27, terça feita, acordamos cedo e fomos até uma loja que aluga bicicletas. Nossa ideia era chegar até o parque e pedalar por lá, visto que a distância entre os atrativos é grande.

Alugamos as bicicletas na Casa dos Ciclistas, por sinal excelentes, e seguimos até a portaria do parque. Foram cerca de 4 km de estrada de chão. A sorte foi que quase não passou carro, pois a poeira que subia quando passava um, era enorme. Já na portaria, nos identificamos e veio uma pessoa nos passar algumas informações sobre o parque. Recebemos um mapa e moça deu a recomendação de que a qualquer sinal de chuva, que a gente se afastasse do cânion ou de qualquer cachoeira. Na mesma hora eu olhei para o céu e não quis falar nada, mas estava tão azul que achei desnecessário ter feito aquele alerta. Eu estava errado e vocês verão mais a frente.

Pegamos as bicicletas e começamos a pedalar por uma estradinha. Tudo muito bem cuidado e sinalizado. O pedal estava bem agradável. Cruzamos alguns riachos. Estávamos numa grande planície, cercados por serras que se perdiam de vista. Mais a frente chegamos ao ponto onde deixamos as bikes. Ao fundo, dava para ver um trecho que parecia ser a entrada do cânion. Descemos caminhando até cruzar as águas cristalinas do Ribeirão Mascates. Já na outra margem, continuamos a caminhada, passando por um trecho mais abrigado do sol. As grandes árvores com troncos retorcidos impressionavam. O solo era bem arenoso e em alguns pontos lembravam praias.

Mais alguns minutos de caminhada, estávamos novamente no Ribeirão Mascates. Agora estávamos de frente para a entrada do Cânion. Um lugar fantástico. Fomos seguindo a margem da esquerda, procurando algum caminho que nos fizesse entrar no cânion. Fomos de pedra em pedra, até que não tinha mais como passar pela margem, só entrando na água. Era um trecho mais fundo e foi preciso ir nadando e segurando a mochila até um uma pedra à frente. Dali, voltamos a andar pulando de pedra em pedra. Na beira de um grande poço, paramos para um mergulho. A água estava numa ótima temperatura. O sol batia em alguns pontos, o que tornava o clima ali bem agradável.

A verticalidade das paredes laterais impressionava em alguns pontos, bem como a formação rochosa. O poço era tão grande que era possível nadar. Passei para a outra margem e fomos andando para dentro do cânion. Cada vez que avançávamos, um novo lugar se mostrava. Um mais bonito que o outro. Aquele som das águas correndo, junto com o canto das aves traziam uma paz imensa. Não conseguíamos ver o fim do cânion e resolvemos parar por ali. Já estávamos bem distantes do ponto de onde saímos. O sol foi batendo com mais força e fui procurando a sombra para ficar. Já estava pensando na volta.


De volta ao grande poço, começamos a preparar a volta. Seguimos descendo e voltei para a água carregando a mochila. Encontramos algumas pessoas que estavam chegando. Continuamos a volta e logo estávamos cruzando o Ribeirão Mascates mais uma vez. Pegamos as bicicletas e começamos a pedalar. Enquanto estávamos voltando, percebi várias nuvens se acumulando e num determinado momento, comecei a ouvir algumas trovoadas. A medida que fomos nos aproximando da entrada do caminho para a cachoeira, as trovoadas foram se intensificando e ao fundo, quase na direção do cânion, um a chuva começou a cair. E olha que quando chegamos ao parque eu achei desnecessário o comentário sobre chuva num dia tão lindo como o de hoje.

Deixamos a bicicleta num ponto e continuamos andando. Atravessamos o rio numa precária ponte de madeira e seguimos andando. A chuva foi se aproximando. A cachoeira estava bem próxima também. Quando estávamos bem próximos de cruzar o rio novamente para acessar o poço da cachoeira a chuva estava na iminência de cair. Optamos por não passar por ali, visto que a chuva poderia se intensificar e ficar perigoso a volta. Um pouco antes, havia um caminho subindo. Seguimos por ele, na intenção de fazer uma foto da cachoeira. Do alto, conseguimos fazer a foto. Como estávamos com a visão bem aberta, conseguíamos ver a chuva ao fundo.



