quarta-feira, 20 de julho de 2022

Trilha da Pedra da Cruz - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Pedra da Cruz – ATM PARNASO



Dia: 11/06/2022
Local: PARNASO - Teresópolis
Participantes:  Leandro do Carmo

Relato da Trilha da Pedra da Cruz

Mais uma Abertura de Temporada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Já estava com saudades... Devido a pandemia, a última havia sido em 2019. Esse ano o evento aconteceu em junho, talvez já pensando num tempo mais firme, pois havia chovido, pelo menos, nas últimas 4 edições. Organizamos nossa ida, contratando uma van, assim como nos anos anteriores. Minha programação inicial era fazer a Verruga do Frade. A previsão não era das melhores e com uma semana de antecedência já havia previsão de chuva. Bom, uma semana é bastante tempo, mas os modelos de previsão de tempo erram cada vez menos, mas não queria desmarcar com tanta antecedência.  

A data foi chegando e a previsão se confirmando. Era pouco provável que conseguíssemos escalar a Verruga, mas faríamos alguma trilha, assim como sempre fizemos. Sempre há um plano B. Na sexta feira, fiz contato com o Thiago, que tem um sítio em Guapimirim, quase chegando à Teresópolis, a fim de saber sobre as condições mais precisas do tempo. Não deu outra. Chovia na região. Avisei no grupo que não levaria equipamento de escalada e que decidiríamos a trilha lá no local.  

Nosso encontro foi às 5h no posto de combustível que fica na esquina da Roberto Silveira com Paulo César. No sábado, fomos pontuais. Foram várias desistências. Mas que resolveu ir, estava presente. A madrugada estava fria e caía uma fina garoa. Pegamos a van e seguimos. Fizemos uma parada para o café da manhã na Parada Modelo, bem próximo à subida da serra. Nem nos preocupamos muito com o tempo de parada, pois a atividade da Verruga já havia sido cancelada e qualquer outra que viéssemos a fazer, não demandaria tanta pontualidade. Depois de todos abastecidos, seguimos para o parque.  

Entramos no parque e fomos e demos uma rápida parada no ponto onde seria o evento para aguardarmos o restante do pessoal. Aos poucos, todos foram chegando. Dali, seguimos para a Barragem, ponto de início das trilhas da parte alta. Lá fizemos nossa tradicional foto e cada grupo foi seguindo para sua trilha. Para a parte alta, iríamos dois grupos, sendo um para a Pedra Cruz e o outro para o Papudo.  

A manhã continuava fria, mas pelo menos não chovia. Estava bem fechado com uma forte neblina. Provavelmente não veríamos nada. Estava tudo molhado ali na Barragem e na trilha não seria diferente. Começamos a subir e aquele trecho inicial cheio de pedras estava bastante escorregadio. O frio estava forte e havia muita umidade, mas logo nos primeiros minutos de caminhada já estava bem à vontade. Segui à frente, imprimindo um bom ritmo para aquecer.  

Conversando, o tempo passa rápido e logo estávamos no ponto do antigo Abrigo 1, conhecido também como Toca dos Caçadores. Dali para até a Cachoeira do Véu da Noiva foi um pulo. Lá fizemos nossa primeira parada rápida. Quase não tinha água, corria apenas um filete. Aproveitei para comer um sanduíche. Dali, seguimos caminhando. Não estávamos todos juntos, mas era possível escutar várias conversas. Sabíamos que estávamos todos pertos. Passamos pela cachoeira do papel, também quase sem água. Estava tão disperso, que passei pelo ponto do antigo Abrigo 2, que nem percebi. Quando vi, já estava passando pelos canos de ferro, poucos metros acima. Avisei aos que ainda não conheciam.  

O dia permanecia fechado. Mas não chovia e isso era bom. Depois de vários zig zags, chegamos ao ponto onde poderíamos encurtar nossa caminhada. Era o caminho que passava pelo Paredão Paraguaio. Nos reunimos para decidir qual caminho seguir. Optamos pelo mais curto. O grupo que iria para o Papudo passou por nós. Iniciamos nossa subida. Acabei ficando por último. Em poucos minutos já cruzávamos o trecho do paredão. Pensei que fosse ser pior essa subida, mas, apesar de molhado, foi bem tranquilo. Mais acima, na bifurcação, pegamos o caminho da esquerda, seguindo em direção à Pedra da Cruz.  

Fomos subindo passando por alguns trechos de rocha mais expostos, até estarmos na outra face, passando por uma trilha bem estreita que nos levaria ao cume. Ainda deu tempo para eu fazer uma foto, que se o tempo estivesse aberto, daria para ter uma noção da nossa altura. Inclusive, o fato de estar fechado, não nos deixa ter aquela sensação de estarmos na beira do abismo. Para muitos, faz uma diferença enorme.  

Em poucos minutos estávamos no cume. A vista dali é impressionante, mas não foi possível ver nada. Tudo branco. Pelo menos não ventava forte. Lembrei da última vez que estive ali, ventava e chovia fino. Fiz mais um lanche e ficamos conversando na esperança de que a vista pudesse abrir. Eu disse para não perder a esperança. E não deu outra. Por questão de segundos, milagrosamente o tempo abriu e pudemos ver Agulha do Diabo ao fundo. Foi só o tempo de tirarmos uma foto e tudo voltou a ficar branco novamente.  

