sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Guia de Trilhas de Niterói e Maricá: 26º dia, a travessia da Serra de Itaitindiba

Por Leandro do Carmo

Data: 12/03/2016
Participantes: Leandro do Carmo, Leonardo Carmo, André Pontes, Cris Anderson, Lando Mendonça e José Antônio

A Serra de Itaitindiba se destaca na paisagem de Maricá. Ela faz divisa entre os municípios de Maricá, São Gonçalo e Itaboraí. Foi nas pesquisas para mapeamentos das trilhas de Maricá que vi que seria viável fazer a travessia pela sua linha de cumeada. Na verdade, o nosso objetivo era fazer o Alto do Gaia a partir de Cassorotiba... Mas faltavam detalhes... Foi aí que comecei a aprofundar as pesquisas.

Não encontrei nenhum registro que indicasse que o caminho já havia sido percorrido e nem o que iríamos encontrar pela frente. Estava visível nas fotos de satélite um caminho por quase toda a linha de cumeada, mas existia um trecho sem caminho marcado... Esse seria, na teoria o nosso grande desafio.

Na semana anterior convidei algumas pessoas para participar da nossa empreitada. Conversando com o André, enviei alguns arquivos para ele preparar alguns mapas para nos ajudar. Discutimos também como seria nossa logística. A princípio pensamos em fazer no sentido Calaboca – Gaia, visto que o último ônibus que saía de Cassorotiba, seria as 12:00. Mas como ficaria muito apertado, decidimos pegar o primeiro ônibus, que sai as 8 da manhã, começando em Cassorotiba para terminar no Calaboca. Mais tarde vocês verão que essa foi uma decisão acertada!

E assim combinamos de nos encontrar na entrada do Spar. O André sairia de Inoã e nos encontraria no caminho. Eu, Leonardo, Cris, Lando e Zé Augusto nos dirigimos até a pracinha do Spar. Deixamos um carro na saída da trilha para facilitar a volta e o outro acabou ficando perto do ponto de ônibus. Pontualmente, às 8 h, o ônibus passou em Inoã e em poucos minutos estava passando por nós. Dentro do ônibus só o André e mais uma senhora. Também... quem vai parar em Cassorotiba as 8h de sábado? Entramos nos ônibus e ele foi balançando pela estrada de chão até que ele parou e o motorista disse: - Ponto final! A estrada não está boa e estamos parando por aqui. Esperávamos que seguiríamos até mais a frente, mas não tinha jeito, teríamos que iniciar nossa caminhada ali.

Estávamos na Estrada de Cassorotiba, nº 5000, em frente a entrada da fazenda homônima. Caminhamos por uma bela e agradável estrada e vimos que o caminho não estava ruim, daria para o ônibus passar numa boa...  A nossa esquerda a bela Serra de Itaitindiba e a direita, a do Macaco e Camburi. Passamos pela obra do duto da Petrobrás e começamos uma subida até que cruzamos para o município de Itaboraí. Dali, começamos a descer. Sabe aquelas horas em que as coisas começam a dar errado? Então... O GPS parou de funcionar e foi hora de sacar o mapa para poder nos auxiliar. Mas cadê o mapa? André tirou da mochila e esqueceu de colocar de volta. Vamos sem ele!

Continuamos caminhando e lembrei que tinha o arquivo no celular. E como ajudou! Vimos o ponto exato de onde teríamos que entrar. Seguimos subindo nesse primeiro trecho, mas optamos pelo caminho mais definido, o que não foi a melhor escolha... Ainda tentamos encurtar o caminho até o alto da serra, mas chegamos num trecho muito íngreme e fechado. Até daria para forçar a barra, mas o objetivo não era esse. Precisávamos de um caminho na qual as pessoas pudessem fazer. Como iríamos explicar esse trecho? Bom, decidimos voltar e seguir pelo caminho norma, ou seja o mais longo! Isso nos fez perder tempo. Seguimos descendo e fomos em direção a um colo, numa passagem entre os dois morros. Ali cruzamos uma cerca e descemos em direção a uma casa bem ao fundo vale. Dali, conseguíamos ver o nosso possível trajeto.

