sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Parque Estadual da Serra da Tiririca


AmpliaçãoDecreto nº 41.266, de 16 de abril de 2008, com a inclusão de áreas de elevado valor ambiental como o Morro das Andorinhas e parte do entorno da laguna de Itaipu. Seu perímetro definitivo foi estabelecido na Lei Estadual nº 5.079, de 3 de setembro de 2007, cuja retificação foi publicada no D.O. de 8 de abril de 2011. Foi ampliado pelo Decreto Estadual nº 43.913, de 29 de outubro de 2012, com a inclusão de 1.241 hectares.

Área: aproximadamente 3.493 hectares 

Localização: região litorânea, abrangendo áreas dos municípios de Niterói e Maricá. Esta unidade de conservação é composta por uma área marinha e uma terrestre formada por uma cadeia de montanhas que adentra o continente na direção sudoeste/nordeste, tendo no seu divisor de águas a extremidade lindeira dos municípios de Niterói e Maricá, finalizando seus limites na rodovia RJ-106.

Abrangência: além da porção marinha e da cadeia montanhosa que dá nome à unidade, outras três áreas adjacentes à serra fazem parte da área natural protegida do PESET: Morro das Andorinhas, Núcleo Restinga e Duna de Itaipu, localizadas na região oceânica de Niterói, mais precisamente em Itaipu.

TEM COMO OBJETIVOS BÁSICOS


Manter e proteger a biodiversidade e os recursos genéticos do território; promover a sustentabilidade do entorno para o uso dos recursos naturais, estimulando o desenvolvimento integrado da região com auxílio da educação ambiental; preservar e conservar o sistema hidrográfico local, bem como favorecer a recarga natural do lençol freático; contribuir com a amenização climática; minimizar os riscos de erosão na região onde está inserido proteger todas as espécies vegetais e animais, bem como os ecossistemas a que pertencem, as belezas cênicas das paisagens, monumentos naturais, sítios arqueológicos e outros ativos culturais; estimular e auxiliar as pesquisas científicas do patrimônio natural, material e imaterial e favorecer o uso recreativo e cultural do parque, de forma adequada, pela sociedade.

Mapa


HISTÓRICO

A região da Serra da Tiririca é rica em vestígios de sítios arqueológicos, principalmente em Itaipu onde existem importantes sambaquis, registros da existência de populações pré-históricas de tradições variadas que se sucederam no local (Beltrão. 1978). Quando do início da colonização européia no Rio de janeiro, a região era habitada por tribos Tamoios e, em meados do século XVI, os Jesuítas construíram edificações para a catequese dos índios em Itaipu.

Criado pela Lei Estadual nº 1.901, de 29 de novembro de 1991, o Parque Estadual da Serra da Tiririca teve o perímetro ampliado pelo Decreto nº 41.266, de 16 de abril de 2008, com a inclusão de áreas de elevado valor ambiental como o Morro das Andorinhas e parte do entorno da laguna de Itaipu, local com presença de sítios arqueológicos. Seu perímetro definitivo foi estabelecido na Lei Estadual nº 5.079, de 3 de setembro de 2007, cuja retificação foi publicada no D.O. de 8 de abril de 2011. Foi ampliado pelo Decreto Estadual nº 43.913, de 29 de outubro de 2012, com a inclusão de 1.241 hectares, passando a ter a área de aproximadamente 3.493 hectares.

A criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca foi o resultado de uma experiência pioneira no Brasil. Normalmente os parques são criados por iniciativa de governo mas no caso da Tiririca a proposição e todo o projeto do Parque foi desenvolvido por iniciativa da sociedade civil. As primeiras denúncias contra as agressões à Serra surgiram no inicio da década de 80, dando origem a uma forte mobilização popular, que reuniu dentre outros, grupos ambientalistas, associações de moradores e moradores da região sem vínculos associativos. Uma Ação Civil Pública, a primeira no Brasil, foi impetrada contra um loteamento ilegal pelo Ministério Público, por solicitação da comunidade, ao Procurador João Batista Petersen.