O frio foi aumentando, já era hora de voltar a andar. Iniciamos a descida e cruzamos por um grupo de UNICERJ e outro do CEB. Nesse ponto, nos dividimos e uma parte desceu pelo mesmo caminho na qual subimos e eu optei por fazer o caminho normal da Pedra do Sino, passando pela Cota 2000. Algumas pessoas não conheciam o local do antigo Abrigo 3 e o seu mirante. Subimos um pequeno trecho e depois pegamos a descida. Já no Abrigo 3, encontramos o Vinícius, sentado, solitariamente. Fomos ao mirante e como já era esperado, não vimos nada. Mas pelo menos ficou o registro para quem não conhecia.  

Descemos meio no automático até a Cachoeira do Véu da Noiva, onde fizemos mais uma parada. Descemos para o trecho final. Em pouco tempo estávamos de volta à Barragem. Lá encontramos a outra parte do grupo, eles haviam acabado de chegar também. Aproveitamos uma tenda montada do evento para aguardar a chegado dos outros. Dali, seguimos direto para o local onde seria a festa. Mais uma ATM PARNASO concluída com sucesso! E com chuva! 

Trilha da Pedra da Cruz
Enchendo o cantil na Barragem


Trilha da Pedra da Cruz
No cume da Pedra da Cruz


Trilha da Pedra da Cruz
Nos poucos segundos de visibilidade


Trilha da Pedra da Cruz
Eu, Vander e Stephanie


Trilha da Pedra da Cruz
Na Cachoeira do Papel

Trilha da Pedra da Cruz
No caminho

Trilha da Pedra da Cruz
No trecho mais exposto, próximo ao cume


Trilha da Pedra da Cruz
A neblina escondia o precipício


terça-feira, 5 de julho de 2022

Remada no Rio Paraíba do Sul: De Porto Velho do Cunha à Itaocara

Por Leandro do Carmo

Remada no Rio Paraíba do Sul: De Porto Velho do Cunha à Itaocara

Dia: 16/06/2022
Local: Itaocara
Participantes: Leandro do Carmo, Jefferson Figueiredo, Markley Santos e Wendell Linhares.

Trecho total remado: 58,6 km
Tempo: 8h 40min



O Rio Paraíba do Sul  

O Rio Paraíba do Sul é um rio extenso sendo recurso extremante importante para três estados do sudeste brasileiro: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nasce na serra da Bocaina em São Paulo e desemboca na praia de Atafona em São João da Barra - RJ possuindo 1.340 km de extensão abrangendo 150 cidades e 20 milhões de pessoas.  

Ao longo de seu trecho o rio adquire várias formas e tem características bem específicas: ora estreito, ora largo, ora turbulento, ora calmo, às vezes represa e volta a ser rio, ora poluído, ora preservado, sim é isso mesmo, preservado e com mata ciliar e vegetação exuberante e é esse rio Paraíba do Sul que pouca gente conhece.  

No Médio Paraíba, mais especificamente do trecho de Além Paraíba-MG a São Fidelis-RJ, o rio Paraíba do Sul possui águas turbulentas com corredeiras e cachoeiras, predominância de ilhas, é largo e com uma vegetação ciliar ainda bem preservada. Famoso pela piscosidade e referência na pesca esportiva de dourado e robalo. Em uma grande extensão não existe cidades em suas margens, o que contribuí para renovação de suas águas, além da própria oxigenação causada pelas corredeiras. Ele também recebe as águas de vários afluentes. Fonte:  ACAI

Dicas para remar na região

Detalhes do trecho de Porto Velho do Cunho até SãoFidelis  

Caminho que fizemos de carro de Itaocara até Porto Velho do Cunha, local de início.

Trecho feito



Vídeo em HD - Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha à Itaocara


Relato

Quando o Jefferson me falou que iria fazer o trecho de Porto Velho do Cunha x Itaocara, remando, logo me convidei, sem dar tempo dele contar alguma história triste dizendo que iria sozinho ou que já tinha um grupo fechado... Bom, depois fui ver se realmente dava para eu ir. Mas se não desse, daria um jeito, era uma oportunidade única. Como moro muito longe de Itaocara e de não conhecer bem o local, ficaria bem difícil ir sozinho. Resolvi ir de ônibus. Reservamos as passagens para o final do dia, pois a viagem seria véspera de feriado e a procura naquele horário é bem grande.  

Depois da logística organizada, foi hora de estudar o percurso. Pelo relato que ele publicou há um tempo, a remada totalizaria cerca de 60 km, com trechos longos de águas calmas e algumas corredeiras. Essa seria uma distância na qual eu ainda não havia remado, mas avaliei que rio abaixo, seria mais tranquilo. Engano meu, mas essa parte da história vai ficar para daqui a pouco. Preparei o equipamento que eu tinha e vi o que precisaria, sendo providenciado lá no clube de canoagem. A semana passou rápida e o grande dia havia chegado.  

Saí direto do centro do Rio para a rodoviária de Niterói. Foi meio correria, mas chegamos bem à rodoviária, fazendo uma viagem tranquila até Itaocara. Estava frio, o termômetro marcava 10°C. Até os cachorros estavam escondidos. Já eram quase 2 da manhã e daqui a pouco já tínhamos que estar prontos para a saída. Fizemos um lanche e deixei tudo pronto, assim poderia tirar alguns minutos a mais de sono.  

