quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Pedra Selada, trilha e escalada!

Por Leandro do Carmo

Trilha e Escalada na Pedra Selada

Local: Visconde de Mauá – Parque Estadual da Pedra Selada
Data: 13/01/2018

Participantes: Leandro do Carmo, Marcos Velhinho, Blanco P. Blanco, Lucas, Otávio, Fernando, Martha Helena e Andréa Vivas.

O Pico da Pedra Selada é uma peculiar formação rochoso, tendo dois cumes, divididos por uma sela entre eles. O cume onde atingimos por caminhada, é ligeiramente mais baixo que o outro, onde só é possível acessar por escalada. O cume mais alto possui altura de aproximadamente de 1.755 metros.

Dicas

A caminhada até o cume menor tem 2,8 km de subida íngreme, com o trecho inicial bem exposto ao sol. O tempo médio de caminhada pode variar bastante, podendo ser feito em cerca de 2 horas, para os que tem o ritmo mais forte. No caminho, passamos pela Cachoeira do Chuveiro, sendo parada obrigatório para os dias de calor. Cruza-se ainda o córrego um pouco mais acima.

A escalada da sela é bem tranquila. A via normal, chamada de Selada, Pedra, foi conquistada em 1952, por Alfredo Maciel e Francisco Vasco dos Santos. O trecho inicial é uma escalada em artificial, grampo a grampo. Em seguida entra numa fenda, até chegar num grampo mais alto. Daí, dá para ir montando na sela até o seu final. Para acessar o outro cume, é necessário rapelar e seguir por um caminho até o cume. Havia muita vegetação e optamos por não subir o cume principal.

Há cobrança de entrada, em 13/01/2017, os valores eram:
Entrada: R$ 12,00 por pessoa
Estacionamento: R$ 10,00 por carro

Como chegar

A partir de Visconde de Mauá, são aproximadamente 12,3 km, sendo parte asfaltada e parte em estrada de terra. O início da trilha está no link abaixo:

Relato

O destino desse final de semana era a Pedra Selada. Organizando logística, com indicação da Andréa, optamos por acampados no Camping Santa Clara, em Maringá. Existem centenas de opções em Visconde de Mauá e região, desde camping à pousadas mais sofisticadas. O Camping Santa Clara é m local bem amplo e agradável, comandado pelo Sr. Eurico, que nos prestou um atendimento nota 10. Ao lado do camping, passa um rio com águas cristalinas. Estávamos em três carros, mas como iríamos numa sexta feira, nem todos poderiam ir no mesmo horário, assim, cada um saiu na hora que podia. Eu, optei por sair de casa as 20:30 h. Mas como o trânsito estava bem ruim, esperei mais um pouco e saí as 21:00 h. Fizemos uma viagem tranquila até a altura de Rezende, onde pegamos um forte chuva. Já na estrada até Visconde de Mauá, que por sinal está muito mal conservada, tive que reduzir bem a velocidade. Muitos buracos e capim à margem da rodovia, dificultava bastante. Como não conhecia o caminho, ficamos na dúvida em alguns trechos, mas achamos o local, contando um pouco com a sorte... Já eram quase duas da manhã, quando chegamos. Foi tempo de montar as barracas e preparar algo rápido para comer. Fazia um pouco de frio. Um clima bem diferente dos 40°C de Niterói.

No dia seguinte, acordamos meio sem pressa. Afinal de contas a caminhada não era das mais longas. Batemos um papo e fizemos um café da manhã coletivo. A preguiça era grande... Mas seguimos caminho. Até o início da trilha, seriam, aproximadamente, 19 km numa estrada bem agradável. Já no início da trilha, que fica dentro de uma propriedade particular, fomos informados que deveríamos pagar R$ 12,00 de entrada, mais o estacionamento, no valor de R$ 10,00 por carro. Como estávamos dentro do Parque Estadual da Pedra Selada, achei estranho, mas nem contestei... Dali, dava para ver um grupo grande que estava um pouco mais acima. Começamos a caminhar pelo pasto e logo encontramos as primeiras pessoas. Fomos passando por eles, sempre que tínhamos uma oportunidade. Um pouco mais acima, passamos pela Cachoeira do Chuveiro. Ela fica no fundo de um grotão. Deixei o banho para a volta.

