segunda-feira, 29 de junho de 2015

Livros que ando lendo: A Expedição Kon-Tiki

Por Leandro do Carmo



Título: A Expedição Kon-Tiki
Autor: Thor Heyerdahl

Sinopse: Tudo começou com uma pergunta: como os povos antigos se locomoviam pelo planeta? Quando uma jangada semelhante às embarcações pré-históricas deixou as costas do Peru em 1947, o norueguês Thor Heyerdahl (1914-2002) e seus cinco companheiros – mesmo sem nenhuma experiência em navegação – tinham uma única certeza: só o sucesso da travessia explicaria as relações entre a América e a Polinésia. Em "A expedição Kon-Tiki" – 8.000 km numa jangada através do pacífico, Thor relata sua experiência e cria uma obra-prima de reconstituição pré-histórica.

Comentário Pessoal: Um bom livro. Passar 101 dias a bordo de uma jangada não deve ser nada fácil. Mas para comprovar sua teoria, tudo era preciso. A narrativa final, com a visão das ilhas, é a melhor parte do livro. Valeu a leitura!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Escalada na Agulha Guarischi

Por Leandro do Carmo 

Data: 11/04/2015

Participantes: Leandro do Carmo e Stephanie Maia

Clique aqui para informações sobre via
O outono havia chegado. A temperatura ficou muito mais amena do que há 1 mês atrás... Já estava na hora de voltar a fazer algumas vias mais longas... E para começar a temporada, nada melhor do que a melhor escalada, na minha opinião, da cidade: Agulha Guarischi. Na verdade escalar a Agulha Guarischi, é fazer um mix de 3 vias: Paredão Zezão (completa) e partes da Sudoeste da Agulha Guarischi e Paredão Eldorado. (Clique aqui para mais detalhes).

Arrumar parceiro para essa via é a coisa mais simples... Na verdade, já estou devendo a guiada lá a um monte de gente!!! E foi em uma das reuniões sociais do clube que fechei com a Stephanie. Marcamos cedo. Apesar da temperatura agradável que vinha fazendo, diferente do calor dos meses anteriores, não queria ter problemas com o sol. Pedi autorização para entrar antes da abertura do Parque e, por volta das 07:15, entramos na trilha.
Acho que levamos algo em torno de 30 minutos para chegar à base da via. Lá nos equipamos e comecei a guiar. Costurei aquele grampo colocado recentemente e fui direto para o segundo, deixando o antigo de fora. Entre esses grampos está o lance o melhor e mais chato da via. E como pode ser chato e bom ao mesmo tempo? Só que escalada entende... Passado esse lance, segui escalando.
Mais alguns grampos costurados e estava na primeira parada... Aquele confortável platô. A Stephanie veio logo em seguida e iniciei a segunda enfiada. Aquela variante que proporciona menos arrasto na corda é bem legal... Segui subindo e parei no grampo abaixo do bico de pedra. A Stephanie escalou e pedi para ela parar no grampo de baixo, assim já saía com um grampo costurado.
A próxima enfiada, na minha opinião, é a mais bonita da via. Fui bem colado na aresta, onde rende um belo visual. Escalei bem devagar, só para curtir a vista. O sol já estava saindo e fica na direção da cara. Ainda bem que os lances são tranquilos. Montei a parada numa pequena árvore, naquela matinha do “pescoço da tartaruga”. Dali, dei segurança para a Stephanie, que chegou logo em seguida. Pegamos o equipamento e fomos para a base da próxima enfiada, onde bebemos água e comemos alguma coisa.
Recebi a ligação do Formiga, achando que eu estava na Emil Mesquista. Falei pra ele que estava na Agulha Guarischi e que em breve ele iria me ver. Quem estava na Emil Mesquita, era o Tauan e o Roberto. Primeiro achei que ele estava na cordada da Novos Horizontes, mas depois ao encontra-lo, me disse que estava na Chang Wei. Foi muito bom saber que o Formiga estava de volta as escaladas, depois do acidente que teve nas Torres de Bonsucesso, onde um bloco se soltou, enquanto escalada, o que ocasionou uma fratura exposta no braço, tendo levado 14 horas para efetuar a descida... Tenso!!!! Esse encontro, mesmo que a distância, resultou nessa foto aí...
Estávamos seguindo bem. Terminaríamos rápido a via. Segui escalando até a próxima parada, em um confortável platô, onde montei a parada. O dia estava bem agradável. Perfeito para escalar. Fui para a próxima e passei por aquelas veias de pedra. Formações muito bonitas. Montei a parada no grampo abaixo de uma dupla que tem a esquerda e a Stephanie veio.
Na parada, perguntei se a Stephanie gostaria de guiar esse último lance. Dei uma força e ela teve o prazer de chegar ao cume sem ninguém por perto! Existem lugares que trazem paz... Mas ali, é muito mais que isso. Sentir o vento batendo em seu rosto... O sol esquentando o seu corpo... E toda aquela vista que temos... Bom, podem até achar besteira passar por tudo o que passamos para chegar ao cume... Mas só quem esteve lá, poderá entender o que estou falando!
Ainda batemos algumas fotos antes de enfrentar os inúmeros rapéis...