Levantamos às 5h e fomos ao clube de canoagem pegar parte do equipamento para eu usar. De lá, seguimos para a casa do Markley, onde os caiaques já estavam arrumados na carretinha. Demos uma parada rápida numa padaria para encontrar o Wendel e tomar um café. Estava tão frio quanto à noite anterior, mas como estava me movimentando mais, nem senti tanto. A noite estava bem aberta, sinal de que teríamos um dia bem agradável. Pegamos a estrada por volta das 6h e chegamos a Porto Velho do Cunha por volta das 7h 30min, tudo dentro do programado. De Itaocara até lá, são cerca de 95 km.

Já na entrada do caminho que leva ao rio Paraíba do Sul, tiramos os caiaques e os alinhamos numa entrada que seguia até o rio. Naquele ponto, dava para perceber onde o nível da água havia atingido no último período chuvoso, algo bem assustador. Pegamos todos os equipamentos e fomos ao ponto de saída, ainda fazendo uma pequena caminhada. Ali, nos arrumamos. Tinha uma forte serração, o que fazia parecer que a água estava em ebulição, dando um  aspecto bem diferente àquela fantástica paisagem. O rio corria lentamente. Do Outro lado da margem uma mata bem densa, dava um toque especial ao local.

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Acesso ao rio Paraíba do Sul











Com tudo pronto, foi hora de entrar na água. Na primeira remada senti o caiaque deslizando calmamente sobre as águas, uma sensação fantástica. A partir daquele momento eu ele seríamos um só até ao final da jornada. Estava usando um remo de fibra de carbono, muito diferente do que estou acostumado a usar. Aos poucos, fui acostumando com o novo ritmo. Nesse trecho inicial, as florestas das margens estão bem protegidas. A remada cadenciada ajudou a espantar o frio. A serração foi se dissipando e já era possível ver o contorno do sol. Em pouco tempo teríamos céu aberto.  

Logo à frente, a floresta que já era densa, ficou mais fechada ainda. Passamos pelo ponto onde o Rio Angu deságua no rio Paraíba, um belo local. Depois de bastante tempo remando o Jefferson percebeu que havia deixado o celular dele em cima de um barco que estava no local de onde partimos. Tentamos ligar, mas lá não tinha sinal. Encontramos alguns pescadores que estavam acampados na margem do rio e tentamos contato novamente, mas nada.  

Seguimos rio a baixo. Passamos por algumas pequenas e fáceis corredeiras. O sol apareceu. A cerração dissipou totalmente, mostrando um céu azul e sem nuvens. O astral estava ótimo, seguia sempre um pouco mais atrás, assim tinha certeza de onde seria o melhor local para passar.  Por volta das 10h, chegamos a uma parte do rio onde formava um extenso degrau. O Markley seguiu na frente e o Jefferson parou para orientar a descida. Nesse ponto, algumas pedras afloravam, mas a descida era suave.

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Neblina baixa no início da remada











Mais alguns minutos remando e estávamos no Bar da Manuela. Já havíamos remado cerca de 20 km e ali, marcava 1/3 do caminho. Um ótimo ponto de apoio. Ali, fizemos uma rápida parada, continuando a remada logo em seguida. Passamos por São Sebastião do Paraíba, quarto distrito de Cantagalo. Já estávamos há cerca de 3h remando e podíamos contar facilmente a quantidade de casas que tínhamos visto nas margens. Uma paz sem precedentes, que era interrompida apenas pelo som das águas nas corredeiras que se seguiam. Apesar de estarmos bem imersos numa natureza intocada, não havia visto nenhum animal, somente o som dos pássaros. Talvez, pela rapidez com que passava pelos locais, não prestava tanta atenção.  

Continuando a remada e mesclando longos trechos de águas calmas e pequenas corredeiras, chegamos ao Bar do Ernani. Mais um ponto de apoio nessa aventura. O local estava fechado, mas ali fizemos nossa primeira parada longa, algo em torno de 30 minutos. Aproveitamos para “almoçar” uns saborosos sanduíches preparados pela Isadora, filha do Jefferson. Aproveitei para fazer algumas imagens de drone, mas não havia verificado o cartão de memória e as imagens foram salvas em baixa resolução. Passado o tempo de parada, voltamos para a água, faltavam ainda um pouco mais da metade do caminho.  

Sentia-me bem, mas não sabia se estava remando mais lento que os outros, de qualquer forma continuei no ritmo que dava, não queria atrasar. Mas pelo que havia lido no relato feito pelo Jefferson, estávamos dentro do programado. Passamos pelo Porto do Tuta, local de saída dos últimos eventos de canoagem organizados pela ACAI. Esse trecho que ia até Porto Marinho, era um que estivera em duas oportunidades, então já tinha certo conhecimento. Logo à frente, estaria a corredeira mais forte de todo o trecho:  a corredeira do Urubu. O Urubu é uma corredeira classe III e pode ser facilmente transponível pela margem.  