Durante a volta, a chuva que parecia que ia cair forte, foi se afastando. Quando chegamos às bicicletas, a sensação era de que nada havia acontecido. Mas todo cuidado é pouco, valeu a prudência. Pegamos as bicicletas e voltamos a pedalar. Já estava bem cansado e a chuva foi dando lugar novamente ao sol. Aí, toda vez que passava por uma árvore, diminuía a velocidade para aproveitar um pouco mais a sombra. Mais frente, pegamos uma saída e seguimos até um mirante, depois de prender as bicicletas numa placa e subir um morro. A subida foi curta, mas foi dura. Lá, ficamos um tempo apreciando a vista e descansando. O mirante estava caindo, acho que foi afetado por algum incêndio, pois haviam várias marcas de incêndio na vegetação ao redor. Como estávamos bem alto, podíamos ver a planície que se estendia até o cânion das bandeirinhas, além de algumas outras cachoeiras na mesma face na qual ficava a da Farofa.

A chuva foi realmente embora e podia vê-la se encaminhando na direção oposta. Ali, nem sinal de água. Descemos e pegamos o caminho de volta, mas quando estávamos na entrada do caminho que indicava o Mirante das Lagoas, resolvemos entrar. Já estava ali cansado, o que seria mais alguns metros? Resolvemos entrar. Logo chegamos a uma construção e subimos pedalando numa rampa em forma de espiral. Não era um mirante tão mirante assim. Descemos e fomos até o encontro dos rios Mascates e Cipó, também nada de especial. Dali seguimos de volta e logo chegamos à portaria, onde demos uma pausa para descansar e beber uma água gelada.

Seguimos pelos quase 4 km de estrada de chão até à Casa dos Ciclistas, onde devolvemos as bicicletas e seguimos caminhando até a pousada. Um dia bem aproveitado, pena que foi só um... Estava encerrada a viagem por Minas Gerais.

























sexta-feira, 7 de julho de 2023

Conquista da Via Par ou Ímpar!? - Costão de Itacoatira

Por Leandro do Carmo

Fala pessoal! Em maio, foi conquistada mais uma via no Costão de Itacoatiara: Via Par ou Ímpar?! Uma linha bem bonita com trechos verticais técnicos. Conquistada por Luis Avelar e João Pedro Nehaus a via se destaca pela variedade de lances e por seguir uma linha bem natural.

Croqui

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A base da via fica a direita da via Tetando Ramires. Começa com uma enfiada tranquila, entrando num trecho mais vertical até a primeira parada. A segunda enfiada segue numa diagonal para a direita, com lances mais delicados, continuando numa diagonal, agora para a esquerda, ganhando altura até chegar num grande buraco raso. Dali segue subindo, passando pelo crux, num domínio bem bonito e com pequenas agarras até a segunda parada. Segue subindo, agora numa diagonal para a esquerda, passando por baixo de um platô de vegetação, voltando a subir reto até a terceira parada. O trecho final é um costão bem tranquilo, finalizando com aproximadamente 60 metros de subida até o cume.

Acesso:



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Algumas fotos:











terça-feira, 4 de julho de 2023

Travessia Lapinha x Tabuleiro

Por Leandro do Carmo

Dia: 24 a 26/03/2023
Local: Lapinha da Serra – Santana do Riacho / Tabuleiro – Conceição do Mato Dentro- MG
Participantes: Leandro do Carmo, Leandro Conrado e Ricardo Bemvindo



Dicas

Vale muito a pena chegar antes em Lapinha da Serra e aproveitar o vilarejo. Tem muita cachoeira e trilhas pela localidade. Dá para alugar caiaque e remar na represa. Não deixar de conhecer as pinturas rupestres.

Não consegui conhecer a vila do Tabuleiro, mas tem muita coisa por lá também, cogite a possibilidade de ficar por lá.

