sábado, 27 de outubro de 2012

Vídeo da escalada na via Face Sudoeste do Alto Mourão

Fala galera,

Já está disponível o vídeo da escalada na via Face Sudoeste do Alto Mourão, 550 metros de via, na mais alta montanha de Niterói.

Vídeo em HD.

Confira!!!






Postagem do relato:
http://pitbullaventura.blogspot.com.br/2012/10/escalada-no-ato-mourao-via-face-sw-do.html

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Escalada na via Face Sudoeste - Alto Mourão

Por Leandro do Carmo

Via Face SW do Alto Mourão - 4ºV E3 D3 550m
Data: 15/10/2012
Participantes: Leandro do Carmo e Bruno Silva

DICAS: Grampeação longa; dá para escalar a francesa nas primeiras enfiadas; a base fica numa árvore encostada na rocha, á esquerda da Osvaldo Pereira; primeiro grampo bem alto; parede bem suja em algumas enfiadas; todas as paradas estão duplicadas; na sexta enfiada, tem um platô de mato que não está muito confiável, muito cuidado se forem usá-lo.

Relato

Já havia pensado em fazer a Face Sudoeste, mas ainda não tinha entrado em uma via com a grampeação tão longa. Já fiz lances expostos em algumas outras, mas não a via toda. Mas tudo na vida tem uma primeira vez... No começo do ano fiz a Osvaldo Pereira, também nessa face. Tinha certeza que a escalada seria excelente. Quando coloquei o convite na lista da Companhia da Escalada, o Bruno logo sugeriu essa via, pois já tinha comentado com ele o interesse em fazê-la. Então tudo arrumado: via; dupla; dia e hora. Agora era só esperar...Combinei com o Bruno de fazê-la na segunda-feira. Chegamos às 07:45 e deixamos meu carro lá no mirante da serrinha de Itaipuaçú. Não queria descer a pé, como fizemos na vez da Osvaldo Pereira. Já eram oito horas, quando chegamos na entrada do parque, em Itacoatiara.

Começamos a trilha e como sempre bem tranqüila. Na verdade nem sei se o caminho que fiz é a trilha mesmo, pois nunca conseguir achá-la conforme indicado no Guia de Escaladas Niterói, mas da outra vez deu certo e foi assim que fizemos, mirei uma diagonal até parede e fui. Já quase na base, ao pisar numa pedra, ela se soltou e tomei um tombo cinematográfico!!!! Ah se tivesse alguém filmando... Cotovelo ralado... ainda bem que foi só isso!!! Mas continuei e mais alguns metros a frente estava a parede. Identificamos facilmente pela árvore que se encontra encostada na rocha. Nos arrumamos e as 09:15, começamos a escalar.

Para ganharmos tempo, fizemos as duas primeiras enfiadas á francesa. No começo os lances foram bem tranqüilos. Subimos bem rápido até a segunda parada. Tem que estar entrosado. Se um cair... Nesse começo, já deu para perceber um pouco do que é escalar em E3.  De vez em quando ouvia o Bruno falar da distância entre os grampos. Como estava abaixo, não fez muita diferença.  A nossa primeira parada, fizemos a 120 metros, o que seria a segunda se fizéssemos normal.

Chegou minha vez de guiar. Fui subindo tranqüilo e aos poucos fui acostumando. Passados alguns grampos já não havia mais problemas. Mais acima, o primeiro lance de 4º da via. Passei tranqüilo e continuei subindo. Em alguns lances não dava para ver o próximo grampo, mas era só dar umas passadas para cima, que ele logo aparecia. Mais um pouco de subida e já estava no grampos duplos. Aliás, foi uma surpresa encontrar todas as paradas duplicadas, talvez essa via tenha passado por alguma reforma, pois segundo os croquis que pesquisei, todas elas eram em grampos únicos.

Montei a parada e mandei o Bruno subir, ele veio rápido e logo chegou. A vista já era fantástica. Já estávamos quase a altura do cume da Agulha Guarischi, com mais ou menos 180 metros de via, porém, ainda não tínhamos chegado nem na metade. Nessa hora eu percebi que o tempo estava ajudando. O céu estava meio encoberto, e sol não muito forte de vez em quando aparecia. Super agradável.

