terça-feira, 31 de julho de 2012

Pico das Agulhas Negras - Parque Nacional do Itatiaia

Pico das Agulhas Negras - Parque Nacional do Itatiaia

Duração: O dia inteiro
Nível: Médio

Local: Parque Nacional do Itatiaia

Data: 21/07/2012

Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Guilherme Belém, Emerson Mondego e Antônio Jorge

DICAS: Caminhada de nível médio, dura o dia inteiro; contratar um guia pode ajudar; muito frio no inverno, chegando a formar gelo nas poças d’água;  há possibilidade de pernoitar próximo (contactar parque antes).


Há muito tempo atrás, conheci um cara que me disse que havia subido o Pico das Agulhas Negras e de lá para cá isso não saiu da minha cabeça. De vez em quando eu lembrava da história e ficava pensando como fazer para chegar lá.

Depois de muita pesquisa, decidi que essa seria a hora. Com a internet fica tudo mais fácil... Fiz contato com alguns guias credenciados do parque, além das pousadas. Como não conhecia nada na região, as dúvidas aumentavam. Em maio, troquei alguns e-mails com a guia Giane Carvalho, na qual me indicou a Pousada Bululu, que ficava em Itamonte - MG, 15 km depois da Garganta do Registro.

Acertado o guia e a pousada, era hora de saber quem gostaria de ir. Passada qual seria a aventura, logo surgiram participantes. O Guilherme, Jorginho e Leka logo toparam a idéia. Depois entraram Emerson, amigo de Guilherme e João.

Marcamos para sair as 08:30 da manhã do dia 19, uma sexta feira. No dia e hora marcado, estávamos todos, exceto o Emerson, amigo de Guilherme. O Guilherme tentou contato com ele durante a semana e nada. Resolvemos partir assim mesmo. Às nove, partimos. Paramos para abastecer e seguimos viagem. Quando estávamos chegando na Dutra, o Emerson ligou para o Guilherme. Como já estávamos no caminho, ele foi sozinho de carro, não queria perder essa aventura. Ainda pensei: “se esse cara aparecer, ele vai ser o mais guerreiro!!!!”

A viagem foi super tranquila, paramos no começo da Rio-Caxambu para almoçar e continuamos viagem. A beleza da vista ia aumentando a cada quilômetro percorrido. A estrada é bacana, uma hora estamos em São Paulo, outra no Rio e depois em Minas!!! Passamos pela Garganta do Registro e depois de 15 Km, estávamos na Pousada do Bululu. Fomos até o centro de Itamonte e compramos alguma coisa para comer. Quando estávamos voltando, quem aparece: O Guerreiro Emerson!!!! Ele falou que essa não poderia perder!!! Voltamos e passamos o final do dia na pousada. O frio era de mais, tentamos ainda dar um mergulho no rio, mas parecia que água saía da geladeira. A sauna aqueceu um pouco. A noite, a sinuca ajudou a passar o tempo.

Às sete da manhã do dia seguinte, já estávamos tomando café. O guia Rafael Fernandez chegou pontualmente. Conversamos um pouco sobre a trilha, nos arrumamos e partimos em direção a entrada do parque. Já no Posto Marcão, assinamos o termo de responsabilidade e pagamos a entrada. Levamos os carros até um pouco mais a frente e começamos a caminhar.

O frio da noite anterior já havia mostrado a sua força e já sabíamos o que pegaríamos pela frente. O frio era forte e alguns metros a frente a primeira poça d’água congelada. Era novidade para mim. Mais alguns passos, outra. E assim foi até o Abrigo Rebouças. A cada metro, esquecia do frio e ficava encantado com a paisagem. A vegetação rasteira de altitude predomina no local, com isso temos uma ampla visão de tudo ao nosso redor.


No Abrigo Rebouças, bebemos bastante água e reabastecemos as garrafas. No caminho, senti que o João estava ficando para trás. Até o abrigo, caminhamos pela estrada. Dali para frente, entramos na trilha, bem demarcada por sinal. O pessoal foi seguindo na frente e fui fincando para trás, esperando o João. Chegou um momento que percebi que não dava para ele continuar. Dei a idéia dele ficar e voltar até o abrigo, lá teria água e poderia descansar. E assim ele fez. Continuei sozinho e avistei o pessoal lá no alto. Apertei o passo e logo cheguei ao grupo. Começamos realmente a subir!!!