Existem diversas maneiras de fazer a travessia Lapinha x Tabuleiro. Nós optamos por fazer em 3 dias, com dois pernoites na casa do Sr. Zé da Olinta. A logísitica foi a seguinte:

Dia 1: Lapinha da Serra x Zé da Olinta 

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Dia 2: Zé da Olinta x Parte alta da Cachoeira do Tabuleiro x Zé da Olinta

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Dia 3: Zé da Olinta x Portaria x Parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro x Portaria

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Percurso completo:


Como fizemos para chegar saindo do Rio de Janeiro

Voo Santos Dumont x CONFINS
CONFINS X Lapinha da Serra – UBER (Acho que demos sorte, pois o primeiro aceitou a corrida e logo em seguida entrou em contato, falando que o valor teria que ser 400,00 Reias, como não aceitamos, ele cancelou). Do aeroporto, vc pode ir para Lagoa Santa (cidade ao lado do aeroporto) e depois pegar o ônibus para Santana do Riacho e de lá, seguir para Lapinha da Serra. De Santana do Riacho, dá para ir a pé. São cerca de 11 km de caminhada. Se tiver ido de ônibus para BH, pode pegar o ônibus direto para Santana do Riacho.

Como fizemos para voltar

Portaria do PNM do Tabuleiro x Conceição do Mato Dentro – Carro do Rafael (Guia local)
De Conceição do Mato Dentro, pode pegar ônibus direto para Lagoa Santa e depois, um UBER para o aeroporto. Pode ir direto para BH, se tiver indo de ônibus. Eu ainda parei na Serra do Cipó.

Contatos

Empresas de ônibus que operam o trajeto: SARITUR e SERRO
Zé da Olinta: 31 99652-9156
Transfer em Tabuleiro: Rafael – 31 7110-3989

Relato

Depois que fizemos o Pico da Lapinha no dia anterior, nos preparamos para começar a travessia. Foi muito bom ter feito essa caminhada de reconhecimento, assim, fomos nos aclimatando com o relevo e clima local. Nossa programação foi acordar cedo e sair cedo para podermos caminhar a maior parte do percurso sob o sol fraco. Minha estimativa era caminhar cerca de 18km no dia. Fizemos compra das provisões e preparamos tudo para a travessia.

Dia 1 – 24/03/2023: Lapinha da Serra x Casa do Zé da Olinta

Acordamos conforme programado. Eram 5 horas quando saí da cama. Foi uma noite bem tranquila, sem vento. O céu estava limpo, nem sinal das nuvens do dia a anterior, sinal de que não teríamos trégua do sol. Sair cedo foi a decisão mais acertada. Eu já havia deixado a mochila quase pronta. Fiz os últimos ajustes e preparei o lanche. Tomamos um café e partimos para iniciar a travessia. Eram 6 horas e 30 minutos, quando saímos da casa e nos dirigimos à praça onde fica a antiga Capela de São Sebastião. Lá fizemos uma foto e comecei a marcar o percurso com GPS. Caminhamos em direção à rua Serra do Breu e entramos na primeira à esquerda, indo em direção ao rio. Cruzamos uma pequena ponte e uma área que provavelmente fica alagada nos períodos de chuva. Dali, pegamos para a direita, num caminho bem aberto, até uma porteira que indica a direção de Tabuleiro.

Seguimos paralelos ao lago, até que entramos num caminho à esquerda. Quando chegamos a uma porteira, ficamos na dúvida, mas logo encontramos o caminho correto, que nos levou até um trecho que bem erodido, na qual podíamos ver bem de longe. É um trecho peculiar, facilmente percebido pela cor branca do solo. Já estávamos ganhando altura e era possível ver o Pico da Lapinha ao fundo, bem como o vilarejo. Já foi deixando saudades. Ao longo da subida, percebi o resquício de um caminho antigo. Havia cimento em alguns trechos, mas estava bem erodido. Achei metade de uma ferradura, até brinquei pois se achar uma ferradura era sinal de sorte, o que seria achar metade de uma? Meia sorte ou meio azar?

