Dia: 22/06/2024 Local: Bomfim – Petrópolis - RJ Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo e
Marina
Vídeo da Trilha do Alcobaça e Mãe D'Água
Relato da Trilha do Alcobaça e Mãe D'Água
Havia marcado de fazer a Travessia Petrópolis x Teresópolis,
mas por um problema no sistema de agendamento do Parque e mudança nas regras,
acabei não conseguindo vaga. Como opção, pensei em fazer o Alcobaça e o Mãe
D’Água na mesma tacada. São dois cumes bem bonitos que tem o acesso em comum, o
que facilitaria a logística. Era muito melhor aproveitar a viagem e fazer os
dois, que totalizando daria, aproximadamente 11 km de caminhada. Acabei não me
preocupando muito com a altimetria. Ainda bem que só fui saber na hora e da
pior maneira possível. É aquela velha história: “tá na chuva é para se molhar”.
Encontrei meu irmão em Magé e de lá seguimos para
Petrópolis, subindo a serra velha, em Raiz da Serra, distritro de Magé. Eu
ainda não conhecia e achei bem bonita a vista, apesar do calçamento em
paralelepípedo. Chegamos em Correas e fomos direto para o Vale do Bomfim. Até o
restaurando do Tourinho, nós conhecíamos o caminho, a partir dali, seria
novidade. Entramos na estradinha e seguimos subindo até que ficamos na dúvida
de qual caminho seguir e estacionamos o carro num bom local. Perguntamos a um
morador se podíamos deixar o carro ali e ele disse que sim. Ele nos disse que a
trilha era mais acima.
Como estávamos relativamente próximos e não sabíamos as
condições para cima, resolvemos deixar o carro ali mesmo e seguimos andando
pela estradinha. Mais acima, no local indicado como estacionamento, vimos que o
local era bom, mas fica para uma próxima. Continuamos subindo passamos pelo
local onde o meu GPS indicava o início da trilha do Mãe D’Água, mas havia uma
casa com portões fechados e uma placa com uma seta, indicando o início da
trilha. Como nosso primeiro objetivo era o Alcobaça, seguimos subindo.
Um pouco mais acima, numa curva, uma placa indicava o início
da trilha do Mãe D’Água. Essa ficaria para a volta. Continuamos subindo e numa
bifurcação, pegamos o caminho da direita. A estradinha foi diminuindo e logo
estávamos numa trilha. Passamos por um ponto de água e continuei subindo até
chegar a umas placas do parque. Nesse ponto, a trilha continuava reta, mas
tinha uma para a esquerda e outra para a direita. Como o Alcobaça estava para a
direita, não tive dúvidas de qual caminho pegar.
Esperei meu irmão e a Marina chegarem. Entramos na trilha e
ela fomos subindo. Era uma subida forte, sem trégua. A vezes a gente reclama
das curvas de nível que suavizam a subida, mas alongam o caminho, porém, ali
preferia que tivesse alguma coisa que ajudasse. A subida foi dura. Fui subindo
na frente cheguei a um bonito mirante, onde tinha vista para boa parte da
Travessia Petrópolis x Teresópolis. Aproveitei para dar uma descansada. De
volta a subida, vi uma saída para a esquerda e decidi dar uma olhada. O caminho
estava bem batido, andei por cerca de 200 metros e quando a descida foi ficando
mais forte, voltei.
De volta a trilha principal, os arbustos foram dando lugar a
vegetação rasteira e logo estava tudo aberto. Estava ouvindo o barulho do vento
nas árvores desde o início desse trecho da trilha, mas só agora, quando estava
desabrigado, é que pude perceber o quanto o vento estava forte. Passei por
alguns trechos íngremes e que foi necessário o uso das mãos para poder subir.
Em pouco tempo, estava no cume. A vista era fantástica. O dia aberto ajudava.
Ventava bastante e procurei um local mais abrigado para ficar. Dali de cima era
possível ver o Mãe D’Água mais abaixo. Ainda tinha um chão pela frente.
Aproveitei para dar uma volta pelo local e tentar achar o ponto que faz a
ligação para o Mãe D’Água. Fui me orientando pelo GPS, mas o caminho foi
ficando meio estranho e acabei desistindo. Fizemos um lanche e nos preparamos
para a descida.
A descida foi rápida. Logo chegamos na estradinha novamente.
Descemos mais um pouco e entramos na plaquinha que indicava o início da trilha
do Mãe D’Água. No começo achava que seria tranquilo, mas foi só começar a subir
que fui me dando conta de que não seria tão fácil assim. Nesse primeiro trecho,
estávamos abrigados e foi bem tranquilo. Porém, depois que passamos um ponto de
água, a trilha foi abrindo e ficando mais íngreme. Nesse trecho, víamos o
Alcobaça numa visão diferente. Entramos numa laje e nos guiamos por alguns
totens. Passamos por grandes bromélias, até entrar novamente na trilha, numa
saída para a esquerda.
