quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Subida ao Escalavrado - Parque Nacional da Serra dos Orgãos

Por Leandro do Carmo

Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Data: 01/09/2013

Participantes: Leandro do Carmo, Guilherme Belém, Michael Rogers e Leonardo Carmo

Dicas: Apesar de muitos falarem que não precisa de equipamento de escalada, considero imprescindível levar, no mínimo, uma corda; alguns lances muito expostos, apesar da baixa graduação; se o tempo virar, a descida sem equipamento se torna muito perigosa; em dias de calor, o sol castiga; é necessário enviar o termo de conhecimento de riscos ao Parque, podendo ser encaminhado por e-mail:

Tempo: Total - 3h 55min / Subida - 1h 50min / No cume - 30 min / Descida - 1h 35min
Altura: 1.406 metros
Desnível: 606 metros
Localização:
Relato

O Escalavrado é uma imponente montanha que compõe a Serra dos Órgãos, sendo a primeira que desponta, ao lado esquerdo do Dedo de Deus. Sua conquista aconteceu em 30 de agosto de 1931, pelo Centro Excursionista Brasileiro, período em que outros cumes da região, também foram alcançados, como o Cabeça de Peixe, Dedo de Nossa Senhora, Santo Antônio, São João, etc.

Era a última montanha daquela área do Parque que me faltava subir. O Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora, Dedo de Deus, e o Cabeça de Peixe, formam os cumes que são acessados por trilha que ficam fora da sede do Parque, em Teresópolis. A princípio, estava marcado de subir novamente o Dedo de Deus, mas por um erro meu, tinha marcado, justamente no dia de um compromisso de família, não tinha como estar nos dois lugares ao mesmo tempo! Não teve jeito, desmarquei o Dedo de Deus e sugeri que fizéssemos o Escalavrado no dia seguinte. Missão aceita para aqueles que podiam...

Saímos às 06:30 lá de casa e seguimos caminho. Como o Guilherme dirigiu da última vez, quando fomos até o Dedo de Nossa Senhora, resolvi dar um descanso à ele e fui dirigindo. Chegamos no Paraíso das Plantas com o tempo já aberto e quente. Não tinha nenhum carro lá parado, para nossa surpresa... Pensei que fosse encontra um monte de gente lá... Nos preparamos e seguimos estrada abaixo até o corte na crista do Escalavrado, numa curva, onde, mais abaixo, na primeira rampa de concreto, começa a subida. Mas não foi mole assim... Não sei por que, mas fiquei na cabeça que ao invés de rampa, a trilha começava por uma escada de concreto! Depois da curva, vi que a primeira rampa não tinha escada, então segui descendo. Olhei a segunda, nada... Chegamos na terceira e tinha uma escada com degraus, que chegavam a quase dois metros! Falei: é aqui!!!!

Com muita dificuldade, subimos uns 15 degraus e no final era para ter uma trilha. A todo momento o pessoal falava: - Não pode ser aqui!!!!. E eu afirmava: - É aqui sim!!!! Mas no final dos degraus, para minha surpresa, nenhum sinal de trilha. Não podia ser tão difícil assim! Quando pedi para o meu irmão dar uma olhada no guia do PARNASO, do Waldyr Neto, vimos que não tinha nada de escada... ahaaaaaa! Pegadinha do Malandro!!!! Pelo menos rolou um aquecimento! Descemos a “escada de gigante”, como a chamamos, voltamos alguns metros da estrada e entramos no caminho certo.

Foi outra coisa! Logo no final da rampa de concreto, tem uma placa indicando o início da trilha. Seguimos subindo e logo percebi que, caso chovesse, nossa descida ficaria complicada. Mas como o tempo estava ótimo, nem me preocupei com isso. Seguimos subindo, ora pela laje de pedra, ora pela trilha e sempre vendo vários grampos. Chegamos numa parte mais vertical, onde tem um lance para a direita, que dependendo do grupo, pode-se fixar um corda, num grampo mais acima, para poder facilitar a subida. Seguimos sem proteção, até entrar de novo na trilha.

Mais subida e chegamos num outro ponto onde rola alguns lances de escalada, dependendo de onde se suba, rola até um 2º ou 2ºsup. Com todos encordados, fui um pouco mais para direita, sempre de tênis, até que encontrei um grampo, bem acima, quase com 50 metros de corda. Montei a parada e vi que o Leonardo vinha logo atrás. Com um pouco de dificuldade na comunicação, pois ventava muito, pedi para ele avisar ao Guilherme para subir pelo outro lado e assim ele fez. Depois que ele chegou na parada, vimos que tínhamos subido pelo lado mais complicado. Esperamos um pouco até que o Guilherme chegasse e tocamos pra cima.

