terça-feira, 28 de agosto de 2012

Guia de cordada e o participante

Por: Guilherme Belem- Personal Trainer e parceiro PitBull Aventura.

 Participante: 

  • Aventureiro e não menos corajoso do que um guia, porém inexperiente. Tem a função de dar toda assistência ao guia.
  • Corda? Contigo! Segurança com atc? Com muita atenção! Suporte e peso? Em suas costas!
  • Corda embolada, bolo, "sanduba"e cerveja pós esforço? Sua responsabilidade!
  • Quase um estagiário da montanha, que irá aprender muito até revesar uma guiada na parede.
Bom participante é aquele pró ativo, que não titubeia ao ajudar, pois sem guia não há conquista.

Guia de cordada:

  • Já foi e pode a qualquer momento ser um participante.
  • É um escalador licenciado, experiente, paciente, corajoso, frio, calculista, que deve conhecer a trilha, ou pelo menos ter estudado o croqui da via.
  • Levará em consideração suas limitações físicas e a do participante.
  • Tem autonomia suficiente para tomar decisões essenciais ao bem comum, sem ter dúvidas ao desistir de uma escalada perigosa. 
  • Tem também a sensibilidade com esforço alheio e não exita aconselhar um descanso ou lanche.
  • Tem equipamento de sobra (melhor sobrar e carregar peso, do que faltar no meio da parede).
  • Ajuda muito o participante, mas não é super herói, tem medo de queda, principalmente de fator 2.
  • Ama a natureza e tenta o máximo não impactá-la, preserva a vida, não é louco, mas cá para nós: O que você faria para ter a melhor vista do mundo?


Tal texto levanta uma polêmica sobre o que sugere obrigações do guia e participante. E vocês o que acham disto? A sincronia de ambos é essencial para o sucesso de uma escalada?





Um grande abraço a galera da parede. Até a próxima!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Consulta pública para ampliação do Parque Estadual da Serra da Tiririca

Mais uma conquista. A sua presença será muito importante!!!
 
 
AMPLIAÇÃO DO PARQUE DA SERRA DA TIRIRICA É TEMA DE CONSULTA PÚBLICA
 

Foto: Leandro do Carmo

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) fará no próximo dia 30, às 19h, no Colégio Itapuca (Avenida Ernani de Faria Alves, 124 – Piratininga), em Niterói, consulta pública sobre a proposta de ampliação do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset). Situado no limite entre Niterói e Maricá, a unidade será ampliada dos atuais 2.260 hectares para 3.520 hectares, incorporando cerca de 90% da Reserva Ecológica Municipal Darcy Ribeiro, além das Ilhas do Pai, da Mãe e da Menina.

A ampliação do parque vai proporcionar maior proteção à biodiversidade da região. As áreas da Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, situada a oeste do Peset, possuem relevo montanhoso, abrangendo os morros do Cantagalo e do Jacaré e as serras Grande e do Malheiro, com altitudes médias acima de 250 metros e ponto culminante na Pedra do Cantagalo (407 m). A incorporação vai resultar na adequação da área ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que não mais prevê a Reserva Ecológica entre as categorias de áreas protegidas.

As ilhas do Pai, da Mãe e da Menina, além de grande beleza cênica, são importante refúgio para as aves marinhas. As áreas rochosas submersas não serão incorporadas ao parque, o que garante a continuidade da sua utilização pela comunidade pesqueira de Itaipu.

A ampliação do Peset será fundamental para a preservação de um importante patrimônio natural, protegendo nascentes, encostas e uma importante biodiversidade, que prestam diversos serviços ambientais à região. Além disso, essa medida poderá incrementar o ICMS ecológico recebido pelo município, e agregará valor à Região Oceânica de Niterói, favorecendo a economia e o turismo local.