O caminho continuava íngreme e estava bem seco, com muita
poeira. A terra seca fazia escorregar bastante. Segui num bom ritmo, me
distanciando do meu irmão e da Marina. Já estava mais alto que o Mãe D’Água e
isso me incomodava, pois teria que descer e depois subir novamente. E fiquei com
isso na cabeça. Já no alto, bem próximo ao Alcobaça vi que subida havia
terminado, mas o Mãe D’Água estava lá embaixo e teria que descer até um colo e
depois subir. E ainda tinha a volta...
Não via mais o meu irmão. Peguei a descida. Bem íngreme, por
sinal. Quase uma linha reta. Segui descendo e atravessei o colo e comecei a
subir. Subi um barranco bem íngreme e escorregadio e entrei num trecho bem
bonito, com várias bromélias e um tipo de gramínea de uma cor vende bem
diferente do que tinha em volta. Dali, conseguia ver meu irmão e a Marina
iniciando a descida. Acenei para eles, que responderam logo. Continuei subindo,
chegando ao cume logo em seguida.
Uma vista bem bonita. Como estava mais na borda do Vale do
Bomfim, deu para ver melhor diversos cumes, como o Alicate e Pico do Glória. O
Alcobaça roubava a cena. Num grande totem, pegamos o livro de cume e deixamos
nossos nomes. Ventava menos que no Alcobaça, o que nos fez aproveitar um pouco
mais. Nos preparamos e reiniciamos a caminhada. Ainda faltava um longo caminho
pela frente.
A volta foi mais rápida. A maior parte foi descida, o que
facilitou um pouco para mim. Cheguei ao carro e fiquei conversando com um
morador. Com todos no carro, seguimos para a Padaria da praça de Correas e
fizemos um bom lanche. Um dia excelente, já risquei mais dois cumes da minha
lista!
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Marina, Marcos Lima, Camila
Chaves, Fernando Marques e Washington Portela
Vídeo da Trilha do São João
Vídeo de drone do cume do São João
Relato da trilha do Morro São João
Havia tentado fazer o São João em pelo menos 3 vezes. Todas
elas, marcadas no evento que celebra a Abertura de Temporada de Montanhismo do
Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Para quem não conhece, a Abertura da
Temporada de Montanhismo ou simplesmente ATM, é um evento que ocorre anualmente
em várias regiões, tendo como objetivo marcar o início da melhor época do ano
para a prática do montanhismo, que aqui no Brasil é entre o outono e a
primavera. Esse ano a previsão era ótima e seria a oportunidade de, enfim,
conseguir chegar ao cume do Morro São João.
Marcamos de nos encontrar já na sede do Parque. Eu e o
Velhinho passamos na casa do meu irmão, em Magé, para subirmos juntos.
Finalmente conseguimos tomar um café na casa dele. Chegamos cedo, era por volta
das 5h 40min. Fizemos tudo com tranquilidade e chegamos ao Parque as 7h,
justamente quando os portões se abriram.
No controle de acesso, entregamos os termos e seguimos para
a área de estacionamento, onde deixamos os carros e continuamos a pé, até a
Barragem. Com todos reunidos, fizemos uma foto. Enchi minha garrafa na fonte,
ao lado do início trilha. O início é em comum à diversos cumes da região, como
o Sino, Mirante do Inferno, Pedra Cruz, Travessia Petrópolis x Teresópolis e
etc. Estava uma manhã fria, mas o tempo estava firme. Subimos rápido, fazendo
paradas bem curtas e logo estávamos no mirante, logo que iniciamos a descida do
Caminho das Orquídeas.
Nesse ponto, a vista do São João era fantástica, assim como
o Mirante do Inferno e do São Pedro. Dali, também conseguíamos ver a pontinha
da Agulha do Diabo. Seguimos descendo e percebi o quanto o caminho está
degradado. Pela dificuldade em descer as lajes que ficam molhadas, as pessoas
acabam utilizando a borda da trilha e cada vez mais ela vai se alargando.
Continuei descendo com bastante cuidado, visto que estava
tudo molhado. Demos uma parada no Acampamento Paquequer para pegar mais água e
aproveitar para fazer um lanche rápido. Continuamos a caminhada e começamos a
subir novamente. Já próximos ao Mirante do Inferno, pegamos uma saída à
esquerda e seguimos em direção ao colo entre o Mirante e o São João, mesmo
caminho que utilizamos para escalar a Agulha do Diabo. O caminho começa bom,
mas logo, pega uma descida bem íngreme, na qual fiz com bastante cuidado. Assim
que chegamos ao colo, nos deparamos com aquela vista fantástica da Agulha.
A partir dali, já não conhecia mais o caminho. Olhando o São
João, pegamos o caminho descendo para a esquerda, pois o da direita, segue para
a Agulha do Diabo. Seguimos descendo até chegar à parede. Nesse ponto segui
subindo por uma calha natural, subindo até um pequeno platô, fazendo um lance
de escalada. Nesse ponto há possibilidade de fixar uma corda num pequeno
arbusto, mas não foi necessário. Todos subiram direto.
