sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Escalada - Via dos Italianos - Pão-de-Açúcar

Via dos Italianos 5º Vsup E1/E2 D1 95 metros
Pão-de-Acúcar - Urca

Data: 24/12/2011
Participantes: Leandro do Carmo e Guilherme Belém.

Quando fui a primeira vez no Morro da Urca, olhei para o Pão-de-Açúcar e vi que tinha alguns escaladores no meio de uma parede vertical e pensei: como é que esses caras conseguiram chegar lá? Será que um dia conseguirei chegar lá? Muito tempo se passou e hoje teria a oportunidade de escalar a tão famosa Via dos Italianos.

Tudo começou com um mal entendido na lista da Companhia da Escalada, onde o Orlando comentou com a Suzana que eu iria escalar a Italianos. Quando falei com a Suzana e com o Bruno, achei até engraçado... Eu que nunca tinha guiado nenhum lance de V, como é que guiaria uma via inteira nesse grau? Até que deu vontade...

Com a notícia, a galera se empolgou e logo marcaram uma invasão na Italianos. Era tanta gente querendo participar que não teria guia suficiente para as cordadas. De primeira, já avisamos que seria um participante para um guia, visto a dificuldade da Italianos. Depois de tantas trocas de e-mails, ficou dividido da seguinte forma: Nereira com Júlia, David com Suzana, Bruno com o Ricardo e Eu com o Guilherme. Duas cordadas marcaram às 06:00 e outras duas às 06:30, pois como é uma via muito concorrida, poderia ter um engarrafamento na base.

Eu e o Guilherme chegamos na praça às 06:40 e não tinha ninguém. Resolvemos subir, pois achávamos que o Bruno e o Ricardo já haviam subido. Subimos a trilha bem rápido e ao chegarmos na base, encontramos o pessoal. O David já estava chegando à primeira parada, Suzana, Nereida e Cláudio já estavam prontos. A Júlia, o Bruno e o Ricardo não foram. Olhei para o alto e vi que a via era mesmo vertical, porém achava que dava!!!!!

O David chegou na parada e a Suzana iniciou a subida. Logo em seguida, foi a vez da Nereida começar a guiar. Nessa hora chegou o Flávio Leone, que iria fazer a Cavalo Louco. Fui prestando atenção nas passadas dele para ter uma idéia desse começo. Senti que era um pouco exposto, porém, tinha uma fenda que dava boa pegada, tanto para as mãos quanto para os pés.

Depois que o Cláudio estava no meio da primeira enfiada, decidi que era hora de subir. Guiar a vista é sempre diferente. Iniciei a subida logo cheguei ao primeiro grampo, costurei e segui em frente. Esse começo é bem tranquilo. Costurei o segundo e continuei subindo na oposição até o terceiro grampo, onde precisaria de uma costura bem longa, pois o lance acima seria uma diagonal para a direita e não queria que o atrito da corda aumentasse. Passada essa pequena diagonal, vinha o primeiro lance difícil. Acho que um Vsup, já para aquecer.

Lance bem protegido, o que dá uma pouco mais de segurança. Deixei ele para trás e continuei subindo. A parede bem vertical e graduação bem constante dão mais adrenalina a escalada. Quando estava na metade da primeira enfiada, o Flávio Leone avisou que uma costura que estava com o Cláudio havia caído no platô entre o CEPI e a Italianos. Me concentrei e continuei subindo. Cheguei a primeira parada dupla. Minha intenção era dar segurança ao Guilherme na segunda parada dupla, mas lá estava cheia. A Suzana, a Nereida e o Cláudio ainda estavam lá.

Preparei a equalização e pedi para o Guilherme procurar a costura do Cláudio. Ele procurou por uns 5 minutos e nada. Resolvemos continuar a escalada para não atrasar muito. O Guilherme iniciou a subida. Veio recolhendo as costuras e vencendo lance por lance. Chegando na parada ele me confirmou o que eu havia percebido: a via é f...

Tivemos que esperar um tempo até as cordadas de cima deixarem a parada. Com isso, o desgaste foi aumentando. Na Italianos, as paradas não são muito confortáveis. Quando o último participante saiu da parada de cima, me preparei e iniciei a segunda enfiada. Pensei que talvez fosse ficando mais fácil, mas engano meu. É quinto grau até em cima, sem dar descanso!!!!!!

Dei mais uma esticada e o cansaço foi batendo, dei uma meia parada e já havia subido mais uns trinta metros. Nessa hora, o cansaço bateu de vez e resolvi dar uma descansada. O corpo foi esfriando. Olhei para o grampo de cima e falei para o Guilherme que para mim não dava mais. Perguntei se ele gostaria de subir até onde eu estava e ele respondeu que para ele estava bom também.

A missão foi parcialmente cumprida!!!! Quando resolvi fazer a via já tinha em mente que iria subir até onde desse e que teria grande chance de não terminá-la. Pedi ao Cláudio que avisasse ao pessoal que eu e o Guilherme iríamos descer. Puxei a corda e preparei o rapel. Desci até a parada onde o Guilherme estava. Em seguida o Guilherme rapelou até a base, depois foi minha vez.

Ao chegar a base, o Guilherme achou a costura do Cláudio. Analisamos a escalada, o grau de dificuldade, enfim, aprendemos muito com essa via. Com certeza uma das mais belas do Rio de Janeiro. Aguardaremos a próxima oportunidade para tentar encadená-la por completo.

Para ver as fotos, clique aqui.






Um comentário:

  1. Foi uma pena vcs não terem ido, pois o crux vcs já tinham vencido. A tal diagonal, eu passei do ponto certo para virar a direita e me dei mal, tive q desescalar, em V, mas tudo bem, pois era participante, né?! Mas deu um mêdo muito grande pq a queda me levaria a um pêndulo onde me ralaria bastante. Dali pra o final da escalada, eu e David optamos em ir pela Cepi e descemos de bondinho, Pão de Açúcar - Morro da Urca. Valeu Leandro...recordar é viver....bjks, Suzana

    ResponderExcluir

Comente aqui.