Está decretada a abertura da temporada! Mais uma missão cumprida.









segunda-feira, 22 de junho de 2015

Vídeo: Escalada ao Nariz do Frade - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Vídeo da escalada ao Nariz do Frade e sua Verruga, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos - RJ.

Para acessar o relato clique aqui.

Vídeo em HD






quarta-feira, 17 de junho de 2015

Travessia Marins X Itaguaré

Por Rana Montanha

Sempre ouvi falar da tamanha dificuldade da travessia da Serra Fina, que devido à falta de água e ao grande desvio de altitude, era uma das trilhas mais exigentes do Brasil. Quando mais de uma pessoa virou e disse que a travessia Marins-Itaguaré era mais difícil me surpreendi, tinha de conferir. A começar por uma delas então.
Tudo se inicia com o convite da AndreÍna para esta missão organizada pela Keila, no feriado de Tiradentes. Eu e Sandro nos juntamos ao grupo quase fechado e demos início à preparação, afinal a temporada estava apenas começando e estávamos fora de forma. Fizemos algumas trilhas mais ou menos puxadas nas semanas anteriores e aumentamos o consumo de água em 50%, pois segundo relatos de pessoas que já haviam feito a travessia, a falta de água era o maior problema.
Na sexta-feira, dia 17 de Abril, partimos para Penedo afim de pernoitar lá e estarmos na base do Marins às 7h da manhã seguinte. Éramos 4: eu, Sandro e os marinheiros Davi e Silveira. Chegamos em Penedo às 23h e fomos tomar banho (the last) e dormir.

1º Dia (18/04/15): Penedo - Base do Marins - Pico dos Marins

Acordamos e às 4h30 estávamos na estrada. Tomamos café no Graal e assistimos o sol nascer na estrada Lorena-Itajubá. Keila nos havia passado todas as indicações bonitinho até a base, havia dois caminhos: um mais longo que ia por uma estrada de terra bem social, e outra mais rápida, por uma estrada de terra terrível que só passava 4x4. Ao entrarmos em Piquete vimos uma convidativa placa com os dizeres “Pico dos Marins”, nos empolgamos e entramos nela felizes. Adivinha qual caminho fomos? Sim, o pior. Nosso carro era 4x4? Nãããão...., mas o piloto era!
A estrada era lindíssima e perigosa, víamos o Pico dos Marins e outro todo charmoso ao lado, ambos recebendo os primeiros raios de sol. Mas a atenção não podia ser desviada, afinal estávamos à beira de um abismo e a cerca de arame farpado não parecia que fosse segurar o carro nas curvas. O carro ia sofrendo na estrada, mas seguia em frente. Até o crux: uma subida íngreme que era necessária tração em ambas as rodas. Sandro tentou uma, duas, três vezes e nada. Saímos do carro com as cargueiras, novas tentativas e nada. O tempo ia passando, demoramos uma meia hora ali. Desceram dois montanhistas na estrada dizendo que era impossível passar naquele trecho, que até 4x4 sofria, e que a melhor opção era dar meia volta, retornar tudo, e seguir pelo outro caminho. Íamos demorar 1h30 com isso, mas não tínhamos escolha... Quem disse?? Sandro parecia ter se dado por derrotado e deu meia volta no carro. Quando nos dirigíamos até o carro para entrar Sandro grita: “Sai de trás!”. Engata e ré sobe a toda velocidade de costas. Ninguém acreditou quando ele mandou o lance sem a menor dificuldade... foi realmente algo inesquecível! A expressão de satisfação do Sandro era impagável, sabia que não ia desistir.