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato com a Gerência de Unidades de Conservação de Proteção Integral do Inea, pelo telefone (21) 2334-6207, ou com a administração do Parque Estadual Serra da Tiririca, pelo telefone (21) 2638-4411, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Fonte: http://www.inea.rj.gov.br/noticias/noticia_dinamica1.asp?id_noticia=1861

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Não obrigatoriedade de guias em Unidades de Conservação

Direto do site da CBME
www.cbme.org.br







Com certeza uma grande vitória!!!!!! Parabéns à todos os envolvidos.
Durante mais de 10 anos, a Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) vem lutando contra a imposição da contratação de guias (condutor de visitantes) para acessar áreas naturais, em especial as Unidades de Conservação (UCs) - os “guias obrigatórios”.
Como fruto dessa luta (que inclui o 1o Encontro de Parques de Montanha, em 2006), em 2008, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou a Instrução Normativa no 8 (de 18 de setembro de 2008), onde se estabeleceu o seguinte:

CAPÍTULO II - DOS PRINCÍPIOS E DAS RECOMENDAÇÕES
Art. 3° São estabelecidos como princípios:
I - a não obrigatoriedade da contratação do condutor de visitantes;
II - que a contratação de condutores seja recomendada aos visitantes das unidades de conservação.
Em 27 DE MAIO DE 2010, foi publicado o decreto estadual Nº 42.483 (RJ), que estabelece diretrizes para o uso público nos parques estaduais administrados pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Neste decreto, ficou instituido que:
Art. 12 - A contratação de serviços de condução e guiagem nos parques estaduais, seja de pessoa física ou jurídica, será facultada ao visitante, exceto quando se tratar da visitação em áreas excepcionalmente frágeis ou vulneráveis apontadas no seu plano de manejo ou em norma editada pelo INEA, quando então será obrigatória.
Apesar da publicação da IN do ICMBio, algumas UCs federais ainda obrigam seus visitantes a contratarem guias, como é o caso destacado do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e outros parques menos emblemáticos, como por exemplo, os Parques Nacionais da Chapada dos Guimarães, dos Aparados da Serra e Serra Geral.
Ainda na luta para garantir o direito dos visitantes, a CBME promoveu novamente essa discussão durante o 2o Encontro de Parques de Montanha, onde estiveram presentes gestores e gestoras de Parques de Montanha Nacionais, Estaduais e Municipais, representantes do ICMBio, representantes de Organizações Estaduais de Meio Ambiente, representantes de órgãos municipais de meio ambiente, montanhistas e escaladores representados por associações, federações e Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, universidades, ONGs e organizações que atuam com uso público em áreas protegidas. Uma das principais recomendações do encontro foi: “Contratar serviços deve ser uma opção e não uma obrigação para o visitante”, garantindo assim o direito ao risco dos cidadãos e uma diversidade de experiências.

Com a recente divulgação do Ofício enviado pelo ICMBio à CBME informando que a obrigatoriedade da contratação de Guias no PN da Chapada dos Veadeiros será extinta em agosto de 2012, a CBME vem reafirmar seu apoio irrestrito à decisão do ICMBio de acabar com a obrigatoriedade de contratação de guias (condutores de visitantes) em Unidades de Conservação Federais, como foi anunciado nas mesas de abertura do 2o Encontro de Parques de Montanha e do 2o Congresso Brasileiro de Montanhismo e Escalada, ambos realizados durante a I Semana Brasileira de Montanhismo, em abril de 2012, no Rio de Janeiro.

