domingo, 16 de fevereiro de 2020

Patagônia Argentina: El Chaltén e El Calafate

Por: Leonardo Carmo

16 a 27/11/2019 

Participantes: Leonardo Carmo / Carina Melazzi



1º dia (16/11/2019): Rio x El Calafate

Pegamos um avião para Ezeiza (Buenos Aires) onde fizemos a conexão para El Calafate. Essa conexão foi tensa, pois o aeroporto de Ezeiza estava abarrotado e uma desorganização tremenda. Depois de conseguir fazer todos os tramites, embarcamos rumo a El Calafate. Chegamos no final do dia e como só anoitecia por volta das 21h40, conseguimos aproveitar bem. Fomos conhecer a cidade “nutela”. A cidade é feita pra turista que ganha em dólar. Tudo lá é muito caro hahahahahahaha e bastante coisa tem preço em dólar. A chegada em El Calafate foi bacana. Quando o avião vai se aproximando sobrevoando parte do Lago Argentino, da uma sensação muito doida. É uma paisagem indescritível. 


2º dia (17/11/2019): El Calafate 


No dia anterior a gente tinha decidido conhecer o Glaciar Perito Moreno. Nos programamos para fazer isso na parte da tarde, pois o período da manhã fica muito cheio. Ficamos com a parte da manhã livre e então resolvemos conhecer o Glaciarium. Um museu muito bacana que conta a história das geleiras entre outras coisas. De onde estávamos até lá, são 5 km. Como o ônibus do Perito Moreno saía às 14h, resolvemos ir andando, mas no meio do caminho, começou a bater um vento contra muito forte fazendo com que a sensação térmica despencasse. Resolvemos abortar e voltar pra cidade e ficar esperando a hora de irmos pro Glaciar. 

O Glaciar é uma parada muito impressionante. Super recomendo. A gente ainda andou pelas passarelas. Pra quem é montanhista, as passarelas são como caminhar no corredor de casa. Não existe dificuldade técnica e nem esforço físico. 

A gente teve que contratar um transfer até o parque onde fica o Glaciar Perito Moreno. Indo por conta própria é bem melhor, pois da mais independência. Como a gente estava sem carro, essa foi a opção que nos restou. 

De volta a El Calafate, procuramos um lugar pra comer e beber uma. As coisas lá são bem caras. A cerveja mais barata que é a Quilmes, convertendo, da uns R$ 15,00. 




3º dia (18/11/2019): El Calafate x El Chaltén 


No dia anterior a gente já tinha ido à rodoviária e comprados as passagens para El Chaltén. Recomendo comprar tudo com antecedência pra evitar de chegar na hora e não ter mais passagem. 

A estrada que liga El Calafate – El Chaltén é muito maneira. Visual incrível. Pena que a gente não foi pra Argentina de carro. 

Depois de percorrer 213 km em quase 3h30 de viagem, chegamos a El Chaltén. Logo na entrada da pequena e aconchegante cidade, o ônibus passa na sede do Parque e onde são passadas as instruções pelos guarda-parques. 

Chegamos lá no início da noite e não perdemos tempo. Estava chovendo e ventando muito, mas a vontade de andar pelas montanhas era muito grande e então resolvemos fazer algo mais tranquilo, só pra efeito de reconhecimento. Fizemos o Mirador de las Aguilas e Mirador de lós Condores. Ali já deu pra perceber que a vida não seria fácil, pois a chuva, vento e o frio deram as boas vindas. Esse circuito tem aproximadamente 7,5 km. 


4º dia (19/11/2019): El Chaltén 

Acordamos cedo e continuava chovendo. Resolvemos então conhecer a cachoeira Chorrillo Del Salto. 

Foram 7 km ida e volta debaixo de muita chuva. A maior parte do caminho estava alagada. Da pra ir pela estrada, mas ela também estava alagada. Não tinha pra onde correr. Era enfiar o pé na água gelada e caminhar. A cachoeira estava com um grande volume de água devido à chuva e ao inicio do degelo. 

Na parte da tarde, a chuva deu uma parada e resolvemos explorar um pouco mais a região. Do outro lado do Rio de Las Vueltas, encontramos uma parede de vimos que tinham algumas vias e fomos conferir de perto. Não tinha encontrado informações sobre aquelas vias. 


5º dia (20/11/2019): El Chaltén 


A chuva finalmente deu uma trégua e partimos para a trilha da Laguna Torre. Uma trilha de dificuldade moderada, mas recompensadora. Existe uma base de acampamento bem próximo à Laguna, acampamento D’Agostini. Uma boa estrutura com área demarcada e banheiro seco pra quem quer fazer um pernoite. Durante a trilha a gente pegou sol, chuva, neve e muito vento, especialmente na Laguna Torre onde bateu um vendável e quase nos arrastou montanha abaixo. Foram 22 km de paisagens incríveis. 