Seguimos o fluxo do rio passando por mais uma corredeira e mais a frente nem deu muito tempo de pensar. O Jefferson sinalizou pra remar. Não tinha alternativa a não ser remar. Sabia que o Urubu estava a poucos metros. O Markley e o Wendell já tinham ido e lá embaixo vi a ponta de um caiaque para o alto, alguém havia capotado. Mas foi tão rápido que quando eu vi, já estava em cima da corredeira. O Jefferson estava um pouco mais na frente. Entrei nela e fui equilibrando com remadas fortes, a fim de manter a linha correta. Num piscar de olhos, vi o Jefferson tombando também. Passei um pouco mais para a direita dele. Nem acreditava que havia passado. O Jefferson foi até a margem e fui até lá para descansar e ajudá-lo a tirar a água do barco.

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Jefferson na corredeira do Urubu











Com tudo pronto novamente, voltamos para a remada. Já havíamos passado da metade do caminho. Estávamos, aproximadamente, a cerca de 4 horas remando e era isso que mais ou menos faltava para terminar. Estava cansado, mas remava tranquilo. Veio mais uma corredeira e na aproximação, quando fui alinhar o caiaque, tombei. Ainda tentei ver se desvirava o caiaque, mas não deu tempo. Desci segurando a borda até um ponto mais calmo do rio. O Jefferson veio para dar um apoio. Acho que nadar é pior que remar. Fiquei mais cansado do que quando tive que remar para descer o Urubu. Na margem do rio, tiramos a água do caiaque e reiniciamos a descida. Confesso que fiquei desanimado, capotei sozinho, num trecho muito mais fácil que o Urubu. Talvez tenha sido excesso de confiança ou falta de atenção.  

Mais uma corredeira me esperava e não tinha espaço para mais erro. Concentrei e comecei a remada. Tentei cadenciar melhor e só ouvia o Jefferson gritar: rema, rema, rema, não para! E assim desci mais uma, o que elevou um pouco a moral, apesar do cansaço. Dali, passamos por Porto Marinho e seguimos até a Cabana do Peixe Frito, onde fizemos a segunda parada longa do dia. Fizemos mais um lanche. Estava bem cansado, mas tranquilo. Não tinha dúvidas que conseguiria. Já estávamos com 42 km de remada. Faltava pouco!  

Saímos numa água parada, trecho em que o rio contornava uma ilha. Seguimos remando até encontrar mais uma corredeira. Entrei nela e já no final, uma onda me jogou para o lado. Não deu mais uma vez, virei e segui segurando o caiaque até a margem, onde pude tirar a água, com a ajuda do Jefferson. O cansaço havia chegado. Estávamos com, aproximadamente, 45 km. A partir daí, diminuí um pouco o ritmo e remava um pouco mais atrás. Passei por mais uma corredeira, agora muito mais concentrado, pois não podia parar de remar. Não queria capotar novamente. Ter que nadar e depois tirar a água do caiaque cansava mais que a remada em si, além de abalar o psicológico.  

Já estávamos com quase 50 km de remada. O sol estava forte, eram 15h. Tentava procurar um trecho com sombra, mas não tinha. Restava apenas jogar uma água na cabeça para refrescar. Nesse ponto já podia ver a Serra da Bolívia bem à frente, ainda pequena, mas já era sinal de que estávamos próximo do fim. O Jefferson já me perguntava se estava tranquilo com mais frequência, talvez sentindo que sempre ficava um pouco mais para trás. Isso me manteve motivado, não queria atrasar o grupo. As pequenas corredeiras se transformavam em grandes desafios. Numa corredeira, vi o Wendell capotando. Não tinha jeito. Ou superava ou estaria capotando e tendo remar até a margem. Comecei a remar. O caiaque foi seguindo a ondulação e na onda mais alta, quase tombei. Por sorte consegui manter o equilíbrio do barco e seguir remando até um remanso onde ofegante, consegui descansar um pouco.  

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Eu em uma corredeira











Ouvi o Jefferson dizendo que dali em diante não tinha mais nenhuma corredeira. Senti um alívio, mas foi só remar mais um pouco e comecei a ouvir aquele chiado, mais uma estava chegando. Naquele momento, qualquer água mexida virava corredeira. E foi preciso muita concentração para seguir remando. Sabia que estava no fim e que tudo seria resolvido em pouco tempo. Mas alguns trechos calmos e mexidos, até que me dei conta de que a Serra da Bolívia estava ao meu lado e não mais a minha frente. Tinha certeza que estava chegando. De longe avistei um trecho onde o rio se dividia e mais a frente um grande bambuzal. Reconheci o local. Havia chegado. Faltavam poucos metros.

Mais algumas remadas, totalmente no automático e alinhamos os barcos para poder registrar um momento mágico. Com sol se pondo atrás da Serra da Bolívia, após remar 58,6 km em 8h 40min, chegávamos ao final da jornada. Pra mim, um dia épico. Bons momentos carregamos na memória. Mas momentos como esse, carregamos também no coração.  

Após guardar os barcos, o Jefferson ainda foi tentar recuperar o celular que havia deixado no ponto de saída. Não conseguiu no dia, mas após fazer contato com um morador de Porto Velho do Cunha, conseguiu recuperá-lo no dia seguinte. Ainda tirei uma soneca, só esperando a hora do ônibus que me levaria de volta pra casa. Estava esgotado fisicamente, mas com a mente leve. Um grande dia.


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Eu e o Jefferson


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Notem a marca da água!!!!