Comecei a guiar, também a próxima enfiada, essa era a nossa terceira. Passado uma vegetação, a via começa a ficar extremamente suja. Vem um lancezinho chato que fiz pelo lado direito de uma laca, que dificultou um pouco a coisas, mas consegui vencê-lo. Parei num grampo não muito bom, pois achava que não dava para chegar à próxima parada dupla. Dei segurança ao Bruno que veio subindo. Quando ele chegou perto dessa laca, ele reclamou de como a parede é suja, falei para ele: procura o musgo maior e segura nele!!! rs Quando ele chegou ao grampo, foi direto à parada dupla, onde montou a ancoragem e me deu segurança até lá.

Essa enfiada ele guiou, foram dois grampos e mais 55 metros de via. Uma pequena subida após a parada, e uma diagonal, acompanhando uma calha para a direita até uma grande laca onde tem um lance bonito. Lá de baixo vi o Bruno numa tesoura, mandou bem!!! Foi minha vez de subir e toquei até essa laca. Lá, ele me falou: Sente o lance! Subi rápido... Participando... Sem medo de cair é mole!!! Falei. Na quinta parada, uma pausa para o lanche. Comentamos de como estava tranqüila a escalada. O tempo estava ajudando muito. O sol desgasta de mais e torna a escalada muito cansativa. Hoje estava tudo conspirando a favor.

De barriga cheia, comecei a guiar a quinta enfiada. Um lance mais técnico, numa diagonal para a esquerda. Logo acima um platô de vegetação, onde não está muito confiável. Subindo devagar, com medo de tudo aquilo rolar. Passado esse lance, foi só seguir numa diagonal para a direta até a parada, nada confortável. Por ali, passei por umas orquídeas bem floridas, o que tirou um pouco da minha atenção. Difícil achar orquídeas assim, em estado natural.

Já na sexta parada, como falei, muito desconfortável, dei segurança ao Bruno e assim que ele chegou, aumentei a minha dayse até que ficasse mais em baixo, a fim de dar espaço para que a gente ficasse um pouco mais confortável. Nem demoramos muito e perguntei se ele queria guiar a próxima, ele me falou que se eu quisesse poderia guiar. Nem pensei duas vezes... Toquei para cima. Nessa enfiada estava o crux da via, um lance de V. Nessa enfiada, tem que fazer uma diagonal para a direita e depois seguir para a esquerda, fazendo um zig zag. Coloquei um costura bem longa, de 1,2m  para diminuir o atrito e fui subindo. Cheguei no lance chave, agarras bem pequenas numa parede bem suja, bem técnico. Essa enfiada é a mais bem protegida da via. Vencido o lance, cheguei a um diedro, onde segui para a direita, em meio a umas bromélias, até a sétima parada. E mandei o Bruno subir.

Já estava quase completa. Mais uma enfiada bem tranqüila e pronto. O Bruno chegou e logo tocou para cima. Mais dois grampos e subi também. Recolhemos a corda e fomos subindo até o cume. Passamos pelos últimos grampos da Osvaldo Pereira, onde falei para o Bruno da existência do Livro de Cume. Eu subi e o Bruno ficou para assinar o livro. Mais alguns metros e já estava lá. A vista dispensa cometários... Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas, Piratininga, Rio de Janeiro, Itaipuaçú, Inoã, Barrra de Maricá... Enfim, 360º de pura beleza!


Fizemos em 4 horas a via. Bem tranqüilo, sem pressa. Só curtindo a vista. Nos arrumamos e começamos a descer a trilha. Foram mais 40 minutos até o mirante da serrinha de Itaipuaçu. Que bom que deixamos o carro lá... Assim não precisaríamos andar até Itacoatiara.

Até a próxima.