6º dia (21/11/2019): El Chaltén 


A chuva tinha voltado a cair na noite anterior, mas resolveu novamente dar uma trégua na parte da manhã. Aproveitamos e partimos pra fazer a trilha da Laguna de Los Três passando pela Laguna Capri. Pegamos muito trecho com lama por conta da chuva da noite anterior, mas nada que desanimasse. Quando chegamos num entroncamento com saída para outras trilhas, o tempo começou a virar e o vento já soprava forte. Continuamos firmes na nossa missão e chegamos no trecho final pra fazer o ataque à Laguna. Era apenas 1 km com um desnível de 800 metros. O solo é completamente instável com pedras soltas e pra dar mais emoção, tinha neve e água correndo pelo caminho. Depois de andar cerca de 700 metros, começou a ventar muito forte e a sensação térmica tava ficando insuportável, pelo menos pra mim. Depois de vencer os 200 metros restantes e chegar na Laguna de Los Três, o vento ficou mais forte e eu tive que me abrigar. A Carina suportou bem, mas eu não consegui ficar lá por muito tempo. 

Depois de apreciar aquele lugar indescritível, começamos a descida e quando passamos novamente pelo entroncamento, vimos que a chuva estava se aproximando. A nossa ideia era voltar pela trilha passando pelas Laguna Madre e Hija, mas decidimos voltar pelo mesmo lugar por conta da chuva que estava chegando. Decisão certa. A chuva veio e deixou o caminho ainda mais enlameado. O tempo lá é muito louco. Abre e fecha do nada. 

De volta à cidade, paramos para beber uma e planejar o que faríamos no dia seguinte. 


7º dia (22/11/2019): El Chaltén 


A nossa ideia inicial era acampar na Laguna Toro, mas por conta das fortes chuvas e por orientação do parque, decidimos não ir. Na verdade o que foi decisivo pra que a gente não fosse foi que a Carina descobrir que a sola da bota do pé direito estava dando infiltração. Ela levou um tênis reserva, mas ele não iria aguentar passar por terrenos encharcados e não molhar os pés. A Laguna Toro é um lugar bem remoto. Não dava pra arriscar a ficar com os pés molhados por muito tempo. O risco era alto. 

Como já vinha sendo normal, choveu muita coisa na noite anterior e só parou na parte da manhã. A gente não podia ficar com o dia sem programação e então resolvemos acampar na Laguna Capri. Um lugar lindo com uma paz sem igual. A gente queria ter essa experiência de acampar em um ambiente selvagem diferente do que estamos acostumados. Sábia decisão. Fomos até um mercadinho comprar algumas coisas pra comer e partimos pra lá. O tempo foi abrindo e o dia ficando lindo. Antes da gente sair, veio uma informação de que viria uma frente fria no outro dia trazendo muito mais chuva. Essa era a nossa oportunidade de acampar com segurança. 

Chegando no ponto de acampamento, analisamos bem o lugar. Previmos uma possível chuva e por onde a água provavelmente desceria. Outra coisa que nos preocupava era o vento. Depois daquela análise minuciosa, escolhemos um lugar e montamos a nossa barraca. Fizemos uma proteção contra o vento com troncos e galhos. A gente tava seguro. Só um furacão levava a nossa barraca rsrs. Com tudo organizado, ficamos contemplando a paisagem e esperando a noite chegar. Eu sabia que o frio viria rasgando. 


Ficamos sentados à beira da Laguna esperando o pôr do sol e foi um momento foda. Uma paz indescritível. 

Voltamos pra nossa área de acampamento. A Carina resolveu entrar e já se aquecer. Eu, resolvi ficar sentado num banquinho que improvisei e esperar a noite cair. Ali ficamos conversando por algumas horas e por volta das 21h30, percebo algo se movendo do meu lado e quando olhei, vi uma raposa. Esse momento foi algo que valeu pela viagem toda. Ela passou farejando e se mandou. Ali fiquei quietinho esperando escurecer até que ela resolveu passar de volta. Experiência foda. 

Por volta das 22h, a noite chegou e com ela, o frio. Entrei na barraca e ficamos ali tentando gerar algum calor, mas tava sinistro. Algo me dizia que eu iria me lascar rsrsrs. O frio da Patagônia é algo cortante. Eu nunca tinha sentido algo parecido. Eu não conseguia dormir. Fiquei preocupado em fechar os olhos e não acordar mais rsrs. De hora em hora o meu relógio apitava e assim eu fui contando as horas e certificando que eu estava vivo. A Carina nem piava rsrsrs. Do jeito que ela deitou, ela levantou. Quando deu 5h da manhã, bateu um alívio. Sabia que iria clarear e que a temperatura iria subir um pouco. 


