quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Pedra do Picu - Escalada na Via do Naval

Por Leandro do Carmo

Via do Naval – Pedra do Picu

Data:
Participantes: Leandro do Carmo, Blanco P. Blanco, Gustavo Chicayban, Sandro Costa, Vander Silva e Suzana Heiksher

Como Chegar a Pedra do Picu


Existem dois acessos para chegar à Pedra do Picu. Um, fica Fazenda Velha, distante uns 18 km do centro de Itamonte. O outro, na qual utilizamos, fica no bairro Engenho da Serra, onde fica a fábrica de água mineral Engenho da Serra.

Curiosidades sobre a Pedra do Picu


A Pedra do Picu foi um marco de referência para os colonizadores da região, que a descreveram como uma barbatana de tubarão, que é visualizada desde a BR 354. É a responsável pelo nome de Itamonte que em tupi significa ITA= pedra , ou seja, Pedra no Monte. Não se encontra dentro dos limites do Parque Nacional do Itatiaia, mas é protegido por lei através da APA da Mantiqueira.

Hospedagem na Região: http://www.picus.com.br/

Vídeo da Escalada na Via do Naval - Pedra do Picu


Relato da Escalada na Via do Naval - Pedra do Picu


Ainda lembro a primeira vez que vi a Pedra Picu. Passando pela BR 354, avistei aquela curiosa formação rochosa. Seu formarto, parecendo uma barbatana de tubarão, é um espetáculo a parte. Mas foi quando fiz a Serra Fina pela primeira vez em 2013 que realmente me despertou o interesse em poder escala-la. A partir daí, toda vez que frequentava a região, surgia o assunto da escalada na Pedra do Picu. Mas como fica bem distante, precisaria de um final de semana para realizar essa ascensão.

Enfim, havia chegado a oportunidade. O Blanco havia proposto a escalada para o final de setembro. Não hesitei. Faltava apenas acertar a logística da viagem. Quem pode foi antes. Eu saí por volta das 20:30h. A viagem foi rápida e tranquila. Ainda encontrei o Sandro e a Suzana no Graal de Itatiaia. Chegamos ao Hostel Picus por volta das 24h. Armei minha barraca e dei uma organizada rápida nas coisas e fui dormir.

No sábado de manhã, acordei cedo. Fui tomar o café da manhã e arrumar o equipamento para a escalada. O dia estava ótimo. Firme e aberto. Não fazia frio nem calor, enfim, perfeito. Aos poucos, todos foram chegando. Acertamos os últimos detalhes e seguimos para o início da trilha, que fica próximo a fábrica de água mineral Engenho da Serra. Lá, estacionamos o carro e seguimos para a caminhada.

A localidade onde fica o início da trilha é bem legal. Um conjunto de casas bem aconchegantes e com aquele clima de interior. Pegamos informação a respeito do início da trilha com um senhor que passava na hora. Ele nos indicou para onde deveríamos ir e deu ainda algumas importantes informações sobre a trilha. E dali, começamos a caminhada. Subimos e num determinado ponto, antes de um sistema de capitação de água, pegamos uma discreta saída para direita, onde chegamos a uma cerca. Passamos por ela e seguimos subindo num pasto.

Já conseguíamos ver a Pedra do Picu bem no alto, se destacando de maneira imponente. Impossível não parar e tirar uma foto. Fomos até o final onde o pasto vira um caminho mais largo que vai estreitando até chegar a uma cerca. Nesse ponto, viramos à direita e seguimos andando num caminho bem tranquilo. A subida estava bem suave. Mais acima alguns trechos mais fortes até que chegamos a um ponto de água e mais acima uma placa indicando 700m. Pensamos: “Agora vai ser moleza, são só 700 metros.”  Mas estávamos enganados. E esses 700 metros pareceram uma eternidade...

Foi um trecho forte, mas havíamos chegado. Demos uma pausa e fomos contornando a pedra no sentido anti horário, como indicado no Guia de Itatiaia. Mais algumas subidas e descidas e chegamos à base da via. Pela descrição que continha no guia, era ali. Nos equipamos e dividimos as cordadas. Numa, estava o Blanco, Vander e Gustavo; na outra, eu, Suzana e Sandro. A cordada do Blanco saiu à frente. Eu comecei logo depois.

Subi reto num lance de pequenas agarras e sem proteções, mas bem tranquilo. Protegi num buraco, passando uma fita numa coluna de pedra. Dali, segui numa horizontal para a esquerda, já passando por algumas proteções até chegar ao lance do primeiro crux. Uma passada bem bonita, onde desce um pouco e atravessa uma calha. As agarras são boas, mas precisa entrar bem. Passei rápido e cheguei à parada, onde ainda estava o Gustavo. Logo em seguida veio o Sandro. Nesse lance ele deu uma bobeada e caiu, mas voltou logo e completou. A Suzana veio em seguida e no mesmo lance do Sandro ela também teve uma queda, só que como ela já havia tirado a costura da frente, a queda foi um pouco maior. Isso fez a adrenalina subir...

Depois de passado o susto, ela se posicionou e chegou à parada. Subi até a próxima, fazendo um esticão curto para parar antes do artificial. O Sandro veio logo atrás e em seguida, a Suzana. Ela resolveu não continuar. A queda havia abalado o psicológico e como a parada era bem confortável, resolveu nos esperar ali. Faltava pouco para finalizarmos. O dia continuava perfeito com um céu azul e pouco vento. O Vander se enrolou um pouco no artificial, o que nos fez atrasar, mas nada que comprometesse a escalada. Assim que o Gustavo subiu o artificial, eu iniciei minha subida. Subi até chegar a sequência de chapeletas. É um artificial AO, um 5° feito em livre. Apesar da verticalidade do trecho, existem boas agarras. Vencido o lance, saí para a esquerda numa pequena horizontal, mas bem interessante, seguindo para cima até a parada dupla. O Blanco já havia subido.

Dei segurança ao Sandro que subiu rápido. A última enfiada foi muito tranquila, quase uma caminhada. No cume, o visual era fantástico. Com dia aberto, o limite era o horizonte. Fizemos um lanche e preparamos nosso tradicional café no cume. Batemos várias fotos, afinal de contas queríamos registrar cada momento, cada vista....

Era hora de descer. Nos arrumamos, dividimos as cordas e seguimos para os dois rapeis de quase 60 metros. Já na base, foi pegar o caminho de volta, mas pra baixo... Todo santo ajuda...












2 comentários:

  1. Parabéns...seus relatos sāo francos e realistas, transmitem uma sensaçāo de emoçāo sem perder a responsabilidade. Bela experiência!

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