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Caminho precário para chegar ao rio

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Iniciando a remada

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Saindo da Cabana do Peixe Frito

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Wendell remando


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Trecho bem bonito, próximo ao bar da Manuela


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Águas calmas


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Dia bem aberto

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Bar do Ernani, 1/3 do caminho

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Jefferson na corredeira do Urubu


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Jefferson indicando a linha para descida


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Eu passando por uma onda


Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Comemorando o fim da remada com um por do sol fantástico

Remada no Rio Paraíba do Sul: Porto Velho do Cunha x Itaocara
Chegada no Kayak, SUP & Club


quarta-feira, 29 de junho de 2022

Trilha dos Castelos do Açú

Por Leandro do Carmo

Castelos do Açú



Dia: 07/05/2022
Local: Petrópolis - Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Participantes: Leandro do Carmo, José Luis Lisboa, Willian Pedroza, Gabriel Nunes, Thales Porto, Bárbara Marinho, Renata Hiraga e Nicolas Loukids.  

Relato  

Por conta da pandemia, acabei deixando as montanhas do PARNASO de lado... Durante muito tempo o acesso a partir das portarias, tanto de Petrópolis, quanto de Teresópolis, estavam limitadas. Era hora de voltar. Aproveitando que uns amigos do trabalho queriam fazer a Travessia Petrópolis x Teresópolis, sugeri que fazermos alguns treinos antes, até para eles se aclimatarem com o ambiente bem diferente que é lá em cima.  

Saí bem cedo de casa, numa madrugada de sábado bem fria. Ainda estava escuro quando cheguei ao ponto de encontro. O Nicolas e a Bárbara já estavam lá e a Renata chegou logo em seguida. O Gabriel e Thales encontraríamos logo após o pedágio da Washington Luis, e o Lisboa, Marcelo Farias e Willian, só em Correas. A viagem foi tranquila e como combinado, encostei o carro logo após a praça do pedágio, onde o Thales nos aguardava. Quando saí do carro, percebi que ainda fazia frio. O Gabriel chegou logo em seguida. Conversamos um pouco e seguimos subindo a serra. Fizemos uma parada rápida para saber onde estaria o outro carro e fomos em direção à Correas, onde tomamos um bom café da manhã.  

Devido à pegarem um enorme caminhão de carga na subida da serra, o outro carro atrasou bastante, quase 1 hora. Minha preocupação era por conta do horário limite para subir à parte alta do Parque, que era 9 horas. Mas deu tudo certo, e às 9 horas em ponto estávamos na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Arrumamos as coisas e definimos os pontos onde faríamos nossas paradas. Éramos 8 pessoas e grupos grandes tem pessoas com ritmos diferentes, ficando muito difícil fazer com que todos caminhem juntos. Com o primeiro objetivo traçado, seguimos andando.

A medida que andava, o frio ia diminuindo. O corpo estava aquecendo aos poucos, a leve subida ajudava. Estávamos paralelos ao rio, às vezes ao lado, às vezes acima. Por vezes, o Marcelo ficava um pouco para trás e tinha que dar uma segurada no ritmo para não perdê-lo de vista. Depois de um tempo, havíamos chegado à bifurcação que leva à cachoeiras do Véu da Noiva. Ali, fizemos uma breve pausa para uma água. Nesse ponto, lembrei de algumas das inúmeras vezes na qual estive ali. Cada dia numa situação diferente. Sem demorar muito, rumamos para o primeiro grande desafio do dia: “a subida da Pedra do Queijo”.  

Essa subida é forte, mas se feita num ritmo bem cadenciado não é um problema tão grande. Lá, seria nosso primeiro ponto de parada mais longa.  Fomos subindo bem devagar. Um pouco mais acima, conseguíamos ver a cachoeira do Véu da Noiva. Já sabendo da dificuldade do Marcelo, previ a possibilidade de que não chegasse ao cume. Fui até ao Queijo para encontrar com o grupo da frente. Assim que cheguei lá, também encontrei o Vander e a Mariana que estavam fazendo a Travessia Petrópolis x Teresópolis. Uma grande surpresa.

Tinham mais algumas pessoas lá. Batemos um papo e avisei ao grupo que se eles quisessem, poderiam seguir sozinhos até ao Castelo do Açú, eu temia que não conseguisse chegar por conta do nosso ritmo. Eles concordaram e seguiram andando. O Marcelo chegou após alguns minutos e ficou meio desanimado depois que mostrei o caminho que faltava. Fizemos uma parada maior, assim, pudemos descansar um pouco mais. Fizemos várias fotos e pudemos ver o vale do Bonfim ao fundo. O dia estava firme e o frio nem interferia mais. Estava bem e até agora não sentia nada. Já estava há algum tempo sem fazer uma caminhada mais forte. Deu a hora e começamos a subir novamente. Um pouco mais a frente e após outra subida, o Marcelo chegou e resolveu voltar. Além da companhia para volta, arrumou também uma carona para casa. Resolvido isso, nos despedimos e eu enviei uma mensagem no para o grupo, avisando do ocorrido e que os encontraríamos em algum ponto. A essa altura, eles já deveriam estar bem mais acima.  