8º dia (23/11/2019): El Chaltén 


Depois de levantar, fomos pra beira da Laguna e curtimos o amanhecer tendo como paisagem de fundo, o Fitz Roi. Sem descrição... 

Começamos a desmontar acampamento, pois havia previsão de mudança de tempo e nesse dia eu precisava encontrar um lugar pra assistir o jogo do Mengão, era a final da Libertadores. 

Paramos para comer e beber uma e soube que eles iriam passar o jogo. Estava eu lá com o manto sagrado rodeado de argentinos hahahahahahaha. Foi muito bom ser campeão em cima de argentino estando na argentina vendo o jogo rodeado por argentinos hahahahahaha. 

Aí foi só comemorar, comemorar e comemorar rsrsrs. 




9º dia (24/11/2019): El Chaltén 


Esse era o nosso último dia em Chaltén e resolvemos fazer o Loma Del Pliegue Tumbado. A trilha até um certo ponto é tranquila, depois o terreno vai mudando. É um tipo de cascalho e o ataque final fica bem instável por conta deles. Sem falar que pegamos neve nesse último trecho. O vento nessa parte final resolveu das as caras de novo pra dar aquela emoção. Chegamos no cume e por lá ficamos por um bom tempo. A gente não queria descer, pois a gente sabia que a nossa missão estava terminando. Não teve jeito, tivemos que descer e terminar a nossa última trilha. Pra curar a “depressão” de ter que voltar, parimos pra beber a nossa última Quilmes da temporada de El Chaltén. 




10º dia (25/11/2019): El Chaltén x El Calafate 


Acordamos cedo partimos pra rodoviária debaixo de chuva. A frente fria tinha vindo com força.
Chegamos e saímos de El Chaltén debaixo de chuva. Não ficamos frustrados, pois a natureza é quem manda. Nos resta é nos adaptarmos às condições que ela nos impõe. 

A viagem pra El Calafate foi tranquila. Chegamos lá no início da tarde e dava tempo da gente ir almoçar antes de ir conhecer o Glaciarium. Nosso almoço foi a tradicional parrillada. Gastamos os nossos último centavos para degustar tal iguaria rsrs. Depois do almoço, descobrimos que saia uma van de hora em hora pro Glaciarium e era de graça. Só tivemos que pagar os ingressos. Valeu muito ter conhecido o museu. De volta à cidade, encontrei mais alguns dólares guardados na carteira e fomos beber umas “Patagônia” e comer mais alguma coisa. 


11º dia (26/11/2019): El Calafate x Rio 


Acordamos cedo e a gente tinha algumas horas pra andar pela cidade. Nosso voo pra Buenos Aires era só às 13h. Assim, a gente chegaria em casa no mesmo dia. Essa era a previsão. Pegamos o voo pra Buenos Aires e aí começou a encrenca. No aeroporto de Ezeiza a gente foi informado que o voo pro Rio ia atrasar. Ninguém dava uma explicação até que descobrimos que os funcionários da mecânica tinham feito uma paralisação e que não tinha previsão pra voltar. Depois de umas boas horas de espera, o nosso voo foi anunciado e partimos pro Rio. Chegamos no Galeão já de madrugada e a nosso expedição foi terminar no dia 27/11. 

O aeroporto de Ezeiza estava tomanda por Rubro-Negros. Me senti no Maracanã rsrs. O voo pro Rio veio lotado e a maioria esmagadora eram torcedores do Mengão. 


Parque Nacional Los Glaciares 


Laguna Torre = 22 km 

Cachoeira Chorrilo Del Salto = 7 km 

Circuito Mirador de las Aguilas e dos Condores = 6,23 km 

Laguna de los Três via laguna Capri = 26 km 

Laguna Capri = 9 km 

Loma Del Pliegue Tumbado = 21 km 
















quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Travessia Tupinambás - Parque da Cidade

Por Leandro do Carmo

Data: 12/12/2019
Participantes: Leandro do Carmo, Marcos Lima e Rafael Faria do Carmo











Vídeo da Travessia Tupinambás





Relato da Travessia Tupinambás

Ainda não havia feito a Travessia Tupinambás completa. Só havia feito partes... Já estava mais que na hora! A Travessia inicia na Praça Dom Orione em São Francisco e termina no Jardim Imbuí. São cerca de 8,5 km de caminhada. É uma travessia que foi concebida há pouco tempo, sendo a união de várias trilhas já existentes: Trilha dos Blocos, Bosque dos Eucaliptos, Circular do Parque da Cidade, Travessia Parque da Cidade x Cafubá, Trilha das Ruínas, e Mirante da Tapera. Uma excelente opção para quem quer conhecer a região.

