quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Escalada na Via Paredão Mabelle Reis - Córrego dos Colibris

Por Leandro do Carmo

Via Paredão Mabelle Reis – 4º IVsup E2 D1 - 140m

Local: Córrego dos Colibris / Parque Estadual da Serra da Tiririca

Data: 31/08/2014

Participantes: Leandro do Carmo e Stephanie Maia

Dicas: Para acessar a base da via, seguir a trilha do Córrego dos Colibris, quando chegar a uma cisterna de cimento, seguir para a direita, depois virar para a esquerda. Seguir reto até uma grande árvore a sua esquerda, após seguir para a esquerda pegando um leito de seco de um córrego. Em um determinado ponto verá a parede a sua direita. Ali fica a base da Via Paredão Fogo do Inferno, seguindo adiante, chegará a uma grande árvore, com o tronco oco. Virar 90º a direita até chegar a parede. Na base, tem um diedro com vegetação. O começo da via é bem vertical e dá para ver facilmente os grampos. Rapel obrigatório pela própria via. Sem dúvida a melhor via do setor.

Relato

Última via do setor do Córrego dos Colibris que faltava para eu para escalar. Com essa, finalizaria o projeto com a Stephanie. Pela descrição da via no guia antigo de Itacoatiara, do Léo Nobre, essa era a mais forte do setor - 4º IVsup E2 D1 - 140m. Mas não foi por esse motivo que deixamo-la por último. O fato é que começamos pela ordem da direita para esquerda, fazendo a Estela Vulcanis primeiro.

Como o sábado foi nublado, não precisaríamos sair cedo afinal de contas achávamos que não daria sol no dia seguinte. Assim marcamos as 08:30 h da manhã. Parei ainda na padaria para tomar um café. Mas não perdemos muito tempo e logo estávamos na entrada da trilha. Como da outra vez, nos arrumamos ali e seguimos para a base da via. Não tinha muito informação de onde era base. Quando fiz a Fogo do Inferno, vi a linha de grampos na parede e tirei como referência uma grande árvore na mata. Entrei na trilha e após a cisterna de cimento e a grande figueira, peguei a esquerda um leito de rio seco e fui subindo. Passei pela base da via Paredão Fogo do Inferno e cheguei numa grande árvore, que deveria ser a que tinha pego como referência. Virei 90º a direita e cheguei na parede. Dali foi fácil ver os grampos. Uma base limpa. Muito mais fácil de achar do que eu estava imaginando.

O começo é bem vertical. A saída é que tinha um pouco de líquens, o que a deixou um pouco escorregadia. Tive que ir com bastante cuidado, analisando bem os movimentos. Costurado o primeiro grampo, segui subindo sem maiores problemas. Mais acima os lances ficam bem verticais, quase uns 90º. Boas agarras, mas que num primeiro momento me deixaram receoso, pois pareciam que eram umas pedras coladas na parede e que poderiam soltar a qualquer momento... Mas depois que peguei confiança, ficou mais fácil...

Passado o crux da via, fiz a parada na primeira dupla de grampos, a uns 25 metros. A Stephanie veio logo em seguida. Até que enfim um via boa nesse setor, comentamos... Uma via limpa, sem vegetação... Achávamos que não fosse fazer sol, inclusive, a previsão era de chuva para a parte da tarde. Estávamos enganados... O sol veio com força e ali já não tinha mais sombra. Já saí para ganhar tempo, afinal de contas qualquer minuto a mais no sol faz a diferença. A segunda enfiada foi tranquila, alguns pontos um pouquinho sujos, mas sem problemas. Montei a parada novamente numa dupla de grampos. A Stephanie veio em seguida. Na parada, aproveitamos para beber uma água, o calor estava forte! Ela aproveitou para medir a inclinação da parede naquele ponto, na qual registrou 54º.

Saí para a terceira enfiada. Fui subindo e percebi que os lances foram ficando um pouco mais expostos que nas duas primeiras envidadas. Para melhorar a situação, as agarras foram ficando muito mais quebradiças. Tive que escolhê-las com mais precisão. Não estava com a menor vontade de tomar uma vaca... Fui subindo até um lance mais exposto que o normal. Procurei ainda por algum grampo escondido e nada. E para piorar, uma grande laca oca, na posição que eu estava, era obrigatório passar. Procurei a melhor agarra. Quando pus força , ela quebrou... Se a melhor era essa... Tudo para testar o psicológico!!! Quando olhei para baixo, tive certeza que o psicológico estava em dia. Dei uma pausa e respirei fundo e toquei pra cima.

Cheguei no grampo e adiantei para não perder mais tempo. Subi mais um pouco e montei a terceira parada. Avise a Stephanie para subir com cuidado ao passar por aquela laca. Ela veio subindo e parou algumas vezes para fotografar. Na parada, dava para ver o último grampo um pouco mais acima. O calor já estava incomodando. Resolvemos descer dali, não valia a pena ter que subir mais um lance só para chegar ao final da via. Mas antes da descida, mais algumas fotos e mais uma medição da inclinação, que estava na casa dos 49º, se não me engano...

Começamos a rapelar. Ao todo foram 5 rapeis até a base. Quando terminei o último rapel, vi como é bom ficar entre as árvores... Uma brisa começou a soprar e refrescou ainda mais o ambiente. Aproveitei para fazer algumas fotos da base e de algumas referências no caminho. Descemos a trilha já pensando no caldo de cana gelado da volta...

Até a próxima!!!

Leandro na primeira enfiada

Na primeira enfiada

Blocos que identificam a base da via

Montando a segunda parada


Árvore na trilha , chegando nela, basta dobrar 90° para a direita e subir que chegará à base da via

Um comentário:

  1. Essa via me interessa bastante para aumentar o grau da minha escalada !
    Grande relato... agora pegar numa agarra e ela quebrar numa parede vertical é meio sinistro hein... affffff
    Valeu PitBull, grandes relatos, sucintos e agradáveis de ler.
    Showwwwwwwwwwww
    Rala-Bota

    ResponderExcluir

Comente aqui.