sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Escalada na via Face Sudoeste - Alto Mourão

Por Leandro do Carmo

Via Face SW do Alto Mourão - 4ºV E3 D3 550m
Data: 15/10/2012
Participantes: Leandro do Carmo e Bruno Silva

DICAS: Grampeação longa; dá para escalar a francesa nas primeiras enfiadas; a base fica numa árvore encostada na rocha, á esquerda da Osvaldo Pereira; primeiro grampo bem alto; parede bem suja em algumas enfiadas; todas as paradas estão duplicadas; na sexta enfiada, tem um platô de mato que não está muito confiável, muito cuidado se forem usá-lo.

Relato

Já havia pensado em fazer a Face Sudoeste, mas ainda não tinha entrado em uma via com a grampeação tão longa. Já fiz lances expostos em algumas outras, mas não a via toda. Mas tudo na vida tem uma primeira vez... No começo do ano fiz a Osvaldo Pereira, também nessa face. Tinha certeza que a escalada seria excelente. Quando coloquei o convite na lista da Companhia da Escalada, o Bruno logo sugeriu essa via, pois já tinha comentado com ele o interesse em fazê-la. Então tudo arrumado: via; dupla; dia e hora. Agora era só esperar...Combinei com o Bruno de fazê-la na segunda-feira. Chegamos às 07:45 e deixamos meu carro lá no mirante da serrinha de Itaipuaçú. Não queria descer a pé, como fizemos na vez da Osvaldo Pereira. Já eram oito horas, quando chegamos na entrada do parque, em Itacoatiara.

Começamos a trilha e como sempre bem tranqüila. Na verdade nem sei se o caminho que fiz é a trilha mesmo, pois nunca conseguir achá-la conforme indicado no Guia de Escaladas Niterói, mas da outra vez deu certo e foi assim que fizemos, mirei uma diagonal até parede e fui. Já quase na base, ao pisar numa pedra, ela se soltou e tomei um tombo cinematográfico!!!! Ah se tivesse alguém filmando... Cotovelo ralado... ainda bem que foi só isso!!! Mas continuei e mais alguns metros a frente estava a parede. Identificamos facilmente pela árvore que se encontra encostada na rocha. Nos arrumamos e as 09:15, começamos a escalar.

Para ganharmos tempo, fizemos as duas primeiras enfiadas á francesa. No começo os lances foram bem tranqüilos. Subimos bem rápido até a segunda parada. Tem que estar entrosado. Se um cair... Nesse começo, já deu para perceber um pouco do que é escalar em E3.  De vez em quando ouvia o Bruno falar da distância entre os grampos. Como estava abaixo, não fez muita diferença.  A nossa primeira parada, fizemos a 120 metros, o que seria a segunda se fizéssemos normal.

Chegou minha vez de guiar. Fui subindo tranqüilo e aos poucos fui acostumando. Passados alguns grampos já não havia mais problemas. Mais acima, o primeiro lance de 4º da via. Passei tranqüilo e continuei subindo. Em alguns lances não dava para ver o próximo grampo, mas era só dar umas passadas para cima, que ele logo aparecia. Mais um pouco de subida e já estava no grampos duplos. Aliás, foi uma surpresa encontrar todas as paradas duplicadas, talvez essa via tenha passado por alguma reforma, pois segundo os croquis que pesquisei, todas elas eram em grampos únicos.

Montei a parada e mandei o Bruno subir, ele veio rápido e logo chegou. A vista já era fantástica. Já estávamos quase a altura do cume da Agulha Guarischi, com mais ou menos 180 metros de via, porém, ainda não tínhamos chegado nem na metade. Nessa hora eu percebi que o tempo estava ajudando. O céu estava meio encoberto, e sol não muito forte de vez em quando aparecia. Super agradável.

