quarta-feira, 22 de junho de 2022

Ondas da Praia do Morcego - Jurujuba

Por Leandro do Carmo 

Ondas da Praia do Morcego


Dia: 17/04/2022
Local: Jurujuba – Praia do Morcego
Participantes: Leandro do Carmo


Relato  

Era domingo de Páscoa. Há pelo menos quatro dias que amanhecia chovendo. Com esse tempo, escalar estava descartado. Então, resolvi que tiraria um dia para dar uma remada. Acordei antes das seis da manhã na sexta e no sábado, mas com a chuva caindo, desanimei de sair. O impressionante era que ia dormir com uma noite estrelada, mas quando acordava, aquele tempo feio.  

Achando que mais cedo ou mais tarde o tempo desse uma trégua, acordei cedo novamente. Dia firme. Apenas chão molhado e algumas nuvens no céu. Tomei café da manhã, arrumei as coisas no carro e segui para a praia de Charitas. Eu costumo sair ao lado do Clube Naval, pois dá para ir de carro até a água e tem bastante lugar para estacionar, sem problemas, mesmo nos dias de sol e praia cheia.  

Arrumei as coisas e fui para a água. Passei pelos veleiros atracados na lateral do Clube Naval e quando olhei para a Ilha da Boa Viagem e vendo as ondas batendo nos costões, lembrei da ressaca que havia chegado na noite anterior. Como ali é bem abrigado, nem sinal de ondas. Nessa hora, lembrei logo das ondas na face norte do Morro do Morcego. Minha ideia inicial era sair no Naval e até a Fortaleza de Santa Cruz, seguindo para a Boa Viagem e voltar pelas praias das Flexas, Icaraí, São Francisco e Charitas.  

Assim que fui avistando a Praia do Morcego ao fundo, já conseguia ver as ondas. Algumas canoas havaianas seguiam bem ao fundo, também na direção do Morcego. Mas alguns minutos de remada e estava bem próximo das ondas. O dia estava bem agradável. Já tinha bastante gente dentro d’água e algumas fora também. Fiquei um pouco distante para poder entender as ondas e onde e com que frequência estavam quebrando.  

Impressionante como uma remada despretensiosa poderia se transformar num grande dia. A Vida vai te dando oportunidades e temos que estar preparados para aproveitar. Sempre tive vontade de dropar nessa onda e hoje estava ali, vendo-as quebrarem bem a minha frente. Estava como uma bolsa estanque dentro do pequeno cockpit do caiaque, quase não tendo espaço para as pernas. Isso me fez pensar como faria para pegar aquelas ondas.  

Revolvi ir até a praia do Morcego e deixar a bolsa lá. Assim teria um pouco mais de conforto. Aproveitei para fazer alguns vídeos e deixar registrado esse dia. Voltei para a água e remei em direção as ondas, me posicionando para pegar as menores. Meu medo era entrar água no caiaque e depois ficar difícil de sair ou remar até a praia, não estava com saia protetora. Mas as ondas menores já foram ótimas. Além de pegar as ondas, também deu para treinar as manobras rápidas, muito importante nessas horas.  



segunda-feira, 20 de junho de 2022

Escalada na Via Leila Diniz e Remada em Itaipu

Leandro do Carmo

Via Leila Diniz e Remada em Itaipu


 

Dia: 07/03/2022
Local: Itaipu
Participantes: Leandro do Carmo, João Pedro, Gabriel Oliveira e Angela


Relato  

Nos preparamos para uma conquista na Ilha do Veado, em Piratininga. O Gabriel e o João já haviam ido algumas vezes. Conquistar uma via já exige uma logística mais elaborada, ainda mais em uma ilha. As vias do local seriam as primeiras do tipo em Niterói, não há relatos de conquista insular na cidade. Para esse dia, levamos um caiaque e um SUP. A conta não bate, somos quatro, temos uma prancha e um caiaque? Os outros dois irão nadando, simples.  

E assim combinamos. Chegamos à Piratininga um pouquinho antes das 5 horas da manhã. Ainda estava escuro. Tudo vazio. Foi só estacionar o carro e pude ouvir o barulho das ondas batendo. Penei logo: “não vai rolar”. Mas para ter certeza, fui com a Ângela dar uma conferida no mar. Fomos pela areia e passamos por alguns pescadores. De perto, deu para confirmar minhas suspeitas: o mar realmente estava forte. As ondas estavam quebrando com força na areia. Voltamos para o carro para esperar o Gabriel e o João, que ainda não haviam chegado.  

Assim que o Gabriel e o João chegaram, pelo barulho das ondas, também sentiram que hoje seria complicado. Conversamos sobre outra possibilidade. A idéia era fazer alguma via. Resolvemos ir para a Leila Diniz, em Itaipu. Seguimos até lá e como estávamos com o caiaque e a prancha em cima do carro, resolvemos deixar um carro num estacionamento fechado, pagando um pouco mais caro, porém garantindo a segurança. Deixei meu carro no estacionamento em frente à praia. Separamos o equipamento e seguimos para a base da via.  

A praia estava vazia. Deu para ver um grupo de pescadores puxando uma rede e lembrei-me da minha infância quando via com mais frequência esse tipo de pesca artesanal na região. O dia estava completamente aberto. Por esse lado aqui de Itaipu, nem sinal de ondas. O mar estava um tapete, bem diferente das condições de Piratininga. Agora não tinha jeito. Já na base, nos arrumamos e o Gabriel e a Ângela saíram para primeira cordada. Eu e o João seguiríamos em seguida.  