Entramos no carro e seguimos nosso caminho. Passamos pela tão esperada imagem de Nossa Senhora e às 7h30 chegamos na base dos Marins.
Foto de início da trilha / Galera perdida nas nuvens
A galera já estava terminando de se aprontar. Ao todo éramos 12 guerreiros: Keila, Serginho Xpada, Gisele, Matheus, Leandro, Andreína, Ivan Diesel, Emerson, Sandro, Davi, Silveira e eu. Tiramos foto e partimos às 8h.
O início da trilha é bem tranqüilo, no final dela subimos por uma estradinha até o morro do Careca, que tinha um visual espetacular. De lá nós víamos nosso destino do dia, o Pico dos Marins, e o Marinzinho, ambos parcialmente entre nuvens. No final da estrada havia duas trilhas, pegamos a da esquerda e seguimos até a bifurcação do último ponto de água do dia. Á direita era o caminho a ser seguido, a da esquerda nos levava até outra bifurcação em que pegando a direita levava até um pequeno riacho. Enchemos as garrafas e voltamos para seguir até nosso objetivo. A partir deste o ponto a subida não acabava mais, era um costão sem fim, quase uma Isabeloca (Petrô-Terê). As nuvens chegaram com vontade e junto com elas o vento gelado. O visual era zero, a temperatura caía, o que nos ajudava a economizar na água e nos impedia de ficar muito tempo parado, o que acelerava a subida. Subimos e contornamos o morro pela esquerda. Era necessária muita atenção para não errar o caminho, sempre havia algum totem indicando ou uma discreta seta amarela na rocha. Havia pontos que tanta gente errava que começava a se abrir outra trilha que não dava em lugar nenhum, o GPS nos foi muito útil.
Era um trepa-pedra interminável, alguns só se acreditava que dava para passar depois que passava. Encontramos um casal de idosos no meio da subida que nos deixaram impressionados com tamanha vitalidade. Passamos por um lance de escalada em uma fenda de dez metros que demorei a crer que o caminho realmente era por ali.
Chegamos ao ponto de bifurcação entre o caminho de quem segue para a travessia (em frente) e outro que ia para o Marins (à direita). Um grupo de 10 pessoas passou por nós com mochilas de ataque, iam fazer a travessia em um dia. E nós tocamos em direção aos Marins.
Então passamos pela parte mais confusa da travessia. Havia muita nuvem e haviam totens para todos os lados. Conseguimos nos encontrar com a ajuda do GPS, passamos por um charco e paramos para almoçar num chapadão bem social, eram 13h. Em seguida chegamos ao acampamento um pouco antes do costão final até o cume. Alguns resolveram acampar por lá, mas a maioria seguiu e chegamos ao cume às 14h, com as nuvens aos poucos se tornando menos densas.
A área de camping era abrigada do vento, montamos as barracas e descansamos um pouco. Aos poucos chegavam cada vez mais gente, fomos explorar o cume e assistir ao pôr-do-sol. Davi, Silveira, Serginho e Gisele que haviam acampado lá embaixo, nos encontraram no cume. Nesta hora as nuvens se dissiparam, o vento deu uma trégua, limpou tudo. As montanhas se exibiram para nós, enchendo nossos olhos e as câmeras fotográficas de beleza. O sol se foi gracioso, deixando um tom alaranjado em um dos pontos mais altos de São Paulo*, até a escuridão enfim tomar conta.
O cume estava lotado, havia montanhistas que apreciavam a natureza e não-montanhistas que puxava fumo, falavam alto e colocavam música alta. Fizemos nosso jantar com direito a feijoada, estrogonofe com purê de batata liofilizado que estava com uma cara ótima. Em meio às conversas surgiu a história do temido Corpo Seco, um ser (ninguém explicou direito o que era) que sugava a alma dos montanhistas desavisados (é isso mesmo?? Rsrs).

Fomos dormir às 20h, a noite estava estrelada e o dia seguinte prometia ser lindo.
*A título de curiosidade, o Pico do Marins (2420 m) é considerado o pico mais alto de São Paulo a estar inteiramente dentro do território de São Paulo. Picos próximos como a Pedra da Mina (2798 m) e o Marinzinho (2432 m) são maiores, porém fazem divisa entre São Paulo e Minas (fonte: http:/ /pt.wikipedia .org/wiki/ Pico_dos_ Marins). Alguns consideram o Pico do Marinzinho como um setor do Pico do Marins, nomeando este último como o segundo ponto mais alto de São Paulo. Sejamos francos? Pontos altos de São Paulo: Pedra da Mina > Pico do Marinzinho > Pico dos Marins. O terceiro lugar não vai diminuir sua beleza.

