segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pedra do Sino - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Pedra do Sino
Local: Teresópolis – Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Data: 25 e 26 de maio de 2013

Participantes: Adriano Paz, Rachel, Leandro do Carmo e Leonardo Carmo

Dicas: O pagamento das taxas, abrigo, camping, entre outros serviços do parque, podem ser feitos no site: www.parnaso.tur.br. A subida é longa devido as curvas de nível, porém a torna menos pesada, cerca de 11km. Encontra-se água em abundância no caminho. A trilha é bem marcada e não há bifurcações que podem confundir, apenas algumas saídas que se vê claramente que não é a trilha principal. No inverno a temperatura pode chegar fácil a 0º. Opção de banho quente no Abrigo 4. Levar lanterna, principalmente se for fazer um bate e volta.

Relato

Passei a semana monitorando o tempo. Previsão de chuva na quinta e na sexta, sábado e domingo, tempo nublado, não chove. Pegar chuva, com esse frio, não estava nos meus planos. Tinha programado de fazer o Sino num bate e volta num único dia, mas surgiu essa oportunidade do pernoite, então resolvi fazê-lo como um treino para a Travessia Petrópolis x Teresópolis que pretendia fazer em breve.

“O primeiro registro conhecido de ascensão à Pedra do Sino é a expedição do botânico escocês George Gardner, em abril de 1841. Gardner estava fascinado pela paisagem da serra e se propôs a conquistar seu ponto culminante então conhecido, a Pedra do Assu. No entanto, ao chegar próximo ao cume, foi possível avistar a mais elevada Pedra do Sino. Gardner então mudou seu trajeto seguindo trilhas abertas por antas, animal então ainda abundante nos campos de altitude, e chegou ao cume da Pedra do Sino no dia 11 de abril de 1841 (Gardner, 1942).”

Definida a missão, foi decidir o que levar. Entre roupa, barraca, saco de dormir, comida, etc., foram 9,5 km na mochila. Pensei que tivesse exagerando nas roupas, mas no final das contas, vi que foram extremamente necessárias! Levei duas calças, dois casacos, 4 pares de meia, anorak, luva e toca, além da capa de chuva.



Marquei com o Adriano no sábado, às 07:00. Depois de um pequeno atraso, iniciamos a viagem, mas não tínhamos muita pressa... A viagem foi tranquila, seguimos pela Niterói-Manilha, Magé e pegamos a serra. Chegamos na portaria do parque por volta das 09:15. Seguimos os procedimentos burocráticos e subimos até o estacionamento, na pousada. De lá, até o início da trilha, caminhamos +/- 1km. Na represa, onde marca o início da trilha, enchemos as garrafas de água e aproveitei para dar uma amarrada no saco de dormir que ficou pendurado na mochila do meu irmão. Algumas fotos para registrar o momento e iniciamos a subida às 09:15.

No começo, fomos conversando bastante, mas aos poucos, as conversas foram diminuindo. De vez em quando dava uma esticada, e mais a frente diminuía o passo para caminhar junto com o grupo. A trilha inicial tem muita pedra pequena no chão e fica bem chato caminhar. Fomos subindo e chegamos ao ponto onde era o Abrigo 1. Uma pedra a direita da trilha, de onde observa-se uma pequena gruta. O Abrigo1 era uma simples loca de pedra, com um pequeno puxado na face, coberto de telhas de fibro cimento, e dotado de um fogão de lenha. Não dispunha de água encanada, banheiro ou qualquer conforto, nem guardas ou vigias. Foi desmontando e hoje só se vêem pequenos indícios de construção.


Ao longo da trilha, sempre escutamos o barulho das águas, que nos acompanha durante toda a subida e até cruzamos pequenos rios em alguns pontos! Num desses pontos, acima do antigo Abrigo 1, nos deparamos com a primeira cachoeira, a Véu da Noiva, isso às 10:48. Até comentamos que em todo lugar existe uma cachoeira que se chama Véu da Noiva! A primeira parada, com 1h 03min de subida. Um rápido lanche, água e um pequeno descanso para recuperar as baterias.

Atravessamos o rio com cuidado para não molhar o tênis. Deixando a cachoeira para trás, seguimos trilha acima. Sempre naquele incansável zig zag... Por vezes, parava para tentar identificar um pássaro que tinha um canto incomum, mas sem sucesso, talvez pelo tamanho. Como o local é rico em água! A todo momento, pequenos filetes de água cortavam a trilha e muitos casos, a transformavam em grandes poças de lama. Cuidado redobrado para não afundar o pé. Bem que falaram do zig zag da trilha... Quase toda ela seguindo as curvas de nível, o que facilita a subida, porém aumenta a distância.