Continuamos a subida e na hora que cruzamos o córrego, aproveitando a parada para descanso, ultrapassamos a outra parte do numeroso grupo. Desse ponto, pegamos uma subida forte. Na verdade, toda a trilha é uma subida, com trechos mais íngremes e outros, nem tanto. Mais acima, a primeira vista que tínhamos. Vieram mais alguns lances bem erodidos e finalmente chegamos à uma rampa de pedra. Essa rampa antecede o cume. Já estávamos quase lá. Vencida a rampa, foi caminhar mais alguns metros até podermos desfrutar de uma vista fantástica. O que mais me impressionava era a “sela” e o outro cume. A formação rochosa é muito peculiar, parecendo uma grande laca, com sua crista bem estreita. Dali podíamos ver perfeitamente os lances da escalada. O tempo estava fechado, mas como as nuvens estavam bem altas, podíamos ver bastante coisa. Ainda bem que o sol não havia saído. Com certeza teríamos mais dificuldade para subir. Aproveitei para fazer um lanche enquanto os outros chegavam.

Assim que todos chegaram começamos a nos preparar para a escalada. Não sabíamos muito bem como faríamos para acessar a base. Nossa intenção era fazer, além da via principal, outras que tem ali pelo local. Desci entrei num caminho à direita que havia visto na subida. Demos uma andada pelo local e não encontramos nenhum acesso à via. Na volta, vimos que o Fernando já estava lá embaixo esperando por nós. Voltamos e vimos o caminho, um pouco antes da rampa de pedra, bem direita, de quem sobe. Descemos e chegamos à base. Dali já podíamos ver a sequência de grampos do artificial, bem como um velho cabo de aço, ao lado de um bonita fenda.

Conversamos para ver quem entrava em qual via. O Blanco estava com vontade de guiar a Dominatrix, um VIIb conquistado em 2004 por André Ilha, Kate Benedict, Kika Bradford e Yuri Berezovoy e perguntou quem estava a fim de ir com ele. Acabamos decidindo que o Velhinho guiaria o artificial e eu iria com o Blanco. Na base, me ancorei numa pequena árvore e fui dando segurança para o Blanco que passou com dificuldade no lance, mas seguiu. Já na parada, foi minha vez de subir. O lance é muito bom e foi meio complicado dominar o lance até um batente, abaixo do tetinho. Optei por em pé, segurando numas micro agarras. Com a segurança de cima, as coisas ficam mais fáceis... Só alguns dias depois que vi um vídeo de uns caras fazendo o lance, numa posição bem diferente da que eu tinha feito. Bom, o importante é passar!

Segui subindo e já na parada, segui por cima da sela, literalmente montado em alguns trechos. Fui até o final, na esperança de conseguir descer e acessar o maior cume. Já na ponta não vi nenhum caminho definido. Havia muita vegetação e acabei desistindo de tentar. Voltei para a parada e o Blanco foi lá conferir. O tempo começou a mudar. Nuvens foram se formando e algumas trovoadas eram ouvidas. Senti que o Blanco estava com muita vontade de tentar subir, mas como já estava consideravelmente tarde e o temporal que se armava poderia nos pegar de surpresa, falei que não iria subir, mas se ele quisesse a minha segurança, estava ali.

Resolvemos não subir. Ele voltou até a parada e o Velhinho veio trazendo os outros participantes. A chuva chegou e não teve jeito. Molhou bastante e começou a ventar um pouco. O frio chegou. Já não tinha jeito de querer apressar as coisas. Melhor aceitar a situação... O Fernando estava num rapel em diagonal e pendulou alguns metros, se desequilibrando e batendo forte na rocha, a sorte era que ele estava de capacete. Foi uma batida seca. Passado o susto, tomamos mais cuidados, devido a rocha molhada e fomos descendo um a um. Aos poucos todos desceram. Fui o último. Desci recolhendo todo o material que havia ficado. A chuva foi parando e o calor e o vento, rapidamente fez com que minha roupa secasse.