O presente documento destaca o entendimento e a posição da CBME sobre o presente assunto:
  1. O que está em jogo é o fim da OBRIGATORIEDADE e não a eliminação dos serviços de condução de visitantes. Entendemos que a contratação de guias (condutores) deve ser facultada aos visitantes. Cada pessoa deve ter a liberdade de escolher se contrata um serviço ou não.
  2. Não existe nenhuma objeção ao serviço de condução de visitantes, ou mesmo ao incentivo à contratação de guias locais. Esses serviços geralmente são prestados por montanhistas profissionais e os Parques podem e devem manter um cadastro desses profissionais e recomendar sua contratação pelos visitantes menos experientes, a exemplo do que já ocorre no PN do Itatiaia e no PN da Serra dos Órgãos, entre outros.
  3. Os visitantes de uma UC possuem diferentes expectativas e necessidades, alguns buscam a solidão e o desafio, enquanto outros procuram a experiência de um contato mais próximo à natureza pela primeira vez. Todos devem ser respeitados, contribuindo para aumentar a relação afetiva entre a população e as áreas naturais, contribuindo para sua conservação. Uma gestão eficiente de visitação deve contemplar essas diferentes essas expectativas. Não se limitando a incluir todos os visitantes em um único pacote turístico, empobrecendo em demasia as oportunidades de visitação: tanto para o visitante que busca aventura e desafio, quanto para aqueles que buscam um contato mais solitário e intimo com o ambiente natural, sem a companhia compulsória de guias. A não obrigatoriedade da contratação de guias torna possível que as diversas de expectativas dos visitantes sejam atendidas.
  4. O 2o Encontro de Parques de Montanha recomenda que a gestão de UCs deve “Considerar a diversidade de necessidades da visitação e expectativas de visitantes, como por exemplo: solidão, desafio ou superação, aventura, educação, interpretação, contemplação, interação com a natureza, conhecimento, capacitação, espiritual, visitação de atrativos ícones, entre outros.
  5. As UCs devem informar quais são as atividades disponíveis e os graus de dificuldade envolvidos em cada uma delas. Também devem informar que o visitante que não se sentir preparado para realizar determinada atividade pode contratar um guia. Além disso, o visitante deve ser informado de que, caso resolva ir por conta própria, estará sujeito às conseqüências dessa decisão. Esse é o modelo que funciona muito bem na maioria dos países.
  6. A obrigatoriedade de contratar guias cria um mercado fácil para pessoas que não precisam ser bem treinadas nem possuir experiência suficiente para desempenhar essa função.  Nos locais onde não existe a obrigatoriedade cria-se uma saudável concorrência que obriga os profissionais a melhorar a qualidade de seus serviços.
  7. A segurança não é garantida, necessariamente, com a presença de um guia.
  8. A CBME acredita que a segurança do Montanhista se estabelece através da sua formação responsável e de suas atitudes no ambiente natural. Escolher o nível de risco adequado à sua capacidade e proficiência técnica é uma das principais competências de um bom Montanhista.
  9. Exemplos de diversas UCs pelo mundo demonstram que os visitantes podem atuar de maneira segura e responsável mesmo sem a presença forçada de um guia, condutor ou monitor.
  10. A liberdade e autonomia são dois dos princípios do montanhismo brasileiro, assim como a responsabilidade (CBME, 2012 – Princípios e Valores do Montanhismo Brasileiro).

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Escalada ao Dedo de Deus - Via Leste pela Blackout

Por Leandro do Carmo

Via Leste do Dedo de Deus – 3º IV E3 D3

Local: Guapimirim – Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Conquistadores: Almy Ulisséa, Antônio Taveira, Ulisses Braga
Ano: 1944

Participantes: Leandro do Carmo, Guilherme Belém, Ary, Igor Holzer e Alessandra.

Dicas para escalar o Dedo de Deus

Caminhada de aproximação pesada, levar luvas para os cabos de aço, levar anorak, boa headlamp, pilhas extras, dura o dia inteiro, levar água e comida, o escalador tem que estar dominando técnicas de chaminé, ter bom condicionamento físico, alguns lances bem expostos.

Relato da Escalada no Dedo de Deus


28 de Julho de 2012 ficará para sempre na minha lembrança. Chegar ao topo do Dedo de Deus sempre foi um sonho e acho que para a maioria dos montanhistas também. Uma caminhada pesada de aproximação, cabos de aço, cordas, trepa-pedras, ancoragem em árvores, exposição, chaminés e muita, mas muita subida... Assim dá para tentar resumir o que é escalar o Dedo de Deus. Nada mais gratificante do que chegar ao topo no ano de comemoração do centenário da conquista, ocorrida no dia 09 de abril de 1912.

