terça-feira, 30 de setembro de 2014

Escalada na Via Paredão Fogo do Inferno - Córrego dos Colibris

Por Leandro do Carmo

Data: 23/08/2014

Via Paredão Fogo do Inferno – 3º IVsup E2 D2

Mais sobre as vias de escalada no Córrego dos Colibris

Local: Córrego dos Colibris / Parque Estadual da Serra da Tiririca

Participantes: Leandro do Carmo e Stephanie Maia

Dicas: Para acessar a base da via, seguir a trilha do Córrego dos Colibris, quando chegar a uma cisterna de cimento, seguir para a direita, depois virar para a esquerda. Seguir reto até uma grande árvore a sua esquerda, após, seguir para a esquerda pegando um leito de seco de um córrego. Em um determinado ponto verá a parede. A base da via é difícil de encontrar, pois precisa-se subir um costão com bastante vegetação e bromélias. Não consegui achar o primeiro grampo. Rapel obrigatório pela própria via.

Pela quantidade de vegetação que tem na base, é uma via que não recomendo.

Relato

Continuando com o projeto de escalar as vias do Córrego dos Colibris para o trabalho de mestrado da Stephanie, marcamos de fazer a Paredão Fogo do Inferno. Foi a primeira via a ser conquistada no local. Nunca tinha ido na base dela, sabia que tinha muita vegetação no começo. Mas como tínhamos que fazê-la... Nossa idéia era começar bem cedo e tentar fazer a Fogo do Inferno e a Mabele Reis no mesmo dia. Mas não foi tão fácil assim...

Saímos por volta das 06:00 h da manhã e seguimos até Itaipú. Estacionamos o carro e já saímos arrumados para a base da via, na minha idéia ganharíamos tempo. Cruzamos a cisterna de cimento, a grande figueira e segui até quase a base da via Aline Garcia e Chuva de Guias, onde seguimos por um discreto caminho, muito fechado. Mais tarde saberia que não era o melhor. Era um costão com muita vegetação. Seguimos subindo, com um pouco de dificuldade até chegar a um local mais confortável. Quando demos uma relaxada, vi que estava faltando alguma coisa: a corda!!! Deixei a corda dentro do carro. Voltei rapidinho para pegá-la, enquanto a Stephanie fazia algumas fotos.

Consegui voltar por um caminho melhor do qual havíamos feito. Fui e voltei literalmente voando! Já havíamos perdido tempo de mais. Continuamos subindo para ver se encontrávamos o grampo. Procuramos durante um bom tempo e finalmente achei uma sequência de 3 grampos. Ali, nos encordamos e eu segui escalando. Foi difícil continuar. A vegetação aumentou mais ainda, o que dificultou bastante a subida. Optei por seguir por uma linha bem óbvia e sem bromélias, uma passada difícil e bem suja, e nada. Nenhum sinal de grampos. Subi mais um pouco e nada, avaliei seguir numa horizontal, mas se tivesse que desescalar, ficaria mais complicado.

Voltei dali, até um pouco mais abaixo e tentei o caminho mais fechado. Já estava pensando até em desistir... Mas missão dada, tem que ser cumprida!!!! Foi quando encontrei uma parada dupla. Mais acima tinha outro grampo. Acho que agora havia encontrado! Montei a parada ali e a Stephanie veio, pulando as bromélias com um maior cuidado. Ainda falei: Tudo pela ciência!!! Vi que o lance era bem vertical e pelo que havia visto no croqui, seria o crux da via. Estava bem sujo. Nenhum sinal de frequência. Mas já estava ali e teria que seguir!

Perdemos bastante tempo e já tínhamos a certeza de que não daria para fazer as duas vias. Comecei literalmente a escalada. O grampo está um pouquinho alto e a queda ali, iria direto à base. Ainda falei para a Stephanie ficar um pouco mais para o lado, poi se eu caísse, iria direto em cima dela. Mas segui sem problemas. Dali para cima a via já ficava como as outras do local. Fui seguindo até a dupla de grampos, onde montei a parada. A Stephanie veio logo em seguida. Ainda comentamos o quanto essa via causa impacto na vegetação. Dali, dava para ver os grampos da via Mabele Reis, a nossa próxima investida.

Subi novamente, agora sempre vendo os grampos seguintes. Sem querer pulei um grampo, que só foi visto pela Stephanie quando ela subiu. Contornei um pequeno platô de vegetação e montei a parada. O sol deu uma esquentada. Aproveitei para acelerar mais um pouco. Estava torcendo para ter uma sombra no final via... Cheguei lá e nada de sombra, só o sol forte. Pelo menos era uma parada confortável. Ficamos ali durante um tempo. Aproveitamos para fazer um lanche.

Começamos a descida pois o rapel era obrigatório. Até que fomos rápidos e chegamos até a primeira parada dupla da via, naquele mar de bromélias. Dali, para evitar ao máximo o impacto na vegetação, resolvemos descer andando. Devagar passamos pela área mais fechada e seguimos descendo pelos grampos. Nem o utilizamos, fomos devagar por um pequeno diedro que tem no começo. Andar ali era muito desconfortável. Mas conseguimos chegar até a base. Não foi por onde começamos, mas foi por um caminho melhor.

Sem dúvida a pior via do setor. Valia a pena até uma avaliação para verificarmos a possibilidade de desequipagem. Pois por possuir as mesmas características das outras vias do setor e por causar grande impacto na vegetação, acho que ninguém sairia perdendo! Fica como sugestão.

Enfim completo! Faltando apenas uma, a Paredão Mabele Reis, mas essa ficará para a próxima!








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