Chegamos na casa, na qual haviam algumas pessoas, cumprimentamo-las e pegamos algumas informações. Entramos por uma porteira e iniciamos um longo trecho de subida. Passamos pelas ruínas de uma antiga fazenda e no caminho, comecei a ouvir um barulho de água. Fui em direção a ela e encontramos um córrego com bastante água, o suficiente para nos refrescar. Foi hora de fazer a primeira parada do dia.

Voltamos a caminhada e seguimos por esse caminho bem aberto, até que passamos por umas ruínas. Nesse ponto aconteceu uma coisa curiosa: passando ao lado de uma jaqueira, caiu uma jaca a cerca de 1 metro de distância de mim... Se eu tivesse um pouco mais para o lado... Nem sei! Como a jaca já estava ali no chão, pensei: Vamos comer! Segunda parada do dia!

Seguimos subindo e já tínhamos uma linda vista para Itaboraí. Continuamos subindo até passarmos por uma grande árvore com uma sombra convidativa. Segui subindo lentamente até chegar a uma bifurcação. Para a direita chegamos a uma mirante voltado para São Gonçalo. Dali, conseguíamos ver o caminho na qual deveríamos pegar: uma íngreme subida paralela a uma cerca. No alto, chegaríamos ao Gaia, primeiro objetivo do dia. Voltamos à bifurcação e agora seguimos pelo caminho da esquerda e iniciamos a subida. No meio dela, havia um caminho em diagonal para a direita, na qual pegamos. Me arrependi de não ter ido ao cume onde há a divisa dos três municípios: Maricá, Itaboraí e São Gonçalo... O calor estava forte e optamos por não ir.

No alto, já com uma sombra, fizemos nossa terceira parada. Uma pausa um pouco mais longa, onde aproveitamos para lanchar. Adentramos por um caminho bem definido e bem agradável. Caminhávamos agora sobre a densa floresta e já não tínhamos o incomodo do sol. Porém não tínhamos mais nenhuma referencia visual. Mas o caminho bem definido, não deixava dúvida. Descemos por um longo trecho até que chegamos a uma pedra onde estava sendo construída uma antena. No alto da pedra, fizemos nossa quarta parada.

Dali conseguíamos ver novamente o caminho que teríamos que percorrer. Voltamos para a caminhada e foi difícil achar um caminho a partir daí.  Rodamos e nada. Decidimos voltar para linha de cumeada e encontramos novamente uma cerca. Seguimos com ela a nossa esquerda num trecho bem fechado. Foi um longo caminho e quando achávamos que iríamos encontrar algo aberto: mais capim... Encontramos o que parecia um antiga estradinha em meio ao capinzal, mas não pudemos seguir por muito tempo nela, pois ela segui em uma direção diferente da qual deveríamos ir.

Atravessamos um pequeno vale e logo conseguimos chegar num trecho mais aberto. Seguimos andando, mas fechou novamente. Fomos assim, alternando entre trechos abertos e fechados até que passamos por outra antena. A partir daí, tudo melhorou. Um alívio! Percebi que havia passado motos por ali. Isso de certa forma facilitou nosso trabalho em um trecho mais adiante.

A partir daí foi andar... Chegamos a um morrote e já dava para ver o Condomínio no final trilha. Havia mais um morro e já estaríamos na trifurcação da Serra do Calaboca. Caminhamos os últimos metros até entrarmos de vez na reta final. Daí foi seguir até o carro. Ainda paramos para um refrigerante, antes de seguir para casa.


Ao final da jornada, foram cerca de 18 km de caminhada num calor forte, em quase 8 horas de caminhada. Para quem fazia contas para começar no lado oposto e terminar a tempo de pegar o ônibus das 12:00, tivemos sorte em começar por Cassorotiba! Uma decisão acertada!

Caminho percorrido: