segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Costão de Itacoatiara - Paredão Uma Mão Lava a Outra

Por Leandro do Carmo

Data: 30/09/2014 



Via Uma mão lava a outra – 4ºsup V E2 D1 200m

Costão - Itacoatiara




Participantes: Leandro do Carmo, Marcos Lima e Stephanie Maia

DICAS: Algumas agarras ainda por quebrar; lacas soltas; treinar comunicação, guia não vê o participante; descida por trilha; segurança de corpo no final da via; a via mais forte dessa face; possui um lance no final mais exposto que o normal da via; no verão, chegar bem cedo, fica sombra até umas 10 horas.

Estava para repetir essa via há algum tempo. Havia feito ela com o Guilherme há uns dois anos e meio. Na verdade, nem lembrava muita coisa da via. Só me recordava da primeira enfiada, na qual considerei forte, se comparando com as outras dessa face. Abri a atividade no site do ClubeNiteroiense de Montanhismo e fiquei na espera de algum participante... Não demorou muito para que logo aparecesse uma companhia, acho que nem uma hora! A Stephanie me passou um e-mail perguntando sobre a via e se ela poderia ir. Ainda falei para ela: “Quem vai me dizer é você!”

Marcamos as 07:30 no gramado em frente ao Costão. Estava tudo certo. A previsão era de tempo nublado, sem chuva, perfeito para uma escalada. Alguns dias antes, o Marcos Lima me ligou perguntando se ele poderia ir também. Ele tinha acabado de concluir o curso básico com o Ian e estava na pilha de escalar. Pensei até em dizer que já estava lotada, pois não queria muito entrar em uma cordada de 3, mas sem o sol... a história é outra. Falei que estava tudo bem e avisei do horário. Combinamos de nos falar no domingo bem cedo, pois se chovesse, cancelaríamos.

O domingo amanheceu bom e nos encontramos por volta das 7:30 h em Itacoatiara. Fomos direto para a caminhada de aproximação. Descemos pela praia e seguimos no costão. Fomos paralelo à praia e começamos a subir na altura do grande platô de vegetação. Algumas pessoas começam a subir antes, sendo que, por onde passamos, é mais fácil. Encontramos muito lixo pelo caminho, vi que havia necessidade de um mutirão de limpeza no local. Mas essa fica para a próxima, nosso objetivo, pelo menos hoje, seria outro.

Na base, nos arrumamos e combinamos algumas coisas, pois nas duas primeiras paradas perde-se o contato visual. Esse era o grande teste do Marcos, ainda brincamos que seria a hora para saber se gostava ou não de escalar!!! Comecei a subida com a segurança da Stephanie. Saí e costurei o primeiro grampo. Continuei subindo e aos poucos a parede foi ganhando verticalidade. Os lances são bons, bem protegidos e com agarras, umas melhores, outras nem tanto. O negócio é que é constante. Alguns lances, precisava parar e dar uma analisada melhor, demorando um pouco mais que o normal, mas fui tocando até chegar a primeira parada, a única dupla da via. Algumas nuvens ameaçavam encobrir o costão, mas o vento logo as dissipavam. Não estava aquela vista da praia, com água verde, quase transparente, que estamos acostumado a ver nos dias sol, mas as nuvens que encobriam parte da praia de Itacoatiara e o Morro das Andorinhas, foi um espetáculo a parte.

Montei a parada e gritei que já estava preso. Consegui ouvir o Marcos gritando OK. Tinha vento, mas não estava tão forte, deixando a comunicação tranquila. A Stephanie veio escalando e pensei nos lances que havia feito... Deve estar passando um perrengue!!! Mas ela conseguiu superá-los e depois de alguns minutos comecei a ver o capacete dela e não demorou muito até chegar onde eu estava. O Marcos veio logo em seguida e no mesmo ritmo, chegou onde estávamos. Pronto, primeira parte da missão estava completa! A Stephanie ainda comentou que se terminasse ali, estaria satisfeita. Mas eu não!!!! Missão cumprida, é missão toda cumprida!!!

Logo tratei de me preparar para a próxima enfiada. Segundo o croqui, o crux ficava entre o primeiro e o segundo grampo após a parada, numa pequena diagonal para a esquerda. Ali eu lembrava bem. Costurei o primeiro grampo, subi um pouco e abri bem a perna para a esquerda, num movimento de tesoura, mas bem aberta mesmo, o suficiente para dar equilíbrio e continuar até o segundo grampo. Dali fui seguindo reto, num caminho bem óbvio. Vi um grampo e pensei que talvez dessa para chegar, dei uma esticada, mas não deu. Quando dei uma afrouxada na corda, ela enroscou num grampo bem abaixo, fora do meu alcance de visão, dificultando a minha subida. Voltei, desescalando até o grampo de baixo e montei a parada. Tive que fazer um pouco de força puxando a corda na hora da segurança da Stephanie, mas consegui traze-la. Isso cansou um pouco. O Marcos veio logo em seguida e nos reunimos na parada.

Demos uma ajeitada nas cordas e saí para terceira enfiada. A parede perdeu verticalidade e os lances foram ficando mais fáceis. Tem um pedaço em que começa-se a escalar sem ver o próximo grampo, mais sem muita dificuldade. Resolvi montar a parada no penúltimo grampo da via. Não tinha certeza se teria corda o suficiente para chegar até ao próximo.

Quando a Stephanie chegou, um pouco cansada, avisei que mais uns 20 metros e estaríamos no cume. Já dava até para ouvir algumas pessoas conversando lá em cima. O Marcos chegou logo em seguida. Como já estávamos no final. Não saí logo. Ajeitamos a corda com mais calma. Avisei que daria segurança de corpo no final da via e comecei a escalar. Costurei o último grampo e fui até cume do Costão. Lá, passei uma fita num arbusto, só como backup e mandei a Stephanie subir. Ela veio e em seguida o Marcos.

Para o teste do Marcos, até foi bom. Bom não... Foi ótimo!!!! Já começou com chave de ouro. Nesse ritmo, já, já, vais estar guiando. E a Stephanie acostumada com o Córrego dos Colibris... Enfim, uma escalada mais completa!!!!

Valeu pessoal, até a próxima.












Um comentário:

  1. Aêeeeeeeee uma bela via pela narrativa hein PitBull !!!
    Showwwwwwwwwww, e concordo contigo " missão cumprida é missão toda cumprida " rsrsrsrsrs
    Um forte abraço do amigo Rala-Bota.

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