2º Dia (19/04/15): Pico dos Marins - Acampamento antes do Itaguaré

A promessa foi cumprida, o dia amanheceu lindo. Acordamos 5h30 para ver o famoso nascer do sol do cume dos Marins. Davi subiu sozinho no cume para ver o espetáculo conosco. O sul surgiu tão gracioso quanto se foi, uma bola laranja, bem ao lado do Pico do Itaguaré, nosso destino na travessia. O tempo estava ótimo, com poucas nuvens, conseguimos avistar a Pedra Redonda, Marinzinho, Serra Fina...
Tomamos nosso café ao calor do sol com direito a um cafezinho de montanha delicioso, não ventava. Começamos a descida do cume às 7h30, Ivan Diesel estava sentido uma torção no pé e estava duvidoso se ia continuar a travessia, o que foi rapidamente esquecido depois do sangue esquentar. Na verdade sua disposição em caminhar era muito maior que a minha, por exemplo, rsrs. Enquanto descia o cume eu me perguntava quão delicioso seria descer aquele costão na chuva...
Encontramos com o pessoal que acampou embaixo e seguimos nosso caminho. Um pouco depois nos abastecemos de água em um rio escondido (um pouco acima do local aonde tinha a placa da existência de coliformes fecais), e com a as mochilas pesadas começamos a subida do Marinzinho, que de ‘zinho’ não tinha nada. Passamos por um charco que era necessário muita criatividade e fé para não afundar até o joelho, muitos não tiveram essa sorte... Nesta hora eu agradeci a Deus por ter comprado um bota impermeável alguns dias antes da viagem. Ótima aquisição.
Para a subida do Marinzinho era necessário ter mãos livres e firmes, qualquer queda faria um belo estrago. A pedra era bem aderente e afiada, todos ficaram com cortes nas mãos. O tempo estava ótimo e o visual era belíssimo, o que atrapalhou a subida de seu Emerson que não sabia se segurava na rocha ou pegava a câmera para bater foto rsrsrs... No topo do Marinzinho passamos pelo caminho que ia para o abrigo do Maeda, e seguimos em frente até a descida por corda fixa. Descemos, subimos, nos perdemos, nos achamos e finalmente chegamos na Pedra Redonda (que não é Redonda!!), aonde paramos para almoçar. As nuvens finalmente nos alcançaram e chuviscou por dois minutos, para depois o sol voltar com força total. Passamos por vários campos de capim maiores que nós, que era ótimo para se desorientar, mas o Serginho que ia na frente parecia que farejava o caminho. Um grupo que fazia a travessia no sentido oposto passou por nós surgindo do nada entre o capim gigante.
Chegou um momento em que entrei em uma espécie de transe devido ao cansaço e confesso que não me lembro de muita coisa, só de quão belo era o lugar. O sol estava forte, lembro que passei o protetor e isso me pareceu que atraiu a chuva, que começou a cair 5 minutos antes de chegarmos a uma área de acampamento grande o suficiente para nossas 6 barracas. Eram 16h, foi necessário um verdadeiro trabalho em equipe para montarmos as barracas sem molhar por dentro. Entramos nelas e ficamos conversando e ouvindo as piadas da Andreína, que cada vez ia se superando mais rsrsrs. In de pen dance Day?? Tá de sacanagem... a melhor!
Lá pelas 18h a chuva deu uma trégua, foi o tempo certo de prepararmos a janta, tão boa quanto à da noite anterior, com direito a arroz com caldo de galinha! Enquanto cozinhávamos, víamos a silhueta do poderoso Itaguaré em meio aos relâmpagos; estávamos sozinhos na montanha, sentimento maravilhoso. Nossa única preocupação era com a água que acabava e com as luzes que piscavam no meio do mato, o Corpo Seco nos observando...
Quando a chuva recomeçou percebemos o quão camarada São Pedro estava sendo. Nosso problema era a falta de água, ele manda chuva. Eu e Sandro colocamos a panela e o prato na calha da barraca e conseguimos captar 2 litros de água, problema resolvido. Fomos dormir às 21h e apaguei até o dia seguinte.

