quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Vídeo da Conquista da Via Amigo é Pra Essas Coisas

Por Leandro do Carmo

Olá pessoal!!!

Finalmente publiquei o vídeo com as imagens da conquista da Via Amigo É Pra Essas Coisas. No Primeiro dia, Eu, Ary e o Guilherme conquistamos a via inteira, fazendo cume. No segundo, Eu e o Ary, acompanhados do Marcos e do Leonardo Carmo, voltamos para intermediar alguns lances e duplicar as paradas. Pegamos tempo bom nos dias.

Para ver o relato da conquista, croqui e informações de acesso, clique aqui.

Ver mais conquistas 

Até a próxima!!!!


Vídeo em HD

terça-feira, 26 de novembro de 2013

BTBW na Estrada - Infinita Highway

Por Sandro Damásio

O Projeto Nordeste

“Qualquer moto te leva a qualquer lugar, depende da sua disposição”. Li essa frase em uma revista especializada em motos não faz muito tempo. Vi também uma viagem feita por um piloto da mesma revista que seguia trajetos propostos pelos leitores. O trajeto da viagem era de Salvador – BA até Fortaleza – CE, totalizando algo em torno de 2.000 km. Achei incrível. A descrição da viagem era algo maravilhoso. Logo surgiu a idéia: por que não seguir aquele roteiro? Melhor: por que não aumentá-lo? Seria muito bacana sair do Rio de Janeiro e percorrer todo o nordeste brasileiro. Convidei meu amigo e irmão Fábio Neves pra me acompanhar nessa aventura, o que prontamente aceitou.  Assim nasceu o Projeto Nordeste. Serão mais de 9.000 quilômetros de moto, cortando parte do sudeste e todo o nordeste brasileiro em 20 dias de aventura. Como preparação para a grande viagem, foram traçados alguns trajetos menores, como a viagem a São Paulo, descrita abaixo. Pé na estrada!!! BTBW.


Treino em Petrópolis.
Treino em Grumari.

Fênix desmontada.


Hora de cair na estrada.



Prontas pra comer asfalto.


 

Primeira parada: Seropédica.

Itatiaia ao fundo.

Café em Cachoeira Paulista - SP.


Não é o Hotel California, mas chegou perto. rsrsrs


Fênix, renascida das cinzas 
Faz pouco tempo que resolvi colocar minha antiga moto pra rodar. Uma Honda CBX Strada, de 200 cc, que comprei zero em 1997 , isso mesmo, ela tem 16 anos. Depois de muito rodar, de algumas quedas e um assalto, perdi um pouco o gosto de pilotar e a deixei encostada. Depois de quase três anos parada, havia dúvida se ela ainda estaria boa ou se seria vendida como sucata. Precisando me preparar para o Projeto Nordeste, em junho deste ano, comecei a consertá-la. O tanque havia sido corroído pela gasolina que ficou depositada por anos parada. Várias peças enferrujaram e ressecaram. Bateria sem sinal de vida, sistema elétrico cheio de maus contatos. O cenário não era nada bom. Mas a vontade de voltar a andar de moto motivou a acreditar. Comprei um tanque usado, bateria nova, lâmpadas, óleo, vela, cabos, gasolina e mais um monte de coisas. Passei um sábado inteiro trabalhando nela e a recompensa veio ao final do dia. Que gostoso escutar o barulho daquele motor funcionado!!! Depois de tantas aventuras vividas juntas, com histórias alegres e tristes, minha moto estava novamente viva. Nesse dia ela foi rebatizada, qual nome mais adequado do que Fênix, a renascida das cinzas? Levei a um mecânico para verificar o sistema de freios e regulagens. Troquei algumas peças e pronto, Fênix estava rodando. Vistoria no Detran e documento atualizado na mão. Agora rodar durante o final de semana: Grumari, Jacarepaguá, Petrópolis, etc. Depois de renascida das cinzas, já havíamos rodado mais de 800 km.
O Salão Duas Rodas - São Paulo
O Salão Duas Rodas é realizado em São Paulo todos os anos. O evento reúne as principais montadoras de moto do mundo em um só lugar. São peças, acessórios, vestimentas, pessoas e muitas, mas muitas motos. No ano passado meu amigo e irmão Fábio Neves (meu parceiro do Projeto Nordeste) já havia participado do evento com o Felipe Damásio, seu filho e meu afilhado. Eles foram de ônibus e curtiram um dia de salão. Voltaram cheios de histórias e satisfação por estarem em um lugar tão cheio de aventura e com uma vibe super positiva que direciona todos a uma mesma paixão: motos.


Salão Duas Rodas chegando, vontade de ir... Pensei comigo: será que róla ir a São Paulo com a Fênix? Falei da idéia com o Fábio e ele me olhou com a cara de quem diz: você está maluco??? Rrsrsrs. Realmente ele ficou apreensivo. E estava certo, depois de tanto tempo parada e com revisões apenas parciais, as chances de ficarmos avariados no meio da estrada eram grandes, e seria o fim do passeio. Era preciso fazer uma revisão completa da Fênix e saber se ela realmente teria condições de enfrentar uma viagem de ida e volta a São Paulo. Fênix foi levada para a revisão e foi toda, realmente toda desmontada. Cada peça foi verificada, lubrificada, ajustada ou trocada. Todo o sistema de freio foi revisto. O motor avaliado. O carburador limpo. Tudo feito. Fiquei muito feliz quando a vi pronta para a viagem e o melhor, com o aval do mecânico sobre a sua saúde. Senti alívio na face do Fábio, agora sim, poderíamos fazer nossa viagem a SP.


Chegada a véspera da viagem, a ansiedade estava alta. A moto estava revisada, abastecida e com aval mecânico para realizar a aventura. A rota estava traçada. Sem espaço pra muita coisa, a mochila levou apenas uma muda de roupa, algum lanche e material de higiene pessoal. Dormi pouco.


Às 5h45 nos encontramos pra tomar um café reforçado. Sentia aquele frio na barriga, de quem parte para uma aventura. Às 6h15 do sábado, dia 12/10/2013, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, começamos nossa viagem, eu sozinho na Fênix, e Fabio e Felipe na Fazer. Tocamos pela Francisco Bicalho, Linha Vermelha e logo estávamos na BR-116, Nova Dutra, que seria nosso caminho pelos próximos 400 km até São Paulo. A sensação foi incrível. Enfim estávamos colocando o pé na estrada, de moto, e dando um passo importante para a realização do Projeto Nordeste.


No começo estava bem receoso com a moto e, pela falta de costume em estrada,  90 km/h parecia um limite bem razoável. Com o vento batendo no rosto e o ronco do motor, várias músicas me vieram à cabeça, como Infinita Highway (Engenheiros do Havaí), Hotel Califórnia (Eagles) e a lendária Born To Be Wild (Steppen Wolf), que retrata bem o espírito de aventura.


Num breve esticão de 70 km, paramos em Seropédica pra fazer a primeira avaliação. Tudo certo, as motos estavam desenvolvendo bem. A parada estava repleta de motociclistas rumando para São Paulo. Motos de todos os estilos, altas cilindradas. A vibe estava super positiva e era o prenúncio de uma ótima viagem. Seguimos nosso caminho. A subida da Serra das Araras foi simplesmente espetacular. Os efeitos da velocidade e da gravidade fazem das curvas da serra uma maravilha para quem está de moto. Deitando a moto para fazer o trajeto curvilíneo eu me senti em um grande prêmio de Moto GP. Ver as outras motos, de altas cilindradas, executando aquelas curvas também foi algo de surreal. Percebi que nunca deixamos de brincar, apenas mudamos os brinquedos. Era difícil acreditar que estava vivenciando aquilo e agradecia a Deus por estar vivo. Passada a serra, hora de acelerar. A Fênix se mostrou bem disposta e desenvolvia 120 km/h com consistência.




Em um trecho de reta, algo para nos mostrar que deveríamos ficar bem atentos. Um acidente grave envolvendo um carro acabara de acontecer. A estrada cobrando seu preço... Redobrada a atenção, seguimos em frente.
Demos uma boa esticada. Passamos pelo belo cenário de Resende. Em Itatiaia, pegamos bastante frio. As montanhas imponentes enfeitavam a paisagem e o Pico das Agulhas Negras pareciam me convidar para uma nova experiência em sua grande altitude (olha a missão aí Rana Montana). Ultrapassamos a divisa, chegamos ao estado de São Paulo, terra dos manos. Fizemos uma parada em Cachoeira Paulista para abastecimento e beber um café, 250 km já haviam ficado pra trás.




Seguimos viagem. A toda hora encontrávamos grupos de motociclistas seguindo pela estrada. Foi muito bacana ver os peregrinos seguindo para a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, galera de moto, de bicicleta e à pé, seguiam para a casa da Mãe para professarem sua fé. A estrada é viva e une os povos.
Mais quatro pedágios pela frente. A estrada é tão boa que vale a pena pagar. Alguns deles tinham valor bem reduzido, chegando a R$ 1,25 pra moto. No total, cada moto pagou R$ 20,00 no trajeto de ida e o mesmo valor na volta. Depois de bastante estrada, entramos na região metropolitana de São Paulo. Acionei o GPS para nos guiar sem erro até o Hotel. Passamos próximo à Rua 25 de março e o trânsito estava bem pesado. Sem o GPS do celular, os cariocas passariam um perrengue pra encontrar a rua do Hotel. Chegamos às 13hs, com o odômetro marcando 440 km, rodamos bem para motos de 200 e 250cc. Entocamos as motos, tomamos banho e fomos almoçar.

Seguimos para o Salão Duas Rodas. Estava bem cheio. Paraíso. Muitas motos e acessórios. Curtimos o evento e exploramos bem os modelos expostos. Todas as marcas estavam presentes. Os lançamentos 2014 da Suzuki, as tradicionais BMW, a nova CB500X da Honda, a poderosa Transalp 700, a Kawasaki Versys. Que show!!!







Comprei uma bela jaqueta de moto. Agora sim, motoqueiro selvagem!!!! Rsrsrsr. Andamos até as pernas não agüentarem mais. Depois de 7 horas de estrada e umas cinco horas de evento, estávamos um pouco cansados. Voltamos para o hotel e pedimos pizza. Claro, depois dessa trip, eu não dormiria antes de tomar umas geladas. Algumas long necks no hotel mesmo e cama. Foi um ótimo e longo dia.




Apesar da sinfonia de roncos na madruga (claro que não ronco! rs), acordamos recuperados. Partimos para o café da manhã e 8hs caímos na estrada, que gostoso partir de volta para o Rio. A estrada estava bem quente. Andamos bem. As montanhas estavam lindas na volta. Carretas com escolta federal tornaram a descida da Serra das Araras bem lenta. Resolvemos parar e esperar, comendo banana ouro e descansando. Chegamos na Tijuca eram 14h50. Viagem concluída, sem incidentes, cansados e felizes.

É isso, mas uma missão cumprida, com muita alegria. Tiramos várias conclusões que nos ajudarão a planejar melhor a viagem do Projeto Nordeste. Uma coisa ficou clara: fazer Rio – São Paulo – Rio com moto de alta cilindrada é mole. Pra fazer com motos de 200cc tem de ter disposição. E isso nós temos. Born To Be Wild – BTBW RM!!!!!!! PitBull Aventura. Amigos Montanhistas. Graal.

Participantes
Sandro Damásio, Fabio Silveira Neves e Felipe Damásio Neves.








Alguns números da viagem
Tempo de estrada: 12 horas (rodando)
Distância percorrida: 880 km
Consumo de gasolina: 30 litros (por moto)
Velocidade média: 75 km/h
Velocidade máxima Honda CBX Strada 200cc: 135 km/h
Velocidade máxima Yamaha Fazer 250cc: 152 km/h
Custo com pedágios: R$ 40 reais cada moto (incluindo ida e volta)










  



  

sábado, 23 de novembro de 2013

Documentário sobre Saint-Hilaire/Lange está disponível na internet

Notícia

Brasília (05/11/2013) – O Documentário "Na Trilha", cujo o tema é o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, unidade de conservação (UC) sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) já está disponível online para o público. O produto foi um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), produzido pelo estudante do curso de graduação em Gestão Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Péricles Augusto dos Santos.