Fotos














sábado, 13 de outubro de 2012

Vídeo da Travessia dos Olhos - Escalada à Pedra da Gávea

Vento, frio e muito perrengue em uma escalada na mais enigmática montanha do Brasil.Vista fantástica e muita história!
Travessia dos Olhos - Pedra da Gávea
Nessa aventura estavam presentes: Leandro do Carmo, Guilherme Belém, Ary Carlos, Bruno Silva e Vitor Pimenta
Confira o vídeo em HD.
 
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fator queda 2 - Um exemplo no Babilônia

Por Leandro do Carmo

Em uma escalada que fiz, presenciei uma queda fator 2 na saída da primeira parada da via IV Centenário, no Babilônia. A queda não foi literalmente um fator 2, pois a parede não era totalmente vertical, o guia deu uma rolada e a corda ainda correu um pouco antes do participante travá-la totalmente, dissipando assim um pouco da força do impacto. Mas para efeito de exemplo servirá perfeitamente. O assegurando ainda levou um grande ferimento em uma de suas mãos. Eles tiveram que abortar a escalada e o participante teve grande dificuldade para rapelar.

A princípio de conversa, vamos entender esse tal fator de queda. Fator queda é a relação entre o comprimento de corda corrido entre guia e o escalador que está fornecendo sua segurança,  dividido pela altura da queda do guia (o dobro da distância deste até a ultima costura que ele fez). Ou seja: FATOR QUEDA=ALTURA DA QUEDA/COMPRIMENTO DA CORDA DO ASSEGURANDO ATÉ O GUIA.

Veja abaixo a ilustração:

Fonte da ilustração: http://www.marski.org

O Fator de queda 2 é o máximo que se pode chegar, em escaladas normais, dessas que a gente está acostumado a fazer, haja visto que a altura de uma queda não pode exceder 2 vezes o comprimento de corda utilizado. Normalmente um fator de queda 2 pode ocorrer apenas quando o guia, na queda, passa do ponto de onde está recebendo segurança. Quando é feita a proteção, a distância da queda em função do comprimento da corda é reduzida e o fator queda cai abaixo de 2. Porém, há casos em que o fator pode ser superior a 2, tornando-se fatais, como por exemplo, as subidas em vias ferratas, utilizando solteira comum como único ponto de segurança.

Mas o que isso representa? A UIAA possui uma norma bastante severa para as cordas de escalada vendidas comercialmente. Em um de seus testes, a UIAA simula quedas com altos fatores até que a corda arrebente. Com isso, uma corda com característica 8 Falls UIAA, significa que ela "aguenta" até oito quedas num alto fator, antes de arrebentar. É claro que existem mais detalhes sobre esses testes e a conclusão não tão simplista como a descrita acima, mas para fins teóricos, podemos utilizá-la desta forma.

Vamos tentar explicar aqui o ocorrido e como se poderia ter evitado, ou pelo menos, minimizado os riscos dessa queda.

Após a primeira parada, o guia saiu para a segunda enfiada e quando foi costurar o primeiro grampo, escorregou, jogou o corpo para trás, passou pelo participante e, quando a corda esticou, o participante a travou, mas não o suficiente, correndo ainda alguns metros até que fosse travada totalmente. Consequência: mão do participante muito machucada e guia com costas e mão ralada. A parada era dupla e eles estavam usando uma costura como direcionadora.

Dava para ter evitado a queda e a mão machucada do participante?

A queda não. Mas daria para diminuir o fator se o guia tivesse subido e costurado o grampo logo acima da parada e voltado para montá-la, assim, ao sair da parada ele faria o lance em “top rope”.

Nos casos em que o guia é pesado, por vezes, só a força do participante não é necessária para segurar a corda nesses tipos de queda. Seria preciso um maior poder de frenagem. Nesse caso, o participante poderia ter usado dois mosquetões no ATC, a fim de aumentar o atrito e conseguir segurar mais a “corda”, além de poder, também, usar luvas, o que evitaria aquela queimada na mão.