A jornada foi longa, levamos aproximadamente 14 horas para completá-la. Muito cansativo, porém recompensador!!! Mas vamos ver como foi...

Vontade de escalar o Dedo de Deus nunca faltou. Estava apenas esperando a oportunidade, alguém que já conhecesse e estivesse disposto a voltar lá. Em uma das reuniões sociais do Clube Niteroiense de Montanhismo – CNM, conversei com o Ary sobre a minha vontade de escalar o Dedo. Ele me sugeriu a data do dia 28 de julho e topei na hora. Éramos sete, talvez um número grande de mais, porém resolvemos que iríamos assim mesmo. Na semana da escalada, trocamos alguns e-mails para acertarmos alguns detalhes como horário, as cordadas, etc.

Marcamos às cinco da manhã em frente ao antigo Hospital Santa Mônica. O Guilherme passou lá em casa e quando chegamos lá, o Ary já nos aguardava. O carro do Adriano não ligava de jeito nenhum  e ele acabou ficando, o que nos fez deixar o Cláudio para trás, o carro do Guilherme já estava cheio e não cabia mais ninguém. Foi uma pena, mas vida que segue...

Resumindo: de sete, viramos cinco. E assim começamos a viagem, com meia hora de atraso, mas nada de assustar. Já chegando em Guapimirim, uma pequena chuva começou a cair... Chuva??? Essa não estava nos nossos planos... Continuamos a subir na esperança de que fosse alguma nuvem passageira. Quando chegamos ao estacionamento, Tinha algumas  nuvens no céu, mas não dava para ter certeza de como estava o tempo. Então, decidimos ir até a base e lá decidiríamos se continuaríamos ou não.

Descemos a estrada até a entrada da trilha, na curva a direita, depois da Santa. Ainda não dava para ver a montanha, ela estava escondida entre as nuvens. Por vezes, víamos apenas o vulto. Começamos a trilha. Pesada desde o começo, não dava trégua. Foram mais ou menos uma hora e dez até os cabos de aço. Lá, vimos que o tempo estava bom, não teríamos problema. Paramos para uma água e começamos a subir. Os braços tem que estar preparados!!!! A subida continuava forte. A cada minuto que passava, as nuvens iam se dissipando e o Escalavrado ia mostrando a sua cara. Passados mais alguns minutos e o Dedo de Deus mostrou toda a sua beleza.

Eu, Igor e Guilherme, subimos um pouco na frente, enquanto o Ary e a Alessandra, mais atrás. Passamos um pouco do caminho, fomos em direção a Via Teixeira. Tivemos que voltar um pedaço. Mais um pouco de subida e estávamos no Polegar. Chegamos por volta das 09:40. Segunda parada para água e um descanso. Fomos até o alto dele para bater algumas fotos. Voltamos rápido para iniciar a subida, pois vinham mais algumas pessoas e não queríamos ficar para trás, o que poderia atrasar nossa subida.

Rapidamente, peguei minha mochila e comecei a subir. Chegamos até a base, onde efetivamente começamos a escalar. Dividimos as cordadas. Eu guiaria o Guilherme e o Igor, enquanto o Ary, a Alessandra. E assim começamos a subir. Logo de cara um pedra meio chatinha. Vencido o lance continuei subindo, coloquei uma fita numa árvore para proteção, pois não sabia o que encontraria pela frente. Esse começo foi tranquilo, um misto de escalada fácil com trepa-pedras. Encontrei um grampo, onde montei a parada, logo depois chegaram Guilherme e o Igor. Ary e Alessandra vieram logo atrás. O Ary me passou as dicas de como chegar até a gruta onde divide o caminho para a Maria Cebola e a Chaminé Blackout. Comecei a subir para não atrasar. Fui protegendo em algumas árvores. Uns dois lances bem legais, onde entalava os pés e mãos para continuar subindo. Cheguei numa arvorezinha que o Ary tinha falado e contornei a pedra por fora, um pouco mais exposto. Cheguei a gruta. Já era 10:50. Dali já dava para ver o comecinho da Maria Cebola e a entrada para a Blackout. Montei a parada no tronco da árvore e dei segurança ao Guilherme e o Igor. A vista dali já era fantástica. Só imaginava como seria lá em cima...