Com 31 minutos, o documentário mostra a história da conquista da Torre da Prata, um dos atrativos da UC, ocorrida em 1944 e a abertura em 1966 da trilha usada atualmente na subida da montanha. Também são abordadas as atividades de ordenamento do uso público e de pesquisa científica realizada na unidade recentemente. A conquista pessoal de Péricles em subir a montanha também é mencionada na produção.

O documentário foi selecionado e exibido na mostra oficial "Natura Doc", que ocorreu durante o 13º Rio Mountain Festival, no Rio de Janeiro, nos dias 18 e 19 de outubro de 2013.


Para assistir o documentário, clique aqui.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Serra dos Órgãos Oferece Nova Opção de Lazer

Notícia
Fonte: http://www.icmbio.gov.br

Brasília (25/10/2013) – Uma nova opção de lazer no Parque Nacional (Parna) da Serra dos Órgãos, unidade de conservação (UC) federal situada no estado do Rio de Janeiro, será inaugurada no próximo mês, dentro da programação de aniversário dos 74 anos de criação da UC. Na manhã do domingo (25), voluntários e funcionários do Parque Nacional da Serra dos Órgãos desceram a serra para ação na sede Guapimirim. O grupo trabalhou na implementação da Trilha Circular, trajeto curto que liga a Ponte Velha ao poço Verde, através de terreno com pouca inclinação e em meio à Mata Atlântica, ao lado do rio Soberbo.
Foram construídos degraus em trechos onde havia pequenos desbarrancamentos e o acesso de caminhantes poderia se tornar perigoso, além de causar impacto ao meio ambiente com a sua passagem, realizadas a manutenção de trechos onde há nascentes cruzando o caminho e a retirada de plantas exóticas.

Cerca de 20 pessoas participaram da ação voluntária, tipo de trabalho que foi promovido em outras trilhas da unidade nos últimos meses. Segundo o chefe do Setor de Uso Público da UC, Leonardo Freitas, "é muito bom contar mais uma vez com esse grupo que vem nos ajudando a criar novas opções de lazer e manter em bom estado de uso as que já estão implementadas".


Trilha Circular

A Trilha Circular tem cerca de um quilômetro e meio de extensão, tendo início próximo a Ponte Velha. Ali, se atravessa o rio Soberbo. Quando se entra na floresta, já se percebe a diferença no clima, mais ameno e equilibrado. Após poucos minutos de caminhada, chega-se a um local onde deve ser construído um pequeno mirante de frente para o poço Verde, outro bonito e conhecido atrativo turístico da sede Guapimirim. Também neste trecho será construído um acesso para que o caminhante chegue até o rio Soberbo e possa se refrescar nas suas águas geladas e revigorantes. No local, a pessoa terá a opção de atravessar pelas pedras e voltar pela trilha do poço Verde.

Sede Guapimirim

Outros atrativos do local são o Centro de Visitantes Von Martius, instalado em casarão do século XIX e restaurado para a preservação de suas características originais. O casarão pertenceu à antiga fazenda Barreira do Soberbo, sendo o médico Henrique José Dias seu proprietário durante o Império, que se dedicou ao plantio das quineiras (Cinchona calissaia). A histórica casa abriga exposição permanente com fotos e informações sobre o parque, maquete de toda a área da UC, interessante coleção de exemplares das obras do botânico Von Martius, material especializado sobre meio ambiente, videoteca, além de um auditório para realização de cursos, palestras e seminários, equipado com TV e vídeo e com capacidade para 40 pessoas.

Um pouco mais abaixo fica a capela de Nossa Senhora da Conceição do Soberbo. Datada de 1713, a histórica construção está situada em uma pequena ilha fluvial entre dois braços do rio Soberbo. Construída em estilo barroco, o prédio é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e é um importante remanescente histórico do período de ocupação colonial do recôncavo da Guanabara. A capela é aberta quinzenalmente para a realização de missas e visitas.