COMO CHEGAR:

De carro
Partindo do Rio de Janeiro: O caminho começa na Ponte Rio-Niterói, seguindo já em Niterói em direção as praias oceânicas. O Posto de Recepção ao Visitante fica na praia de Itacoatiara, ao lado do Clube dos Engenheiros. O trajeto todo fica a 35 km de distância aproximadamente.
Partindo de Maricá: Seguir pela Estrada de Itaipuaçu até o Recanto de Itaipuaçu, onde é possível ter informações sobre os atrativos na sede administrativa do parque (seg-sex). Nos finais de semana é possível cruzar a serra em direção a Praia de Itacoatiara, onde fica o Posto de Recepção ao Visitante.

De ônibus
Partindo do Centro do Rio de Janeiro: pegue a Barca Rio Niterói (ou ônibus intermunicipal), depois o ônibus 38 (Itaipu) no Terminal Rodoviário de Niterói, desça em Itaipu e acesse o parque por suas diversas trilhas e atrativos presentes na região.


Pedra do Cantagalo via Jacaré
Pedra do Cantagalo via Vila Progresso
Travessia Vila Progresso x Av. Central
Trilha das Esmeraldas
Morro da Peça
Morro das Andorinhas
Laguna de Itaipu
Morro do Tucum
Enseada do Bananal
Alto Mourão
Platô do Camaleão
Córrego dos Colibris
Mirante do Bairro Peixoto
Mirante dos Colibris
Caminho de Darwin
Travessia Várzea das Moças x Itaocaia Valley
Circuito Várzea das Moças
Travessia Várzea das Moças x Engenho do Mato
Morro do Catumbi

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Fotos
Itaipuaçu vista da Trilha do Mourão

Orla de Niterói vista do Alto Mourão

Vista da Pedra do Cantagalo

Vista do Costão de Itacoatiara

Vista da Trilha do Morro das Andorinhas

Vista do Mirante de Itaipu, na Trilha do Morro das Andorinhas

No Mirante dos Colibris

Alto Mourão

Trilha em Várzea das Moças






quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Serra Fina, a difícil decisão de voltar!

Por Leandro do Carmo

Participantes: Leandro do Carmo, Blanco P Blanco, Vander Silva, Marcelo Correia, Guilherme Gregory, Rafael Faria e Gleisson Santos.

Depois de dois anos retornaria à Serra Fina. Muitos consideram como a mais difícil do Brasil. Mas convenhamos que isso faz mais parte do folclore do que da realidade. Não estou querendo dizer que é fácil, mas também dizer que é a mais difícil... Para alguém afirmar isso, deve, pelo menos, ter feito todas as travessias possíveis... Não há parâmetro.

Com perfil altimétrico forte, pouca água, lugares inóspitos, apesar de já pegar celular em diversos pontos, passar boa parte do percurso acima dos 2.000 m, opção de acampar na Pedra da Mina, 4º ponto mais alto do Brasil, com 2.798 m, todos esses fatores dão um charme especial à travessia. Bom, mas vamos ao que interessa, afinal de contas, não adianta falar muito sobre ela se tivemos que abortar...

Havia feito a travessia em 4 dias, mas dessa vez o desafio seria completar em 3 dias. Mas para isso tínhamos que mudar um pouco o planejamento, optamos por fazer o primeiro pernoite na base da Pedra da Mina e o segundo pernoite, na base dos Três Estados. Isso impediria que acampássemos nos cumes, mas pelo menos dividiríamos melhor o percurso. Outra coisa que alteramos no nosso planejamento, foi ao invés de ir para Passa Quatro e, ao final, contratar o resgate e retornar, optamos por deixar o carro no Abrigo Picus e contratar o transfer até o início da travessia, assim terminaríamos junto ao abrigo.

Com o planejamento feito, fomos monitorando as condições do tempo. Foram, praticamente, duas semanas de tempo ótimo. Nada de chuva ou nuvens. Mas a medida que ia se aproximando da data, foi dando alguns sinais de piora. A previsão era de uma passagem rápida de uma frente fria, ocasionando ventos e chuvas isoladas.  A princípio nada que assustasse. Mas uma coisa me deixou preocupado. Apesar de prever tempo bom, os sites mostram a previsão para as cidades. Lá no alto, as condições são bem diferentes.