Mais subida e chegamos à Cachoeira do Papel, às 11:47 e paramos para encher as garrafas d’água e seguimos caminhando. Passamos pelo lugar onde ficava o Abrigo 2. Fácil identificar por uns canos de ferro no chão da trilha, durante alguns metros. O Abrigo 2 era o mais confortável e luxuoso. Acomodava 20 pessoas em dez beliches com colchões e cobertores. O abrigo tinha baldrames de alvenaria e o piso do banheiro e da cozinha eram cimentados, mas o piso do salão era de terra batida. Ali perto, fica o início da trilha conhecida com “Passagem da Neblina”, numa saída bem visível à esquerda de quem sobe. Lá, decidimos que a próxima parada seria no antigo Abrigo 3.

Seguindo trilha acima, passamos por um ponto onde as árvores, visivelmente, diminuíram de tamanho, cheguei até comentar, pensando que já estava chegando... Mas nada, faltava muito ainda! Enfim uma clareira! Um lugar bem amplo, deve ser o Abrigo 3! Esperei alguns minutos até o Adriano chegar e confirmei minha suspeita! Era 13:10. O abrigo 3 teve três versões: a primeira era de taipa, sem alicerces, com cobertura de sapé, estrados com colchões e fogão a lenha; a segunda era de taipa “melhorada”, com alicerces de alvenaria e cobertura de telhas de fibro cimento, beliches e cobertores; a terceira foi um aperfeiçoamento da segunda, com substituição da taipa por blocos de cimento e melhoramento da cozinha. Tempos depois, foi demolido e os restos levados de volta para não poluir o local. Descemos alguns metros, numa saída à direita, até um mirante, de onde dava para ver a cidade de Teresópolis. Como estava muito nublado, vimos pouca coisa, mas já tinha noção de como seria a vista lá em cima. Depois de algumas fotos, voltamos ao ponto do Abrigo 3 e “almoçamos”.

Dali para cima, não programamos mais nenhuma parada. Seguiríamos até o Abrigo 4. Fomos subindo num rítimo constante, onde passamos por uma pedra grande à direita e paramos numa que fica no meio da trilha. Aguardamos o Adriano e Rachel e quando eles chegaram, nos falaram que ali era a Cota 2000,  ponto onde marca a altitude de 2.000 metros. Faltavam apenas 263 metros!!! Ah se fosse tão fácil assim! Um pouco a frente de onde estávamos, numa saída à esquerda, segue o caminho para a Agulha do Diabo, um dos meus grandes sonhos! Mas essa vai ter que ficar para um próxima...

Caminhamos e paramos para encher novamente as garrafas. Descemos numa pequena queda d’água, a esquerda da trilha e nos reabastecemos. Novamente na trilha, seguimos em direção ao nosso destino. O tempo cada vez mais fechado, com nuvens muito baixas, frustrou toda minha expectativa de ter uma vista cinematográfica. Mas seguimos sempre com bom humor, afinal de contas, a experiência de estar ali, já contava bastante.

A característica da vegetação mudou. As grandes árvores deram lugar a uma vegetação de pequeno porte. A mudança era muito visível! Um pouco parecida com a do Pico das Agulhas Negras, região de Itatiaia. De longe, já avistávamos o Abrigo 4. Só mais alguns metros e estaríamos lá!

Chegamos! Era 15:10. Fomos muito bem recebidos pelo guarda-parque. Depois de 5h 25min, estávamos no nosso destino. Uma pequena pausa para descansar e começamos a montar as barracas. Tudo pronto às 15:47. O termômetro do Abrigo marcava 9ºC. Nem tão frio assim, mas talvez devido ao cansaço senti  um pouco mais. Depois da barraca montada, arrumei tudo dentro dela, comi um sanduíche e fui tomar meu tão aguardado banho quente. Ainda esperei um pouco, até conseguirem colocar o aquecedor para funcionar. Já estava quase desistindo, quando chegou minha vez... Foram 5 minutos de felicidade!!! Terminando, já meti logo o agasalho e o frio foi passando.

Um luxo ter água quente! Mas nem sempre foi assim... O Abrigo 4 teve duas versões: a primeira muito semelhante ao Abrigo 3, versão 1 (taipa sem alicerces, fogão a lenha, estrados, colchões); a segunda em madeira serrada, com alicerces que ainda persistem, com beliches. Nunca teve água encanada ou banheiro. A água provinha de uma bica em nível mais baixo. Na primeira versão havia um cômodo anexo, de uso da administração, que o cedia a visitantes, autoridades e excepcionalmente a excursionistas, quando o abrigo estava lotado.