Outra causa dessas queimaduras nas mãos é falta de atenção na hora da segurança. Achar que o lance é fácil de mais e que guia não cairá, pode fazer com que o assegurando fique com a mão leve e que na hora da queda, ele só perceba depois que o corda estiver correndo. Parar a corda depois que ela começa a correr é muito mais difícil e com certeza terá a mão queimada. Mesmo utilizando freios automáticos como o grigri, é imprescindível a atenção, pois a corda ainda correrá um pouco até ser travada por completo.

O mosquetão direcionador (uma costura também pode ser usada) serviu para que o participante não fosse puxado para baixo, tendo a força da queda não se concentrado no conjunto ATC/loop do baudrier, e consequentemente, na parada equalizada. No caso apresentado, ele foi puxado para cima e o direcionador, absorveu o impacto em apenas uma proteção da parada. Talvez não seja o mais seguro, pois nesse caso, a força da queda se concentrou em apenas um grampo da parada, se não tivesse o direcionador, ela se dissiparia na parada equalizada, além do conjunto loop/baudrier. Porém, essa é a configuração mais utilizada e mais cômoda também, visto que seria melhor para o assegurando ser puxado para cima, do que para baixo.

De uma maneira geral, seguem alguns conselhos:

1 – Sempre que possível, costure o lance acima da parada antes de montá-la, evitando assim um fator 2 numa possível queda, após iniciar a próxima enfiada;
2 – Caso o guia seja pesado, utilize dois mosquetões no ATC para aumentar o poder de frenagem;
3 – Utilize, também, luva na hora da segurança;
4 – Nunca tire a mão da corda para liberá-la;
5 – Esteja sempre atento, o guia pode cair a qualquer momento, mesmo os mais experientes.
6 – Use Capacete.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Escalada na Pedra da Gávea - Travessia dos Olhos