3º Dia (20/04/15): Acampamento - Pico do Itaguaré - Final da travessia

Acordamos às 6h, o céu estava limpo e as poucas nuvens estavam avermelhadas pela aurora. O Itaguaré nos observava todo charmoso, esperando nossa visita. Tomamos café e levantamos acampamento, às 8h já estávamos caminhando.
Não me recordo de quantas vezes tivemos que retirar as mochilas das costas para passar nos lugares apertados do caminho. Chegamos à base do Itaguaré às 9h30, deixamos as cargueiras por lá e atingimos o cume. O Itaguaré estava em meio às nuvens, e com seus 2307 m de altura, reinava soberano em seu entorno. Seus paredões e abismos me lembravam as Prateleiras, no PNI. Confesso que estava meio apavorada com a altura, diferente do Silveira que resolveu se pendurar na beirada do abismo para uma foto que não ficou tão boa assim... foi mal rsrsrs. As nuvens às vezes se retiravam, nos possibilitando a ver todo o percurso da travessia. Leandro resolveu explorar o cume e acabou encontrando um tesouro de um jogo internacional de caça ao tesouro (é isso??), em que se você retirar o “tesouro”, deve deixar outro no lugar.
Cume do Itaguaré
O Itaguaré para mim se resumiu em duas palavras: medo e fascínio. Em alguns pontos, qualquer escorregão resultaria na mais bela morte que um montanhista pode ter.
Descemos do cume e prosseguimos nossa caminhada. Passamos pelo tão esperado ponto de água e por áreas de acampamento belíssimas. A vontade era de ficar por ali, meditando em meio ao silêncio das montanhas, mas tínhamos de continuar.
Uma descida íngreme resultou em vários escorregões e nos vídeos mais engraçados da travessia rsrsrsrs. Encontramos um grupo de conhecidos da Keila que faziam a travessia no sentido oposto. A partir deste ponto a descida foi uma trilha na floresta, que massacravam os joelhos. Tempos depois naquela descida eu estava no já conhecido transe, só despertado pelo surgimento de um oásis: um rio caudaloso. Depois de 2 dias sem tomar banho, aquele foi um dos mergulhos de rio mais gostosos que já dei, renovou a alma.
Chegamos ao final da trilha às 13h, a Kombi do resgate já no local. Enquanto voltávamos para a base dos Marins, caiu uma chuva de serra gostosa. A região era muito tranqüila e bucólica, passamos por várias plantações de tomate que tivemos o prazer de experimentar alguns. Ao chegarmos na base, o almoço estava nos esperando, uma delícia, com direito a uma cervejinha para brindar a aventura.
De barriga cheia, nos despedimos dos companheiros de aventura e perrengue e pegamos o caminho, agora o certo, até a Dutra. Seguimos então para o Rio de Janeiro, para nossas preocupações bobas e cotidianas, que nos motiva a sempre buscar refúgio nas montanhas.
Valeu galera, foi uma viagem maravilhosa! Adorei conhecer esse lugar incrível, estar nas montanhas e com pessoas super alto astral! Partiu para próxima! BTBW!
Da esquerda para direita: Marinzinho, Pedra Redonda, Itaguaré, galera BTBW!

Mais um cume

Chegando...

Na van

Descendo o Marinzinho

Descida do Itaguaré

Pedra Redonda ao fundo

Pedra Redonda

Pico do Itaguaré

BTBW no Pico do Marins

Pico do Marinzinho



terça-feira, 9 de junho de 2015

Escalada - Nariz do Frade e sua Verruga - Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Por Leandro do Carmo

Local: Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Data: 16/05/2015 

Participantes: Leandro do Carmo, Alfredo Castinheiras, Michael Patrick, Vinícius Araújo, Daniel Talyuli, Roberto Andrade, Tauan Nunes e Marcos Lima.

A trilha: Pegar a trilha da Pedra do Sino. O início fica metros antes de começar uns canos de ferro, que levavam água ao antigo Abrigo 2. A entrada da trilha é bem discreta e andando alguns metros, você verá um pequeno descampado, depois seguirá descendo e subindo. Cruzará dois pequenos riachos. Mais a frente, entrará numa parte bem íngreme até caminhará numa crista até começar a subir forte novamente. Após essa subida, virá o Paredão Roi Roi, será preciso estar encordado ou  fixar uma corda para segurança. Mais uma subida forte e estará na base do Nariz do Frade

Dicas da escalada: A chaminé é longa e mau protegida, principalmente nos 3 primeiros grampos. Eu escalei mais para fora, na parte mais aberta, um pouco fora da linha dos grampos, e me aproximava para costurá-los. Optei por não costurar o segundo grampo, pois ele fica numa parte bem estreita, fui direto do primeiro para o terceiro. Há uma parada dupla, bem confortável num platô. A partir desse platô, escalar em livre numa sequência de 4 grampos até uma pequena entrada (entrar na de baixo, a menor). Nesse dia estava bem úmida. Faz uma chaminé horizontal, bem apertada, onde segue agachado até o final, dali já dará para ver a luz lá no alto. Não tem grampo nesse trecho, mas tem excelentes buracos para por os pés. Saindo do buraco, tem mais dois grampos no final e já estará no cume do Nariz do Frade, uma base bem ampla. Faltará subir a Verruga. Lá tem dois grampos para artificializar a saída e será necessário fazer um lance em livre, um 3º, até chegar a um grampo antigo e grande. Mais acima há um grampo de cume. Para o rapel, existe um grampo, logo após a pedra onde fica o livro de cume, que dá para chegar ao platô num rapel que começa positivo e termina aéreo. Existe uma parada dupla mais em baixo,  mas considerei arriscado montar o rapel ali, muito exposto. Do platô, com duas cordas, desse direto, com uma corda, deverá fazer mais um uma parada dupla no meio da parede.

Relato

Era o dia da Abertura da Temporada de Montanhismo do PARNASO. Nós do Clube Niteroiense de Montanhismo, havíamos programados de fazer vários cumes nesse dia, entre eles: Papudo, Sino, São Pedro, Neblina e a Verruga do Frade. Ao total, fomos 30. Isso mesmo, 30! Resolvemos alugar duas vans, assim poderíamos curtir mais o evento, mesmo depois de um dia cansativo... Mas vamos ao que interessa, vamos ver como foi subir essa tal Verruga...

A ideia inicial era escalar a Verruga do Frade e depois continuar na Travessia da Neblina, afinal de contas, estaríamos na base do Nariz do Frade e, teoricamente, era só escalar a grande chaminé e depois a Verruga... Mas entre a teoria e a prática... Há uma grande diferença, ou melhor, uma grande chaminé!

Chegamos na Barragem e iniciamos a trilha às 08:30h. Seguimos pelos incansáveis zigs zags da trilha do Sino e fizemos nossa primeira parada, coisa bem rápida, na Cachoeira do Véu da Noiva. Descansamos e seguimos caminho. Acho que de tanto fazer esse caminho, ele ficou até mais curto e logo estávamos no local do antigo Abrigo 2. O começo da trilha é a esquerda, numa discreta saída, alguns metros antes de começar os canos de ferro que levavam água para o antigo abrigo.

Ali, tomei a dianteira e segui descendo. Não havia feito a trilha, nem a escalada, mas sabia que era por ali. O caminho até que era óbvio, um pouco fechado em alguns trechos, muito fechado por causa dos bambus caídos em outros, mas seguimos. Cruzamos dois riachos e entre as curvas da trilha, pisei e afundei, só não rolei barranco abaixo, porque consegui me segurar.  Continuamos e bem mais a frente, quando pega uma parte mais plana, tem uma pegadinha que muitos desavisados chegam a ir reto, até parar no meio do nada. Foram colocados alguns galhos e existe um totem. Nesse ponto deve-se começar a subir. Não é tão óbvio, mas com um pouquinho de atenção dá para perceber que é por ali.

Começamos a parte mais chata da subida, num local muito instável e íngreme. Aos poucos, fomos vencendo a subida e chegamos  a uma bifurcação, onde dobramos a direita e seguimos a parte mais bonita do caminho. Caminhamos pela crista até que começamos a subir forte novamente. Mais a frente, chegamos ao Roi Roi. Uma sequência de alguns grampos que fui subindo sem segurança e fixei uma corda para agilizar a subida. Depois de fixada a corda, continuei a trilha até um mirante onde era possível ver o Nariz do Frade e toda a sua beleza.