Eu, Lisboa e Willian apertamos o passo a fim de recuperarmos o tempo na qual ficamos parados. Logo, chegamos ao Ajax, onde fizemos um lanche mais reforçado. Dali, consegui ver algumas pessoas já na Izabeloca, mas não conseguia identificar quem eram. Em algum momento, alguém iria ler minha mensagem. Depois de comer e reabastecer as garrafas de água na nascente, retornamos à caminhada. Subimos num ritmo mais forte, até que consegui avistar o Nicolas lá no alto da Izabeloca. Até fiquei na dúvida, mas assim que me aproximei um pouco mais, tive a certeza de que era realmente ele. Com certeza alguém já havia visto minha mensagem e eles estavam nos esperando.  

Chegamos bem e reencontramos a outra parte do grupo. Assim poderíamos caminhar juntos novamente. Fiz uma parada rápida e dali, começamos a caminhada no chapadão, em direção aos Castelos do Açú. Fomos caminhando num sobe e desce, porém, menos cansativo que os 2/3 do caminho inicial que era praticamente só subida. Como caminhávamos por muitas vezes entre lajes, o percurso já não fica tão obvio quanto ao início. O tempo deu uma fechada e sempre que parávamos um pouco, o frio aumentava. Estávamos bem expostos ao vento. Só nos restava andar para esquentar.  

Depois de algumas subidas e descidas, chegamos no ponto onde poderíamos ver a formação rochosa que dá nome ao local, mas como o tempo estava bem fechado, não conseguíamos ver. Ainda ficamos alguns minutos ali na esperança, mas nada. Assim que percebi que algumas pessoas começaram a parar para lanchar, avisei para deixarmos para comer um pouquinho mais a frente. Como ninguém ainda havia ido lá, não devem ter entendido muito bem, mas estávamos a poucos metros de um local bem agradável e abrigado para descansar e comer. Aí eu disse: “Podem acreditar em mim!”  

Andamos e logo estávamos lá. Para a surpresa de todos, o local era bem aconchegante. Ficamos em frente ao Abrigo que estava escondido pelas baixas nuvens que pairavam pela região há um bom tempo, mas aos poucos as nuvens deram uma leve dispersada e ele foi aparecendo. Todos puderam contemplar o local. Fiz um café para esquentar e aproveitei para fazer um lanche mais reforçado. Todos descansaram. Programamos de ficar lá por 40 minutos. Tempo suficiente para recarregar parte das baterias.  

O tempo passou rápido e ainda aproveitamos para dar uma volta entre gigantescos blocos amontoadas. Fiquei imaginando como que aquilo poderia estar ali. Fizemos várias fotos e iniciamos o nosso retorno. No ponto onde paramos para tentar vê-lo logo na chegada, conseguir, enfim, fazer a tão esperada foto. Por alguns instantes, o Castelo do Açú tomou conta da paisagem e todos puderam fazer belas fotos.  Continuamos a caminhada e por um instante perdemos o traçado. Sugeri que eles tentassem achar. Mostrei um pouco da dificuldade que seria caminhar ali se baixasse o russo, que é como chamamos a forte neblina que de vez em quando surge no local.  

Achado o caminho seguimos descendo num bate papo bem descontraído, o que ajudou muito a esquecer um pouco das dores nas costas, pés, joelhos... Chegamos já escuro à portaria do parque, eram 18:15h. Pegamos o carro e quem não pode esperar, seguiu de volta. Paramos para uma pizza em Correas. Aí foi pegar o caminho de volta. Um grande dia de retorno as montanhas!

Entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Entrada do PARNASO, em Petrópolis

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Vale do Bonfim visto de algum ponto da trilha


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Um dos córregos na parte inicial da trilha

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Parada na Pedra do Queijo

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Subida da Izabeloca

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Caminhada no Chapadão

PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Vale do Bonfim ao fundo


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Alto da Izabeloca


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Os guerreiros!


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Sinalização no Chapadão


PARNASO - CASTELOS DO AÇÚ
Castelos do Açú ao fundo


segunda-feira, 27 de junho de 2022

Atravessando a Baía de Guanabara

Por Leandro do Carmo 

Atravessando a Baía de Guanabara











Trajeto: Naval x Forte da Laje x Fortaleza de Santa Cruz x Morro do Morcego x Naval


Dia: 23/04/2022
Local: Baía de Guanabara
Participantes: Leandro do Carmo

Tempo total: 2h 47min
Distância: 12,9 km
Velocidade média: 5,3 km/h
Velocidade máxima: 11 km/h  

Relato  

Dando seguimento ao meu treino semanal, parti para mais uma remada. Segui para o canto da praia de Charitas, ao lado do Clube Naval. Manhã agradável e águas claras. Sim, águas claras! Apesar de suja, a Baía de Guanabara ainda tem águas claras em alguns pontos. Não sei se a ponto de um mergulho, mas é até bonito de ver. Tomei meu café da manhã, dei uma alongada e fui para a água.  

O mar estava um tapete. Pelo menos nesse ponto, não ventava. Contornei o Clube Naval e já pude ver bem ao fundo algumas canoas. Era por volta de 7:30 da manhã. Meu objetivo inicial era ir até a Fortaleza de Santa Cruz, mas mudei meus planos. Já estava há um tempo para atravessar até a Urca. Resolvi que hoje seria o dia. Nem é uma travessia difícil, mas para quem ainda não tem muita experiência é um grande desafio.  

E seria um grande desafio. Mas gosto dos desafios. Gosto de poder entender e aprender com os desafios que os esportes praticados na natureza proporcionam. Aliado a isso, não estava com o melhor equipamento. O caiaque era pequeno, não tendo um bom rendimento nas remadas. Mas como o dia estava excelente, arrisquei.  

