segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Serra da Bolívia

 Por Leandro do Carmo

Serra da Bolívia

Data: 19/09/2021
Local: Aperibé
Participantes: Leandro do Carmo e Jefferson Figueiredo


Dicas:

Existem alguns caminhos para iniciar, mas todos se encontram mais acima. Dependendo de onde se começa, pode passar por 4 trechos mais técnicos. A caminhada é bem exposta ao sol.

Como chegar:https://goo.gl/maps/UmCH11NWtKXuWP7VA
(Caminho a partir da ponte em Itaocara)

Trilha no Wikiloc: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/serra-da-bolivia-86730347

Relato

Já faz bastante tempo que fui a primeira vez à Itaocara e sempre tinha a Serra da Bolívia como um dos meus objetivos. Apesar de estar no município vizinho, Aperibé, de Itaocara temos uma vista privilegiada da pedra e sua beleza encanta que passa por perto e até quem passa longe... Ela está localizada bem próximo do Rio Paraíba do Sul e compõe uma bela paisagem, principalmente no por do sol.

Havia programado minha ida à Itaocara para fazer algumas aulas de canoagem com a ACAI e deixei o domingo livre para, finalmente, poder subir a Serra da Bolívia. Saí de Niterói as 4:30 da manhã e a viagem levou cerca de 4 horas. O dia estava firme e bem aberto. Passei o sábado remando nas belas águas do Rio Paraíba do Sul.

No domingo, acordamos bem cedo e chegamos ao início da trilha por volta das 5:30 da manhã. Nossa ideia era voltar antes que o sol estivesse forte. Iniciamos a caminhada ainda um pouco escuro. Passamos por uma casa sem fazer muito barulho e cruzamos uma cerca bem no alto. Dali seguimos pelo pasto. Fomos ganhando altura até chegarmos à primeira subida em rocha. Um pequeno obstáculo, mas que fez a Fabíola e a pequena Maitê desistirem. Elas ficaram nos esperando, enquanto continuamos a subida.

O caminho seguia óbvio e logo caminhamos paralelos a uma cerca até chegarmos ao segundo ponto técnico da trilha. Esse, talvez o mais difícil. Haviam duas pessoas já no alto com uma corda. Passamos por eles e continuamos subindo. O trecho fica bem íngreme até chegarmos em mais um costão. Esse mais fácil que o anterior. O som da natureza era impressionante. Muitos cantos de pássaros formavam uma sinfonia. A vista era fantástica e já podíamos ver a cidade de Itaocara e boa parte do trecho do Rio Paraíba do Sul.

Passado o trecho, cruzamos uma pequena parte com vegetação bastante seca. Minha mochila estava pesada. Um de nossos objetivos era colocar uma proteção fixa para que outras pessoas pudessem fixar corda e auxiliar a subida. O calor e o peso da mochila foram cobrando o preço, mas vista era tão impressionante que por certos momentos, nem lembrava...

Continuamos a caminhada e logo estávamos próximos ao topo do cume da direita, isso de quem olha a Serra da Bolívia de Itaocara. Desse ponto, descemos e contornamos a sela até subir o último trecho técnico. Era um trepa pedra bem tranquilo, mas que tem várias pedras soltas. Dali subimos em direção ao cume.

Em poucos minutos alcançamos o cume. A vista impressionava. O cume se destaca e temos uma visão 360° de toda a região. Dali podíamos ver algumas cidades do entorno. O rio Paraíba do Sul cortava a paisagem de forma suave. O rio já tivera a oportunidade de conhecer, mas a Serra da Bolívia era a primeira vez.

Ficamos ali no cume durante um tempo até que começamos a descer. Aproveitamos para colocar um grampo em um dos trechos técnicos e ainda ajudamos um grupo a subir. Descemos bem rápidos, até que encontramos novamente a Fabíola e a Maitê. Dali, seguimos para o carro. Dali de baixo, podia ver o quanto havíamos subido. 