Além de trilhas curtas e locais para piquenique, o destaque da sede Guapimirim são os cinco poços, muito procurados no período de verão. São eles:
Capela – junto à histórica capela de Nossa Senhora da Conceição do Soberbo é possível desfrutar de um bom banho neste poço, com cachoeira –; Sossego – mais um recanto aprazível com um belo poço e cachoeira, sombreado por árvores repletas de bromélias e orquídeas, sendo que o acesso mais resguardado justifica o nome deste poço que recebe sol poucas horas por dia –; Ponte Velha – junto às ruínas dos pilares de uma antiga ponte da estrada real encontra-se um agradável poço de águas quase sempre calmas e fácil acesso, tendo próximo sanitários e quiosque que serve lanches e bebidas, e é possível parar veículos a cerca de 20 metros do rio –; Verde – principal atrativo natural da sede Guapimirim, trata-se de um conjunto de cachoeiras, corredeiras, poços artificiais e naturais do rio Soberbo, ótimo local para banho, localizado a 20 minutos de caminhada do Centro de Visitantes –; e Preguiça – outra boa opção para banho, a 15 minutos de caminhada do Centro de Visitantes.

A sede Guapimirim fica no quilômetro 98,5 da BR-116, trecho da Rio-Teresópolis. Quem mora nas cidades do entorno – Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim – paga apenas R$ 2,50 pelo ingresso desde que apresente comprovante de residência. O estacionamento para carro custa R$ 5 e para moto R$ 3.
Para saber mais sobre o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, clique aqui.

Comunicação ICMBio
(61) 3341-9280

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Entrevista Gente como a Gente: Flávio Daflon



Por Vítor Pimenta

Hoje estreamos a série de entrevistas Gente como a Gente, onde poderemos conhecer a história de pessoas que se tornaram referência no esporte ou que superaram os próprios limites,  mas que nem por isso deixaram o mundo dos mortais! Não importa o que fizeram, e sim que fizeram! São histórias de superação e dedicação que mostram que não há nada impossível, desde que haja força de vontade!

Com a bem sucedida iniciativa do Vitor Pimenta, damos início à nossa série de entrevistas. E para começar, nada mais, nada menos do que nosso grande mestre Flávio Daflon. Vamos conhecê-lo melhor...

Um pouco da história...

Professor de um grande legado de escaladores e portador de uma linda humildade, Daflon teve seu primeiro contato com o montanhismo nas Agulhas Negras, numa viajem a Itatiaia onde teve o prazer de conhecer Júlio Spanner, que o acompanhou na empreitada. Posteriormente, numa pousada em Teresópolis, vestiu pela primeira vez uma sapatilha e baudrier ao se deparar com um muro outdoor com agarras de pedras que era monitorado pelo falecido Mozart Catão.

Foi então que aos 16 anos procurou o CERJ (Clube Excursionista RJ) e em 7 de setembro de kichute no pé, pode ampliar ainda mais seu amor pela montanha, começando seu curso pela Via Branco. E Não parou nunca mais!
Passado um ano escalando de kichute, vias como Luiz Arnaud em Niterói, Dedo de Nossa Senhora na Serra dos Órgãos, top rope no Grajaú e Arco-Íris nos Coloridos (essa ele confessou que teve um pouco de dificuldade provando que é um ser humano) comprou sua sapatilha e na mesma época começou a se aventurar em guiar. Foi experimentá-la na pedra do urubu na via Urubu Capenga, que na época ainda não tinha quebrado uma agarra chave.

Logo depois de começar a escalar passou para informática na UERJ e trabalhava na Golden Cross em Botafogo. Passado um tempo e percebendo que sua natureza não era dentro de um escritório, acabou por pedir demissão e fez uma viajem da Argentina até a Venezuela em 7 meses escalando e caminhando quando não encontrava parceiro.Com pouco mais de 6 anos de escalada começou a dar aula, o que veio a dar forma a tão bem renomada Companhia da Escalada.

Em uma de suas idas a Bariloche conheceu 2 suíços que ao vieram ao Brasil e pediram informações sobre os melhores picos no RJ. O primeiro lugar onde foram escalar foi a via K2, no Corcovado,  onde encontrou o amor de sua vida, Cinthia, que foi apresentada ao Daflon pelos próprios suíços que a conheceram em Curitiba.

Coincidência? Destino? A caso? Seja lá qual o nome, foi necessário um link de outro continente para juntar 2 almas brasileiras. Grandes amizades, boa auto-estima, amor pelo meio ambiente, respeito pela flora e fauna são algumas das atribuições que esse estilo de vida pode te proporcionar, sem falar, é claro, em uma história de amor.