Segui em direção ao Morro do Morcego, já podendo ver a Praia do Flamengo ao fundo. Continuei a remada e já podia ver o Forte da Laje. A partir desse momento, meu objetivo passou ser contorná-lo. Segui remando, mantendo um ritmo contínuo. Um navio de containers cruzou o canal e minha maior preocupação era com o trânsito das embarcações. Seria muito difícil conseguir ser visto!  

Já no meio do canal, sempre olhava ao redor para ter certeza que não estava no caminho de algum navio, mas para minha sorte, nada. O Forte da Laje se aproximava. Conseguia ver algumas ondas quebrando nos rochedos do Forte. Assim que cheguei na direção do Forte, o mar estava diferente, mais encrespado. O vento ali estava mais forte, assim como a ondulação. Fui remando, na expectativa de que melhorasse depois que passasse a ilha. Mas não melhorou. Então, resolvi abortar o contorno da ilha e dei meia volta. Fiz uma diagonal um pouco diferente do trajeto da ida, aproveitando a ondulação.  

Assim que passou a ilha, o mar voltou a melhorar. Aproveitei e segui em direção à Fortaleza de Santa Cruz, cruzando o canal novamente. Mas isso, olhando antes para ver se tinha algum navio se aproximando. Como estava me aproximando da boca da baía, percebi que a maré corria mais forte, mudei o rumo para não me distanciar muito. Quando estava bem próximo da Fortaleza de Santa Cruz, senti a maré com mais força, me jogando para “fora”. Dei um gás na remada até estar totalmente abrigado na lateral interna da Fortaleza. Pensei até em dar uma parada ali para beber uma água, mas resolvi seguir remando.  

Cruzei toda a enseada que beira a estrada que leva à Fortaleza de Santa Cruz, passei pela Praia de Adão e Eva e segui para a Praia do Morcego, onde parei para descansar e beber uma água. Fiquei lá por uns 10 minutos e entrei na água novamente para pegar o trecho final. Dali até o Naval foi um pulo. Remei esse trecho final bem satisfeito. Sempre um passo após o outro. Ou melhor, uma remada após a outra.  

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Ondas da Praia do Morcego - Jurujuba

Por Leandro do Carmo 

Ondas da Praia do Morcego


Dia: 17/04/2022
Local: Jurujuba – Praia do Morcego
Participantes: Leandro do Carmo


Relato  

Era domingo de Páscoa. Há pelo menos quatro dias que amanhecia chovendo. Com esse tempo, escalar estava descartado. Então, resolvi que tiraria um dia para dar uma remada. Acordei antes das seis da manhã na sexta e no sábado, mas com a chuva caindo, desanimei de sair. O impressionante era que ia dormir com uma noite estrelada, mas quando acordava, aquele tempo feio.  

Achando que mais cedo ou mais tarde o tempo desse uma trégua, acordei cedo novamente. Dia firme. Apenas chão molhado e algumas nuvens no céu. Tomei café da manhã, arrumei as coisas no carro e segui para a praia de Charitas. Eu costumo sair ao lado do Clube Naval, pois dá para ir de carro até a água e tem bastante lugar para estacionar, sem problemas, mesmo nos dias de sol e praia cheia.  

Arrumei as coisas e fui para a água. Passei pelos veleiros atracados na lateral do Clube Naval e quando olhei para a Ilha da Boa Viagem e vendo as ondas batendo nos costões, lembrei da ressaca que havia chegado na noite anterior. Como ali é bem abrigado, nem sinal de ondas. Nessa hora, lembrei logo das ondas na face norte do Morro do Morcego. Minha ideia inicial era sair no Naval e até a Fortaleza de Santa Cruz, seguindo para a Boa Viagem e voltar pelas praias das Flexas, Icaraí, São Francisco e Charitas.  

Assim que fui avistando a Praia do Morcego ao fundo, já conseguia ver as ondas. Algumas canoas havaianas seguiam bem ao fundo, também na direção do Morcego. Mas alguns minutos de remada e estava bem próximo das ondas. O dia estava bem agradável. Já tinha bastante gente dentro d’água e algumas fora também. Fiquei um pouco distante para poder entender as ondas e onde e com que frequência estavam quebrando.  

Impressionante como uma remada despretensiosa poderia se transformar num grande dia. A Vida vai te dando oportunidades e temos que estar preparados para aproveitar. Sempre tive vontade de dropar nessa onda e hoje estava ali, vendo-as quebrarem bem a minha frente. Estava como uma bolsa estanque dentro do pequeno cockpit do caiaque, quase não tendo espaço para as pernas. Isso me fez pensar como faria para pegar aquelas ondas.  

