terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Escalada - Via Paredão Resta Um - Costão / Itacoatiara

Via Paredão Resta Um – 4º VIIa E2 D1 100m
Costão - Itacoatiara

Data: 26/02/2012
Participantes: Leandro do Carmo e Guilherme Belém.

DICAS: Muitas agarras ainda por quebrar na última enfiada; lacas soltas, principalmente uma entre o terceiro e quarto grampo da segunda enfiada; opção de móvel ou uma fita longa com boca de lobo no bico de pedra em um pequeno diedro; treinar comunicação, guia não vê participante; descida por trilha; e segurança de corpo no final da via.

Já foram duas vias na face Oeste do Costão. As opções já estão acabando e eu tenho vontade de fazer todas antes de repetir alguma. Durante a semana, O Guilherme me perguntou se eu já havia pensado em alguma. Sugeri a via Paredão Resta Um, que segundo o Guia de Escaladas de Niterói, era uma via de 4º com um crux de VIIa no início da segunda enfiada. Topamos em fazê-la, porém deixamos bem claro que se não desse, faríamos o rapel do ponto onde pararmos.

Chegamos no gramado, próximo ao Costão, onde paramos as motos. Era por volta de 7:20 da manhã. Não tinha nenhuma nuvem no céu. Se fizesse o calor que houvera feito no sábado, estaríamos literalmente fritos. Nos equipamos na base, pois teríamos que fazer uma escalaminhada até o Camaleão, um platô com um grande pedaço de vegetação, lugar onde a via efetivamente começa.

Depois de alguns minutos de subida, chegamos ao Camaleão. Logo na entrada, já dava para ver os primeiros grampos. Essa primeira enfiada era de 4º e achávamos que não teríamos problema. O Guilherme guiaria a primeira enfiada e eu, a segunda.

O Guilherme começou a escalada e não demorou muito a chegar na primeira parada. Era minha vez de subir. Um começo tranquilo, algumas boas passadas. A vista, como sempre, maravilhosa. Foram sete costuras até a primeira parada. Chegando lá, vimos que era um platô, muito menor que o Camaleão, mas deu para ir caminhando até encontrarmos a base da segunda enfiada.

Logo de cara já vimos que o lance era exigente. Uma barriga que nos obrigaria a suar muito para vencê-lo. Tínhamos um problema e precisávamos resolvê-lo. Pensamos em vária opções, laçar o grampo, artificializar com fitas, etc. Mas espera aê!!!!!! A gente tá aqui para escalar!!!! Vamos tocar pra cima!!!!! Se não conseguir, aí sim a gente faz de outra forma, pensei. Mentalizei as passadas e ameacei uma subida para sentir o lance. Minha intenção era costurar o primeiro grampo, para dar mais segurança. Comecei a subir enquanto o Guilherme dava segurança com os braços esticados, lance típico de bouler. Com uma passada de tesoura, consegui costurar o primeiro grampo. Primeira parte cumprida, mas faltava muito.

Desci para respirar um pouco. Tirei a mochila para ficar mais leve e toquei para cima. De novo, usei a mesma passada em tesoura e consegui avançar mais um pouco. Acima da barriga vi uma excelente agarra. Mais uma pequena passada e consegui chegar nela. Coloquei a duas mãos e pronto: lance vencido. Costurei o segundo grampo, me prendi e reboquei a mochila para continuar a escalada. Mais um grampo e tinha uma laca enorme e toda oca. Dei umas batidas nela e nem arrisquei usá-la. Fui pelo lado, numa diagonal para a direita, muito quebradiça por sinal, até chegar um pequeno diedro. Não tinha móvel, então usei uma fita de 60cm, com um boca de lobo no bico de uma pedra. Assim diminuí a exposição do lance e melhorei, de quebra, o meu psicológico.

Fui fazendo os lances bem devagar, ia batendo nas agarras com o bico da sapatilha e alguns quebravam. Nessa hora todo cuidado era pouco. Minha preocupação com as agarras era tanta, que subi demais numa diagonal, tive que desescalar um trecho para costurar o grampo. Nessa hora, o sol apareceu com força. Por vezes, tinha dificuldade em olhar para cima. Apoiei a mão numa pedra e ela se soltou, só de tempo de gritar PEEEEDRAAAAA !!!!!!

Chegou uma hora, logo depois do sexto grampo, que não via o próximo. Comecei a subir reto e vi, logo acima, uma excelente base. Cheguei nela e consegui achar o grampo logo abaixo, pensei em ir lá costurá-lo, assim aumentaria a segurança. Porém, a base era tão boa que resolvi ficar ali mesmo. Me preparei para dar segurança de corpo. Avisei para o Guilherme que ele já poderia subir. Ele iniciou a subida e me pediu para puxar a corda e estiquei ao máximo. Em um momento, fez tanta força para baixo que se não estivesse bem apoiado, seria difícil segurar.  Foi nessa hora que olhei para o grampo e pensei que deveria ter costurado-o. Mesmo estando bem apoiado, não custava nada, não é? Depois de alguns minutos ele já estava lá em cima.

Aí, foi só curtir a vista... Descemos pela trilha e logo chegamos a praia. Um mergulho para refrescar. Nada mal para um dia de sol...

Até a próxima.

Para ver as fotos, clique aqui.

Vídeo





3 comentários:

  1. Com dicas dessa nem precisa de croqui!!!Te mando o vídeo hoje! ABRAÇO! GUILHERME BELEM

    ResponderExcluir
  2. Cara, muito maneiro o teu texto, parecia que eu tava lá vendo as coisas acontecerem. Boas dicas tb.

    ResponderExcluir

Comente aqui.