Depois que todos estavam de banho tomado, ou quase todos... né Leonardo Carmo????? Resolvemos ir à Pedra do Sino. Subimos uns 20 minutos e lá estávamos: 2.263 metros! Pena que o tempo não ajudou. Não dava para ver muita coisa. Mas de vez em quando, as nuvens davam uma brecha e a beleza se mostrava, mas rapidamente tudo se fechava de novo. Dava para ver uma pontinha do Dedo de Deus, o Dedo de Nossa Senhora, o Escalavrado e quase nada mais.

Começou a escurecer e resolvemos descer. Acendi a hedlamp e voltamos até ao Abrigo. Fui preparar a
janta. Foi bem rápido. Aproveitei uma panela com água quente e coloquei no macarrão instantâneo e mandei pra dentro. O Frio estava tenso! Combinei com meu irmão a hora de acordar, pois tínhamos que sair bem cedo no dia seguinte, era aniversário dele e não poderíamos nos atrasar para o churrasco! Coloquei o celular para despertar às 5 da manhã. Não eram nem 7 da noite e já estava deitado. Entrei no saco de dormir e fui até o dia seguinte. De vez em quando acordava com algum barulho. Quando tentava me mexer, sentia o saco de dormir gelado. Não dava para mudar de posição.

Por volta das 4:30, a movimentação no abrigo começou. Geralmente nessa hora o pessoal começa a levantar para se preparar para ver o nascer do sol lá do alto do Sino. O grande momento de quem dorme lá. Mas não seria dessa vez que eu o veria, ficaria para a próxima! Ás 04:40, levantei e não acreditei quando olhei para o céu: todo estrelado! A lua, tão clara e iluminada, que fazia sombra nas barracas. Parecia uma lanterna gigante!

Levantamos acampamento em tempo recorde. Foi um problema colocar a mão na capa da barraca, por pouco não congelou! rs... Coloquei tudo na mochila. Quando terminei, a mão doía... Coloquei a luva e comecei a esfregá-la para tentar aquecer e aos poucos foi voltando ao normal. Calcei o tênis com 3 meias, pois ele estava muito gelado e meu pé, bem quente e confortável. Tomei um guaraná natural quase congelando que ficou numa garrafa dentro da barraca e às 5:10, começamos a descer. A temperatura era de 2ºC. Tudo escuro ainda. Seguimos caminho.

Depois de uns 20 minutos num rítimo forte para aquecer, tive que tirar duas meias, pois o tênis estava apertando. Comentei com meu irmão que pelas minhas contas, certamente encontraríamos o primeiro grupo subindo, lá na Cachoeira do Véu da Noiva, pois o Parque só permite a entrada a partir das 6 da manhã. E quem sabe não seria o Collares?

Decidimos que tomaríamos café da manhã lá no mirante do antigo Abrigo 3 e assim poderíamos ver o sol nascendo. Descemos rápido e chegamos lá às 06:09. Fomos direto para o mirante e batemos algumas fotos. Não foi como se estivesse lá do Sino, mas dali a vista já era fantástica. Valeu a pena todo o esforço para estar ali. Comi um sanduíche e bebi um suco. Mais alguns minutos e começamos a descer novamente.

E conforme eu havia previsto, encontramos o primeiro grupo subindo justamente na Cachoeira do Véu da Noiva e nenhum sinal do Collares. Fomos descendo e nada. Quando as pedras começaram na trilha, vi que já estávamos no final. Pronto! Chegamos! Era 07:48. Fui até a represa bater algumas fotos e começamos a descer até o estacionamento e quando chegamos no carro, às 07:57, o Collares estava chegando também. Nos cumprimentamos e seguimos viagem. Ainda paramos para o tão esperado café da manhã, lá no paraíso das plantas e fiquei impressionado com vista para o Dedo de Deus. Nenhuma nuvem, nada que pudesse atrapalhar a vista. É claro que parei para fazer algumas fotos...

Missão cumprida! Até a próxima!













Um pouco da história...






7 comentários:

  1. Boa Leandro! Vou fazer o sino agora em agosto.

    ResponderExcluir
  2. Muito bom, já fiz essa caminhada e acampamos por um dia lá em cima, mas acampamos lá na "cabeça" da pedra, que merda ! uhauhaua Se saísse da barraca o vento levava, e estava uma friaca sinistra !!!

    Vou achar as fotos !

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Aqui tem o relato e fotos, nós fomos em fevereiro, aqui embaixo um calor danado e lá em cima eu não acreditei que faria tanto frio e me ferrei ! hehehe

    http://www.digiforum.com.br/viewtopic.php?t=28894&sid=cedc1fc44740810261436444a702faef

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As fotos ficaram otimas! O Sino é fantástico, pena que no dia que fui o tempo não ajudou. Abraço.

      Excluir
  5. Para fazer essa trilha precisa de guia? O trajeto é bem sinalizado?

    ResponderExcluir

Comente aqui.