domingo, 7 de janeiro de 2018

Dedo de Deus

Por Leandro do Carmo

Dedo de Deus
Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Participantes: Leandro do Carmo, Marcelo Correia e Rafael Faria.

Na última tentativa de escalar o Dedo de Deus, havia abortado a subida antes dos lances de cabo de aço. Havia chovido na véspera e estava muito molhado. Mas dessa vez, a previsão era boa. O tempo bom já durava pelo menos uns três dias, mais que suficiente para viabilizar a subida. Dessa vez daria certo!

Fomos combinando, mas ao se aproximar da data, alguns foram desistindo. No grupo ficaram apenas eu, Marcelo Correia e Rafael Faria. Uma cordada de três seria o suficiente. Combinamos de levar duas cordas, assim poderíamos fazer um rapel maior  na descida. Acertamos os detalhes e nossa ideia era começar a subir as 6:30. O Marcelo já estaria em Teresópolis e eu e o Rafael sairíamos de Niterói bem cedo, pois imprevistos podem acontecer. E não é que aconteceu!

A estrada que liga Manilha à Magé está em obra e no caminho passamos por um buraco grande. A princípio nada de estranho com o carro. Mas quando já estávamos perto da subida para Teresópolis, percebemos que o pneu estava furado. Até aí tudo bem, era só trocar. Levantamos o carro e na hora de encaixar o estepe, havia um pino na que não deixava a roda encaixar. Não tínhamos nenhuma ferramenta na qual pudéssemos usar. Foi preciso chamar a equipe da Concessionária que administra a rodovia. Até que chegou rápido, mas isso atrapalhou um pouco os nossos planos de entrar bem cedo na trilha. Nossa preocupação era encontrar muita gente no caminho. Mas já não tinha jeito.

Avisamos ao Marcelo e assim que conseguimos colocar o pneu no carro, seguimos viagem. Chegamos ao Paraíso das Plantas e o Marcelo disse que dois grupos já haviam entrado na trilha. Seguimos subindo. Até o lance dos cabos de aço, seria, mais ou menos, 1 hora de subida. Seguimos juntos durante boa parte do caminho, até que segui à frente. Já bem próximo dos cabos, passei por um grupo de quatro pessoas. Na base, me arrumei e assim que o Marcelo e o Rafael chegaram, eles se prepararam também e subi o primeiro artificial e depois emendei nos cabos até a primeira parada. Dali, o Marcelo subiu e em seguida o Rafael. Subimos mais um lance até que entramos na trilha. Estava bastante úmido e escorregadio. Tínhamos que subir com bastante cuidado.

Na bifurcação, optamos por deixar a mochila do Rafael para subir mais leve e ganharmos tempo. Entramos à direita e chegamos a base de onde nos encordamos e começamos a escalada, mesmo não sendo muitos lances técnicos. Subi até a primeira parada dupla e ali entramos o outro grupo que havia entrado antes. Dali, o Marcelo guiou subiu até a gruta.

Resolvemos ir pela Maria Cebola e como ainda não havia guiado esse trecho, segui subindo. O primeiro grampo é alto e passei o estribo, assim consegui subir mais rápido até o segundo grampo. Havia deixado minha mochila com o Rafael. Mais um grampo acima e entrei no diedro. Fui subindo devagar, apoiando as costas na parte de cima. O trecho não é muito difícil tecnicamente. O que pesa mesmo é a exposição e a altura. Como não havíamos levado nenhum equipamento móvel, fui subindo mais devagar. As nuvens tiraram a impressão de vazio e o lance foi ficando mais fácil. Só quando cheguei à pequena árvore que pude relaxar e olhar para baixo e ver o que havia passado.

O Rafael veio em seguida e por último o Marcelo. Dali, o Marcelo já entrou no corredor até a chaminé onde se junta com a Black Out. O Marcelo guiou esse lance e eu fui por último. Seguimos subindo até o lance do cavalinho. Novamente, fiquei por último. Na gruta, nos preparamos para fazer o Passo do Gigante, um lance bem diferente. Dali, seria só subir um pouquinho e chegar à escada que dá acesso ao cume. Segui subindo e foi mais fácil que dá primeira vez. Passado o lance, segui direto para a escada e fui para o cume.



Chegando lá, encontramos o grupo de Minas Gerais que estavam na frente. Ali, pudemos contemplar um belo visual. O dia estava firme, com poucas nuvens, o que deu um toque especial... Foi hora de fazer um lanche, fotos e dar uma boa descansada, pois a descida seria dura. Do cume, fizemos o vertiginoso rapel de 60 metros e depois mais dois, até chegar à base da Vi Teixeira. De lá, seguimos descendo até chegarmos de volta ao carro. Um dia perfeito!


Dedo de Deus e Cabeça de Peixe vistos do Paraíso das Plantas
Lance após os cabos de aço



Grupo caminhando no Escalavrado

Marcelo Correia com o Escalavrado ao fundo


Escalavrado

Na Maria Cebola


Na parada da Maria Cebola

Teresópolis ao fundo


No "Passo do Gigante"

Grampos da conquista, em 1912

Grampos da conquista, em 1912

Escada para chegar ao cume

Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora e Dedinhos

Assinando o livro de cume



Deixando a assinatura...

Marcelo Correia, Rafael Faria e Leandro do Carmo

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