Travessia dos Olhos – 3º IV E2 170m
Local: Pedra da Gávea
Data: 29/09/2012
Participantes: Leandro do Carmo, Guilherme Belém, Ary Carlos, Bruno Silva e Vitor Pimenta 
Dicas: Caminhada forte até a base. No verão o sol é forte durante todo o dia, no inverno, o frio e o vento podem atrapalhar. Estejam preparados. Lances de cabo de aço. Por ser a maior parte em horizontal, a sensação de guiar é a mesma para o guia e participante. Não esqueçam a máquina fotográfica, a vista é fantástica!!!
Um pouco de história
Uma vista espetacular em uma escalada na mais enigmática montanha do Brasil, a Pedra da Gávea! Com seus 842 metros, ela é o maior bloco de pedra a beira mar do planeta. É um dos pontos extremos do Parque Nacional da Tijuca.
O que não falta à Pedra da Gávea são lendas e mistérios. A começar pela sua estranha forma e seu rosto enigmático. Existem histórias para todos os gostos; portal para outra dimensão, base de discos voadores, esfinge Fenícia, túmulo de reis. Algumas partes realmente despertam mais perguntas do que respostas. No topo, existem algumas formas que dizem serem inscrições fenícias. O livro Inscrições e Tradições da América Pré-Histórica (1920), de Bernardo Ramos, apresenta a tradução das inscrições, que seria: "Tyro Fenícia Badezir, primogênito de Jethbaal". O filho do rei Jethbaal teria sido enterrado em algum ponto da Pedra da Gávea, mas seu túmulo nunca foi encontrado.  
Além da forma do rosto da esfinge e o portal, este no lado que dá para a barra, também existem sítios arqueológicos, como caminhos de pedras e senzalas do tempo colonial, isso no início da trilha.
"Reinaldo Behnken, na década de 40, traçou um objetivo: “atravessar a mítica Cabeça do Imperador numa horizontal, passando pelos seus olhos". O olho esquerdo foi atingido às 14h15min do dia seis de maio de 1945, como marcam os registros do CERJ (Centro Excursionista Rio de Janeiro) , já deixando o primeiro prego, como eles diziam, para seguir em direção ao outro olho, logo concluída.
Posteriormente, na década de 60, o CER (Centro Excursionista Ramos), conquistou a "Passagem CER", toda em cabos de aço, atingindo a orelha e chegando até o cume.  Hoje, esta passagem é chamada de Travessia dos Olhos, uma horizontal em III grau e crux em 4º.
Mas deixarei a história um pouco de lado, para contar como foi essa aventura!
A escalada
Há um bom tempo que queria fazer esta via. Não foi nada difícil arrumar companhia. Depois de já termos adiado a escalada por conta do tempo, enfim, tínhamos certeza que dessa vez sairia. Monitoramos o tempo durante a semana e marcamos eu, Guilherme, Ary, Bruno e Vitor, às 07 da manhã, lá na entrada da trilha. Já na chegada, o Vitor nos apresentou o novo capacete... Não sabia se o cara iria escalar ou fazer a manutenção da trilha...rs
Tudo bem, pelo menos teríamos assunto para a trilha que não é nada curta. Fomos subindo pelo caminho de pedra e passamos por algumas ruínas e tocamos para cima. A subida é bem exigente, ainda mais com o peso das mochilas. A trilha é bem íngreme e passamos vários locais bonitos como: a Pedra do Navio, um excelente mirante; a Geladeira, onde pudemos nos refrescar com a água gelada. Levamos mais ou menos e uma hora até o local conhecido como Praça da Bandeira. Paramos para um pequeno descanso. O corpo foi esfriando e o frio aumentando, apesar da camisa suada. Saquei o anorak da mochila e o coloquei.
Recomeçamos a subida e paramos já na base, antes um pouco do ponto chamado de “carrasqueira”, um trepa pedra que assusta os inexperientes. Já na base, o vento aumentava a sensação térmica. Estava tudo encoberto pelas nuvens. Não conseguíamos nem ver a pedra. Por vezes, as nuvens se dissipavam, mas era tão rápido que nem dava tempo de sacar a máquina! Aí a primeira dúvida: será que conseguiríamos subir? Fazer essa via encoberta e perder a melhor parte... Vale a pena? E o frio? Então aguardamos um pouco até que as condições melhorassem.
Passados alguns minutos, vimos que o tempo afirmou um pouco. O Bruno e o Vítor já se arrumavam, enquanto eu e o Ary estávamos mais embaixo conversando sobre o que faríamos. O Ary só não havia trazido anorak, nem casaco. Com o vento forte, poderia ser que abortássemos a escalada. Não gostaríamos de ver ninguém com hiportemia!!! Conversei com o Guilherme e decidimos subir.
Nos arrumamos na base e o Guilherme guiou a primeira enfiada, a única vertical da via. Essa sem problemas. Com o crux quase chegando à base, numa fenda a esquerda. A primeira parada é bem confortável, em cima de um grande platô. O Ary subiu também sem problemas. Nessa hora, tomei um susto! Um barulho... Quando olhei para o alto, vi um cara fazendo “base jump”... Isso sim é coragem! Só vi a hora que o paraquedas armou.