Estávamos num bom ritmo e por volta das 7 horas e 50 minutos chegamos a uma capelinha de pedra. Tinham várias homenagens e não deixamos de fazer algumas fotos. Passar ali foi como estar dando entrada em outro mundo. Um mundo de paz, cercado por um silêncio e uma natureza exuberante. Ao lado da capelinha tinha um caminho que subia, mas o tracklog que eu estava seguindo, mostrava outra direção. Segui caminhando, passando por trechos bem bonitos e 20 minutos depois estava cruzando a serra. Assim que cheguei na linha de cumeada, fiquei impressionado. Estava transpondo a linha para outro universo. Era um chapadão que perdia de vista. Do alto, podíamos ver um caminho em meio a vegetação rupestre. Pude perceber que o caminho que havia visto subindo ao lado da capelinha se encontrava maia baixo com o que eu estava.

Descemos um trecho misto de lajeado, pedras soltas e vegetação numa inclinação bem suave, até entrar num charco que pela falta de chuva, estava seco. Continuamos a caminhada e eram 8 horas e 30 minutos quando cruzamos um rio, mas a frente passamos por um cruzeiro.  Passamos por uma casa vazia mais abaixo e logo a frente, cruzamos mais um rio de águas cristalinas. Por volta das 10 horas, chegamos ao ponto conhecido como prainha. A prainha é o ponto onde o Rio Parauninha faz uma curva acentuada e as suas margens são de areia e pedras. Ali, aproveitamos para fazer nossa primeira parada longa. Já havíamos percorrido cerca de 9 km e seria a metade do caminho. Combinamos que ficaríamos ali por 30 minutos.

Depois de um lanche reforçado e bom descanso, voltamos a caminhar. Tive que tirar a bota para atravessar o rio. Já estávamos próximos ao ponto de apoio da Dona Benta. Seguimos por pasto, com vegetação rasteira. O sol começou implacável. Seguimos andando e deu para ver uma casa mais à esquerda, acreditava que seria a Ana Benta, mas quando olhei para o gps, ele mostrava para seguir mais para a direita. Só depois que fui entender que a Ana Benta era outro local. Do alto conseguimos ver a casa. Tivemos que descer um trecho e depois subir um trecho de estrada bem íngreme. A partir desse ponto, toda subida começou a ser sofrida. O sol forte esgota facilmente. Era hora de manter-se hidratado.

Mais acima, uma placa indicava o caminho numa passagem entre dois morros. Saímos da estrada que pouco tempo depois iríamos encontrar novamente. Descemos um trecho e num ponto de água, tivemos que parar, pois a subida a seguir seria dura. Ficamos ali durante alguns minutos até recarregar as baterias. Iniciamos a subida e vi ao longe uma pessoa à cavalo, com várias mochilas e isolantes. Ele passou pela gente e disse que estava seguindo para o Ponto de Apoio do Chico Niquinho. No alto, cruzamos novamente a estrada e seguimos por ela até avistar o ponto de apoio do IEEF e uma placa indicando a casa do Chico Lage, mais um ponto de apoio durante a travessia. Ali no alto e na sombra, fizemos uma parada rápida. Já era 11 horas e 35 minutos.

Devido as várias subidas que estávamos pegando, as paradas foram ficando mais constantes. O sol também ajudava no desgaste. Continuamos a estrada, agora num trecho de com árvores de porte maior, virando uma floresta. Alí, intercalávamos trechos de sol e sombra. Seguimos em direção a um descampado, provavelmente foi dali que tiraram o barro para a reforma da estrada, visto que haviam várias marcas de máquinas. Mais frente, fizemos uma outra parada numa sombra providencial. Dali, continuamos a caminhada e pegamos um trecho da estrada com uma descida bem íngreme. Estava escorrendo bastante. Com cuidado, cheguei perto de uma casa, provavelmente a do Chico Lages. Esperei o Ricardo chegar e passamos em frente. Perguntei se era por ali que continuava a travessia. Com o sinal de afirmativo, segui andando.

Passado a casa do Chico Lages, pegamos uma saída discreta e mal sinalizada, passando por um trecho curioso. Existiam várias pedras que afloravam do solo. Todas tinham a mesma inclinação e apontavam na mesma direção. Algo muito forte deve ter acontecido na região há milhares de anos. As 13 horas, passamos por mais um riacho. Era pequeno, mas esse riacho era o Ribeirão do Campo e formaria a Cachoeira do Tabuleiro, local que conheceríamos no dia seguinte. O Ricardo pediu para dar uma parada para dar uma refrescada. Era mesmo a hora de uma pausa. Pela minha marcação, faltava pouco para chegar à casa do Zé da Olinta.