Revolvi ir até a praia do Morcego e deixar a bolsa lá. Assim teria um pouco mais de conforto. Aproveitei para fazer alguns vídeos e deixar registrado esse dia. Voltei para a água e remei em direção as ondas, me posicionando para pegar as menores. Meu medo era entrar água no caiaque e depois ficar difícil de sair ou remar até a praia, não estava com saia protetora. Mas as ondas menores já foram ótimas. Além de pegar as ondas, também deu para treinar as manobras rápidas, muito importante nessas horas.  



segunda-feira, 20 de junho de 2022

Escalada na Via Leila Diniz e Remada em Itaipu

Leandro do Carmo

Via Leila Diniz e Remada em Itaipu


 

Dia: 07/03/2022
Local: Itaipu
Participantes: Leandro do Carmo, João Pedro, Gabriel Oliveira e Angela


Relato  

Nos preparamos para uma conquista na Ilha do Veado, em Piratininga. O Gabriel e o João já haviam ido algumas vezes. Conquistar uma via já exige uma logística mais elaborada, ainda mais em uma ilha. As vias do local seriam as primeiras do tipo em Niterói, não há relatos de conquista insular na cidade. Para esse dia, levamos um caiaque e um SUP. A conta não bate, somos quatro, temos uma prancha e um caiaque? Os outros dois irão nadando, simples.  

E assim combinamos. Chegamos à Piratininga um pouquinho antes das 5 horas da manhã. Ainda estava escuro. Tudo vazio. Foi só estacionar o carro e pude ouvir o barulho das ondas batendo. Penei logo: “não vai rolar”. Mas para ter certeza, fui com a Ângela dar uma conferida no mar. Fomos pela areia e passamos por alguns pescadores. De perto, deu para confirmar minhas suspeitas: o mar realmente estava forte. As ondas estavam quebrando com força na areia. Voltamos para o carro para esperar o Gabriel e o João, que ainda não haviam chegado.  

Assim que o Gabriel e o João chegaram, pelo barulho das ondas, também sentiram que hoje seria complicado. Conversamos sobre outra possibilidade. A idéia era fazer alguma via. Resolvemos ir para a Leila Diniz, em Itaipu. Seguimos até lá e como estávamos com o caiaque e a prancha em cima do carro, resolvemos deixar um carro num estacionamento fechado, pagando um pouco mais caro, porém garantindo a segurança. Deixei meu carro no estacionamento em frente à praia. Separamos o equipamento e seguimos para a base da via.  

A praia estava vazia. Deu para ver um grupo de pescadores puxando uma rede e lembrei-me da minha infância quando via com mais frequência esse tipo de pesca artesanal na região. O dia estava completamente aberto. Por esse lado aqui de Itaipu, nem sinal de ondas. O mar estava um tapete, bem diferente das condições de Piratininga. Agora não tinha jeito. Já na base, nos arrumamos e o Gabriel e a Ângela saíram para primeira cordada. Eu e o João seguiríamos em seguida.  

O João subiu rápido e fui logo em seguida. Como de costume, a primeira enfiada fica com bastante areia da praia. O crux da via está nesse trecho, mas com agarras bem sólidas. Subi rapidamente e logo cheguei à parada onde o João estava. Resolvemos subir à francesa na próxima e fui até acabarem as costuras, mesmo pulando algumas proteções. Avançamos bem e o João veio logo em seguida. O Gabriel e a Angela estavam na mesma tocada, subindo quase juntos a nós.  

Montei a parada e o João veio logo em seguida. Como estava com as costuras, subiu direto, tocando pra cima. A vista estava impressionante. A cor da água surpreendia. Era um tom de verde que nos fazia parecer estar na Ilha Grande. Em vários trechos do costão do Morro das Andorinhas podíamos ver as pedras do fundo. Ainda estávamos na sombra, mas o sol já dava sinal que apareceria a qualquer momento.  

O João tocou, parando mais acima. Subi logo em seguida. E fomos assim até o final da via. Já no platô, o sol chegou tranquilo. Fizemos um lanche e apreciamos a vista, que por sinal, continuava fantástica. Até foi melhorando, na medida em que o sol batia, dando um contraste com aquela água clara, parecendo uma pintura. Meu medo era ter bastante capim na saída, estávamos no verão e, geralmente, ali fica complicado. Dei uma volta e parecia que não seria tão ruim assim. Guardamos todos os equipamentos e começamos a saída. Até que foi mais fácil do que imaginava. Atravessamos o trecho, praticamente em linha reta e logo estávamos na trilha do Morro das Andorinhas.  

No caminho de volta, resolvemos dar uma remada. Pensamos na possibilidade de alugar algum caiaque duplo para que todos pudessem remar. Deixamos os equipamentos de escalada no carro e fomos até a praia procurar alguém que tivesse alugando. Conseguimos achar um e voltamos ao carro para pegar os equipamentos. Não foi tão fácil passar com a prancha pela areia. A praia já estava lotada. Entrei no mar e aguardei o João, Gabriel e a Angela. Nossa idéia iniciar era ir até a Ilha Mãe.  

A água estava mesmo fantástica, corroborando com a impressão que tive lá de cima. A temperatura estava bem agradável, apesar do sol forte. Mas, não deixei de passar protetor solar e colocar uma camisa manga comprida com proteção UV, além de um boné, é claro. Fomos costeando o Morro das Andorinhas. Eu já fui muitas vezes ali, mas hoje foi um dia daqueles na qual poderíamos classificar como inesquecíveis. Nem acreditava que estava em Itaipu. Remamos até um pouco depois da Ilha Menina, onde percebemos um vento mais forte. Optamos por ficar por ali.  

Voltamos bem devagar, curtindo esse dia espetacular. Difícil foi conseguir atravessar a praia lotada. Uma aventura a parte. Mas até que o improviso deu certo. Mas será que foi melhor do que o programado? Essa resposta nunca terei...