quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nova Conquista em Niterói - Via De Olho Nas Vizinhas

Por Leandro do Carmo

Conquista da Via De Olho nas Vizinhas – 3º V E2 D2 250m - Download do Croqui
Vale da Serrinha – Setor da Golpe do Cartão - Parque Estadual da Serra da Tiririca

Localização

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Mais uma conquista!!!!

O local da base é o mesmo da via Golpe do Cartão, no Vale da Serrinha, mais ou menos na metade da subida da estrada que liga Itaipú à Itaipuaçú. O início da trilha fica no primeiro grande recuo, à direita da estrada. Parando o carro ali, subir até o primeiro poste e dobrar a direita. Foram três investidas para concluir a via. A linha ficou bem interessante, começando com uma saída forte, onde o crux fica entre o primeiro e segundo grampo. A primeira parada é dupla e fica fora de visão, devido a um veio de pedra na parede. Parando ali, vai diminuir um pouco o arrasto da corda. A partir daí, a via segue numa linha bem óbvia num terceiro grau, vindo um IV bem delicado. Olhando de baixo vê-se muita agarra, mas a maioria não é sólida. A terceira enfiada é um costão, com uns 30 metros caminhando, onde vem uma parte mais lisa e com pequenas agarras, onde se sobe em diagonal para a direita e encontra o último grampo dessa primeira parte. A partir daí, é só seguir uma pequena trilha até a base da segunda parte da via, partindo numa grande diagonal para a esquerda, abaixo de um grande diedro, por mais ou menos 70 metros até uma parada dupla. Dali é só seguir num caminho contornando a vegetação por um acesso até o Mirante do Carmo. Se resolver rapelar, aconselhamos descer pela Golpe do Cartão, antes da pequena trilha, onde já tem proteção dupla em todos os pontos de rapel.


Relato da Conquista

A idéia de conquistar ali apareceu depois que fizemos a primeira investida para conquista da Golpe do Cartão. Nesse dia, já tínhamos visualizado essa linha e que ficaria uma das melhores da parede, visto a verticalidade e algumas boas agarras, pelo menos, vistas de baixo. Para deixarmos o local indicado para futuras investidas, o Ary, acrobaticamente, subiu e colocou o primeiro grampo. Em outras vezes que fui lá, sempre ficava namorando a linha e não via a hora de começar efetivamente a conquista.

Primeira Investida

Nossa ideia era ir avançando na conquista enquanto a Eny e a Alessandra seguiam na delas, assim agente estaria sempre por perto e de olho, pois seria a primeira conquistas delas. Por sinal, esse é um projeto de ser a primeira via de Niterói, conquistada somente por mulheres. Mas não conseguimos marcar sempre no mesmo dia e acabamos seguindo nosso projeto sozinhos. Eu e o Ary marcamos de ir no sábado, dia primeiro. Nesse dia, foi efetivamente a primeira investida, pois da outra vez, quando o Ary bateu o primeiro grampo só o fizemos para marcar o início do projeto. Chegamos na base e ele já saiu para bater os dois primeiros grampos. Começou difícil. A posição não era muito boa. Não adiantava subir muito, pois se não, o grampo anterior não seguraria uma queda que seria até a base. Achando a melhor posição, o Ary bateu o segundo grampo e seguiu um pouco mais para a direita onde colocou o terceiro. Como os locais não eram muito confortáveis para parar e bater o grampo, o Ary montou a parada e eu subi até ele e segui para colocar os próximos dois. Revezando nesse ritmo, ninguém ficaria cansado.

Os lances seguintes foram feitos com muito cuidado. Muitas agarras estavam quebrando. Batia e ouvia tudo oco. Lances tensos!!! Subi e na primeira oportunidade, bati mais um grampo, o quarto da via. Mais acima, coloquei mais um, um pouco abaixo de uma grande veia na parede, formando um degrau arredondado. Montei a parada ali e o Ary veio para seguir conquistando. Subiu, passou a veia e colocou mais um grampo, onde fizemos mais uma parada.