Depois de mais um descanso, pegamos uma subida e caminhamos um pouco e logo começamos a descer. Avistei uma casa, que com certeza era a do nosso destino. Cruzei uma porteira, passando por algumas vacas e logo estava sentado em uns bancos, tomando um isotônico para hidratar. Havíamos completado o primeiro e mais importante dia da travessia. Tomei um banho e ficamos batendo um papo até a hora da janta. A vida é mais simples do que a gente imagina...

Dia 2 : Casa do Zé da Olinta x Parte da Alta da Cachoeira do Tabuleiro x Casa do Zé da Olinta

Ainda estava escuro quando o galo cantou. Fui dormir cedo e não tive problemas para levantar, ainda mais com uma boa noite de sono. Tomamos um delicioso café preparado pela Eva, filha do Zé da Olinta. Era um queijo feito lá mesmo, bolo de banana e pão de forma. Perguntei se o leite era de lá. A Eva me responder que não, pois as pessoas não gostavam muito por conta de ter um sabor mais forte e me perguntou se eu queria. Aceitei na hora. Depois de tudo pronto, preparei um lanche para a trilha e arrumei a mochila de ataque que havia levado. A caminhada de hoje era um bate-volta até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro. Esse foi o motivo de termos optado por pernoitar na casa do Zé da Olinta: teríamos um dia cheio para aproveitar, sem pressa de ter que andar.

Saímos para a caminhada seguindo o caminho indicado pelo Zé. Logo, estávamos num pequeno vale entre dois morros. Era um trecho com mais vegetação. Fomos andando e logo passamos pelo caminho que vem da portaria. Nesse ponto, já estávamos bem expostos ao sol, mas como ainda era cedo, não percebi o que me aguardava. Subimos, contornando um morro para a esquerda e quando achava que estava chegando, dava para ver que ainda faltava muito. A paisagem continuava a mesma, com vegetação rasteira, misturada ao amontoado de pedras. O caminho tinha que ser percorrido com bastante cuidado, pois o piso tinha muita pedra solta. Depois de uma leve subida, começamos uma descida forte. Já podíamos ver o cânion bem ao fundo.

Com relação à orientação, o caminho foi relativamente tranquilo, principalmente nessa parte final. Chegamos por volta das 9 horas as margens do o Ribeirão do Campo, numa entrada para o cânion. O dia estava lindo. Um céu azul sem nuvens. A água estava numa ótima temperatura. Depois de descansar um pouco, seguimos descendo o cânion para chegar bem no alto da Cachoeira do Tabuleiro. O local era fantástico. Fiquei impressionado com as paredes verticais. Várias quedas d´água ao longo do caminho davam um toque especial. Seguimos pela margem oposta, acompanhando algumas setas vermelhas pintadas. Cruzamos as margens em alguns momentos, passando por alguns poços incríveis, um chamado especial para o mergulho. Mas optamos por deixar o banho para a parte final. Depois de uma curva conseguíamos ver o final do cânion. Cruzamos novamente para a margem da direita e acessamos com cuidado o topo da cachoeira. Um local fantástico.

Ali fiz um lanche e ficamos contemplando a fantástica paisagem. Voltamos devagar, já procurando os melhores pontos para um banho. Uma linda águia pousou em uma das árvores próximas. O sol estava forte, mas conseguia me refrescar na agradável água. Eu acostumado com as águas geladas das cachoeiras daqui. Mais acima, quando já estávamos próximos ao ponto de onde chegamos, começou a chegar mais gente. Aproveitamos para ir até um mirante. Dali, tínhamos uma visão lá da portaria do parque. Após conseguir fazer algumas imagens com o drone, voltamos para o rio. Mais pessoas haviam chegado e podíamos ver outras se aproximando, tanto pelo caminho que fizemos, quanto pela descida do lado oposto. Por isso que gosto de sair cedo. Havíamos chegado sem ninguém. Muito melhor do que ter pego aquela quantidade de gente lá no topo de cachoeira.