A medida que íamos subindo, as placas de gelo começaram a aparecer com mais frequência. O frio, nem preciso falar... O Fernandez conversou com o pessoal do abrigo que lhe disse que fizera –11°C, isso mesmo, -11°C, na madrugada. Dá para acreditar???? Na subida, passamos por pedras, alguns pequenos córregos e muita lama. Cruzamos com pelo menos uns quatro grupos que saíram na frente. Estávamos num ritmo bom. Era melhor acelerar e chegar tranquilo, assim poderíamos curtir bastante lá em cima. De um mirante, dava para ver bem longe o João, ainda no ponto onde havia ficado. Tinha que ter olhos de ave de rapina para avistar aquele pontinho preto!!!

Chegamos a um ponto onde o pessoal costuma usar corda para subir. Mas estava cheio, a fila era grande. O Fernandez fez um outro caminho. Subimos à direita e contornamos esse ponto. Ganhamos tempo e o caminho feito foi muito mais bonito. Mais pontos para o nosso Guia!!!! Dali para cima foi um trepa-pedra. O sol não batia, o que tornava a pedra muito gelada. Já tinha tirado a luva para dar mais firmeza nas mãos. Os dedos começaram a doer, mas era melhor, dava mais pegada.

Estávamos cada vez mais alto, o vento começou a apertar. Porém chegamos a um ponto onde o sol batia. Nesse lugar, a pedra estava mais quente. Minha mão já não doía tanto. Passamos por fendas, buracos e pequenas chaminés. Com o auxílio de uma corda, subimos mais um pouco. O vento ficou mais forte, o frio também aumentou, apesar do sol.

Mais um pouco de subida e estávamos no cume. 2.2791,55 metros de altitude. Dia lindo, céu azul, visão 360 graus!!!! Foi uma sensação indescritível. Dezenas de pessoas já estavam lá. Arrumamos um local para ficar, sentamos um pouco para apreciar a vista. Lanchamos e batemos muitas fotos. Todo mundo satisfeito. Chegamos lá!!!!!

Achei uma concavidade na pedra onde o vento não era tão forte e foi lá que fiquei, apreciando a vista até a descida. Ficamos ainda trocando uma idéia até que resolvemos descer. O caminho era longo, mas tudo valia. Na descida, para ganhar tempo, montamos um rapel de mais ou mentos trinta metros. Afinal de contas, o Emerson e o Guilherme não revezaram o carregamento de uma mochila pesada a toa... Leonardo e Jorginho desceram pela via normal, nas cordas que o Fernandez já havia colocado. Chegamos tranquilo e tocamos para baixo. Aí foi só alegria... O pior já tinha passado. Eram três horas da tarde e ainda tinha gelo no caminho. O Fernandez e Jorginho acharam uma placa de gelo enorme e pararam para bater algumas fotos. Seguimos na frente. A media que íamos descendo, o vento ia diminuindo e o frio abaixando. Era hora de tirar um casaco. Mais um pouco de caminhada, chegamos ao Abrigo Rebouças. Mais uma pequena pausa para descansar e recarregar as baterias!!! Olhávamos para o alto e já dava saudades... Procuramos o João e ele já não estava mais lá. Deveria ter voltado até o Posto Marcão.
Enfim terminamos, estávamos cansados, porém felizes. Chegar lá foi de mais!!!! Valeu todo o frio, todo o peso carregado na mochila, todo centavo gasto, etc.

Depois de tudo, era hora de agradecer ao Rafael Fernandez, o guia mais casca do parque!!!!!

Voltamos até a pousada, aí era hora de outra aventura, mas essa não muito boa: voltar dirigindo pra casa...


Até a próxima!!!!







6 comentários:

  1. Parabéns Leandro, me deu até vontade de voltar por aquelas bandas. Agora tu tem que ir pra Prateleiras, do outro lado! Bjs.
    Cintia Daflon.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Cíntia!!! O lugar é fatástico mesmo. A vontade de voltar é grande.

      Um abraço.

      Excluir
  2. Oi Leandro...curti demais seu blog e espero que vcs voltem logo para fazer outras aventuras no PNI...

    ResponderExcluir
  3. Valeu Giane. Com certeza voltaremos!!!

    Um abraço.

    ResponderExcluir
  4. Precisamos reunir essa galera novamente! Deu saudade, e o corpo está com crise de abstinência de aventura! Abraço moleque!

    ResponderExcluir
  5. Acabei de postar o vídeo, ficou show!!!!

    ResponderExcluir

Comente aqui.