Quando o Guia de Trilhas de Niterói foi lançado, em 2017, a Travessia Tupinambás ainda não tinha sido divulgada, apesar de que todo o caminho já existia. A ideia agora, era incluí-la na nova edição do guia. Como estava de férias aproveitei para fazê-la em algum dia de semana. Fomos eu, Marcos e o Rafael. Marcamos de nos encontrar cedo na Praça Dom Orione.

Iniciamos a caminhada, subindo a estrada que dá acesso ao Parque da Cidade. Na altura da quinta curva, entramos na trilha dos Blocos. Estava bem molhado e escorregadio. Fomos subindo e passamos pela discreta entrada do Campo Escola da Viração, uma boa opção para treino de chaminés em Niterói. A partir dali, seguimos subindo num ritmos mais forte até que chegamos ao final. Apesar de ser uma trilha curta, é uma excelente opção para um aquecimento...

Depois de estar novamente na rua, subimos mais alguns metros e entramos na Trilha dos Bosque dos Eucaliptos. Com seus grandes eucaliptos, essa trilha tem um visual fantástico. Uma caminhada fácil e rápido. Subimos sem muitos problemas e logo estávamos passando pelas ruínas . Ainda paramos na rampa para algumas fotos. A vista no Parque da Cidade é simplesmente fantástica!

Depois de um rápido descanso, continuamos a travessia. Entramos agora na Circular do Parque da Cidade. Uma trilha clássica da região. Seguimos por um caminho bem agradável até passar por um belo mirante à esquerda e depois seguir para o Mirante da Pedra Quebrada. Uma subidinha rápida para depois seguir caminho. Mais alguns minutos e estávamos no ponto onde viramos para a direita e continuar a travessia. Se tivéssemos pegado o caminho da esquerda, seguiríamos de volta ao Parque da Cidade.

Continuamos a caminhada e passamos por uma casa até chegar ao ponto de descida em direção ao Cafubá, mas antes, optamos por visitar um mirante onde ficava uma construção da antiga rádio Guanabara. Depois de algumas fotos, voltamos e seguimos caminho em direção ao Cafubá. Foi só descida. Como estava bem molhado, em alguns escorregava muito. Todo cuidado era pouco. Descemos e chegamos ao ponto onde entramos na Trilha da Ruínas. É uma curva bem acentuada. Há uma seta, mas não contem com ela. Pois já vandalizada algumas vezes.

Hoje a entrada está bem aberta. Bem diferente da primeira que fui lá com o Marcos Lima em 2015. Aliás, não é só a entrada, mas toda a trilha. O excelente trabalho de manutenção feito pelo Gestor do Parque, o Alex Figueiredo, e toda a equipe do voluntariado vem dando outra cara as trilhas da região. Em 2015 foi diferente... O caminho estava bem fechado. Havia muita vegetação e árvores caídas. Quase não havia frequência no local. Nesse dia que fizemos a primeira de muitas investidas no local, levamos cerca de 5 horas para subir e descer. Ainda precisei voltar lá outras diversas vezes para melhorar o caminho.

Depois de lembrar um pouco da história, seguimos andando até chegar num largo, onde há uma nascente . Dali subimos e entramos no Vale das Jaqueiras. Difícil conseguir contar quantas jaqueiras tem no local... Tem tanta, que às vezes fica difícil achar o caminho! Mais acima chegamos ao ponto onde dá acesso a vários pontos. À esquerda, segue para o Jardim Imbuí e será por onde retornaremos, à direita, segue para o Morro da Viração e em frente para as Ruínas e Mirante da Tapera.

Fomos em frente e logo veio o acesso ao primeiro mirante. O Marcos e o Rafael seguiram subindo. Mais acima um outro mirante. E depois de mais alguns minutos, estava chegando nas ruínas. Talvez esse teria sido mais um posto de observação. É uma construção muito parecida com a que tem próximo à sede do Parque da Cidade. Faltavam alguns metros até o mirante. Segui andando e logo encontrei o Marcos e o Rafael.

Ali fizemos nossa última parada. Descansamos um pouco e voltamos para o último trecho. Agora seria só descida. Voltamos até o trecho onde dos acessos a outras trilhas, só que agora, viramos à direita e seguimos descendo até o Jardim Imbuí. É um trecho bem tranquilo, sem bifurcações. Até que descemos rápido esse trecho. Foram 4 horas de travessia, contando com as paradas. Ao final, ainda paramos em um dos restaurantes que tem na região para comer alguma coisa e descansar. Um excelente dia!