O João subiu rápido e fui logo em seguida. Como de costume, a primeira enfiada fica com bastante areia da praia. O crux da via está nesse trecho, mas com agarras bem sólidas. Subi rapidamente e logo cheguei à parada onde o João estava. Resolvemos subir à francesa na próxima e fui até acabarem as costuras, mesmo pulando algumas proteções. Avançamos bem e o João veio logo em seguida. O Gabriel e a Angela estavam na mesma tocada, subindo quase juntos a nós.  

Montei a parada e o João veio logo em seguida. Como estava com as costuras, subiu direto, tocando pra cima. A vista estava impressionante. A cor da água surpreendia. Era um tom de verde que nos fazia parecer estar na Ilha Grande. Em vários trechos do costão do Morro das Andorinhas podíamos ver as pedras do fundo. Ainda estávamos na sombra, mas o sol já dava sinal que apareceria a qualquer momento.  

O João tocou, parando mais acima. Subi logo em seguida. E fomos assim até o final da via. Já no platô, o sol chegou tranquilo. Fizemos um lanche e apreciamos a vista, que por sinal, continuava fantástica. Até foi melhorando, na medida em que o sol batia, dando um contraste com aquela água clara, parecendo uma pintura. Meu medo era ter bastante capim na saída, estávamos no verão e, geralmente, ali fica complicado. Dei uma volta e parecia que não seria tão ruim assim. Guardamos todos os equipamentos e começamos a saída. Até que foi mais fácil do que imaginava. Atravessamos o trecho, praticamente em linha reta e logo estávamos na trilha do Morro das Andorinhas.  

No caminho de volta, resolvemos dar uma remada. Pensamos na possibilidade de alugar algum caiaque duplo para que todos pudessem remar. Deixamos os equipamentos de escalada no carro e fomos até a praia procurar alguém que tivesse alugando. Conseguimos achar um e voltamos ao carro para pegar os equipamentos. Não foi tão fácil passar com a prancha pela areia. A praia já estava lotada. Entrei no mar e aguardei o João, Gabriel e a Angela. Nossa idéia iniciar era ir até a Ilha Mãe.  

A água estava mesmo fantástica, corroborando com a impressão que tive lá de cima. A temperatura estava bem agradável, apesar do sol forte. Mas, não deixei de passar protetor solar e colocar uma camisa manga comprida com proteção UV, além de um boné, é claro. Fomos costeando o Morro das Andorinhas. Eu já fui muitas vezes ali, mas hoje foi um dia daqueles na qual poderíamos classificar como inesquecíveis. Nem acreditava que estava em Itaipu. Remamos até um pouco depois da Ilha Menina, onde percebemos um vento mais forte. Optamos por ficar por ali.  

Voltamos bem devagar, curtindo esse dia espetacular. Difícil foi conseguir atravessar a praia lotada. Uma aventura a parte. Mas até que o improviso deu certo. Mas será que foi melhor do que o programado? Essa resposta nunca terei...  








sábado, 4 de junho de 2022

Curso de Iniciação à Canoagem Oceânica

Por Leandro do Carmo

Curso de Iniciação à Canoagem Oceânica

Canoagem Oceânica


Dia: 12/03/2022
Local: Urca
Participantes: Leandro do Carmo e Clube Carioca de Canoagem  

Relato  

Sempre tive a vontade de dar a volta na Ilha Grande remando. Mas uma aventura dessa não dá para simplesmente ir lá e fazer. Ainda mais para alguém que nunca remou grandes distâncias. Não teria muito problema em acampar nas praias, preparar a logística de equipamento e comida, pois já fiz a volta na Ilha andando. Porém, entre andar e remar existe uma diferença gigantesca que dispensa explicações.  

Dado que uma parte do planejamento eu já domino, faltaria a segunda: me preparar para o mar. Aí que vem a questão: qual a melhor forma de otimizar essa preparação? Entendo que existam duas maneiras: ou aprendemos com erros e acertos durante um longo tempo ou encurtamos essa curva de aprendizagem, buscando conhecimento técnico com quem domina o assunto. Então, comecei a pesquisar. Com algumas rápidas “googladas”, fui parar na página do Clube Carioca de Canoagem. Vi que além de cursos, eles também fazem, anualmente, a volta na Ilha Grande! E como diz a música: “É pra que eu vou”. Então, fiz contato e me matriculei no curso de iniciação à canoagem oceânica.  

Cheguei cedo à praia da Urca e já tinha algumas pessoas por lá. Amanheceu com o tempo aberto, mas algumas nuvens no horizonte anunciavam uma virada de tempo. Com todos reunidos, batemos um papo e demos uma olhada no equipamento. Separamos alguns caiaques e na areia, tivemos nosso primeiro contato. Depois desse primeiro papo, foi hora de ir para a água.  

Já na água, pude perceber o vento entrando mais forte. Enquanto estávamos na enseada, tudo tranquilo. Mas foi só sair do abrigo da praia que percebi o quanto forte estava o vento. Não foi tão fácil ficar parado para praticar os procedimentos, mas conseguimos. Fomos divididos em alguns grupos e pudemos praticar a saída e entrada no caiaque, tirar água de dentro, manobras, posição da remada e muitas outras técnicas.  

Por fim, aproveitamos para ir remando até um pouco mais para fora, aproveitando para por em prática uma parte do que foi ensinado. Retornamos com um vento contra bem forte, mais um aprendizado. Já na praia da Urca novamente, colocamos os caiaques na guarderia e arrumamos as coisas. Uma manhã cansativa, porém, bem aproveitada. Saindo com a sensação de quero mais. Um bom sinal de que estou no caminho certo...

Canoagem Oceânica











Canoagem Oceânica


Canoagem Oceânica

Canoagem Oceânica