quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Travessia Cobiçado x Ventania

Por Leandro do Carmo

Travessia Cobiçado x Ventania

Data: 14/12/2018
Participantes: Leandro do Carmo, Alex Figueiredo, Fernando Silva e Leandro Pestana

Vídeo

A travessia Cobiçado x Ventania é uma das trilhas mais bonitas da Região Serrana. É o segundo trecho dos Caminhos da Serra do Mar, a caminhada corta a crista das montanhas que dividem as cidades de Petrópolis e Magé.

São 12 km de trilha e a parte mais exigente é a forte subida do Morro do Cobiçado, depois a trilha segue mais leve até o Pico dos Vândalos (1.742 m de altitude), ponto culminante da travessia. De lá podemos apreciar o visual de toda a Baía de Guanabara e da cidade Maravilhosa em contraste com as montanhas da Serra.

O destaque vai também para a flora da região, localizada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, rico em biodiversidade, durante a travessia é possível observar espécies de rara beleza, como as orquídeas e as amaryllis que, dependendo da época do ano, são vistas em abundância na trilha. Afinal, o PARNASO abriga a maior porção remanescente de Mata Atlântica preservada.

O terceiro cume, a pedra do Diabo, não é de passagem obrigatória. Normalmente, os caminhantes contornam a base da montanha. No entanto, o visual do topo é recompensador de onde se tem uma vista privilegiada da Agulha do Itacolomi.

Passamos ainda pelo morro do Tridente com uma bela vista para o vale do Caxambu e em seguida descemos para o Alto da Ventania. Avistar os Castelos do Açu, o Pico Grande de Magé e  o Alcobaça são também atrativos dessa trilha e fecham o último cenário da travessia.

A descida é bem tranquila e retorna ao bairro do Caxambu, passando ainda por cachoeirinhas e plantações que são o destaque da região.



Relato

Recebi o convite do Alex Figueiredo para a Travessia Cobiçado x Ventania e como estava de férias, não resisti ao chamado. A travessia é o segundo trecho da trilha de longo curso “Caminhos da Serra do Mar” que corta, por enquanto, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Marcamos de sair cedo de Niterói. Como haveríamos de pegar a ponte Rio x Niterói no horário de “rush”, não poderíamos deixar para muito tarde. Saímos tranquilos e com trânsito bom. Encontramos o resto do grupo já na rodovia Washington Luiz, na Casa do Alemão. Aproveitamos para reforçar o café da manhã. De lá seguimos caminho para Petrópolis.

Nosso destino era o bairro de Caxambu, especificamente na Igrejinha de Três Pedras. Lá deixaríamos o carro e iniciaríamos a caminhada. Chegando à Petrópolis, cortamos o centro da cidade e começamos a subir umas ruas bem estreitas, características da região. Passamos por casas bem humildes até entrar na área rural, onde as plantações de hortaliças se destacam na paisagem. Apesar de já termos visto a Igreja, e do GPS apontar o caminho, optamos por perguntar a uma senhora que passava próximo: “O Caminho para o Cobiçado é por aqui?” Ela respondeu: “É aqui sim. Mas é bem lá no alto!” Apesar da resposta desanimadora, pelo menos para ela, ficamos contentes de termos que abandonar o carro e começarmos a caminhada, afinal de contas, estávamos lá para isso.

Fizemos os ajustes finais e logo começamos a andar. O início é por uma rua bem precária. Fomos subindo e passamos por algumas propriedades produtoras de hortaliças. Ao final da estrada, o caminho mais óbvio é seguir reto, mas devemos dobrar à esquerda, seguindo um muro e uma rua de barro, que vai se estreitando mais à frente. Bem ao final do muro, há um FORD antigo, que pelo estado deplorável, permanecerá por ali por muito tempo. Alguns pararam para fotos e seguimos andando. O tempo estava bem fechado e apesar do calor dos dias anteriores, poderíamos até pegar uma chuva.

Mais um pouco de subida e chegamos a uma placa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos indicando o início da travessia. Paramos para mais algumas fotos e continuamos a subida. Cortamos alguns cursos d’água e fomos ganhando altitude aos poucos, até que a subida inclinou consideravelmente. A subida cobrava seu preço. O dia estava bem encoberto. Pelo menos o sol não castigava. Mais alguns minutos e estávamos no cume do Cobiçado, estávamos a 1.678 metros

Ali, fizemos nossa primeira parada. Não conseguíamos ver muita coisa. As nuvens estavam baixas e de vez em quando avistávamos alguma coisa bem ao fundo. Nesse ponto, a vista deveria ser um espetáculo. Seguimos caminho. Descemos um pouco e pudemos observar a crista ponde passaríamos, com o Picos dos Vândalos, bem a nossa frente, um pouco distante ainda... Depois da descida, veio mais uma subida. Seguimos assim até o Pico dos Vândalos. Fizemos mais uma parada e pudemos ver um pouco mais além. As nuvens haviam dado uma trégua... Até agora, havíamos caminhado bem. O dia estava bem agradável. O Pico dos Vândalos é ponto mais alto da travessia, com 1.710 metros. Fizemos mais uma parada.

Avisei que iria mais rápido, pois queria passar na Pedra do Diabo antes. A travessia não passa por ela, é preciso desviar e subir. Já que estava ali, aproveitei para subi-lo. Desci na frente, num ritmo bem forte e rapidamente contornei a Pedra do Diabo e achei o desvio para subi-la. A caminhada é curta e não compromete a travessia. Se o dia estivesse limpo, teria sido um espetáculo. Com tudo fechado, nem fiquei muito tempo lá em cima. Na volta, vi o grupo um pouco mais a frente e acelerei o passo até encontra-los novamente.

Dali chegamos ao Tridente, somente alguns metros mais baixo que a Pedra do Diabo, com 1.682 metros. Continuamos a caminhada e seguimos por uma forte descida até chegar a uma área bem aberta, antes do Ventania. Paramos para algumas fotos e seguimos andando. Faltava pouco para chegarmos ao Ventania. De longe podíamos ver umas pedras e as torres de transmissão de energia. O caminho que serpenteava rumo ao final da travessia, também ficara bem visível.

Mais alguns minutos e está vamos ao sopé de uma das torres. Ali paramos para um descanso. Nesse ponto, temos acesso à parte da travessia Caxambu x Santo Aleixo. Fui seguindo uma trilha bem definida até um mirante. Mas foi impossível ver alguma coisa. O tempo encoberto não me permitiu... Após algumas fotos, seguimos descendo, sempre acompanhando as torres de transmissão. Já chegando ao final, paramos para um delicioso banho num dos córregos da região. Uma parada obrigatória depois da caminhada.

Depois de uma boa descansada e um bom papo, seguimos caminho. Foram poucos metros de trilha, até chegarmos uma estradinha de terra. Dali seguimos descendo. Existiam algumas marcações de setas nos postes, indicando o sentido do “Caminhos da Serra do Mar”. Mais alguns minutos e chegamos ao ponto final do ônibus, onde existe um bar. Vimos o motorista dentro do bar e perguntamos se esse era o ônibus que iria de volta para a Igreja Três Pedras e se daria tempo para uma água. Ainda levaria uns 15 minutos para sair... Tempo suficiente para um merecido lanche! Aí foi só curtir e vigiar o motorista voltar para o ônibus.

Em mais alguns minutos estávamos de volta ao carro. Nada mal para um dia completamente fechado... Sempre uma experiência nova. Missão cumprida!














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