De volta ao cume, comi o último sanduíche e começamos a descida. Fomos bem rápidos e ainda encontramos o grande grupo próximo à Cachoeira do Chuveiro. Como estava quente, não tive como não parar para tomar um banho. A água estava um espetáculo. Foi descansar um pouco e recarregar as baterias para o trecho final da descida. O tempo novamente começou a fechar, dando sinal que choveria forte novamente. Mas como já estava no final, não me preocupei muito. Mais alguns minutos e estávamos todos reunidos no bar da Fazenda, que fica ao lado do início da trilha. Depois de algum tempo a chuva caiu forte e durou bons minutos. Mas como estávamos no conforto, sentados em volta de uma mesa batendo um bom papo, não havia o menor problema... Não tinha hora de chegar... Nem me preocupei. Sensação de dever cumprido. Olhei em direção ao cume encoberto por nuvens, onde estava horas mais cedo e senti uma alegria irradiando. Ainda não consegui entender o fascínio que sinto pelas montanhas, pela natureza... Mas será que o tentar descobrir não seria o combustível para sempre chegar mais alto? Bom, não sei qual a resposta, mas sei que essa missão foi cumprida! Qual será a próxima?














terça-feira, 27 de novembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Trilha da Pedra da Gávea

Por Leandro do Carmo

Trilha da Pedra da Gávea


Local: Rio de Janeiro – Parque Nacional da Tijuca
Data: 07/09/2017
Participantes: Leandro do Carmo, Ricardo Bemvindo, Daniel Carvalho, Tatiana Freitas, Marcelo Kohatsu e José Lisboa.



Relato da Trilha da Pedra da Gávea


Quando fui a primeira vez na Pedra da Gávea, havia sido para escalar. Na ocasião, fiz a Travessia dos Olhos. Dessa vez subiria pela trilha normal. Uns amigos do trabalho queriam fazer uma trilha, eu sugeri a Pedra da Gávea. Apesar das dificuldades e obstáculos e de não ser nada aconselhável para pessoas inexperientes, resolvemos encarar o desafio. A semana havia sido de forte calor, com isso, marcamos bem cedo. Às 6 da manhã já estava passando pela Glória. Às 7 horas, chegávamos à Barrinha, onde encontramos o último que viria direto da Tijuca. Dali seguimos de carro até a Praça Professor Velho da Silva, onde estacionamos o carro. Dali, seguiríamos à pé. Existia a possibilidade de seguir subindo pela Estrada Sorimã, mas como poderia não ter mais vaga para estacionar, achei melhor estacionar um pouco mais distante. Afinal de contas, seriam apenas 500m a mais.

Começamos a subida e logo chegamos à portaria do parque. Mas antes de entrarmos literalmente na trilha, fizemos a tradicional foto. Dali fomos subindo, sempre num papo bem agradável. O início é bem bacana e passamos por vestígios de antigas construções. Mais acima, vimos a entrada para a pequena cachoeira. Por enquanto a subida estava suave, mas veio um trecho bem íngreme. Eu estava bem tranquilo, mas os que não estavam muito acostumados, começaram a sentir. Apesar do calor, não estava sol. Haviam muitas nuvens, mas por enquanto, isso não seria o problema. Passamos por vários trechos mais técnicos até chegarmos ao local conhecido como Praça da Bandeira.

Aproveitamos para descansar e fazer um lanche, além de beber bastante água. Ainda tínhamos um
boa subida pela frente, além do trecho mais difícil da subida, a famosa “Carrasqueira”. Depois de recarregadas as baterias, voltamos a caminhar. Aproveitamos para fazer uma foto num mirante bem bonito, onde temos uma vista impressionante para o “rosto do imperador”. Ali, podemos ver claramente o formato de rosto, parecendo ter sido esculpido. Daí, as inúmeras teorias de que a Pedra da Gávea é a prova de que os fenícios haviam passado por aqui há milhares de anos. Bom, a única verdade garantida, era que tínhamos que continuar a subida. Ainda bem que haviam nuvens. Senão, já teríamos problemas com o calor.

