terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Via O Discreto Charme da Burguesia

Por Leandro do Carmo

Via O Discreto Charme da Burguesia

Dia: 02/09/2023
Local: Humaitá - RJ
Participantes: Leandro do Carmo, Diego e Renata Hiraga














Vídeo da via O Discreto Charme da Burguesia


Relato da via O Discreto Charme da Burguesia

Mais uma aula de vias em aderência. Agora era o Curso Básico de Montanhismo 2023, do CNM. Já é o segundo curso na qual fazemos essa aula nas “Aderências da Viúva Lacerda”. O local acabou recebendo esse nome, devido a trilha se iniciar ao final da rua Viúva Lacerda, no Humaitá.

Chegamos lá bem cedo. O dia estava nublado. Havia chovido nos dias anteriores e chance de alguns trechos da escalada estarem molhados eram grandes. Entramos na trilha e tinha bastante água correndo pelo córrego da lateral. Subimos por um terreno bem molhado e logo estávamos na base. A parede estava seca, mas alguns pontos bem no alto nos preocupavam. Bom, não tinha outra alternativa a não ser subir e tentar.

Como já havia feito a via “Como Nascem os Anjos” na outra vez, acabei ficando com a via mais à direita, a “O Discreto Charme da Burguesia”. Segundo o Guia de Escalada da Floresta da Tijuca, uma via 3 estrelas. Nos arrumamos e dividimos as cordadas. Já pronto, saí para guiar a primeira cordada. Esse início foi bem tranquilo, subi rápido, parando já bem alto num esticão de quase 60 metros. A segunda enfiada passei cruzando um trecho bem úmido e escorregadio. Por sorte, a linha de umidade era bem estreita, facilitando passar de um lado ao outro. Passei por uma dupla e continuei subindo, parando numa segunda dupla acima, num corredor entre duas partes com vegetação.

A terceira seguiu mais fácil, iniciando em aderência e logo vindo trechos com sólidas agarras, mescladas com passadas em aderência. Acabei pulando um grampo, que ficou escondido perto de uns galhos. Mais acima, antes de um trecho mais vertical, fiz a terceira parada. A quarta enfiada foi curta, porém bem bonita. Já na parada dupla, olhando para cima, vimos água escorrendo, bem no local indicado como o crux da via. Se contornasse por baixo, acho que daria para fazer, mas optamos por terminar ali a escalada.

Ainda ficamos um tempo ali curtindo até iniciarmos o rapel e fecharmos a escalada. Boa escalada, num dia bem agradável.














sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Conquista no Tibau

Por Leandro do Carmo

Escalada no Tibau  

Dia: 23/08/2023
Local: Tibau - Piratininga
Participantes: Leandro do Carmo e Luis Avelar

 

Relato  

Foi em 2018 que fui ao Tibau com o Ary pela primeira vez. Estava namorando aquela parede fazia um tempo, mas sempre ia deixando pra depois... Chegamos a iniciar alguns projetos, mas acabou ficando esquecido. Depois que mostrei o local ao Luis Avelar e o João Pedro foi que o negócio deslanchou de vez. Foram conquistadas dezenas de vias e ainda existem alguns projetos em andamento.  

O Luis me chamou para conhecer algumas vias estava conquistando num setor mais à direita, na qual chamei de “Setor do Luis”. Aceitei o convite e fomos lá conferir. Marcamos cedo, pois tinha um compromisso na hora do almoço. A mochila pesada com equipamento de conquista, mesmo a gente tendo divido algumas coisas.  

Seguimos para a rua que dá acesso ao final da Travessia Tupinambá e no lado oposto, começamos a subir por uma estradinha de chão. Poucos metros à frente, entramos por um caminho onde tem uma sequência de dezenas de jaqueiras. Muito fácil de identificar. Dali, fomos seguindo por um caminho batido e marcado com algumas fitas. Em aproximadamente 15 minutos, estávamos na base das vias. Ele ainda me mostrou alguns projetos que iniciaram e outras linhas que tinham vontade de começar.  

Nos arrumamos e a via escolhida para fazer foi a Destreza, Habilidade e Rataria. O início seguiu com lances verticais e boas agarras, apesar de ter quebrado algumas. Assim como toda a parede, tem que escolher bem qual agarra usar. A via seguia bem protegida e logo cheguei à primeira dupla. Montei a parada ali, assim diminuiria o arrasto para entrar no crux. O Luis chegou em seguida.  

Saí para a segunda enfiada. A via continuava constante, ficando mais vertical já próximo do fim. Demorei um pouco mais para entrar no lance. Avaliei e numa tentativa, com o pé direito bem alto, quebrei uma agarra chave para o lance. Tive que reinventar e numa passada bem aberta consegui ganhar uma agarra acima e venci o lance. Subi mais um pouco e montei a parada, trazendo o Luis em seguida.  