Segui subindo uns 10 metros e quando me posicionei para colocar o grampo, vi que poderia ficar na linha da via da Eny e Alessandra. Não querendo incomodar nossas futuras vizinhas, resolvi descer, pois para eu chegar mais para o lado direito, teria que passar por um pedaço bem sujo e além de tudo quebradiço. Era demais para mim!!!! Deixei a mochila presa em um cliff e resolvi desescalar e recomeçar mais para a direita. Bom... na teoria era só desescalar uns 10 metros... Começou o sofrimento!!!! Bem devagar, fui descendo lance a lance... Olhei para o Ary e ele estava láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa em baixo. Concentrei e devagar cheguei. O psicológico já tinha ido embora... Deixei para o Ary continuar. Mas na hora de entregar a furadeira, vi que tinha deixado a broca na mochila. Não tinha jeito, o Ary teve que seguir até onde eu estava. Chegando lá, ele resolveu, passar pelo lance que estava bem sujo e bateu o grampo bem a direita de onde estava, subiu e colocou mais um.

Resolvemos terminar por ali. Na descida, o Ary ainda intermediou um lance que havia fica exposto, colocando o grampo bem mais a direita de onde eu tinha desescalado. Finalizamos esse dia já ansiosos para voltar. A ideia que eu tinha era chegar a um grande diedro que dá para ver lá de baixo, na altura do posto de gasolina, na subida da serrinha. Vamos ver o que encontraremos pela frente... ou melhor lá por cima!


Segunda Investida

Há um tempo estávamos para voltar e continuar essa conquista. Nunca dava tempo, sempre tinha alguma coisa para fazer. Mas dessa vez deu tudo certo. Como a remada que eu estava marcando não saiu, liguei para o Ary na noite de sábado e marcamos no dia seguinte, domingo, na entrada da trilha às oito da manhã.

Chegamos cedo e fomos direto para base. O Ary aproveitou para limpar um pouco o local, retirando uns arranha-gatos que tinham uns grandes espinhos. Sorte dele, vocês verão o porquê! Como já havíamos feito um bom pedaço da via, o Ary começou a guiar. Deu a primeira passada e quando estava próximo do primeiro grampo, o pé escorregou e ele veio descendo, bateu na base e foi parar lá no meio do mato, ainda bem que ele havia tirados os espinho dali... Na hora foi um susto, mas depois foi até engraçado!!! Foi mau Ary, mas agora, lembrando da cena, não tem como não rir!!! Mas guerreiro como é, o Ary levantou, sacudiu a poeira e voltou para guiar a primeira enfiada, indo até o segundo grampo acima da veia de pedra, onde montou a parada. Eu fui logo em seguida e comecei um pouco mais a direita, onde tem umas agarras melhores. Estava subindo com todo o equipamento, a mochila estava pesada, o que dificultou um pouco, mas com corda de cima tudo é mais fácil!!!!

Cheguei à parada e como já estava com as costuras retiradas da primeira enfiada, segui guiando. Saí um pouco à esquerda, quando deveria ter ido para a direita. Tive que dar umas passadas na horizontal até chegar ao próximo grampo. Nessa parte as agarras estão quebrando com facilidade. Todo cuidado é pouco! De vez em quando tinha que dar uns chutes e algumas batidas para quebrá-las logo e conseguir colocar o pé em alguma coisa que me aguentasse. O Ary até brincou que é proibido cavar agarras!!! Quando ele subiu, me mostrou o melhor caminho, mas já era tarde...

Preparei a furadeira e o Ary subiu conquistando, colocando mais dois grampos, fazendo a parada. A partir dali, a parede perdia inclinação por uns 30 a 40 metros. Já dava para ver o final da via Golpe do Cartão. Estávamos no caminho que imaginávamos. A única passagem na vegetação para acessar aquele grande diedro, que havíamos visto lá do Mirante do Carmo, estava logo acima. Em breve teria certeza sobre o caminho que havia pensado. Segui conquistando. Nessa primeira parte, uns trinta metros de costão, com alguma vegetação, passei e coloquei um grampo, mais para marcar o caminho. Nesse ponto a parede ganha um pouco de verticalidade e perde agarras, ficando mais lisa. Subi e coloquei mais um grampo. Em seguida, peguei uma diagonal subindo para a direita e coloquei o último grampo dessa primeira parte da via, onde montei a parada e dei segurança para o Ary.