Como não chovia há muito tempo, estava bastante seco e o caminho a partir dali escorregava muito. Mais um pouco de subida e chegamos à Carrasqueira. Estava cheio. Ou melhor dizendo, extremamente cheio. Uma confusão. Gente subindo, gente descendo, gente vendendo rapel, gente chorando, um caos! Havia conversado com amigos que falaram: “Você é louco de ir na Pedra da Gávea em um feriado!”. Achei que fosse exagero, mas não, eles estavam certos. A galera ficou um pouco preocupada. Subimos até onde dava. Uma hora, parou tudo. Ninguém mais se entendia... Uns querendo descer, outros, subir. Como estava com uma corda, subi pelo lado e fixei-a num grampo, o que ajudou a galera subir. Acabei deixando a corda lá para pegar na volta, assim acho que ajudaria a diminuir a confusão.

A vista que tínhamos da Barra da Tijuca era fantástica. Claro que paramos para uma foto! Continuamos a subida e passamos pelo portal, uma curiosa formação rochosa em uma forma perfeita de uma grande porta. O trecho ali está bem erodido. Com cuidado vencemos mais esse obstáculo. Andamos mais um pouco até a subida final. Subimos por um amontoado de raízes expostas, até alcançar o cume. Fomos caminhando até o mirante voltado para a Zona Sul do Rio. Descansamos bem. Bebemos água, lanchamos e tiramos diversas fotos. O dia estava perfeito. O sol chegou meio tímido e foi ganhando força. A hora foi avançando e resolvemos voltar, afinal de contas havíamos concluído apenas metade do caminho.

Começamos a descida e os sinais de cansaço começaram a aparecer para os que não estavam tão acostumados. Mas mesmo assim, seguimos descendo, não tinha jeito. De volta à Carrasqueira, o que eu achava que estava ruim, havia piorado. Muito mais gente aguardava para subir e muitas, ainda para descer. Devagar, fui passando pelo lado e alguns desceram com o auxílio da corda. Montei um rapel assistido para um amigo e descemos juntos até a base. Não queríamos perder tempo. Subi novamente para retirar a minha corda e fiquei até com pena das pessoas que estavam ali. Um cara me implorou para deixa-lo usar a corda e descer com a namorada dele. Não tinha como recusar... Mas também não poderia ficar ali o dia inteiro. Assim que ele chegou até embaixo, desfiz o nó e desci.

Ainda bem que começamos bem cedo a caminhada. Quanto mais o tempo passa, mais gente vai chegando e se aglomerando. Seguimos descendo até chegar à portaria, onde batemos a foto do final da atividade. Todos cansados, porém felizes! Fomos direto até a padaria e fizemos um lanche reforçado. Pegamos o carro e enfrentamos o pesado trânsito de um dia de sol no Rio de Janeiro. Acho que demorei mais tempo para chegar em casa, do que para subir e descer. Mas depois de um dia como esse, não havia motivo para aborrecimento.... Era só curtir as lembranças!

Pedra da Gávea
Visual

Pedra da Gávea
Galera contemplando o visual

Pedra Bonita
Pedra Bonita lotada

Pedra da Gávea
Visual no cume

Pedra da Gávea
Já no cume

Pedra da Gávea

Pedra da Gávea
Início da caminhada

Pedra da Gávea
Na subida, a foto clássica!

Pedra da Gávea
São Conrado embaixo


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Vídeo: Travessia Cobiçado x Ventania

Por Leandro do Carmo


Relato completo


Travessia Cobiçado x Ventania

Por Leandro do Carmo

Travessia Cobiçado x Ventania

Data: 14/12/2018
Participantes: Leandro do Carmo, Alex Figueiredo, Fernando Silva e Leandro Pestana

Vídeo

A travessia Cobiçado x Ventania é uma das trilhas mais bonitas da Região Serrana. É o segundo trecho dos Caminhos da Serra do Mar, a caminhada corta a crista das montanhas que dividem as cidades de Petrópolis e Magé.