Nossa programação era sair na quinta feira, às 20:00h. Marcamos de nos encontrar na sede do Clube Niteroiense de Montanhismo.  Já chegando em casa, a Thaiana, do Abrigo Picus, me passou uma mensagem avisando que havia chovido na região. Recado dado...  Durante o dia, como a previsão havia informado, ventou bastante e o tempo virou. Avisei a galera do recado que havia recebido e falei que estava inclinado a desistir. Resolvemos decidir todos juntos.

Com todos na sede do clube, foi hora de avaliar o que tínhamos: previsão razoável para os próximos dias com baixa probabilidade de chuva; apesar da rápida chuva, o tempo estava aberto na região de Itatiaia; tempo fechado em Niterói; além disso, tínhamos a opinião da Thaiana, que conhece bem a região. Apesar de tudo, após muita conversa, resolvemos manter a programação. Seguimos para a Serra Fina.

Assim que saímos de Niterói, pegamos uma chuva. Mas o irmão do Marcelo, que estava em Itatiaia, avisou que o tempo estava firme e aberto. Então, tínhamos certeza do acerto da decisão. Seguimos direto até o Graal de Itatiaia, onde fizemos uma rápida parada. Dali fomos direto para o Abrigo Picus, onde fomos muito bem recebidos pelo Felipe. Jantamos uma excelente comida e seguimos direto para o início da trilha. A cochilada nas quase 2 horas até o caminho para a Toca do Lobo foi importante, afinal de contas, iríamos começar a caminhar “virados”.

A noite estava fria. O céu aberto e com bastante estrelas. Dois amigos meus haviam feito a travessia na semana anterior, a Li-Chang e o Roberto Mohamed, e eu só pensava nas a belas fotos que eles haviam postado. Iniciamos a caminhada às 5h da manhã. Ainda estava escuro, quando iniciamos o caminho até a Toca do Lobo, uns 1.200 m de caminhada. Ali, alguns pegaram água, outros deixaram para o Quartzito. Como já estava com uma garrafinha, deixei para pegar mais acima. Atravessamos o rio e, enfim, iniciamos a verdadeira caminhada.

Nessa primeira parte do dia, seria uma subida forte ou melhor: só subida forte! Até o cume do Capim Amarelo, teríamos um desnível de aproximadamente 1.000 metros. Fomos subindo e a medida que ganhávamos altitude, podíamos ver as luzes das cidades ao fundo. Porém, quando olhávamos para cima, em direção ao cume, percebíamos que estava fechado. Mas continuamos. Aos poucos foi clareando e dei uma parada no Quartzito para abastecer meus cantis. Dessa vez não precisaria de tanta água, pois nosso objetivo era acampar no próximo ponto de água, na base da Pera da Mina.

Com o tempo claro, já tinha certeza que o tempo estaria bem fechado, mas não tinha noção do que nos esperava. Passamos por duas barracas onde um cara falou que no dia anterior, havia pego um vento fortíssimo, por volta do meio dia, que os fizeram desistir. Esse mesmo vento chegou ao centro do Rio, por volta das 15h. As condições nesse ponto já não eram as melhores, mas como estava cedo, achamos que poderia melhorar e seguimos subindo.

Fomos ganhando altitude e o tempo fechou de vez. Já não tínhamos visual. As nuvens estavam concentradas na região do maciço e a intensidade do vento foi aumentando.  Estávamos num bom ritmo. Até que começou a chover.  Uma chuva fina que por vezes aumentava. Como estávamos caminhando na linha de cumeada e só que foi sabe como é estreita, o vento vinha subindo pela escarpa da montanha, fazendo com que chuva literalmente “caía” de baixo para cima! O vento forte e a chuva potencializavam o frio e isso foi minando as minhas esperanças de concluir a travessia.