Continuamos subindo, num misto de trilha e laje de pedra. Como achei que fosse moleza, nem me preocupei com o peso da mochila, que nessa altura, somado ao peso da corda, já incomodava. Mas não dava para reclamar! Mas reclamei assim mesmo... Porém sempre subindo! A vista já impressionava. Chegamos numa parte bem exposta, que pode causar calafrios até aos mais experientes de montanha! Literalmente na crista, olhava para o pé esquerdo, penhasco, para o direto, penhasco também! Nesse ponto subimos com bastante cuidado, principalmente por causa das rajadas de vento.

Dali dava para ver que ainda faltava muito, mas devagar também se chega. Mais subida e a panturrilha começou a reclamar. Teve uma hora que o Guilherme achou que tivesse chegando, quando contornou uma barriga, mas viu que ainda faltava um pedaço, mas muito menos do que faltava a uma hora atrás. Mais alguns metros e estávamos lá. Cume!!!! Havia subestimado o Escalavrado... Achava que era muito tranquilo... Não que seja difícil, mas tinha uma outra visão. É subida o tempo todo, em dias de sol forte, nem aconselho!

O sol de inverno tinha vindo com força. A vista do Dedo de Deus é fantástica. Decidimos ficar no cume por 30minutos, o suficiente para bater fotos, lanchar, assinar o livro de cume e contemplar a paisagem. Peguei o binóculo que tinha pedido para  meu irmão levar. Tinha certeza que veria alguém escalando o Dedo de Nossa Senhora ou alguém no cume do Dedo de Deus. Mas não tinha ninguém! Estávamos sozinhos contemplando a paisagem. Tive a impressão de ter visto alguém no cume da Agulha do Diabo, focalizei o binóculo, mas a distância fazia com que não conseguisse estabilizar as mãos direito, fazendo com que a imagem ficasse um pouco tremida. Ninguém mais conseguiu ver, acabei desistindo de afirmar que tinha alguém lá.

Finalizado o nosso tempo, começamos a descer. Pelo menos já sabíamos por onde passar. Fomos descendo bem devagar e com o cuidado redobrado. A descida pode ficar perigosa em caso de chuva. Nos lances mais expostos, fomos abaixados e sempre bem lento, um de cada vez. Fizemos apenas um rapel e fixamos a corda uma vez para auxiliar um lance. Nos demais descemos em livre. A descida pode não parecer, mas tem suas dificuldades. Se o joelho não estiver em dia...

Estávamos de volta na estrada e faltava ainda um pedaço até o carro. Começamos a subir demos uma parada na Santinha, onde aproveitei para tomar um banho. A água estava tão gelada que só deu para molhar o corpo rapidamente! Meus pés começaram a doer de frio... Rapidamente saí e me sequei. Parecia que a água tinha saído da geladeira!!! Mas a água fria deu sobrevida. Fiquei renovado. Caminhamos até o Paraíso das Plantas e aquela coxinha de galinha foi providencial! Lanchamos e seguimos de volta ao som de O Rappa, The Offspring, Charlie Brown,  etc...


Até a próxima!!!

Na crista do Escalavrado


No cume

Vista do Dedo de Deus

Dedo de Deus

Dedo de Deus

Agulha do Diabo

No cume

Serra dos Órgãos

Apreciando o visual

Voltando

10 comentários:

  1. Grande Pit Bulll, seus relatos são fantásticos. Realmente o Escalavrado surpreende ! Agora o lance da "escada de gigante " rsrsrsrs foi hilário... é um dreno d'agua...rsrsrsrsrs
    Parabéns por mais essa bela aventura!

    Coelho Rala-Bota.

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    1. Podia jurar que tinha lido que o começo era por uma escada!!!hahahaha

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  2. Boa! tudo anotado para dar um pulo lá!!! ótimo relato!!!

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  3. Escada de gigante, nova via conquistada!
    Quando fui, chovera uns dias antes e ainda estava molhado, teria sido muito arriscado descer sem corda.
    Relato muito legal. As fotos estão lindas.

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    1. Essa foi a parte mais engraçada!!!!! Tem que levar corda! Uma coisa é fazer sem corda por opção. Usamos a corda em dois pontos. Segurança acima de tudo!!!!!

      Valeu!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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