Comecei a guiar, também a próxima enfiada, essa era a nossa terceira. Passado uma vegetação, a via começa a ficar extremamente suja. Vem um lancezinho chato que fiz pelo lado direito de uma laca, que dificultou um pouco a coisas, mas consegui vencê-lo. Parei num grampo não muito bom, pois achava que não dava para chegar à próxima parada dupla. Dei segurança ao Bruno que veio subindo. Quando ele chegou perto dessa laca, ele reclamou de como a parede é suja, falei para ele: procura o musgo maior e segura nele!!! rs Quando ele chegou ao grampo, foi direto à parada dupla, onde montou a ancoragem e me deu segurança até lá.

Essa enfiada ele guiou, foram dois grampos e mais 55 metros de via. Uma pequena subida após a parada, e uma diagonal, acompanhando uma calha para a direita até uma grande laca onde tem um lance bonito. Lá de baixo vi o Bruno numa tesoura, mandou bem!!! Foi minha vez de subir e toquei até essa laca. Lá, ele me falou: Sente o lance! Subi rápido... Participando... Sem medo de cair é mole!!! Falei. Na quinta parada, uma pausa para o lanche. Comentamos de como estava tranqüila a escalada. O tempo estava ajudando muito. O sol desgasta de mais e torna a escalada muito cansativa. Hoje estava tudo conspirando a favor.

De barriga cheia, comecei a guiar a quinta enfiada. Um lance mais técnico, numa diagonal para a esquerda. Logo acima um platô de vegetação, onde não está muito confiável. Subindo devagar, com medo de tudo aquilo rolar. Passado esse lance, foi só seguir numa diagonal para a direta até a parada, nada confortável. Por ali, passei por umas orquídeas bem floridas, o que tirou um pouco da minha atenção. Difícil achar orquídeas assim, em estado natural.

Já na sexta parada, como falei, muito desconfortável, dei segurança ao Bruno e assim que ele chegou, aumentei a minha dayse até que ficasse mais em baixo, a fim de dar espaço para que a gente ficasse um pouco mais confortável. Nem demoramos muito e perguntei se ele queria guiar a próxima, ele me falou que se eu quisesse poderia guiar. Nem pensei duas vezes... Toquei para cima. Nessa enfiada estava o crux da via, um lance de V. Nessa enfiada, tem que fazer uma diagonal para a direita e depois seguir para a esquerda, fazendo um zig zag. Coloquei um costura bem longa, de 1,2m  para diminuir o atrito e fui subindo. Cheguei no lance chave, agarras bem pequenas numa parede bem suja, bem técnico. Essa enfiada é a mais bem protegida da via. Vencido o lance, cheguei a um diedro, onde segui para a direita, em meio a umas bromélias, até a sétima parada. E mandei o Bruno subir.

Já estava quase completa. Mais uma enfiada bem tranqüila e pronto. O Bruno chegou e logo tocou para cima. Mais dois grampos e subi também. Recolhemos a corda e fomos subindo até o cume. Passamos pelos últimos grampos da Osvaldo Pereira, onde falei para o Bruno da existência do Livro de Cume. Eu subi e o Bruno ficou para assinar o livro. Mais alguns metros e já estava lá. A vista dispensa cometários... Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas, Piratininga, Rio de Janeiro, Itaipuaçú, Inoã, Barrra de Maricá... Enfim, 360º de pura beleza!


Fizemos em 4 horas a via. Bem tranqüilo, sem pressa. Só curtindo a vista. Nos arrumamos e começamos a descer a trilha. Foram mais 40 minutos até o mirante da serrinha de Itaipuaçu. Que bom que deixamos o carro lá... Assim não precisaríamos andar até Itacoatiara.

Até a próxima.

Fotos














3 comentários:

  1. As fotos da GoPro tao muito iradas. Ficaram muito boas. Escaladao essa via...fora as partes sujas de musgo a via segue uma das linhas mais bonitas que eu ja escalei. Os conquistadores mandaram muito bem!!! Ate a proxima. Bruno Silva

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    1. Tem razão Bruno, a linha da via é excelente. Sem contar o visual...

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  2. Maneiríssima aventura!!!Deu vontade de fazer essa via! Grande abraço!

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