A vista era fantástica. Deu para ter uma visão geral do setor. Olhando de baixo, estávamos na lateral direita da parede. A ideia era, além de escalar, aproveitar para intermediar alguns lances da via ao lado e retirar um parabolt que ficou mal batido. Assim, emendamos duas cordas e fizemos um único rapel até a base.  

Já na base, arrumamos todo o equipamento de conquista e subi novamente. Subi até onde seria a parada e o Luis veio em seguida. Optamos por duplicar o ponto quando estivéssemos no rapel, assim não teria problema de a corda não chegar. Subi e passei no crux, sendo mais fácil que a via ao lado. Ao final, optei por duplicar a penúltima proteção, pois a última estava muito próxima a uma grande vegetação. Desci e dupliquei mais um ponto de rapel e segui até o final da via.  

Enfim, havíamos completado o objetivo do dia. Valeu pela companhia e pela escalada. O setor do Tibau está ficando excelente, com várias opções de vias. E quem disse que não tem mais opões de conquista em Niterói?





segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Pico da Tijuca - Parque Nacional da Tijuca

Pico da Tijuca - Parque Nacional da Tijuca

Dia: 21/01/2024

Local: Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil.
Participantes: Leonardo Carmo e Marina Fernandes

Relato da Trilha Pico da Tijuca e Tijuca Mirim


Após curtir uma praia em Niterói no sábado e mesmo sabendo da previsão do tempo para o domingo, resolvemos nos programar pra fazer alguma atividade. Escalada seria praticamente impossível, porém uma trilha seria viável. A Escolhida foi o Pico da Tijuca, no Parque Nacional da Tijuca. Eu já tinha ido lá algumas vezes, mas a Marina ainda não.

Seria a nossa primeira trilha do ano. Partimos então a missão do dia. O tempo estava meio instável, mas eu confiava na minha intuição de que não iria chover durante a atividade e assim aconteceu. 

Saímos um pouco tarde de casa, por volta das 8h30. Tarde para os nossos padrões, mas foi até bom, pois deu tempo da água escoar um pouco e a trilha não ficar muito enxarcada. Chegamos no Bom Retiro, início da trilha, por volta das 9h40. Enquanto preenchíamos o termo e comíamos uma banana, os quatis descerem e um deles começou a puxar a nossa mochila querendo comida. O bichinho era teimoso, mas depois de umas conversas ele saiu e se juntou ao grupo.

A partir daí começamos a trilha. Desse ponto até o cume são aproximadamente 2,5 km de uma subida relativamente tranquila pra quem está com o condicionamento físico em dia. Fizemos o percurso de ida em 45 minutos numa caminhada tranquila.

Chegando na escada cravada na própria pedra, paramos para as fotos/vídeos. Às vezes abria uma janela e o visual ficava incrível. Parecia até uma pintura. Depois de subir a escada, chegamos ao cume. O tempo estava bem fechado nesse momento, mas nada que tirasse a beleza. Tiramos mais algumas fotos e fizemos o nosso lanche com pão e carne da costela no bafo que tínhamos comido no dia anterior lá no "Guela Seca".

Hora de descer e tirar mais algumas fotos. De lá, fomos até o Tijuca Mirim. Descendo a trilha, é só seguir a placa. São 300 metros ida e volta até retornar à trilha principal.

Total do percurso incluindo o Tijuca Mirim, da aproximadamente 5,7 km. Essa trilha é muito tranquila pra quem está acostumado. Vale muito o "passeio".

De volta ao Bom Retiro, tiramos mais algumas fotos e finalizamos a nossa primeira atividade de 2024.


Horário de funcionamento do parque é das 8h às 17h
Estacionamento no Bom Retiro tem limitação de vagas. É bom chegar cedo.
Não há cobrança de ingressos
Siga as regras do parque para manter a organização
Perfil oficial do Parque: @parquenacionaldatijucaparquenacionaldatijuca

Montanha é lugar de adversidades climáticas e de imprevisibilidades.
Esteja sempre pronto!











sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Travessia Espraiado x Tomascar

Por Leandro do Carmo

Travessia Espraiado x Tomascar



Dia: 19/08/2023
Local: Espraiado - Maricá
Participantes: Leandro do Carmo, Mariana Abunahman, Ricardo Barros, Simone Oliveira, Juliana, Angelo Verdan, Waldino, Diego, Carla Rosa e Márcio Mafra

Vídeo da Travessia Espraiado x Tomascar

Vídeo de Drone da Travessia Espraiado x Tomascar

Relato da Travessia Espraiado x Tomascar

Estava de volta à Travessia mais clássica de Maricá: A Travessia Espraiado x Tomascar! Com um percurso de aproximadamente 8 km, a travessia corta córregos, matas, áreas abertas e temos uma vista fantástica de parte do litoral do município. Para fechar com chave de ouro, temos a opção de almoçar no concorrido Restaurante da Marilene, com uma excelente comida caseira, feita no fogão a lenha. Em todas as vezes que fiz a travessia, voltei para o Espraiado, pois a logística ficaria muito pesada, caso optássemos por voltar por Tanguá ou Rio Bonito.  