Seguimos por um caminho, numa diagonal para a esquerda,
bordeando a rocha até ir ganhando altura por trechos mais abertos, subindo com
cuidado, pois os pequenos platôs são bem frágeis. De longe parecia impossível
acreditar que subiríamos andando por esse trecho, mas foi tranquilo, apesar de
exposto. Já na crista, seguimos na direção do cume por mais um trecho de
“escalaminhada”, onde pude notar a presença de alguns grampos. Ninguém precisou
usar sapatilha, mas subimos com bastante cautela.
Assim que chegamos no alto, percebi que era um falso cume e
tínhamos ainda um trecho pela frente. Continuei andando e cheguei de frente a
uma rampa, onde vi mais alguns grampos, com certeza uma via de escalada com
acesso direto ao cume. Procurei pela esquerda e não vi nada, pela direita,
descia um caminho bem discreto que seguia colado na parede do cume. Fui andando
com dificuldade pela quantidade de bambuzinhos que a todo momento se enroscavam
na mochila e pernas. A frente, uma trepa pedra e já era possível ver o acesso
ao cume.
Segui em direção a um grande bloco e optei por descer pela
direita, mas o caminho estava bem fechado. Voltei e de frente para esse bloco,
notei que havia uma passagem pela esquerda, mas seria necessário dominar um
lance exposto. Fiz com bastante cuidado e cheguei ao topo do bloco, onde vi
algumas pedras empilhadas, formando uma espécie de escalada. Subi nessas
pedras, mas não havia mão que me ajudasse a vencer o lance. Mais acima um
grampo, mas estava longe e não era possível alcançá-lo. Peguei uma fita longa e
depois de algumas tentativas, consegui laçá-la. Segurando bem alto, consegui
jogar minha perna para cima e aí ficou fácil subir. Segui caminhando até o cume
onde pude apreciar a vista fantástica.
Ventava um pouco e o cume é bem exposto. Depois de ficar um
tempo por ali, desci até a base do grande bloco e preparei um café. Ali estava
abrigado e mais confortável de ficar. Depois de um tempo, pegamos o caminho de
volta.
Esse cume estava engasgado, mas saiu! Qual será o próximo?
Participantes: Leandro do Carmo, Leandro Conrado, Amanda Leobino, Ricardo
Barros, Simone D’Oliveira, Andrea Vivas, Márcio Mafra, Letícia Lopes, Vanesa
Ogliari, Alexandre Bibiani, Carla Rosa, Silvana e Thiago
Vídeo completo da Travessia Baependi x Aiuruoca
Relato da Travessia Baependi x Aiuruoca
A travessia Baependi x Aiuruoca, também conhecida como a
travessia da Serra do Papagaio, sempre este na minha lista, mas a logística
para lá não é das mais fáceis, principalmente quando saímos de Niterói. Era
preciso um feriado de 4 dias. Nossa ideia era ter feito a Travessia Rancho Caído
+ Ruy Braga, no Parque Nacional de Itatiaia, mas não conseguimos vagas para
pernoite em todos os dias e aí, sugeri de fazermos a Baependi x Aiuruoca.
Começou com uma ideia e ela foi tomando corpo, até que definimos a logística.
Entre confirmações e ausências, fechamos em 13 pessoas, um número razoável.
Nos encontramos as 23h 30min na sede do Clube Niteroiense de
Montanhismo. Optamos por viajar durante a noite e tomar café da manhã na
Padaria Rezende, em Baependi. Foi uma viagem tranquila. Dormi a maior parte do
tempo. A padaria foi uma ótima opção. Super bem arrumada. Já tinha um outro
grupo lá. Sinal de que encontraríamos bastante gente pelo caminho. Inclusive,
no feriado de Corpus Crhisti, é uma época em que há bastante procura pela
travessia, principalmente pela quantidade de dias disponível e ser recomendada
fazê-la com três pernoites. Essa logística, você vai ver mais adiante.
Tomamos café da manhã com tranquilidade e de lá partimos
para uma longa viagem até o início da trilha, em Vargem da Lage, cerca de 50
km, que fizemos em quase 2h, visto que a maior parte era estrada de terra e
van, bem pesada, teve que fazer devagar.
Dia 1 – Vargem da Lage x Abrigo Salvador
Distância: 11,7 km
Tempo: 5h 5min
Desnível Positivo: 1.011 m
Desnível Negativo: 428 m
Quando chegamos ao início da caminhada, já tinham duas vans
e bastante gente se arrumando. Nos preparamos e nos despedimos do motorista,
que nos encontraria quatro dias depois, lá no Vale do Matutu, no Camping
Panorâmico. Iniciamos nossa caminhada. Estava uma manhã agradável e principal
vista do dia, o Pico do Careta, também conhecida como Chapéu, estava encoberto.
Seguimos por uma estradinha no meio de uma plantação de eucalipto até uma
porteira. A estradinha deu lugar a um caminho mais estreito, enfim, começávamos
a nossa jornada.