Para falar mais sobre Flávio Daflon, ninguém melhor do que ele mesmo:


Nome, idade, profissão

Flavio Daflon, 40 anos, Guia de Escalada.

Quando começou a escalar e por quê?

Comecei em 1989, no Cerj, com 16 anos. Já fazia caminhadas e acampava desde 85. Morava em Jacarépaguá e em frente de casa tinha um morro com trilhas e pedras que vivia subindo. Mas acho que foram as revistas com matérias de escaladas e travessias que mais me chamaram a atenção.

Com quem costuma escalar?

Já tive grandes parceiros de escalada desde que comecei a escalar, no inicio Gerson e Taylor do Cerj. Depois escalei muito com o Pita, com o Ivanir, um amigo da Cintia de Curitiba que veio passar uns dias de férias com a gente aqui em casa e acabou ficando quase dois anos. Escalei bastante com um ex-aluno, o Bruno Castelo Branco e com o Neto também. Com o Bernardo Collares fiz muitas vias e viagens bacanas. Na Patagonia e Europa escalei com um grande amigo alemão, o Jorg. E agora voltei a escalar bastante com o Ralf.

Das vias que já fez, cite 3 das que mais se orgulha?

Com certeza a conquista no Fitz Roy, Via Samba do Leão, pela via, pelos parceiros, Serginho e Luciano e pelo que a montanha significa. A Torre Central dos Paines com o Jorg, do acampamento Japonês ao cume e volta sem parar. O big wall Franco-Brasileiro na Pedra do Sino com o Julio Campanela, sempre foi um sonho. O também big wall e mítica Tragados Pelo Tempo com o Pita e o Álvaro, uma semana depois de voltar da Crazy Muzungus. A via Place of Happiness na Pedra Riscada, com Fabinho, Neto, Daniel e Martino. Há várias outras...

Cite seu projeto de curto e longo prazo:

Em novembro vou ao Encontro de Escaladores do Nordeste, que sempre é divertido. E ano que vem, quero fazer alguma viagem maior, ainda não sei pra onde, lugar é que não falta!

Já sofreu acidente ou se lesionou? O que aprendeu com ele?

Uma vez, torci o pé e outra fissurei o calcanhar, tudo fazendo boulder, foi só.

Qual sapatilha usa?

Gosto da Five Ten, usei e ainda uso a Newton e a Anasazi.

Quem te inspira?

A maior inspiração que tive na escalada foi Alexandre Portela e Sergio Tartari. Mesmo antes de começar a escalar já tinha lido matérias sobre eles. O que fizeram, como fizeram e naquela época, foi espetacular.

Possui rotina de treino? Conte-nos:

Não possuo uma rotina de treinos, mas estou sempre fazendo algo. Faço esportiva, boulder, malho no muro, faço o costão, corro, caminho, pedalo e faço fortalecimento na academia. Mais ou menos cada um deles, dependendo do objetivo.

Como você definiria o escalador completo?

O escalador completo escala de tudo, boulder, vias esportivas, vias tradicionais, em móvel, big wall, vias alpinas. Faz aderência, fendas, negativos, etc. Não precisa escalar graus extremos, mas tem que ter um grau sólido em diversas situações.

Deixe uma mensagem:

Que escalem de tudo, não só esportiva. Que não deixem de buscar aventuras em nossas montanhas, aonde está a alma da escalada.

Para contato com Flávio Daflon, acesse: www.companhiadaescalada.com.br

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Via Novos Horizontes - Face Leste - Costão de Itacoatiara - A segunda vez...

Data: 20/10/2013

Local: Costão de Itacoatiara (Morro do Tucum) – Face Leste
Via Novos Horizontes - 3º Ivsup E2 D1 120m - Clique aqui para ver o croqui
Participantes: Leandro do Carmo e Marcos Duarte


Na Invasão deste ano, estava lá e ainda não sabia qual via iria fazer, nem quem faria a cordada comigo. Como deu a hora e a galera já começava a subir, foi ficando mais fácil ver quem ainda não tinha parceiro. Como as vias da Face Oeste já tinham cordadas e não queria ficar esperando no sol, perguntei ao Marcos se ele gostaria de fazer alguma na Face Leste. Ele aceitou e resolvemos entrar na Novos Horizontes, 3º Ivsup E2 D1 120m. Aproveitamos que o Ary e a Alessandra iriam para a Via Entre Quatro Paredes e fomos juntos.