Já há alguns minutos ali contemplando a beleza, o Marcos Lima chegou e aproveitamos para fazer algumas fotos. A cidade de Teresópolis,  ao fundo, tentava de qualquer maneira aparecer nas fotos, mas o ballet das nuvens, ao mesmo tempo que cobria a nossa visão, dava um espetáculo a parte... Segui até a base da chaminé, afinal de contas, não via a hora de chegar lá em cima. Até que caminhamos bem... Levamos cerca de 2 horas para percorrer o caminho. Quando cheguei
de frente a chaminé, pensei: “Tô f...”. Sabia que era grande, já havia visto fotos, mas ao vivo... Era beeeeeem diferente.  Já tinha uma cordada na via e o último estava começando a subir. Achei que seria rápido, mas no rítimo que ele estava indo, iria demorar um pouco. Todos chegaram e aproveitamos para fazer um lanche. Enquanto lanchava, fui dar uma olhada pelo local. De cara já deu para ver que o primeiro grampo era bem, mas bem alto mesmo.

Já tinha a dica de que a melhor forma de subir não era seguir o grampo e sim, escalar pela parte mais larga da chaminé e se aproximar do grampo somente para costurá-lo. O caminho da conquista foi outro, bem lá no fundo. No relato dos conquistadores, que está no arquivo do CEB, consta que quando chegaram a base do “Nariz” perceberam que o melhor caminho seria uma chaminé de aproximadamente 50m. Úmida e com bastante limo, utilizaram a técnica vigente na época. Construíram uma grande escada, improvisada com varas de 5 a 6 metros de comprimento. Vencido este obstáculo ainda tiveram que atingir o topo da verruga do nariz do Frade. Mais 11 metros de escalada e atingiram o topo. Esta conquista precisou de um grande trabalho de equipe que se iniciou no dia 04 de junho de 1933, com a abertura da trilha até a base por Malvino Américo de oliveira, Andral Povoa e Luiz Gonçalves. Na semana seguinte juntaram-se ao time Alcides Rosa de Carvalho, Arlindo Motta e Antônio F. de Godoy. Para a construção da escada e investida final reforçaram o grupo os Montanhistas José Claussem e Miguel Ignácio Jorge. Mais tarde foi instalada uma grande escalada, feita com cabos de aço, que acabou se perdendo no tempo e hoje não está mais no local. A foto ao lado, gentilmente cedida pelo Sobral Pinto, mostra como era essa escada.

Depois de 1 hora esperando, iniciei a escalada. Comecei a subir bem pela parte de fora da chaminé. Fui subindo, tentando manter um ritmo constante. Parei para dar uma descansada e olhei para cima, o grampo ainda continuava longe, olhei para baixo e também já estava longe... Com o apoio da galera continuei subindo. Mais alguns longos metros e costurei o primeiro grampo e pude descansar um pouco, cerca de 1 minuto e já parti para o próximo. O segundo grampo fica muito para dentro da chaminé.  Talvez a parte mais apertada... e olha que sou pequeno e magro... Resolvi ir direto para o terceiro. A chaminé tem ora que fica tranquila, mas em alguns lances fica apertada, mas de uma maneira geral é boa. Só é bem longa e pouco protegida.

Chegando ao terceiro grampo, passei a costura e dei mais uma pausa. Os grampos seguintes estavam um pouco mais próximos e a linha ia seguindo para a direita. Continuei subindo e em alguns momentos colocava o joelho na parede para ajudar a descansar... Mais acima, costurei o quarto grampo, depois o quinto e finalmente o sexto. Esse último, fica do lado oposto, já no final da chaminé, na base do platô. Como ele estava atras de mim,  estiquei o braço para costurar e passar a corda, só depois que fiz o movimento e girar e passar para o platô.

No platô a cordada da frente ainda estava lá. O Guia já havia ido e faltavam os dois participantes. Montei a parada e fixei a corda, para que o pessoal viesse subindo. Enfim pude descansar um pouco... O primeiro a chegar foi o Alfredo, que trouxe mais uma corda, na qual fixei também.. Em seguida, veio o Marcos Lima. Enquanto o resto de pessoal subia, o Alfredo e o Marcos preparavam o caminho para a próxima enfiada. Uma sequência de 4 grampos, num misto de pequenas agarras. Só que estava escorrendo muita água e resolvemos colocar alguns estribos. Chegaram também o Daniel e o Roberto. Enquanto aguardávamos os outros, acompanhávamos o outro grupo de CNM na Travessia da Neblina. Depois, chegou o Michael e, por último, o Vinícius.