Passamos por uma placa que indicava o Pico do Careta e
seguimos subindo. Mais acima, uma outra porteira e cruzamos uma área gramada
bem aberta, até voltarmos, novamente para a trilha. Passamos por um ponto de
água. Aos poucos, a vegetação foi ficando menos densa até que abriu totalmente.
Aos poucos fui passando por diversos grupos e percebi que tinha mais gente do
que havia visto lá embaixo. O tempo foi abrindo e as nuvens que encobriam o
Careta, começaram a se dissipar. Do lado oposto, conseguia ver o quanto já
havíamos subido e uma centena de morros apareciam no horizonte.
Eu, Thiago e Letícia fomos caminhando no mesmo ritmo e no
ponto onde fazemos o ataque ao Careta, demos uma parada para reunir o grupo.
Como começou a demorar um pouco, resolvemos fazer o cume e encontrá-los na
descida. A Vanesa estava bem a frente e podíamos vê-la de longe. Subir sem
mochila foi bem fácil. Rapidamente chegamos ao cume e ali tínhamos uma visão
360º de toda a região. Fizemos várias fotos e descemos para continuar a
caminhada. Pegamos nossas mochilas e combinamos com a Vanesa de nos
encontrarmos novamente, mais a frente, onde os caminhos de juntávamos, próximo
ao Cruzeiro.
De volta a trilha, encontramos nosso grupo novamente.
Acabamos nos dividindo em dois grupos, mas isso acabou sendo bom e vocês virão
o porquê mais à frente. A partir dali, combinamos que seguiríamos à frente e
tentaríamos nos encontrar sempre que pudéssemos, caso não fosse possível,
aguardaríamos no ponto de pernoite. Voltamos a andar e chegamos ao Cruzeiro,
onde a Vanesa nos esperava. Fizemos uma foto e continuamos a caminhada.
Descemos um pouco e contornamos uma formação rochosa, onde algumas pessoas
descansavam.
Apesar do sobe e desce, fomos perdendo altura e já não
encontrava mais ninguém pelo caminho. O sol firmou, mas não estava forte,
deixando a caminhada bem agradável. Caminhávamos paralelos a linha de cumeada,
contornando alguns morros. Depois de uma descida, antes de uma matinha, dei uma
parada para juntar o grupo, já estávamos bem próximos do nosso ponto de
chegada. Meu tracklog indicava passar por fora da mata, mas teria que subir um
pouco. Havia um outro caminho bem marcado que seguia reto. Optei por ele e logo
estávamos chegando no Rancho do Salvador, nosso ponto de pernoite. Tínhamos
terminado a caminhada do primeiro dia.
É uma grande área de acampamento com uma estrutura de cabana
com fogão a lenha, mas apesar de grande, a maioria dos locais era com pedra no
chão e irregular. Com a quantidade de gente que estava pelo caminho, fomos nos
arrumando e deixando alguns pontos para que nossos amigos armassem as barracas
quando chegassem. Quando cheguei, já tinham algumas barracas montadas, mas eram
de uma empresa de turismo, que colocam os carregadores para irem à frente.
Montei minha barraca próximo ao rio e fui tomar um banho na
congelante água. Foi um mergulho para molhar e outro para completar e pronto.
Assim que as pernas começaram a doer, já saí e sequei, aproveitando o sol para
esquentar. Aos poucos todos foram chegando e se arrumando. Encontrei, por
coincidência, alguns amigos de Niterói. Foi só o sol ir embora que o frio
apertou. Era hora de colocar a roupa extra. Aproveitei para fazer a janta.
Tinha muita gente, sendo o ponto de acampamento mais cheio na qual pegamos. O frio
foi aumentou, sendo a senha para entrar na barraca e fechar o saco de dormir,
dormindo ao som das águas do rio.
Fotos do Dia 1
Dia 2 – Rancho Salvador x Camping após a Cachoeira do Charco
Distância: 8,6 km
Tempo:
Desnível Positivo: 450 m
Desnível Negativo: 462 m
Foi uma noite extremamente fria, talvez potencializada por
estarmos em um vale e ao lado rio. Combinamos de sair bem cedo, meu receio era
pegar os piores lugares nas áreas de acampamento. A caminhada hoje seria a mais
curta da travessia, porém teríamos uma travessia de rio. Não sabia exatamente o
que encontrar pela frente. Acordei antes das 5h e ainda estava escuro quando
comecei esquentar água para o café da manhã. Comecei a arrumar as coisas e
assim que começou a clarear, saí da barraca. Pense numa manhã gelada! Pois é...
A maioria das barracas estavam com uma capa de gelo por cima. Dei uma volta
pelo acampamento para tentar esquentar um pouco.
Só deu para desarmar a barraca com o sol aparecendo e mesmo
assim, não foi fácil. Minha mão doía e com tudo molhado não adiantava colocar a
luva. Com tudo pronto, eu, Leticia, Vanesa, Carla, Leandro e Amanda saímos para
o segundo dia da caminhada. Com as primeiras passadas, o corpo já foi
esquentando e foi questão de tempo ter que tirar o anorak.
Seguimos paralelos ao rio e aos poucos ele foi ficando para
baixo até que podíamos ver uma grande cachoeira à nossa direita. Não tem coisa
mais confortante do que sentir o sol esquentando o corpo. Vai dando um ânimo
extra, mas logo tive que dar uma parada e tirar o anorak. Mais à frente, demos
uma rápida parada para uma foto, num belo mirante. Continuamos andando e
adiante um outro mirante, esse para a cachoeira da Juju. Uma bela queda d’água.
Do alto, fiquei imaginando como faríamos para atravessar esse rio. Continuando
a trilha, veio uma bifurcação e pegamos a saída para a direita, contornando um
morro. Mais à frente, vi que os dois caminhos se encontravam. Pegamos uma
descida forte até que chegamos ao rio. O trecho era bem fácil de atravessar,
mas foi preciso tirar a bota. Aproveitamos para fazer um lanche e bater algumas
fotos. O local era bem bonito.
Desse ponto, podia ver uma subida forte. Não teve jeito,
começamos a subir lentamente. Aos poucos dividimos o nosso pequeno grupo
novamente. Já no alto, começou a aparecer algumas bifurcações que geraram
dúvida. Como estava com GPS, ficou mais fácil. Voltei para avisar ao Leandro
que estava seguindo à frente. Comecei a fazer alguns tótens para indicar qual
caminho ele deveria pegar. Em alguns pontos, conseguíamos ter contato visual,
assim tinha certeza de que estavam no caminho certo.
A estratégia dos tótens foi dando certo, mas a certeza só
veio lá na cachoeira do Charco. Antes disso, fui conversando com a Letícia,
torcendo para que ele entendesse os sinais. Estávamos num bom ritmo e já fazia
um calor considerável. Estava mais quente que o dia anterior. Estava tudo muito
seco e por sorte entramos numa área com árvores maiores, o que refrescou um
pouco. Assim que saímos dessa mata, um casal de Carcará ficou nos rodeando,
como se estivessem nos vigiando. Começamos a descer por caminho com bastante
erosão e passamos por uma cascavel morta. Parecia que havido sido morta há
pouco tempo. Como que alguém pode fazer uma coisa dessa...
Depois de lamentar, continuamos descendo e cruzamos um córrego.
Subimos e demos uma parada rápido num ponto confortável. De lá, conseguíamos
ver o Leandro, Amanda e a Carla. Estavam seguindo bem os totens. Continuamos
subindo, entrando novamente numa área abrigada do sol. Mais acima, uma
bifurcação. O caminho da direita seguia pela linha de cumeada, contornando um
vale. O da esquerda, mais fechado seguia descendo numa linha quase reta.
Conferi o GPS e a marcação indicava “encurta o caminho”, não pensei duas vezes.
Coloquei um totem novamente e começamos a descer.
Dava para ver uma pequena cabana bem ao fundo. Estávamos
próximos da Cachoeira do Charco. Depois de uma descida bem íngreme, voltamos
para trilha principal e mais alguns metros havíamos chegado na margem, onde
deveríamos atravessar o rio. A cachoeira é bem bonita e com bastante volume de
água. Tinham várias pessoas atravessando e optamos por fazer uma fila e fomos
atravessando as mochilas, assim não teríamos o risco de molhar nada.
A água estava extremamente gelada e não foi fácil ficar ali
com a água até o joelho esperando as mochilas. Conseguimos atravessar
rapidamente e ficamos esperando os outros chegarem. Assim que eles apareceram
no alto, tive a certeza de que os tótens estavam dando certo. O Leandro havia
percebido e os seguiu, ganhando um grande trecho. Já na margem, optamos por
fazer o mesmo trabalho de passar as mochilas. Aproveitei para dar um mergulho e
até nadar em direção à queda d’água, mas foi só passar alguns segundos que os
braços começaram a travar. Tratei de voltar logo!
Comi alguma coisa e me arrumei, procurando algum lugar para
acampar, pois segundo nosso planejamento, acamparíamos no entorno. Porém, não
encontrei nenhum lugar que comportasse todas as nossas barracas. Seguimos
subindo e logo cruzamos um córrego com uma área que parecia um charco, mas
estava bem seco e não foi um problema passar por ele. Ainda não via nenhum
lugar para acampar. Continuamos andando e veio uma área aberta, mas não tinha
nenhuma indicação. Cheguei a andar mais um pouco, mas já estava ficando preocupado
com o grupo que vinha atrás. Já havíamos andado mais do que o programado para o
dia. Como ninguém sabia que já havíamos passado tanto da Cachoeira do Charco,
imaginei que se eles não nos vissem, continuariam a caminhada, confiando que eu
acharia algum lugar para o pernoite.