Vídeos



Fotos
















quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Travessia Longitudinal das Agulhas Negras

Por Leandro do Carmo

Travessia Longitudinal das Agulhas Negras 

Local: Parque Nacional de Itatiaia 

Data: 17/10/2020 

Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, Igor Spanner, Júlio "Veio da Touca" Spanner, Marcos Lima, Blanco P. Blanco, Karina Filgueiras e Daiana


 

Há muito tempo que perseguia fazer a Travessia Longitudinal das Agulhas Negras. É uma a escalada que resume o que era o montanhismo no início do século passado. Mas fazer a Longitudinal não é uma das tarefas mais fáceis, principalmente a vista. Em uma conversa com o Marcos Velhinho surgiu a ideia de fazermos a via. Ele entrou em contato com os Spanners e acertamos uma data. Compramos os ingressos com antecedência, pois, devido à pandemia, o PNI está com limitação de visitantes. Tudo acertado, foi hora de esperar o grande dia.


A previsão do tempo não era das melhores. Choveu durante a semana. Na sexta, o dia ficou nublado e saímos por volta das 20h 45min sob uma chuva fina que foi aumentando durante a viagem. O Marcos e o Marcelo já tinham ido e isso não nos fez desistir.  Iriamos fazer a Travessia com os Spanners, referência quando se fala em montanhismo na região, e se eles disseram que daria para fazer, quem de nós poderia afirmar que não?


Apesar da chuva, a viagem foi tranquila e não pegamos trânsito no caminho até Itatiaia. Chegamos um pouco antes das 24h. Não chovia em Itatiaia, o que aumentoesperança de um dia razoável. Deixamos tudo arrumado para ganharmos tempo, pois no seguinte sairíamos às 5h20min. Nossa intenção era entrar assim que o parque abrisse. Uma das dicas para fazer a Longitudinal é começar bem cedo. A noite foi tranquila e assim que o celular tocou, me levantei para arrumar as coisas, era 4h 30min da manhã. Preparei um café. Todos foram acordando e em pouco tempo já estávamos do lado de foram esperando.


Por volta das 5h 30min chegaram o Júlio Spanner, Igor Spaner e sua esposa, a Daiana. É seguimos direto para o PNI. Estava uma manhã nublada. A estrada da Garganta do Registro até a portaria do PNI estava relativamente seca e não havia sinais de que havia chovido na noite o no dia anterior. Para minha surpresa, o dia a estava aberto, conseguíamos ver as nuvens baixas. Tinha certeza de que seria um grande dia!


Chegamos à portaria alguns minutos antes do parque abrir e já tinham alguns carros à frente. Como o tempo estava ruim e a previsão não era muito boa, o parque estava vazio, bem diferente da última vez que fui. Dali, fomos de carro até o Rebouças, onde estacionam os os carros e iniciamos a caminhada.  

Iniciamos a caminhada e passamos pelo Abrigo Rebouças fechado. O dia estava ótimo, a temperatura perfeita. Seguimos andando num papo bem agradável até chegarmos à base da Via Bira. Ali, nos equipamos para diminuir o peso e volume da mochila. Ainda não usaríamos equipamento, mas tornaria o deslocamento mais confortável, dica do Igor Sapanner, dica de quem conhece bem o local. 





Seguimos andando, ou melhor, pulando de pedra em pedra. Passamos por diversas fendas, chaminés, buracos e canaletas Um verdadeiro labirinto de blocos entalados, formando grandes fendas, onde qualquer descuido poderia trazer sérias consequências. Passamos pelas bases de vias clássicas como a Chaminé GEAN e Estudantes, até chegar ao ponto onde podíamos ver Pedra Calunga num ângulo bem bonito. A partir seguimos pela direita até chegar ã Face Sul, acima da Pedra do Polegar.


Subimos um pouco até chegar ao local chamado Santuário. Fica até difícil explicar como chegar, eram tantas subidas e descidas.... Alguns lances difícil até de acreditar que seria por ali. Fizemos um lance mais delicado para continuar subindo dentro do Santuário. Já no alto, cruzamos mais alguns blocos e já dava para ver o Lance do Parafuso do Brackmann.  Na base, nos encontramos e saí para guiar o lance mais delicado da travessia.




