segunda-feira, 12 de março de 2012

Escalada - Agulha Guarischi - Itacoatiara - Parque Estadual da Serra da Tiririca

Agulha Guarischi
Via Paredão Zézão – 3º V E2 D2 260 metros
Via Paredão Eldorado – 2º E2 D1 100 metros

Data: 10/03/2012
Participantes: Leandro do Carmo e Guilherme Belém.

DICAS: Os melhores lances estão no começo; escalada em aderência; primeiro grampo bem alto; na segunda enfiada, seguir a direita do grampo numa diagonal evita o atrito da corda, apesar de aumentar a exposição; rapel em diagonal longa; possibilidade de segurança de corpo na terceira parada.

Simplesmente FANTÁSTICA!!!!!!! Se me perguntassem a palavra para descrever a via, seria essa a resposta. Não é uma via muito difícil, mas as variedades de lances, muitos rapéis, a beleza da vista e o cume, onde se fica, literalmente, montado como num cavalo, transformam essa escalada em uma verdadeira aventura, presença obrigatória no currículo de qualquer escalador.

Havia conseguido autorização para entrar as 06:30 no Parque Estadual da Serra da Tiririca e por isso combinei com o Guilherme as 06:15. Com o calor que estava fazendo, não gostaríamos de fritar na pedra. Pontualmente chegamos. Avisei ao Guarda que já iríamos subir, preenchemos o Termo de Responsabilidade e iniciamos a trilha. Foram meia hora até chegarmos a base da via.

Hoje iria estrear minha corda. O Bruno, acabara de trazê-la e não via a hora de usá-la. O Guilherme também levou a dele. Combinamos de usar as duas na hora do rapel, a fim de ganharmos tempo. Mas acho que não foi bem assim... rs! Essa eu conto mais para frente.

Já na base, nos arrumamos e os mosquitos atacaram sem piedade. Comecei a guiar. O primeiro grampo é bem alto e logo cheguei ao primeiro crux da via. Lances em aderência, fui tocando sem pensar muito. Se parasse, poderia escorregar e aí... Fui subindo e parecia que os grampos não chegavam. Sapatilha chapada na pedra, parecia pata de camaleão!!! Segurou muito bem nos primeiros lances. A confiança foi aumentando, demorei um pouco, mas cheguei a primeira parada. Um excelente platô, onde daria até para um bivaque. Montei a parada e avisei ao Guilherme que ele poderia subir.

O Guilherme veio subindo e depois de alguns minutos já estava lá em cima. Ele me perguntou se eu havia sentido o tranco da corda, pois em um lance tinha escorregado. Ainda bem que a corda estava bem retesada. Nem percebi. Essa primeira enfiada foi bem exigente. Tecnicamente, a melhor da via. Dali para cima, existiam duas possibilidades, uma era de seguir a via normal e a outra, era uma variante para a direita, seguindo uma veia na pedra, na qual aumentava a exposição do lance, mas diminuía muito o arrasto da corda.

Decidimos que faríamos a via normal. E assim fomos. O Guilherme foi guiando, num lance, passou do grampo e teve que desescalar um bom pedaço. Só ouvi o cara gritar. C... isso sempre acontece comigo !!!! Foi engraçado... Para mim é claro! Acertou o traçado e completou a enfiada. Foi minha vez de subir. Uma bonita e fácil diagonal, numa veia para a direita. Paramos no segundo grampo abaixo do bico de pedra. Dali o visual já era fantástico. Já estávamos na aresta da direita, que olhando do bananal, era a parte final do casco da tartaruga.

Dali para cima, fui guiando. Acima do bico de pedra, uma linda ave, símbolo da nação rubro-negra e soberano dos céus!!!!!ahahahehahe. Na verdade, um urubu ficou me olhando, parecia que esperava por uma foto. Foi só sacar a máquina que ele se foi... Parece que fez de sacanagem... Continuei a escalada e logo cheguei a terceira parada. Um grampo bem pequeno. Era perto de uma matinha. Resolvi fazer segurança corpo, a base era super boa. O Guilherme chegou e pegamos uma pequena trilha até a base da quarta enfiada.

Foi a vez do Guilherme guiar. Foram mais quatro grampos até um platô, onde ele montou a parada. Fui subindo e avistei um grupo na trilha para o Mourão que está interditada. Quando cheguei a parada, liguei para a sede do Parque e ninguém atendeu. É impressionante a falta de educação das pessoas. Apesar da placa de acesso proibido, eles continuam passando. Depois acontece um acidente, aí já viu né...

Guiei mais uma enfiada, já era a quinta. O sol apareceu bem na minha direção, por vezes atrapalhava. Mas como os lances eram bem fáceis, fui subindo sem problemas. Montei a parada no sexto grampo e o Guilherme subiu. Já estávamos quase no fim. Por vezes olhava para a vista e me dava mais vontade de subir. O Guilherme iniciou a sétima e última enfiada. Foi subindo bem tranquilo. O lance mais fácil da escalada. Finalmente chegou ao cume. Quando cheguei lá em cima, fiquei alguns segundos só olhando a vista.

Simplesmente fantástico. Uma das melhores escaladas que já fiz!!!!! Uma pausa para água, lanche e claro, fotos, muitas fotos... Fui até a parte mais alta, literalmente montado como se fosse num cavalo. Cheguei até um grande e antigo grampo, posto na última investida da conquista da Agulha, em 20/10/1956. Muito bacana presenciar um pouco da história do montanhismo nacional.

Depois de alguns minutos lá em cima, era hora de descer. Usaríamos as duas cordas que levamos para acelerar o rapel. Mas acho que não valeu muito. Usamos apenas em um rapel, no outro atrapalhou um pouco. Tinha hora que embolava e tínhamos que parar e puxar a corda... e tome tempo. Ficamos com medo da corda prender nos muitos platôs e vegetação do caminho e decidimos usar somente uma. Quando chegamos a base da cabeça da tartaruga, na matinha, enrolei a corda e fomos rapelando só com uma.. Acho que o esforço de escalar com uma corda a mais não valeu a pena. Se fosse nas vias do Babilônia, por serem mais limpas, daria mais certo, mas ali... Foi um erro que não cometeremos de novo.

Era rapel que não acabava mais. Porém, nada mais importava... Tínhamos chegado, o que viesse agora seria só alegria. Depois de alguns minutos, na verdade, muitos minutos, estávamos na base da via. Comemoramos a aventura e nos preparamos para trilha de volta. A mochila já pesava o dobro, mesmo já tendo bebido toda a água. Caminhamos e chegamos ao carro. Aí foi só ligar o ar condicionado e votar para casa.

Para ver as fotos, clique aqui.

Fotos








6 comentários:

  1. Seguiu meu conselho de ir antes do filho nascer? hahahaha!!
    Cara o que vc falou é verdade, é a via que eu mais gosto de fazer no peset e a que eu mais repeti. Sempre vejo alguém subindo a trilha interditada, o parque deveria colocar alguém ali no começo da trilha para segurar essa galera mal educada pelo menos no fim de semana.

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  2. Com certeza Ary!!!! Foi só aparecer a oportunidade. Quando eu desci, falei com o pessoal da subsede e eles disseram que um guarda tinha acabado de subir. Aí já era tarde.

    Valeu.

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  3. Legal Leandro, grande relato e bela escalada , parabéns.
    Luiz Coelho

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  4. Aêeeeeeeeeee Guilherme... muito showwww. Leandro tu é o cara!!!!!
    Quero ver se consigo fazer esse nível !!!!

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    1. É claro que consegue, a via é longa e para se dar bem participando, vale mais o condicionamento físico do que técnica!

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