Dei uma parada e logo veio um casal. Conversei com eles e
eles me disseram que estávamos no caminho certo. Bom, pelo menos não saímos da
trilha. Resolvi voltar até essa área mais aberta e olhando com calma, vi que
era excelente para acampar. Estávamos mais ou menos na metade do caminho entre
dois pontos de água. Montamos nossas barracas e descansamos um pouco. Resolvi
voltar até último ponto de água na esperança de que encontrasse o pessoal.
Decisão acertada e já próximo a água, todos estavam lá. Falei que o acampamento
estava bem próximo e que era para eles pegarem água.
Dali, voltamos para o nosso ponto de pernoite e todos se
arrumaram. Comentamos sobre o local indicado sobre o acampamento na Cachoeira
do Charco e como pensei, eles seguiram andando quando não nos encontraram por
lá. Havíamos encontrado um ótimo local para pernoitar. Estávamos sós. Comemos,
conversamos e rimos bastante, num final de tarde maravilhoso. Mas foi só o sol
baixar entre as montanhas que o frio chegou. Nem havia escurecido, mas foi hora
de colocar as roupas extras. Comi algo e depois de mais um papo, fui para
dentro da barraca organizar as coisas para o dia seguinte. De onde estávamos,
conseguíamos ver alguns pontos de acampamento bem ao fundo, com lanternas
aparecendo de vez em quando.
Decidimos dividir o grupo o novamente, e marcamos de sair às
6h. A estratégia de acordar cedo e chegar cedo estava dando certo.
Dia 3 – Camping após a Cachoeira do Charco x Refúgio dos
Pedros
Distância: 16,4 km (11,6 km se não contar os cumes
opcionais)
Tempo:
Desnível Positivo: 940 m
Desnível Negativo: 543 m
Foi uma noite bem agradável, não chegou a fazer tanto frio
quanto no primeiro dia. Eram 4h 30min quando o despertador tocou. Acordei e
preparei um café para despertar. Dei uma organizada nas coisas e fui passando
nas barracas de quem havia resolvido sair mais cedo. Desmontei a barraca e
organizei a mochila. Às 6h em ponto, saímos eu, Letícia, Mafra, Leandro e
Amanda. Pelo nosso roteiro, hoje seria o dia mais longo de caminhada, então,
nada melhor do que começar cedo!
Ainda estava clareando quando começamos a andar. Havia um
caminho que subia para o cume de um morro, onde tinha algumas pessoas
acampando, mas pegamos o que contornava para a direita e logo começamos a descer.
Cruzamos um córrego e aproveitei para captar água. Voltamos a subir, passamos
por mais um ponto de água e logo cruzamos outro córrego novamente, esse bem
menor que o anterior. Não encontramos o caminho de primeira, mas logo achamos a
trilha correta e iniciamos uma subida longa. Mais acima, entramos numa
estradinha fechada e passamos por dois excelentes pontos de acampamento. Não
havíamos visto antes nos relatos que pegamos, mas teria sido uma ótima opção,
visto que não caminhamos tanto no dia anterior. De qualquer forma, já estávamos
ali e acabou que não fez tanta diferença assim. O trecho era bem bonito.
Continuamos subindo e já no alto, passamos por uma bonita área de camping.
Havia bastante gente por lá e fizemos uma parada rápida para comer algo. Ficamos
conversando durante um tempo. O sol estava entre nuvens e ventava um pouco. O
frio apertava e era hora de voltar a andar.
Seguimos nosso caminho em direção ao Refúgio dos Pedros por
essa estradinha que agora estava bem mais aberta. Em alguns trechos era
possível perceber que ainda era usada, visto que víamos o trilho das rodas.
Pegamos uma suave descida, passando por algumas porteiras indicando área
particular. Avançamos bem pelo fácil trecho, pois caminhar com piso regular e
numa leve descida é ótimo. Passamos por algumas áreas bem abertas e entramos
numa área com floresta densa. Nesse ponto, as árvores eram bem grandes. Ouvi
barulho de água, mas ainda tinha o suficiente para a caminhada.
Saímos da mata e entramos em mais um descampado, onde demos
uma parada próximo a uma placa com alguns avisos, inclusive uma indicando que o
local tinha incidência de “felinos de grande porte”. Depois de fazermos algumas
fotos, descobri que ali era o local conhecido como Santo Daime. Fiquei pensando
sobre qual seria a origem do totem, mas só quando voltamos que pesquisar sobre
o local. Pelo relato que li, ele está localizado na RPPN Serra do Papagaio
– Matutu e não tem relação com o Santo Daime. Lá dizia que foi instalado na
propriedade como parte do projeto de "Acupuntura da Terra". O totem é
um trabalho de cunho esotérico do artista esloveno Marko Pogacnik. Ele instalou
alguns desses pilares de pedra também em outros pontos da região, e tem peças
instaladas inclusive em vários outros lugares do mundo.