São 12 km de trilha e a parte mais exigente é a forte subida do Morro do Cobiçado, depois a trilha segue mais leve até o Pico dos Vândalos (1.742 m de altitude), ponto culminante da travessia. De lá podemos apreciar o visual de toda a Baía de Guanabara e da cidade Maravilhosa em contraste com as montanhas da Serra.

O destaque vai também para a flora da região, localizada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, rico em biodiversidade, durante a travessia é possível observar espécies de rara beleza, como as orquídeas e as amaryllis que, dependendo da época do ano, são vistas em abundância na trilha. Afinal, o PARNASO abriga a maior porção remanescente de Mata Atlântica preservada.

O terceiro cume, a pedra do Diabo, não é de passagem obrigatória. Normalmente, os caminhantes contornam a base da montanha. No entanto, o visual do topo é recompensador de onde se tem uma vista privilegiada da Agulha do Itacolomi.

Passamos ainda pelo morro do Tridente com uma bela vista para o vale do Caxambu e em seguida descemos para o Alto da Ventania. Avistar os Castelos do Açu, o Pico Grande de Magé e  o Alcobaça são também atrativos dessa trilha e fecham o último cenário da travessia.

A descida é bem tranquila e retorna ao bairro do Caxambu, passando ainda por cachoeirinhas e plantações que são o destaque da região.



Relato

Recebi o convite do Alex Figueiredo para a Travessia Cobiçado x Ventania e como estava de férias, não resisti ao chamado. A travessia é o segundo trecho da trilha de longo curso “Caminhos da Serra do Mar” que corta, por enquanto, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Marcamos de sair cedo de Niterói. Como haveríamos de pegar a ponte Rio x Niterói no horário de “rush”, não poderíamos deixar para muito tarde. Saímos tranquilos e com trânsito bom. Encontramos o resto do grupo já na rodovia Washington Luiz, na Casa do Alemão. Aproveitamos para reforçar o café da manhã. De lá seguimos caminho para Petrópolis.

Nosso destino era o bairro de Caxambu, especificamente na Igrejinha de Três Pedras. Lá deixaríamos o carro e iniciaríamos a caminhada. Chegando à Petrópolis, cortamos o centro da cidade e começamos a subir umas ruas bem estreitas, características da região. Passamos por casas bem humildes até entrar na área rural, onde as plantações de hortaliças se destacam na paisagem. Apesar de já termos visto a Igreja, e do GPS apontar o caminho, optamos por perguntar a uma senhora que passava próximo: “O Caminho para o Cobiçado é por aqui?” Ela respondeu: “É aqui sim. Mas é bem lá no alto!” Apesar da resposta desanimadora, pelo menos para ela, ficamos contentes de termos que abandonar o carro e começarmos a caminhada, afinal de contas, estávamos lá para isso.

Fizemos os ajustes finais e logo começamos a andar. O início é por uma rua bem precária. Fomos subindo e passamos por algumas propriedades produtoras de hortaliças. Ao final da estrada, o caminho mais óbvio é seguir reto, mas devemos dobrar à esquerda, seguindo um muro e uma rua de barro, que vai se estreitando mais à frente. Bem ao final do muro, há um FORD antigo, que pelo estado deplorável, permanecerá por ali por muito tempo. Alguns pararam para fotos e seguimos andando. O tempo estava bem fechado e apesar do calor dos dias anteriores, poderíamos até pegar uma chuva.

Mais um pouco de subida e chegamos a uma placa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos indicando o início da travessia. Paramos para mais algumas fotos e continuamos a subida. Cortamos alguns cursos d’água e fomos ganhando altitude aos poucos, até que a subida inclinou consideravelmente. A subida cobrava seu preço. O dia estava bem encoberto. Pelo menos o sol não castigava. Mais alguns minutos e estávamos no cume do Cobiçado, estávamos a 1.678 metros

Ali, fizemos nossa primeira parada. Não conseguíamos ver muita coisa. As nuvens estavam baixas e de vez em quando avistávamos alguma coisa bem ao fundo. Nesse ponto, a vista deveria ser um espetáculo. Seguimos caminho. Descemos um pouco e pudemos observar a crista ponde passaríamos, com o Picos dos Vândalos, bem a nossa frente, um pouco distante ainda... Depois da descida, veio mais uma subida. Seguimos assim até o Pico dos Vândalos. Fizemos mais uma parada e pudemos ver um pouco mais além. As nuvens haviam dado uma trégua... Até agora, havíamos caminhado bem. O dia estava bem agradável. O Pico dos Vândalos é ponto mais alto da travessia, com 1.710 metros. Fizemos mais uma parada.