Ali, nos desencordamos, deixamos todo o equipamento e seguimos abrindo uma pequena trilha até a segunda parte da via. Aquela parede onde tem o diedro que estava tão longe olhando lá de baixo, estava aqui, bem a nossa frente. Resolvemos dar mais um esticão e adiantar um pouco mais. Voltei e peguei o equipamento. Segui subindo e coloquei um grampo, mais uma diagonal para a esquerda e parei, batendo mais um. Quando pensei na linha, olhando lá do Mirante do Carmo, tinha a ideia de conquistar aquele grande diedro em móvel, mas chegando lá, percebi que onde estava limpo, era muito aberto, e quando tinha possibilidade de colocação de peça, tinha muita vegetação. Resolvemos seguir grampeando bem abaixo dele, na verdade, na metade da parede. Enquanto furava a rocha para colocar o último grampo, a bateria foi para o espaço... Ainda bem que deu para fazer totalmente o furo. Bati o último grampo que tinha. Avisei ao Ary e ele foi pegar a outra bateria. Em seguida, ele veio subindo e chegou a parada, onde a trocamos a bateria e preparamos o material para seguir em direção à ultima parada.

Ele subiu e tínhamos algumas opções para terminar a via. Ele optou por seguir a diagonal que havia começado, bateu mais um grampo e seguiu até uma árvore caída, onde montou a parada. Dali, ele viu que dava para chegar caminhando até o Mirante do Carmo, precisando apenas limpar e marcar o caminho, o que faríamos em uma outra investida. O Ary voltou até onde eu estava e rapelamos até o ponto da pequena trilha. Descemos caminhando pelo costão até a última parada da via Golpe do Cartão, de onde rapelamos até a base, pois nela, todos os pontos de rapel estão duplicados, além de ser mais curta.

Terceira Investida

Nesse dia era só subir e duplicar a primeira parada e colocar uma parada dupla no final da via, além de chegar ao Mirante do Carmo, que era nosso objetivo principal. O Tauan nos acompanhou e teve o privilégio de ser o primeiro a repetir a via. O Leonardo Carmo e a Denise Carmo resolveram seguir para a Golpe do Cartão.

Subimos e deixamos a primeira parada duplicada. Seguimos acima e resolvemos não duplicar a segunda nem a terceira parada. Aproveitamos para dar uma descansada e seguimos a pequena trilha até o início da segunda parte da via. Segui guiando, e parei no terceiro grampo. Dali segui a diagonal, passei por mais um grampo e cheguei próximo parei um pouco mais abaixo da árvore que o Ary utilizou para rapelar durante a segunda investida.

Não estava numa posição muito boa e demorei um pouco até me acertar. Coloquei um grampo e em seguida o outro. O Ary e o Tauan chegaram logo em seguida e eu me preparei para continuar. Subi até uma árvore na e vi que ela estava quebrada, acho que foi com a última ventania que teve. Passei por ela e segui lentamente até cruzar uma parte mais aberta na vegetação. Cheguei a uma grande pedra onde fiz a última parada. O Mirante do Carmo estava a alguns metros. O Ary e o Tauan vieram logo em seguida. Terminada a via, descemos até o Mirante do Carmo onde guardamos o equipamento e ainda descansamos um pouco até pegarmos o caminho de volta para a trilha do Mourão.

Mas por que o nome “De Olho Nas Vizinhas”? Afinal de contas, queríamos ter conquistado enquanto a Eny e a Alessandra estivessem na linha delas...

Valeu pessoal, até a próxima!

Fotos das investidas

Ary dando segurança para o Tauan na penúltima parada

Ary e Tauan na quarta parada

Ary saindo para escalada a segunda enfiada e o Tauan na parada

Ary conquistando a segunda enfiada

Ary na segunda parada

Na base da quarta enfiada

Terceira parada

Última parada, um pouco acima do Mirante do Carmo

Início da via



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