De volta a caminhada, começamos a ganhar altura. Entramos
novamente em uma mata e depois de uma subida forte, já no alto de um morro,
fizemos uma parada para descansar. Dali, podíamos ver o caminha que já havíamos
feito, bem como uma ampla vista. O dia continuava agradável e aproveitamos para
fazer um lanche. Voltei a andar com um pouco mais de disposição e logo pegamos
mais uma subida forte. Estávamos novamente numa densa floresta e mais acima,
meu tracklog indicava a entrada para o Pico do Canjica, sendo um desvio de, aproximadamente,
1 km ida e volta.
Deixamos as mochilas na borda da trilha, bem visível para
que o Leandro e a Amanda vissem quando estivessem passando. Achei que eles
estivessem um pouco longe, mas eles chegaram em seguida e como ainda estávamos
bem no começo, eles também nos acompanharam. Foi uma subida rápida, porém
um pouco confusa, pois a frequência no local é pouca. Mas a vista compensou,
conseguimos chegar a um belo mirante. Está num dos pontos mais altos da
travessia.
Faltava pouco para chegar ao nosso objetivo do dia. Descemos
do Canjica com uma vista para dois cumes e fiquei com vontade de subir, mas não
sabia como. Colocamos nossas pesadas mochilas nas costas e seguimos caminho.
Saímos da mata e voltamos a caminhar num trecho aberto, até entrar num grande
trecho de uma espécie de pântano. Procuramos o melhor caminhão para
atravessá-lo, visto que não queria me molhar, já estávamos próximos do nosso
destino. Achamos uma passagem e caminhamos mais alguns metros até chegar à
entrada do Refúgio dos Pedros. Uma moça estava sentada ao lado do ponto de água
e nos indicou o caminho a seguir.
Assim que chegamos, pudemos escolher com calma o melhor
local para montar a barraca. Fiz sem pressa. O local é bem grande e com
bastante espaço. Montei a barraca dentro de um cercado de pedras. Chegamos bem
rápido e não senti dificuldades nesse dia que era para ser o mais difícil.
Preparei meu almoço e fiz um café. Quando fui lavar as coisas, encontrei o
restante do grupo chegando. Novamente, dei sorte em recebê-los e indiquei o
caminho a pegar.
Descansei bem e aproveitei para subir o Pico do Tamanduá. Lá
de cima, conseguia ver a cadeia de montanhas do Marins/Itaguaré, Serra Fina e
até as Agulhas Negras. Fiquei na dúvida se estava vendo a Pedra Selada. De
qualquer forma, uma vista fantástica. No cume do Tamanduá, tem uma excelente e
bonita áreas de acampamento. Se já não tivesse montado minha barraca, valeria a
pena subir e ficar ali. Na descida, ainda passei num cume secundário, subindo
uma laje. Outra bela opção. Conversamos bastante e o final de dia foi super
agradável. Alguns aproveitaram para ver o pôr-do-sol numa pedra próxima ao
acampamento.
Assim como nos dias anteriores, foi só o sol se pôr, que o
frio apareceu. Desci rápido até o acampamento, preparando um lanche reforçado.
O dia seguinte era o último. Combinamos a mesma coisa do dia anterior, sair as
6h. Com tudo certo, foi entrar na barraca e dormir, ou melhor, tentar dormir.
Essa seria a noite mais fria da travessia.
Dia 4 – Refúgio dos Pedros x Camping Panorâmico
Distância: 13,7 km
Tempo:
Desnível Positivo: 458 m
Desnível Negativo: 1.422 m
Quando entrei na barraca para dormir, não sabia o que me
esperava. Não era nem 20h quando já estava enrolado no saco de dormir. Acordei
por volta das 22h com muito frio, mas não tinha muito o que fazer. Passei uma
noite dura. As 4h 30min, tocou o despertador e acordei já esquentando água para
tomar café, foi o que aqueceu um pouco. Aos poucos fui organizando as coisas
dentro da barraca. Não me preocupei muito, pois era o último dia de caminhada e
não precisaria mais pegar nada dentro da mochila.
Por volta das 5h, saí da barraca para avisar aos que iriam
sair no primeiro grupo. Tomei mais um café quente e comecei a desmontar a
barraca. Estava muito frio e minha mão doía ao ter que manusear o sobre teto
quase congelado. Tudo pronto para a saída e as 6h em ponto, iniciamos nossa
caminhada. Ainda estava escuro e começamos a andar com as lanternas ligadas.
Fui deixando o Refúgio dos Pedros com um sentimento de
saudade, pensando em cada ponto na qual havia passado. O tempo vai passando e
se a gente não aproveitar, fica para trás. Mas hoje ainda havia um longo
caminho pela frente. Estava bastante frio e nem a caminhada foi suficiente para
esquentar o corpo, era preciso que o sol aparecesse. Num trecho, fomos seguindo
o caminho mais batido e só percebi que estávamos errados quando já havíamos
andado um pedaço considerável. Voltamos e subimos uma formação rochosa para
fazer algumas fotos.