Era uma aula do Curso Básico de Montanhismo do CNM e faríamos novamente um bate e volta. Combinamos de nos encontrar as 08h30min lá no Espraiado, em frente à sede das Unidades de Conservação. Chegamos cedo e de lá seguimos para a cachoeira da represa. Os bares estavam fechados e foi fácil conseguir um bom local para estacionar. Hoje, o local está pavimentado, seguindo com paralelepípedo até o local onde ficava um portão. Arrumamo-nos e iniciamos a caminhada.  

Seguimos estradinha e logo cruzamos o primeiro córrego. A estradinha segue bem abrigada, mas a essa hora da manhã, não seria um problema pegar um sol. Mais acima, viramos à esquerda, saindo da estradinha. Cruzamos o córrego novamente e iniciamos a subida, que fica próximo a uma casa. O trecho inicial é bem complicado, devido ao alto estágio de erosão causado pela passagem de motos. Inclusive, esse é um problema grande da região. Continuando a subida, comecei a ouvir um barulho de moto bem ao fundo. Em pouco tempo, eles estavam passando por nós.  

Passamos a última porteira e mais acima, ficamos à direita numa bifurcação, onde começa uma área aberta. Na volta, viríamos pelo caminho de baixo. Pegar o caminho da esquerda nos livraria de pegar uma subida, mas a vista que teríamos lá do mirante do Vale de São Francisco compensaria o esforço extra. Esse caminho acabou virando o principal. Subi mais rápido para conseguir filmar com o drone o pessoal chegando. Já próximo ao mirante, vi que tinha um grande grupo lá em cima. Com todos no local, fizemos alguns exercícios de orientação, lanchamos e seguimos descendo.  

Tomascar estava bem ao fundo. Visível graças a igreja, próxima ao restaurante da Marilene. Dali, pegaríamos uma descida mais forte e seguiríamos pela estradinha até ao nosso destino. O grupo grande saiu à frente e logo os ultrapassamos. Passamos por um trecho bem erodido, com vários caminhos que se juntavam mais abaixo. Demos uma parada rápida num córrego para nos refrescar e de lá seguimos andando. Passamos por diversas propriedades com plantação de laranja. Algumas pareciam abandonadas. Fui lembrando das inúmeras vezes que havia passado por ali.  

Sem perceber, havia chegado à porteira que antecede o vilarejo. Estávamos a poucos metros do nosso destino. As ruas já estavam cheias de carro. O restaurante da Marilene é bem frequentado aos finais de semana, sendo o “point” desde os praticantes de trekking até aos amantes do “off road” e simplesmente dos que querem desfrutar de um local agradável com boa comida.  

Arrumamos uma mesa e nos acomodamos. Cada um foi arrumando seu prato e fomos contagiados pela boa conversa e o astral de todos, sem exceção. Depois de um excelente almoço, a preguiça cobrou seu preço. Foram necessários alguns bons minutos para nos recompormos. Com o avançar da hora, aproveitei para apresentar conhecer a cachoeira de Tomascar a quem não conhecia e pegamos o caminho de volta.  

Começamos a caminhada bem lentamente e aos poucos fomos deixando Tomascar para trás. Paramos novamente no córrego, só que agora numa posição invertida. Uma parada estratégica para vencermos a subida. Não foi fácil, mas havíamos passado toda a subida da caminhada do dia. Fizemos uma parada num mirante e de lá percebemos fumaça bem no mirante do alto do Vale do São Francisco, muito próximo ao ponto onde havíamos passado no início da caminhada. A preocupação era o fogo se alastrar pela vegetação seca, pois passaríamos num ponto bem crítico.  

Adiantamos a caminhada e ao longo do caminho pude presenciar um espetáculo promovido por pássaros que voavam e cantavam em meio a uma mata exuberante. Dali, seguimos descendo e logo estávamos cruzando o córrego e entrando novamente na estradinha que nos levaria de volta a cachoeira da Represa do Espraiado.  

Maricá nunca decepciona!