Avisei que iria mais rápido, pois queria passar na Pedra do Diabo antes. A travessia não passa por ela, é preciso desviar e subir. Já que estava ali, aproveitei para subi-lo. Desci na frente, num ritmo bem forte e rapidamente contornei a Pedra do Diabo e achei o desvio para subi-la. A caminhada é curta e não compromete a travessia. Se o dia estivesse limpo, teria sido um espetáculo. Com tudo fechado, nem fiquei muito tempo lá em cima. Na volta, vi o grupo um pouco mais a frente e acelerei o passo até encontra-los novamente.

Dali chegamos ao Tridente, somente alguns metros mais baixo que a Pedra do Diabo, com 1.682 metros. Continuamos a caminhada e seguimos por uma forte descida até chegar a uma área bem aberta, antes do Ventania. Paramos para algumas fotos e seguimos andando. Faltava pouco para chegarmos ao Ventania. De longe podíamos ver umas pedras e as torres de transmissão de energia. O caminho que serpenteava rumo ao final da travessia, também ficara bem visível.

Mais alguns minutos e está vamos ao sopé de uma das torres. Ali paramos para um descanso. Nesse ponto, temos acesso à parte da travessia Caxambu x Santo Aleixo. Fui seguindo uma trilha bem definida até um mirante. Mas foi impossível ver alguma coisa. O tempo encoberto não me permitiu... Após algumas fotos, seguimos descendo, sempre acompanhando as torres de transmissão. Já chegando ao final, paramos para um delicioso banho num dos córregos da região. Uma parada obrigatória depois da caminhada.

Depois de uma boa descansada e um bom papo, seguimos caminho. Foram poucos metros de trilha, até chegarmos uma estradinha de terra. Dali seguimos descendo. Existiam algumas marcações de setas nos postes, indicando o sentido do “Caminhos da Serra do Mar”. Mais alguns minutos e chegamos ao ponto final do ônibus, onde existe um bar. Vimos o motorista dentro do bar e perguntamos se esse era o ônibus que iria de volta para a Igreja Três Pedras e se daria tempo para uma água. Ainda levaria uns 15 minutos para sair... Tempo suficiente para um merecido lanche! Aí foi só curtir e vigiar o motorista voltar para o ônibus.

Em mais alguns minutos estávamos de volta ao carro. Nada mal para um dia completamente fechado... Sempre uma experiência nova. Missão cumprida!














sexta-feira, 12 de outubro de 2018

domingo, 23 de setembro de 2018

Escalada na Via Leila Diniz

Por Leandro do Carmo

Escalada na Via Leila Diniz

Participantes: Leandro do Carmo e Vander Silva

Data: 21/01/2018



Relato

Coincidentemente, estava de volta a via Leila Diniz, exatamente, 6 anos depois. A minha primeira e única investida nessa via, havia sido em 21 de janeiro de 2012. Nesse dia, havia escalado com o Guilherme Belém e meu irmão, Leonardo Carmo, sendo a primeira via dele. Mas hoje, meu parceiro foi o Vander Silva. Como o calor no sábado havia sido algo meio clima desértico, sugeri ao Vander que entrássemos bem cedo na via. Como ele topou, marcamos as 6:30 em Itaipu, assim não correríamos o risco de pegarmos esse calor. Como estávamos só eu e ele, com certeza, às 10 horas já deveríamos ter terminado a via.