A galera chegou logo depois. O Ary iria pela Blackout e eu pela Maria Cebola. Ameacei subir, mas decidi ir pela Blackout também. Apesar de poder atrasar um pouco a subida, assim fizemos. Tivemos que passar sem mochila, a entrada era apertada de mais. O Ary foi na frente. Logo depois foi minha vez. O lance é exposto, mas tranquilo. Fiquei impressionado com o que vi pela frente. Era uma fenda bem estreita que tinha que apertar para passar. Rebocamos todas as mochilas para adiantar.

Agora só de lanterna, já não enxergávamos nada, daí o nome de blackout!!!! A caverna estava cheia de côcô de andorinha no chão. O Ary foi na frente e encontrou o caminho. Era muito apertado... Acho que um gordinho não passava!!!! Ele subiu e foi rebocando as mochilas. Para ver como é apertado, até as mochilas, sozinhas, tinham dificuldade de passar. Era minha vez de subir, fui até o final e na chaminé, fui subindo. Por vezes, era só encher o pulmão que você ficava preso. Passei por uma pequena passagem, meio de lado e cheguei até o andar de cima!!!! Gritei para a Alessandra escalar e ela veio subindo. O Ary ficou mais em cima. Ela também chegou e depois foi a vez do Guilherme e do Igor. Enquanto eles subiam, o Ary e a Alessandra continuaram. Demoramos um pouco mais. A logística era complicada. As chaminés muito apertadas, ficava difícil até se posicionar lá dentro para rebocar as mochilas e dar segurança. Mas vencemos!!!

A partir dali, era mais uma grande chaminé, com um grampo acima de uma pedra entalada no meio. Fui seguindo uma fenda na parede. No alto, um degrau na parede
ajuda a descansar. Fora da chaminé, mais um grampo onde montei a parada. Puxei as mochilas e dei segurança ao Guilherme e ao Igor. Eles foram chegando e já se dirigiram para frente, arrumando a corda e mochilas na base de outra chaminé, antes do lance do cavalinho.

Cheguei ao lance do cavalinho ás 13:45, a blackout foi o pedaço onde perdemos mais tempo. No lance do cavalinho, a gente monta literalmente na pedra, como se estivéssemos num cavalo. Usamos uma fita para servir de estribo e tocamos para cima. Mais uma chaminé apertada, porém não muito alta até a gruta onde tem o lance do passo de gigante. Esse sim um lance diferente. No começo, uma chaminé pequena, onde tem que ir subindo até o bico da pedra, no máximo que puder, aí sim você consegue dar a passada para frente, sempre forçando as costas no teto. Uma chaminé inclinada, onde vai subindo como se estivesse fazendo flexão. Dali já dava para ver a escada.

Montei a parada, reboquei as mochilas, logo em seguida veio Igor e por último o Guilherme. Não via a hora de subir aquela escada. Enquanto o Guilherme e o Igor ajeitavam a corda,  fui para cima. Cheguei lá!!!! Olhei no relógio e marcava 14:50. A vista era fantástica. Parecia que estava num avião, eu ali olhando para baixo e só via as nuvens. Tudo branco. Geralmente eu olho para cima e vejo as nuvens, ali era o contrário, eu as via olhando para baixo!!! Valeu todo o esforço. Já eram três da tarde. Fizemos um lanche, batemos fotos e descansamos um pouco.

Se fosse uma escalada normal, teria terminado por aí. Mas o Dedo de Deus é diferente. Tinha a descida!!!!! É outra aventura!!!!

Iniciamos o rapel as 16:00 h. Como estávamos com três cordas, fizemos lá de cima mesmo. Emendamos duas e fizemos um bem longo. O visual era fantástico. Passamos pelas nuvens, sem saber o que vinha abaixo. Esse rapel é pela via Teixeira, o original da conquista. Ainda dá para ver alguns grampos antigos, ainda daquela época. Dali foram mais dois rapéis até a base. Enfim começamos a caminhada.