Como já havia feito, sabia do trecho bem escorregadio que havia acima, onde tem vários lances com corda fixa. Além disso, fica muita lama e com a chuva o perigo aumentaria. A subida foi dura. Minha mão já doía com o frio. Num dos pontos de acampamento, avisei que se não melhorasse, seria melhor desistirmos. Optamos por chegar ao cume do Capim Amarelo e de lá, avaliarmos. Mais acima chegaríamos no trecho mais forte do dia. Continuamos a subida e começamos a passar por trechos bem escorregadios.  A lama preta, característica daquele local, tornava a subida perigosa. Havia algumas cordas fixas. Algumas com degraus. Assim, subimos com atenção redobrada.

Como tínhamos que usar bastante as mãos, minha luva ficou encharcada e com isso o frio foi aumentando. Fui perdendo a sensibilidade nas mãos. Minha mão doía quando precisava segurar a corda para subir. Acelerei para tentar esquentar um pouco, mas o terreno íngreme e a mochila pesada me fazia diminuir o ritmo. Sem olhar muito pra cima, avançávamos lentamente.

Depois de muito penar nesse trecho, chegávamos ao cume do Capim Amarelo. Ao contrário da última vez que estive lá, dessa vez não havia ninguém no cume. O que não faltava era espaço. A chuva fina deu uma trégua, mas o vento ainda estava forte. Procuramos um lugar mais abrigado do vento. Minha mão estava dormente e não conseguia abrir o engate da mochila. Foi preciso pedir ajuda ao Vander para conseguir tirar a mochila. Tirei a luva molhada e comecei a aquecer as mãos. Aos poucos, a dor foi diminuindo e já conseguia manusear as coisas. Aproveitei para preparar um café e fazer um lanche.

Nos reunimos e foi e hora de decidir se continuávamos ou não. A decisão foi unânime. Devido as condições, era hora de voltar. É duro desistir, mas como sempre digo: a montanha sempre estará lá! Haveria possibilidade de voltar quando quisermos...  E começamos a descida... Passamos por aquele trecho delicado das cordas e descemos num ritmo bom. Já sem luva, minha mão não doía. Foi ficando mais fácil. Abaixo da linha das nuvens podíamos ver alguma coisa. Até dava a impressão de que o tempo estava melhorando, mas era só olhar para cima que tínhamos a certeza de nada havia mudado. Ao fundo, dava para ver uma forte chuva se aproximando, mas ela ainda estava longe.

Enfim havíamos chegado de volta à Toca do Lobo. Colocamos as mochilas no chão e descansamos um pouco. Agora teríamos a missão de conseguir voltar para o Abrigo Picus, afinal de contas, nossa logística era ter completado a travessia. Não tínhamos contato para voltar. Caminhamos até o Abrigo Serra Fina e tentamos um carro para nos levar, pelo menos até a rodoviária de Passa Quatro. Mas o que conseguimos foi um telefone de um cara que tem uma Kombi em Passa Quatro. Ligamos para ele, mas estava ocupado e passou o contato de um amigo. Conversando, ele até sabia em qual curva estávamos, pois era o único lugar onde pegava sinal de celular.

Esperamos por mais um tempo. Preparei um café e fizemos um lanche rápido até que a Kombi chegou para nos levar de volta ao Abrigos Picus. O tempo estava aberto, mas no alto da serra, havia uma concentração de nuvens pesadas, daquelas com sinal de temporal. Aquelas nuvens diminuíram a minha sensação de derrota... Mas fui entendo que não havia sido derrotado. Ou melhor, não existe competição na montanha. Apenas adiamos nossa missão. Descer, foi mais a escolha mais prudente. A melhor escolha. Não se pode ir contra a força da natureza. Poderemos voltar em outra oportunidade, afinal de contas, a montanha sempre estará lá!


Preparando um lanche no cume do Capim Amarelo

Tempo bastante fechado

Na hora do resgate

Na esperança do tempo melhorar

O tempo ainda estava bom

Rafael Faria

Descansando...

Voltando...

Na Toca do Lobo

Lanchando à beira da estrada

Na hora da descida

Descendo...

Tempo ruim, mas nada de mau humor!

Torcendo para melhorar

Marcelo Correia e Leandro do Carmo


Na crista, já voltado...


Chegada ao cume do Capim Amarelo

Na Toca do Lobo

Marcelo Correia e Blanco P. Blanco

Pausa para o lanche

Gleisson Santos

Vista geral com as pesadas nuvens acima