Enquanto o Vinícius vinha subindo, puxei uma corda e já parti para o próximo desafio. O Alfredo, que já havia feito, me disse para seguir pela menor entrada, nesse caso, a de baixo. E para lá segui... Quando cheguei na entrada, falei: “Alfredo, você tem certeza que é por aqui?”. Tive que fazer alguns movimentos contorcionistas para poder entrar. Estava  bastante úmido o interior dessa passagem. A parede de trás era um pouco inclinada para frente, porém com bom apoio de pés, e isso facilitou um pouco as coisas. Entrei literalmente fazendo a dança do siri, bem agachado. Pois é nessa posição mesmo, se é que você conseguiu imaginar alguma coisa... Segui sem costurar (pois não há grampos) numa horizontal, até que pude ver mais acima, a luz no fim do túnel! Iniciei a subida, passando por uma pedra no estilo 127 horas, que nem encostei nela... Enfim, havia terminado. Puxei a sobra de corda, a fixei e avisei para os próximos subirem.

Por alguns minutos fiquei sozinho a contemplar toda aquela beleza. Depois de todo o esforço, uma sensação de conquista e alívio me tomaram conta. Nunca havia sentido isso antes... Sentei aos pés da Verruga e pude observar, do outro lado, o pessoal na Travessia da Neblina. Aproveitei para assinar o livro de cume e dar uma volta na ampla base do Nariz do Frade. Em seguida, chegou o Alfredo. Quando ele chegou, aproveitei para subir a Verruga. Antigamente existia um cabo de aço, mas hoje, só restam os grampos, na verdade 4. Além de dois grampos iniciais, o que é necessário para fazer o artificial da saída, tem um lance em livre obrigatório, acho que 3º grau até um grampo grande e antigo. Depois desses três, tem um lá no cume. Me encordei e segui para o lance. Coloquei duas fitas no primeiro grampo e mais uma no segundo. O que mais importava agora era chegar ao cume. Mais algumas passadas e estava no cume da Verruga do Frade. Agora sim missão cumprida, ou melhor, quase cumprida, pois faltava a volta...

O Marcos foi o próximo a subir e em seguida o Alfredo. Já passávamos das 14:30h e resolvi descer e agilizar o pessoal que faltava subir. Quando o penúltimo subiu, puxei uma corda e fui começar a preparar o rapel. Desci até ao platô no final da chaminé, montei a parada e esperei a galera descer. Aos poucos todos estavam lá, sete no total. Emendamos duas cordas e começamos o rapel até a base. Abri esse rapel, e rapidamente cheguei a base. Ali fiz um lanche e esperei a galera chegar. Ainda tínhamos muito trabalho, já era 17:00 h e com certeza, faríamos a trilha a noite. Quando todos já estavam na base e alguns já finalizando o lanche, fui com uma corda para fixar no Paredão Roi Roi e agilizar a descida. Aos poucos, a luz do sol foi acabando e como estava muito nublado, anoiteceu por volta das 17:30 h. Antes do último a fazer o rapel, já estávamos com a lanterna ligada.

Voltamos a andar e a trilha na parte mais baixa, onde as nuvens se concentravam, estava molhada, havia chovido um pouco e sentíamos que estava chuviscando, mas como a floresta é bastante densa, impedia de vermos alguma coisa. Levamos alguns tombos e acho que ninguém escapou... Fui seguindo na frente e em alguns pontos tive ir voltar para tentar achar o caminho correto. Mas seguimos e foi um alívio chegar à trilha do Sino, no local do antigo Abrigo 2. Descemos e fizemos uma parada na Cachoeira Véu da Noiva. Encontramos o grupo que vinha da Travessia da Neblina. Alguns desceram, outros preferiram descansar mais um pouco. Eu fui logo em seguida e caminhei sozinho até a Barragem, onde cheguei, exatamente 12 horas depois de começar. Peguei a trilha suspensa e fui descansar na Casa do Montanhista, onde rolava o evento da ATM.

Agora a missão estava cumprida! Valeu a todos por essa grande e inesquecível aventura!!!

Alfredo assinando o livro de cume

Escalando a Verruga do Frade

Final da última chaminé

Homenagem a um dos conquistadores

Na base da escalada

A hora da decisão

Na primeira parada

Com o Nariz do Frade ao fundo

No cume da Verruga

Nuvens...

Passeando pelo Nariz do Frade

Terminando a chaminé

Contemplando a paisagem