A segunda enfiada começa com uma trilha bem pequena e uma descida até o primeiro grampo, onde começamos efetivamente a horizontal. O Guilherme foi guiando, mas em horizontal não tem muito essa de guia... Na verdade todo mundo guia, inclusive o participante. Pois numa eventual queda, todos pendulam!!! Só que o guia vai pendular para trás e participante, para frente. A sensação é a mesma.
Na segunda enfiada, o lance mais difícil é numa barriga. Nos outros lances, as agarras são grandes e há bons apoios para os pés. Na segunda parada o frio estava maior. O vento nem se fala. O Ary deveria estar sofrendo!!! O Guilherme saiu em direção à terceira parada, no olho esquerdo (direito de quem olha). Enquanto ele escalava, combinava com o Ary que quando eu chegasse na terceira parada, mandaria o Guilherme seguir direto à quarta, para que ele ficasse menos tempo exposto ao frio. Naquele ponto, ainda dava para rapelar... Mas dali para frente, não seria possível. Porém, o tempo abriu um pouco, e resolvemos continuar.
Na terceira enfiada, mais um lance difícil. Ameaçou uma câimbra na perna esquerda, mas dei uma balançadinha e ficou tudo tranqüilo. A mão gelada estava começando a doer. Passei por uma laca grande, dei uma batida e estava oca. Segui por ali mesmo. Pelo rádio, o Guilherme mandou adiantar. Onde ele estava era o crux do vento! O vento estava cada vez mais forte. Cheguei à terceira parada, já no olho esquerdo (direito para quem olha de baixo), e falei com o Guilherme para continuar, mas não tinha costura suficiente. Não tinha jeito, o Ary teria que vir e passar um pouco mais de frio.
O Ary chegou rápido e assim que se prendeu, o Guilherme saiu para a quarta enfiada. O Bruno e o Vítor já estavam bem a frente. Guilherme sempre encontrava com eles, pois quando ele chegava, o Vítor saía. Comecei a escalar e já estava bem próximo da parada quando começou uma câimbra forte na batata da perda esquerda. Não podia demorar muito, pois o Ary deveria estar num perrengue maior! Respirei fundo e toquei para cima até a parada. Nem acreditei quando cheguei lá. Parecia uma parada cinco estrelas!Um buraco abrigado do vento. Entrei rapidamente para aquecer. O Ary veio logo depois, na coragem! O Bruno já estava chegando ao final, na orelha direita. O Vitor já estava nos cabos dando segurança.
Estava muito agradável. Não batia sol, mas não ventava e isso já era o suficiente. Ali cabem umas quatro pessoas bem acomodadas num pernoite. Batemos algumas fotos e vi que os cabos de aço começavam ali. Era mais uma enfiada e pronto. Cabos de aço... Agora é mole! Pensei.
Alguns minutos depois do Vitor saiu da parada nos cabos, o Guilherme fez o pequeno rapel e começou a escalar. Foi indo bem. E depois de algum tempo perdi o contato mesmo com rádio. Acho que foi pelo forte vento. O tempo foi passando. Por vezes conseguíamos sinal com o rádio, pedia para ele puxar a corda e nada. A corda só poderia estar presa em algum lugar. Resolvi escalar e verificar o que estava acontecendo. O Ary travou a corda do Guilherme e começou a me dar segurança.
Esses lances do cabo são meio chatos. As emendas dele não são tão boas e está muito enferrujado. Passei por onde a corda estava presa, ela passou por baixo de um grampo e com o arrasto de uma aresta, não corria de maneira nenhuma. Já depois da aresta, vi o Guilherme, já na orelha direita. Fiquei mais tranqüilo. Eu achava que o vento estava forte... Engano meu! Ele estava forte pra caralho!!! O frio triplicou!
Resolvi parar ali na aresta, apesar do frio, queria evitar que a corada se prendesse novamente. Pedi para o Ary liberar a corda do Guilherme e começar a escalar. Onde eu estava, o frio era tanto que minha mão começou a ficar dura e meus pés começaram a doer. O Ary apareceu e assim que ele se prendeu, comecei a escalar. Subi o final dos cabos igual a um foguete. rs !!! Mais acima, fiz segurança de corpo e mandei o Ary subir. O dedão do pé ficou dormente e demorou uns 30 minutos para voltar ao normal... Foi um perrengue. Pensei que fosse moleza... Mas nem sempre o que parece ser fácil, será fácil... Porém, fomos recompensados pela excelente vista!
Aí, foram mais uma hora de descida até o carro. Sem dúvida uma grande aventura.

Vista da base, nos poucos momentos de céu aberto


Mais céu aberto

Barra da Tijuca


Céu encoberto

Guilherme na parada


Vítor iniciando os cabos

Ary chegando ao olho direito


Ary e Guilherme no olho direito


Placa de Homenagem


Analisando a próxima enfiada


Pedra Bonita


Guilherme nos cabos

Placa de homenagem a conquista


Na gruta, perto da orelha direita


Vitor apreciando a vista


Leandro na pose para foto



Barra da Tijuca

Que vista...


Barra da Tijuca


Como eu queria entra nesse portal e sair lá em baixo da trilha...

Barra


Barra da Tijuca


Barra da Tijuca


Barra da Tijuca


Leandro, Guilherme, Vitor, Bruno, Ary e o Imperador