Seguindo as dicas do Igor Spanner Véio da Touca, subi por uma canaleta com excelente aderência. Não tem proteção,  mas o trecho não é complicado. Subi e contornei um platô de vegetação e cheguei a única proteção do trecho. Dali, subi mais um pouco cheguei a um degrau onde teria que subir e entrar numa canaleta. O degrau tinha uma boa pega por baixo e segui horizontalmente até me posicionar abaixo da entrada da canaleta, como me foi orientado.


Ameacei subir a primeira e voltei. Na segunda tentativa, ouvi a voz do Igor Spanner dizendo: “tem uma mão boa a direita!” Bom, os caras conhecem aquilo como se fossem a casa deles, então não pensei duas vezes, subi e joguei mão, num lance sem volta. Assim que firmei a mão, tudo ficou mais fácil. Fui ganhando altura lentamente meio sem pensar e dei aquela olhadinha para baixo e percebi o quanto estava alto. A canaleta inclinou um pouco mais, porém a rocha ajudava e dava boa aderência. Mais alguns metros e chegava numa corcova, onde pude olhar para baixo e comemorar o lance. Montei a parada em um bico de pedra e dei segurança ao Velinho que veio logo em seguida.


Com o Velhinho dando segurança aos demais, pude tomar uma água e descansar um pouco. Depois que todos chegaram, partimos para o Cume Sul, onde fizemos uma parada mais longa. Ali, assinamos o primeiro livro de cume da Travessia. Conversamos e rimos muito com as histórias do Véio da Touca e do Velhinho. 


Depois de recarregadas as baterias descemos na “seg" do "Véio da Touca" em direção ao Açú. Passamos por uma bela formação rochosa e já na aresta sul do Açu, por indicação do Igor Spanner, um grupo subiu por uma aresta, trecho final da Via Quietude, na qual foi guiada pelo Blanco. A outra parte do grupo foi direto para o Cruzeiro. Chegando ao cume do Açu, assinei o segundo livro de cume da Travessia.


Depois de deixado o registro, seguimos caminho. O tempo ficou nublado. Já não tínhamos a mesma vista que antes. Descemos até colo entre o Cruzeiro e o Pontão Ricardo Gonçalves, caminho mais utilizado r chegar ao cume nos dias de hoje. Descemos um animais e fizemos uma passagem numa diagonal para cima, até chegar ao topo e dali seguir para o Focinho de Cão, de onde fizemos um pequeno rapel.




A partir daí, seguimos pelo Pontão Norte até chegar à Chapada da Lua Alta. Ali fizemos nossa parada mais longa. Já estávamos quase no final da escalada. A Chapada da Lua é impressionante. A formação rochosa é peculiar. É uma chapas aí relativamente plano com o diversos buracos, semelhante ao solo lunar. Dei uma boa caminhada pelo local enquanto dávamos boas risadas com as histórias do Véio da Touca e do Velhinho. Aproveitei para assinar o terceiro livro de cume da Travessia.


O frio aumentou é como iríamos fazer um sequência maior de rapéis, optei por colocar o corta vento, assim ficaria mais confortável. Seguimos para mais um rapel curto, onde chegamos à Chapada da Lua Baixa. Seguimos caminhando até chegar ao final da via XIV de Julho. Nesse ponto olhamos para a Asa de Hermes, mas por esse ângulo fica difícil de acreditar que é realmente ela! Fizemos um rapel curto num bico de pedra até o último grampo da via. Dali seguimos por pequena caminhada até um platô. Esses rapeis não são nada confortáveis e são difíceis de achar. Havíamos levado cordas o suficiente para deixarmos esses três últimos rapeis montados na sequência, assim ganhamos tempo na descida. O último rapel fica no limite da corda, com exatos 30 metros.  


Dei uma boa descansada no rampão enquanto o resto do pessoal rapelava. Juntou o pessoa, mais histórias engraçadas. Estava tão agradável que o tempo passou e nem sei conta., já tínhamos passado das 16h. Aproveitei para guardar todo o equipamento na mochila. A partir desse ponto, só caminhada!


Descemos o rampão até entrar na trilha. Olhei para a Asa de Hermes e dava para ver o seu formato mais conhecido. Continuamos a trilha até chegar ao Rebouças novamente, depois de 9h20min! Aproveitei para tomar um banho gelado na represa ao lado do Abrigo Rebouças. 


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