Os cabos e a trilha estavam molhados, o que dificultava bastante. Em alguns trechos tínhamos que descer lentamente. A noite foi chegando e com as nuvens, deixou tudo muito escuro. Tivemos que acender as lanternas. Continuamos descendo. Quando chegamos a parede, no trecho inicial dos cabos de aço, resolvemos fazer um rapel. De novo, emendamos as cordas e começamos a descer. Nessa hora, as nuvens foram se dissipando e noite foi ficando mais clara. Por vezes, desligávamos as lanternas e notávamos o quanto estava claro. O Ary desceu primeiro para localizar os grampos. Ele chegou aos cabos de aço. Foi a vez da Alessandra e logo depois o Igor. Eu e o Guilherme, fizemos o rapel em simultâneo, pois ele estava sem lanterna.

Paramos mais acima que o Ary e a Alessandra. Quando puxamos a corda ela travou. Nessa hora, bateu o desânimo... Como o Ary já estava nos cabos, ele subiu para tentar desprender a corda. Ele montou o rapel numa outra parda dupla e rapelamos até o final.  Aí foi só descer... e descer... Até que chegamos a estrada. No carro, bebemos um pouco d’água que havia deixado lá. Eram nove da noite, depois de 14 horas, tínhamos voltado!!!! Missão cumprida. Sem dúvida a maior de todas!!!!!

Até a  próxima!!!!!

Segue os relatos dos outros escaladores:

"Escalar o Dedo de Deus sempre foi um sonho para mim, não só pelo ícone que ele representa para o excursionismo brasileiro (e também mundial) mas também por esta escalada fazer parte da história de minha família, por intermédio de meu pai Arno, que criou até um clube de escalada na década de 40 em Petrópolis, com meu tio e alguns amigos.
O tempo passou e apesar de fazer caminhadas desde criança, só em 2010 consegui fazer um curso de escalada (pelo CNM) e finalmente, justamente no centenário da conquista, tive o prazer de fazer cume neste belíssimo monumento.
Guiado pelo competente Leandro do Carmo, que em uma uma cordada dupla conduziu eu e o Guilherme com segurança através das tantas chaminés e fendas, finalmente, aos meus 49 anos de idade, realizei esse sonho. Valeu a pena esperar. Visual e sentimentos indescritíveis...
Parabéns a todo o grupo, principalmente ao experiente guia Ary Carlos, o grande articulador de toda a trip, que fez a guiada da Alessandra.
Fizeram falta os amigos Adriano Abelaira e Claudio Murilo, que,  já com tudo pronto, não puderam nos acompanhar por motivos de força maior.
Já estou com vontade de voltar..."
Igor Holzer




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Em uma atividade, o grupo deve manter-se sempre unido?

Por Leandro do Carmo

Em uma atividade, o grupo deve manter-se sempre unido?

Há uns dias atrás, me foi passada uma situação:

     Um grupo de três ciclistas, que não se conheciam, marcaram para pedalar na serra e na volta, já no fim da tarde, o tempo começou a virar, previsão de tempestades com raios. Com medo de pegar o temporal e ter que terminar à noite, o ciclista 1, não portando lanterna e anorak, resolve se distanciar dos outros dois ciclistas, a fim de chegar mais rápido no destino e, caso precisasse, voltaria, já com carro, para socorrer os outros dois, caso fosse necessário. Em nenhum momento, o ciclista 1 comunicou aos outros dois a sua intenção.

Tal situação, pode ser equiparada a duas cordadas no Dedo de Deus, um grupo numa caminhada longa, etc. Nesses casos, o grupo deve se manter sempre unido? Existem vertentes que diriam que o grupo deve manter-se sempre unido, pois teriam como garantir a segurança de todos os participantes. O grupo ou o participante que voltasse ou se distanciasse dos demais, ficaria muito mais vulnerável. Porém, há outras que afirmariam que em determinadas situações, poderia sim haver uma separação, visto que seria mais coerente alguém conseguir ajuda e promover o resgate com mais segurança, caso fosse necessário.