De volta a trilha, andamos praticamente pela linha de cumeada,
passando por diversas lajes, com pontos mais técnicos até agora, mas nada que
complicasse a caminhada. Próximo a mais um cume, fizemos numa parada e
aproveitamos para fazer um lanche. Pegamos uma descida e passamos por um trecho
bem bonito até chegarmos à Pedra Quadrada, que de onde estávamos, não víamos
nada de quadrada, mas daria fotos fantásticas. Todos aproveitaram a paisagem.
Mais alguns minutos caminhando e chegamos ao grande local de acampamento,
conhecido como “Base do Papagaio”. Valeu muito a pena a nossa logística, pois
havia muita gente nesse local e acho que ficaria bem desconfortável ter que
montar mais algumas barracas ali. Levando em conta que quase todas as barracas
ainda estavam montadas, não fazia muito sentido ter esticado a nossa caminhada
no dia anterior, teria sido um esforço grande.
Encontramos com algumas pessoas na qual havíamos passado
durante toda a travessia, parece que todos se encontraram naquele ponto. Foi
uma boa conversa. Deixamos nossas mochilas num canto e seguimos ao tão esperado
cume do Pico do Papagaio que nem é o mais alto, mas é o que dá nome a Unidade
de Conservação na qual cruzamos de ponta a ponta. Durante toda a travessia,
ficávamos indagando se o cume ao fundo era o Papagaio, quando é que estaríamos
vendo e etc. Como ninguém havia feito a travessia, estávamos com essa dúvida.
Mas agora não tinha erro, ele estava próximo e era “logo ali”.
Pegamos a trilha e seguimos uma leve descida, passando por
um ponto de água e após uma mata, na borda esquerda, mais um ponto de
acampamento. Após esse trecho, entramos numa área de mata fechada com grandes
árvores e foi só subida a partir daí. Pegamos trechos bem íngremes, mas sem
mochila pesada, tudo ficou mais fácil. Estava bem molhado, apesar de não ter
chovido. Mais acima, um bonito mirante e já podíamos ter uma noção do que
encontraríamos lá em cima. Faltava pouco e em mais alguns minutos estávamos no
cume! O tão esperado cume do Pico do Papagaio. A vista era fantástica. Enquanto
estávamos lá, foi formando um tapete de nuvens que dava um toque espetacular.
Arrumei um cantinho abrigado para fazer um café e ficamos
ali durante um bom tempo, apreciando o espetáculo da natureza. Esperamos um
pouco e quando estávamos prontos para descer, chegou o resto grupo. Estávamos
todos lá, e fizemos uma foto para celebrar aquele grande momento. Fizemos
várias fotos e foi hora de pegar o caminho de volta. Começamos a descer e foi
mais fácil para mim, não tenho problemas com descidas. De volta ao ponto de
acampamento, onde ficaram nossas mochilas, nos preparamos para o último trecho
de caminhada.
Como era a parte final, não me preocupei muito em ver quanto
teríamos pela frente. Achei que fosse pouco, mas foram, aproximadamente, 6 km
de descida. Pelo menos não teríamos mais subida. Desci num bom ritmo, pegando
um trecho de mata fechada, até que chegamos a uma área bem aberta, onde existia
uma placa com uma bifurcação. Pegamos o caminho da esquerda que termina no
Camping Panorâmico, por sinal bem bonito. Mais abaixo, começamos a caminhar bem
próximos da parede do Pico do Papagaio. Depois que saímos da mata fechada e
começamos a caminhar num ponto onde havia uns arbustos de pequeno porte, a
trilha ficou bem seca e com bastante poeira. Foi ficando bem monótona e resolvi
apetar o passo e acabar logo. Já conseguíamos ver as casas bem ao fundo.
Cheguei a uma cerca, próximo a uma casa e fiquei na dúvida
se deveria seguir reto. Cruzei a cerca e depois outra, andando mais um pouco.
Resolvi parar e esperar o resto do grupo. Ali descansei bastante e refleti sobre
tudo o que havia passado. Foram quatro dias intensos e a tive a sensação do
dever cumprido. Tinha uma vista privilegiada do Papagaio. Passou um tempo
razoável e já estava impaciente com a demora. Resolvi voltar para ver se tinha
alguém chegando, encontrei com outra parte do grupo logo após a casa. O Ricardo
subiu para avisar aos que vinham e eu continuei descendo. Segui a cerca da
direita, num trecho bem confuso, até que avistei um local com vários carros
estacionados. Segui até lá. Quando vi algumas pessoas sentadas, tive a certeza
de que estava no caminho certo. Em poucos minutos estava tomando um merecido
banho e organizando minhas coisas para o retorno.
Almoçamos no restaurante da Tia Iraci, em Aiuruoca. Uma
comida excelente. De lá, iniciamos nosso retorno, chegando à sede do Clube
Niteroiense de Montanhismo por volta das 0h. Pegamos 4 dias de tempo excelente,
que foram fundamentais para que percorrêssemos os 50km de trilha da melhor
maneira possível.