Quando chegamos na entrada do Parque, encontramos o pessoal do programa Montanhistas, do canal OFF, junto com o André Ilha, se preparando para ir à Agulha Guarischi, pois hoje era 57º aniversário de sua conquista. Ainda parei para trocar algumas palavras com Fernando, administrador do PESET. Seguimos trilha acima e em pouco tempo já estávamos na base. Estava muito úmido e a parede estava com um limo tão verde que há muito tempo não via. Apesar do primeiro grampo estar um pouquinho alto, a saída não é complicada, principalmente se começarmos mais para a esquerda.

Nos preparamos e iniciei a subida. Como a rocha estava bastante úmida, a sapatilha logo ficou molhada, tive que subir um pouco e dar uma secada com as mãos. Olhei para cima e abaixo do primeiro grampo, já estava tudo seco. O sol já batia na altura do segundo. Resolvi passar uma fita num pequeno arbusto, pelo menos para proteger uma passada, pois se escorregasse ali, iria direto para a base. Não protegeria todo o lance até o primeiro grampo, mas era o que dava... Segui, costurei o primeiro grampo e voltei para tirar a fita, pois se ela ficasse ali, daria um arrasto forte. Descosturei e continuei subindo.

Passei pelo segundo grampo, terceiro e veio o melhor lance da primeira enfiada. Uma passada para a esquerda e cheguei ao quarto grampo. Daí para cima o lance fica meio exposto, pois não tenho móvel para proteger, mas nada de complicado... São duas lacas, formando um bico de pedra que dá para passar direto. Após esse lance, cheguei num grampo e o crux, um IVsup, logo acima. Resolvi continuar e parar acima, tirando o fator 2, caso resolvesse fazer a parada antes do crux.

Na parada, dava para acompanhar a cordada do Ary e Alessandra, que estavam na Via Entre Quatro Paredes, a Rana e o Sandro, na Alan Marra e a Eny, Carlos e Alexandre Valadão, fazendo a manutenção da via Paredão Jardim. Ainda tinha o Cláudio e o Leonardo, bem acima, também na Alan Marra. Um visual bonito! O Marcos logo subiu e ficamos ali durante algum tempo, só contemplando a paisagem. A galera que iria fazer a Guarischi começou a parecer. As nuvens que cobriam o cume do Alto Mourão, começaram a descer e por alguns instantes, também cobriu o cume da Agulha Guarischi, um espetáculo a parte! As nuvens também tornaram o tempo mais agradável e ficamos ali por mais alguns minutos.

Batemos várias fotos e já estava na hora de continuar. Perguntei ao Marcos se ele gostaria de guiar e ele prontamente aceitou! Seguiu sem problemas e rapidamente chegou na parada dupla final. Ali, tinham duas opções: montava a parada ou seguir até mais em cima, dando segurança de corpo. O Marcos resolveu parar ali mesmo. Antes de subir, acenei para o pessoal das outras cordadas e dei os parabéns para a Alessandra, que guiava uma enfiada na Entre Quatro Paredes.

Subi rápido e logo cheguei ao Marcos. Os grampos da última parada já estão bastante oxidados, merecendo uma regrampeação. Fotografei e segui ao cume, fiz segurança de corpo até que o Marcos chegou. Enquanto nos arrumávamos, as outras cordadas começavam a chegar. O Guilherme com o Coelho também apareceram, eles haviam feito a Luiz Arnaud, na Face Oeste e já estavam indo embora. Logo depois Apareceu o Alex com a Patrícia do CNM e a Patrícia do Jornal O Fluminense. Juntaram-se a nós: A Rana, Sandro, Cláudio e o Leonardo. Uma bela reunião!!! Só fera!!!!

Depois de muita conversa, fomos até o cume esperar as outras cordadas da Face Oeste chegarem. Não deu para ficar lá esperando por todas, a fome apertou e tive que descer. Lá no quiosque encontrei o pessoal que já havia descido. Fiz aquele lanhe enquanto acompanhava a última cordada ainda na parede.


Missão cumprida!!!!!

Seguem algumas fotos.