Na verdade, não como se chegar a um formato ideal. Existem situações e situações!!! Há alguns meses atrás, na via ferrata CEPI, no Pão-de-Açúcar, ocorreu de um escalador não conseguir subir mais. Eu já estava no platô do CEPI e o cara estava travado há alguns metros abaixo. Quando o outro guia chegou e após esperarmos alguns bons minutos, pensamos em deixar a corda para o outro participante rapelar com o escalador que ficou travado, porém achamos mais prudente abortar a subida e descermos todos juntos. Nesse caso, o escalador já estava cansado e não sabíamos realmente o estado dele. A decisão foi correta, mantemos o grupo unido, a separação, nesse caso, colocaria o participante em risco.

Já nas Agulhas Negras, um participante após chegar ao Abrigo Rebouças, não se sentiu bem, devido a uma forte gripe e após caminhar mais alguns minutos, percebi que ele não aguentaria, conversamos e orientei que ele voltasse sozinho. Como o abrigo estava perto, a trilha era bem marcada, não havia possibilidade de mudança brusca no tempo e o estado do participante daria condições plenas de voltar com segurança, decidi pela separação. Ele voltou ao abrigo e depois ao Posto Marcão, onde nos esperou até retornarmos.

Notem que o caso é o mesmo: separar ou manter o grupo unido? As possibilidades são enormes, vai depender da situação. Cada evento tem que ser tratado de forma única. Não dá para generalizar, criar regras ou dizer que será sempre assim. Se analisarmos profundamente, viríamos que há uma infinidade de possibilidades e vários prós e contras para cada uma delas. Porém, o fundamental é minimizar os riscos para o grupo e para si mesmo.

Analisando o caso dos ciclistas:

1.       Nem todo mundo do grupo se conhecia, apenas dois já eram amigos e tinham noção dos limites uns dos outros;
2.       O ciclista 1 não possuía lanterna e nem anorak;
3.       O ciclista 1 se distanciou do grupo sem avisar;
4.       Talvez o grupo não tenha atentado para as condições meteorológicas e características da região;
5.       Tinham o percurso traçado, mas não um plano de emergência;
6.       Não se comunicaram.

Conclusão:

Ficou claro que houve falha na comunicação. Independente da decisão tomada, ela precisa ser avisada de forma clara à todos os participantes. Mesmo o ciclista 1 tendo toda a boa intenção em adiantar e buscar ajuda, os outros dois não sabiam o que estava acontecendo. Imagina a preocupação dos outros dois... A falta de equipamento adequado, também pode interferir nas ações tomadas. Talvez se o ciclista 1 tivesse lanterna e anorak, ele não tomaria a decisão de se distanciar e chegar mais rápido ao ponto final, ele teria condições de continuar pedalando junto ao grupo e se proteger da chuva. Não há como determinar, apesar de tudo, qual seria a decisão mais prudente, porém, como já falei, era imprescindível, a comunicação. Abandonar uma trilha, voltar, ir na frente, etc., são situações que precisam ser discutidas antes e não tomadas unilateralmente. Comunicação é tudo!!!!

Dicas importantes para uma excursão:

-          Conheça o local, informações como distância, topografia, clima, etc., são importantíssimas;
-          Esteja sempre com o equipamento adequado;
-          Nunca se distancie do grupo a ponto de perder contato visual, principalmente se não conhecer a trilha ou não tiver comunicado de forma clara sua intenção;
-          Comunique-se sempre;
-          Cuidado com atividades com pessoas desconhecidas, principalmente as mais longas;
-          Lembre-se que a trilha, a via, o rio, a cachoeira, etc., estará sempre lá, você poderá voltar quando quiser, mas só se estiver vivo!!!!

Pense nisso.

Na caixa abaixo, deixe sua opinião ou relato de situação vivida por você. Seu comentário será muito importante.


Até a próxima!!!