terça-feira, 3 de julho de 2012

Treinamento de Auto Resgate - TAR

Treinamento de Auto Resgate – TAR
Por Leandro do Carmo

Participantes: Eny Hertz e Leandro do Carmo

Data: 23/06/2012
Local: Via Emil Mesquita – Morro do Telégrafo – Serra da Tiririca

Para poder ser guia do Clube Niteroiense de Montanhismo – CNM, é preciso completar um quadro de etapas, uma espécie de roteiro para testar seu conhecimentos e técnicas. Para mim, ainda faltam algumas, entre elas o TAR. Porém, a Eny se prontificou a me passar o treinamento. Sabia um pouco da teoria, mas nunca havia posto em prática. Conseguimos uma data e ela sugeriu que fôssemos para a via Emil Mesquita, visto a disposição dos grampos.

Chegamos cedo à entrada do parque e logo iniciamos a pequena trilha. No alto, onde a trilha se divide para o Bananal, Costão e Telégrafo, ela me passou uma noção sobre orientação. Após alguns minutos, nos dirigimos até a base da via. Quando chegamos, vimos que o começo estava muito molhado, ficaria muito difícil subir. Ainda tentamos outros grampos para a direita, porém eles estavam em estado duvidoso. Voltamos até a base da Emil e um pouco mais a direita, havia uma árvore com um grande galho que seguia até quase o terceiro grampo. Resolvi subir usando o galho como apoio. No final, coloquei uma fita e uma costura para proteger, pois escalaria dali até o terceiro grampo. Foi tranquilo, apesar da parede estar muito úmida, às vezes temos que improvisar!!!!

Já no terceiro grampo, me foi passado algumas orientações de como deveríamos proceder. A situação seria a seguinte:

- O guia escalou até a comprimento da corda, utilizando-a toda sua extensão e ainda tiveram que “francesar”  para chegar a parada. O participante ao começar a escalada se machuca e não tem condições de se mexer. Não há corda suficiente para rapelar ou descer o participante.

Dado a situação, iniciei os procedimentos. Não há uma verdade absoluta, coisas do tipo “isso sempre deve ser feito assim”, porém, a medida que íamos conversando, chegamos a um consenso sobre como poderíamos fazer:

1- Sempre manter a calma, pois se não, serão dois a serem resgatados. Independente da situação, é necessário se concentrar e tentar analisar a gravidade;
2- Verificar se há sinal de celular, a fim de solicitar ajuda; no nosso caso, não havia sinal de celular e o guia deveria chegar até ao participante para descê-lo;
3- Para poder liberar as mãos, dar o nó de mula para travar a corda, caso esteja dando segurança com atc no loop; caso seja atc guide ou grigri, já estará travado;
- Porque usar o mula: Fácil de fazê-lo e desatá-lo; além de travar o sistema com segurança.
4- Colocar um prussik na corda e prendê-lo a parada; fazer o backup desse prussik com uma aselha prendendo-a, também a parada (ter cuidado para não deixar muita folga entre o prussik e o aselha, pois caso o prussik falhe, não dará tranco no ferido); desfazer o nó de mula e transferir o peso para o prussik;
- Porque usar o prussik: A corda estará tensionada, não havendo possibilidade de dar outro nó.
- Problemas em usar o prussik: Necessidade de backup.
5- Faça um prussik na corda para descer até o ferido, lembrando de sempre usar um backup; se desencorde e desça; nesse momento você estará preso somente pelo prussik e seu backup;
6- Estabilize a vítima e faça os primeiros socorros; retire todo o equipamento não utilizado, você poderá precisar;
7- Transfira a vítima para o grampo, pois não há como descê-lo; para isso, precisará subi-lo, utilizando-se de um sistema de tacionamento; no grampo, faça o nó mariner e prenda-o; faça um backup desse nó e já poderá soltar a corda; a corda já está liberada e você já poderá subir prussikando para preparar o rapel;
- Porque usar o mariner: Fácil de desatar, mesmo tencionado.
- Problemas em usar o mariner: pode correr rapidamente na hora de desatá-lo e necessita de backup.
8- Desça rapelando até a vítima; monte o novo rapel, agora com o atc alongado, para poder transferir o ferido para o sistema de rapel; nesse caso você já pode montar o rapel com o atc alongado, pois quando chegar até a vítima, o sistema já estará pronto;
9- Prenda a vítima no mosquetão do atc; conecte-se, também a ela, fazendo um backup; desfaça o backup do mariner e o mariner da vítima; tomar cuidado ao desfazer o mariner para não soltá-lo rapidamente; para
10- Desça rapelando.

Bom, esses foram os procedimentos que foi definido no treinamento. Sempre há uma outra maneira segura de se fazer. Mas alguns procedimentos básicos de segurança como sempre utilizar um backup, são tido como regras básicas. Complementando esses procedimentos, algumas questões foram levantadas, tais como: utilizar UIAA no mariner, em vez de duas voltas no mosquetão, para na hora de soltar a vítima, conseguir controlar a descida; no sistema de tracionamento, utilizamos, também, o nó GARDA, porém, tivemos dificuldade em destravá-lo, a fim de descer a vítima. Para subir ele atendeu perfeitamente e tornou-se até mais prático. Pensamos até em propor um grupo de analisá-lo melhor e verificar a possibilidade de utilização nos casos de TAR.

Até a próxima!!!!

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