Ainda tomamos mais um banho para refrescar e dar um gás extra para a volta. Pegamos o caminho de volta e logo começamos a subir. Passamos por vários grupos ainda chegando, essa é uma outra vantagem de chegar cedo. O sol rachando não dava trégua. Sem sombra para ajudar, o jeito foi para no sol mesmo. Procurei uma pedra mais confortável para sentar. Após a subida, vieram os trechos mais tranquilos. As poucas sombras que apareceram pelo caminho, davam um alívio no calor. Mais alguns minutos e já podíamos ver a casa do Zé da Olinta.

Já na varanda da casa. Tomei um isotônico gelado e descansei. A churrasqueira estava sendo preparada para o almoço. Fiz mais um lanche rápido e tomei logo um banho. Hoje teria lotação máxima na casa. Ficar esperando para usar o banheiro não seria uma boa ideia. Aos poucos outros grupos foram chegando e a casa ficou cheia. Ficamos conversando e foi um bom bate papo. Por volta das 19 horas, jantamos e deixamos tudo pronto para o dia seguinte, o derradeiro.

Dia 3: Casa do Zé da Olinta x Portaria x Parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro x Portaria

Mais uma noite bem dormida. Com a casa cheia, achei que fosse ser ruim, mas o cansaço fez com que todos dormissem cedo, principalmente aqueles que chegaram mais tarde da travessia. O nascer do sol foi demais. O primeiro que peguei nesses dias. Tomamos café da manhã assim que ele ficou pronto e como já havia deixado tudo organizado, foi só guardar as coisas na mochila. Me despedi da Eva e deixei um abraço ao Zé da Olinta, já com um ar de nostalgia.

Coloquei a mochila nas costas e segui andando. Cruzei a porteira e fui andando, deixando pra trás a casa e um grande exemplo de que, definitivamente, as coisas boas da vida, estão nos exemplos mais simples...

Passamos pela área de camping, cruzamos o córrego e pegamos o caminho da esquerda, indo em direção à portaria. Tínhamos cerca de 5 km pela frente. Fomos o primeiro a sair e caminhamos tranquilos. A vista continuava linda e já podíamos ver algumas casas da Vila do Tabuleiro ao fundo. Passamos um trecho fantástico, num corredor como se fosse um cânion. Dali, continuamos descendo até começar a avistar a cachoeira do Tabuleiro ao fundo. Paramos num mirante bem de frente e aproveitei para fazer algumas imagens com o drone. Quando nos preparávamos para continuar a caminhada, encontramos o grupo que conhecemos no dia anterior, na estavam na casa do Chico Lages. Fizemos algumas fotos e fomos até a portaria.

Da portaria do parque, pagamos o ingresso para visitar a parte baixa da Cachoeira do Tabuleiro. Pegamos o colete, item obrigatório para quem vai mergulhar no poço, ouvimos as orientações e seguimos andando. A ida foi tranquila, descemos os 700 degraus das inúmeras escadas, além de seguir pulando de pedra em pedra o leito do rio até a base da cachoeira. Como ainda não batia sol, não foi fácil mergulhar. Aproveitei para nadar um pouco na água gelada. Fiquei pouco tempo e voltei para tentar me aquecer na pontinha de sol que batia bem ao lado. Como o Leandro Conrado tinha hora para voltar, pois seu voo para o Rio era a noite, seguimos andando. Cruzar as pedras do rio foi tranquilo. Duro foi ter que subir os 700 degraus, debaixo de um sol forte, que resolveu aparecer. Nos distanciamos. Cada um foi no seu ritmo.

Já na portaria, aguardamos a chegado do carro que nos levaria até Conceição do Mato Dentro. De lá pegamos a estrada. Em Conceição do Mato Dentro, aguardamos o ônibus e aproveitamos para procurar um lugar para ficar. O Leandro iria direto para Lagoa Santa. Eu e o Ricardo, conseguimos um local para ficar no distrito de Serra do Cipó. O ônibus saiu as 13:30, mas essa vai ficar para outra postagem....


Fotos do dia 1







                                               

Fotos do dia 2






                                                   

Fotos do dia 3