Acordei bem cedo, ainda estava escuro. Me preparei e saí de casa. O tempo estava nublado e com cara que poderia chover. Mas com o tempo que fez ontem, não dava para acreditar... Assim que passei o túnel de Charitas, caíram uns pingos que marcaram o parabrisa, mas olhando para o alto, tinha certeza que essa chuva não iria para frente. Passei na casa do Vander e de lá seguimos para Itaipu. Chegamos e a praia estava vazia, também pudera, não era nem 7 da manhã. A movimentação ainda não havia começado. Somente o pessoal dos bares e os pescadores transitavam pela praia. Aquele clima agradável de colônia de pescadores logo se transformaria... Mas com certeza, nesse momento já estaria bem alto!

Escalada na via Leia Diniz, Morro das AndorinhasO Vander ficou preocupado com o tempo e eu falei para ele não se preocupar, não iria chover! Caminhamos pela areia e chegamos à base da via. Enquanto mostrava ao Vander os grampos, uma mulher que trabalhava num bar que fica ao lado da base, falou: “É por aqui mesmo que o pessoal sobe.” O local tá frequentado! Nos arrumamos no conforto das mesas e comecei a subir. Nessa primeira enfiada, é fácil ver as sequências dos grampos. O primeiro grampo ficou baixo, devido a um platô construído por um antigo bar, demolido há alguns anos atrás. Não adiantava costura-lo. Subi mais um pouco e protegi no segundo grampo. Dali, fui subindo. A via tinha muita areia. Tanta areia, que parecia calçada de casa em frente à praia. Mais alguns lances e estava na primeira parada. O Vander veio logo em seguida. O tempo estava bem agradável.

Dali segui para a segunda enfiada. Com certeza mais chata da via. Segue subindo até abaixo de um grande platô de vegetação e fazer uma diagonal para a direita entre em meio vegetação. Já não tinha mais contato visual com o Vander e a corda fazia um grande arrasto. Fui no limite da corda e parei num grampo, montando a parada. O Vander chegou logo em seguida. Já tínhamos feito quase a metade da via.

Dali toquei para a terceira enfiada e novamente haveria contato visual. A via sobe bem levemente para a direita e segue assim até a próxima parada.  Os grampos a partir daí ficam um pouco mais espaçados, mas nada que comprometa. A via vai seguindo com lances bem tranquilos. O visual vai ficando cada vez mais bonito. Já fazia tanto tempo que nem lembrava direito da via. Estava como se fosse a primeira vez... Na verdade, lembrava para onde eu tinha que ir, mas nada além de uma vaga lembrança. Como a via fica bem tranquila, não me preocupei muito. Havia olhado o croqui na base e na primeira parada, mas como não parei na indicação dele e ainda acabei pulando um grampo, abandonei-o definitivamente.

Escalada na via Leia Diniz, Morro das AndorinhasSubi mais alguns lances e parei antes de um grande platô de vegetação, que dá a impressão de que é o final da via, mas ela continua numa longa diagonal para a direita, até um diedro bem visível. O próximo grampo fica escondido entre umas bromélias e de onde eu estava não estava vendo. Quando estiquei o pescoço para o lado, foi que vi o grampo. Dei segurança para o Vander que veio logo em seguida.

Dali segui, segui para a penúltima enfiada da via. Fui subindo sem muita dificuldade e optei por parar logo abaixo de um lance mais vertical, meio estilo domínio. O Vander veio em seguida e pedi para ele montar a parada dois grampos abaixo, visto que eu poderia cair nesse lance e como estava num grampo, daria uma queda fator 2. Daria até para fazer num trecho mais fácil, mas optei pelo mais difícil... Passado o lance, segui até a parada dupla final, uns 10 metros de onde estava.

Já no final da via, arrumei os equipamentos e fomos tentar achar o caminho. Tinha bastante mato, tentei por um lado e nada. Voltei e aí sim conseguir achar a trilha. Ela estava quase na direção dos últimos grampos. Pegamos a trilha de volta e rapidamente chegamos ao estacionamento. Era por volta de 10:30 da manhã... Dentro do esperado. Além do tempo de escalada, acertamos na previsão do clima. Dia extremamente agradável, sem chuva. Missão cumprida.

Vídeo




Fotos


Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas

Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas

Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas

Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas

Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas

Escalada na via Leia Diniz, Morro das Andorinhas